A História do Vietname começou há cerca de 2700 anos. Os chineses dominaram Vietname diretamente durante grande parte do período entre 207 a.C. até 938, quando os vietnamitas recuperaram a sua independência.Kenny, Henry J. (2002). Shadow of the Dragon: Vietnam's Continuing Struggle with China and the Implications for U.S. Foreign Policy. pp. 21. Apesar disso, Vietname permaneceu um estado tributário da China durante grande parte da sua história, mas conseguiu repelir desde então as invasões chinesas, bem como três invasões dos mongóis, entre 1255 e 1285.Neher, Clark D.; Ross Marlay (1995). Democracy and Development in Southeast Asia: The Winds of Change. pp. 162. Porém, o imperador Trần Nhan Tong decidiu pacificamente tornar o Vietname um estado tributário da dinastia Yuan, para evitar novos conflitos com os mongóis. A sua independência terminou na segunda metade do século XIX, quando o país foi colonizado pela França (ver Indochina francesa). Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Japão ocupou o Vietname, embora mantendo a máquina administrativa colonial francesa durante a ocupação. Após a guerra, a França tentou restabelecer o seu domínio colonial, mas falhou na Primeira Guerra da Indochina (1946-1954). Os Acordos de Genebra dividiram o país em dois (Vietname do Norte e Vietname do Sul), com a promessa de eleições democráticas para reunificar o país.

No entanto, ao invés da reunificação pacífica, a divisão do país levou à Guerra do Vietnã (1955-1975). Durante este período, a República Popular da China e a União Soviética apoiou o Vietname do Norte, enquanto que os Estados Unidos apoiaram o Vietname do Sul. Após a morte de milhões de vietnamitas, a guerra terminou com a queda de Saigão para o Norte em Abril de 1975. O Vietnã reunificado sofreu mais repressão interna e foi isolado internacionalmente devido à manutenção da Guerra Fria e da invasão vietnamita do Camboja. Em 1986, o Partido Comunista do Vietnã mudou a sua política económica e começou as reformas económicas do sector privado, semelhantes às da China. Desde meados da década de 1980, o Vietnã teve um crescimento econômico considerável e uma ligeira redução na repressão política, apesar de ter também um aumento de denúncias de corrupção.

Das Origens ao Império do Viet-Nam

thumb|250px|Desenvolvimento histórico do atual Vietnã: 900 d.C. 1100 d.C. 1475 d.C. 1650 d.C. 1760 d.C. Século XIX: Lai Chau e Dien Bien (províncias do Noroeste).

No Neolítico, a união entre muongues, viets e chineses na bacia do Rio Vermelho deu origem ao povo vietnamita. Os primitivos vietnamitas, portanto, eram um dos povos mongólicos que viviam, há mais de 2000 anos, no sul da China e no norte do Vietnã, quando o Sul era dominado pelos povos Cham e Khmer. Em 221 a.C., a dinastia Qin da China completou a conquista dos estados vizinhos; sem dúvida, sobreviveu pouco tempo à morte de seu fundador Qin Shi Huangdi.

Em 208 a.C., no fim do século III antes da era cristã, um chefe chinês no sul, de um grupo etnolinguístico que representa o primeiro antecedente da nacionalidade vietnamita, construiu o reino de Nam Viet (Viet do Sul) no delta do rio Vermelho.

Em 111 a.C., o exército chinês conquistou o reino e o integrou ao império da dinastia Han. Os governantes enviaram administradores chineses para substituir a nobreza local, as instituições políticas seguiam o modelo chinês e o confucionismo se converteu na ideologia nacional e se introduziu a língua chinesa. No Século II d.C., houve penetração do budismo.

