Região Norte do Brasil é uma das cinco regiões brasileiras definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1969, sendo formada por sete estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Com uma área de — a maior entre as cinco regiões — cobre 45,25% do território nacional, superior à área da Índia e pouco inferior à União Europeia (se fosse um país, seria o 7.º maior do mundo em área). Sua população, também segundo o IBGE, era de 17,3 milhões de habitantes em 2022, equivalente à população do Cazaquistão. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,762, é considerado alto e, em comparação com as outras regiões brasileiras, tem o segundo menor IDH, superando apenas a Região Nordeste. miniaturadaimagem|Panóplia das bandeiras dos estados da Região Norte do Brasil em conformidade com o decreto federal nº 70.274, de 9 de março de 1972 (ordem de precedência no Brasil). Suas principais cidades são Manaus e Belém, as únicas na macrorregião que possuem população superior a um milhão de habitantes. Porto Velho, Macapá, Palmas, Rio Branco e Boa Vista são outros importantes centros regionais. Está localizada na região geoeconômica da Amazônia, entre o Maciço das Guianas (ao norte), o planalto Central (ao sul), a Cordilheira dos Andes (a oeste) e o oceano Atlântico (a nordeste).
O clima predominante na região é o equatorial, além de algumas regiões de clima tropical. A região é dominada por um importante ecossistema para o planeta: a Amazônia. Registra-se também, pequenas faixas de mangue no litoral, alguns pontos de cerrado e também alguns pontos de matas galerias. A latitude e o relevo explicam a temperatura; a temperatura e os ventos explicam a umidade e o volume dos rios; e o clima e a umidade, somados, são responsáveis