Uma série de levantamentos se sucederam e, depois de um milênio de submissão, os vietnamitas conquistaram a independência com a fundação da primeira dinastia nacional por Ngo Quyên (dinastia Ngo), no ano 939 d.C. Entre 968 e 980, reinou a dinastia dos Dinh no país, denominado Dai Cô Viêt, ainda vassalo da China. Depois, reinaram as dinastias imperiais dos Lê anteriores (980-1009) e, depois, dos Ly (1010-1225). O país, agora chamado Dai Viet (1054), organizou-se e adotou estruturas mandarínicas e feudais. O reino expandiu-se para o Sul, em detrimento do Champa, um Estado marítimo situado ao largo da costa central. As tensões entre os reinos não cessaram até que, em 1471, as forças do Dai Viet obtiveram vitória decisiva sobre Champa, praticamente destruindo o reino. Entre 1225 e 1413, reinou a dinastia dos Trân.

thumb|left|Estátua do imperador Lê Loi, fundador da dinastia dos Lê posteriores.

Sob as dinastias Ly e Tran (1225-1400), o Vietnã se converteu em uma força ativa do sudeste asiático. Nessa ocasião, quando o Império Mongol alcançou o poder na China no século XIII, os exércitos de Kublai Kan atacaram o Vietnã. Os vietnamitas, entretanto, conseguiram derrotar os invasores (1257 e 1287). Em 1407, entretanto, o Vietnã foi invadido novamente pelo exército chinês da dinastia Ming, dessa vez com êxito. Um movimento de resistência, comandado por Lê Loi, expulsou os chineses da região 21 anos depois e restaurou a independência do país (1428). Le Loi tornou-se o primeiro imperador da dinastia dos Lê posteriores (1428-1793).

Durante a dinastia dos Lê posteriores, foi estabelecido um governo burocrático, nos moldes chineses. Durante as gerações seguintes, o Vietnã enfrentou o Império Khmer, situado no atual Camboja. A partir de seu território original, no delta do rio Vermelho, o reino avançou gradualmente suas fronteiras em direção ao sul, até ocupar o baixo delta do rio Mekong, começado a avançar até o oeste. No século XVI, entretanto, teve início sua decadência. Em 1620, o clã dos Trinh chegou ao poder. Em 1757 esse clã concedeu aos Nguyễn, o clã rival, um feudo no sul e isso dividiu o Vietnã em duas zonas.

Entre os séculos XVI e XVII, houve confrontos entre os clãs senhoriais rivais, Mac, Nguyên (que governavam o Sul) e Trinh (que dominavam o Norte). Os jesuítas difundiram o catolicismo e latinizaram a língua vietnamita. No final do século XVIII, entre os anos de 1773 e 1792, eclodiu a revolta contra os Nguyên e os Trinh. Os os camponeses descontentes, dirigidos pelos três irmãos Tây-son, assassinaram os Nguyens, derrubaram os Trinh e rechaçaram uma invasão da dinastia Qing da China.

O império do Viet-Nam e a Dominação Francesa

thumb|Mapa da Indochina francesa.

thumb|left|Nguyên Anh, que se tornou imperador sob o nome de Gia Long.

Com a ajuda de alguns missionários da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris (entre os quais o padre Pigneau de Behaine) e dos franceses, o general Nguyên Anh, sobrevivente da família Nguyên, derrotou os exércitos de Tay Son e reconquistou a Cochinchina e as regiões de Huê e Hanói. Nguyên Anh proclamou-se imperador em 1802, adotando o nome de Gia Long, instaurando a Dinastia Nguyễn, e estabeleceu a capital imperial em Huế, no centro do país.

A influência europeia data do século XVI, mas apenas na segunda metade do século XIX as tropas francesas iniciaram a conquista do país. As expedições enviadas por Napoleão III, a partir de 1858, para proteger as missões francesas, levaram ao estabelecimento de um protetorado no Cambodja (1863); com os tratados de Saigon (1862) e Hue (1867), a Cochinchina, no extremo sul do Vietnã, foi cedida à França. Em 1885, depois da Guerra Sino-Francesa e da consequente criação de protetorados no Annam e no Tonquim, todo o país se tornou protetorado francês. Essas conquistas foram reconhecidas pela China pelo tratado de Tianjin (1885). Nos anos de 1885 e 1896, uma sublevação nacionalista agitou o país, que foi integrado à União Indochinesa, constituída pela França em 1887.

A ocupação total da Indochina foi concluída em 1907. A antiga organização do Estado vietnamita foi destruída e substituída por uma burocracia francesa. Estes fizeram investimentos no país, já em 1920. Desenvolveram a agricultura e a extração mineira, criando uma ideia de aparente prosperidade. Essa política colonial, entretanto, favoreceu apenas a classe burguesa francesa e uma elite de vietnamitas ricos, sendo negativa para o progresso do país, sacrificando de forma extraordinária a população. Se antes do domínio francês, a maioria do povo vietnamita era alfabetizada, em 1939, essa proporção caíra para 15%, e a população empobreceu. As injustiças sociais iriam mais tarde desencadear os movimentos nacionalistas.

thumb|left|Vo Nguyen Giap e Ho Chi Minh.

No início do século XX, foram criados partidos nacionalistas. O movimento nacional de resistência, que surgiu em 1905 e tinha como núcleo intelectuais formados no Japão e na França, fez rápidos progressos depois da Primeira Guerra Mundial. Em 1930, Ho Chi Minh formou o Partido Comunista Indochinês. A depressão econômica da década de 1930 precipitou a revolta da Indochina. Na liderança do movimento, o Partido Comunista ganhou terreno entre os camponeses e promoveu revoltas agrárias, guerra, lutas de guerrilhas e desordens de rua, apesar da intensa repressão. Em 1932, Bao Dai tornou-se imperador.

thumb|Soldados comemorando a vitória sobre os franceses na Batalha de Dien Bien Phu.

Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ocuparam o Vietnã, ainda colônia francesa. Os comunistas organizaram uma ampla Frente Vietminh (Liga para a Independência do Vietnã) com a ajuda dos Estados Unidos. Com a derrota do Japão em 1945, o exército Viet Minh declarou a independência da república em Hanói e assumiu o governo. O Vietminh, chefiado por Ho Chi Minh, passou a controlar o governo e o imperador Bao Dai foi forçado a abdicar. Em 1946, a França reconheceu o governo do Viet Minh no norte e deu à República Democrática do Vietnam o status de Estado livre no seio da União Indochinesa, mas se recusou a aceitar a inclusão da Cochinchina (conferência austonauta, 1946). Apesar da cooperação tática entre franceses e o Viet Minh, suas políticas eram inconciliáveis, já que os franceses tinham o objetivo de restabelecer o regime colonial e Hanói exigia independência total.

As seguidas agitações em Haiphong, acompanhadas do bombardeio da cidade por barcos de guerra franceses em novembro de 1946, causando a morte de seis mil civis, desencadearam a Guerra da Indochina, entre o Vietminh e a França, que durou quase oito anos. Os nacionalistas se retiraram para o interior do país e retomaram as guerrilhas. Os franceses formaram um governo com o imperador Bao Dai. No começo da década de 1950, os franceses, apesar da maciça ajuda americana, estavam na defensiva. Em 7 de maio de 1954, Dien Bien Phu, poderosa base dos colonialistas, teve que se render depois de um cerco de 55 dias pelas tropas do Viet Minh, lideradas pelo general Vo Nguyen Giap. Os franceses retiraram-se, mas o país ficou dividido em dois por acordos internacionais.

Divisão do Vietnã: Vietnã do Norte e Vietnã do Sul

thumb|Ngo Dinh Diem.

Após a derrota francesa na batalha de Dien Bien Phu, o governo francês iniciou negociações para finalizar a guerra. Em 21 de julho de 1954, representantes da França e do Viet Minh, na Conferência de Genebra, firmaram um acordo dividindo o país na altura do Paralelo 17° N: República Democrática do Vietnam (Vietnam do Norte, com capital em Hanói) e República do Vietnam (Vietnam do Sul, com capital em Saigon). O Vietnam do Norte, apoiado pela União Soviética, ficou sob o governo do Viet Minh; o Vietnam do Sul, sob o governo do imperador Bao Dai e com o apoio dos Estados Unidos, conservou uma economia de mercado. Pelo acordo, em 1956 seriam realizadas eleições em todo o Vietname para efetuar sua reunificação.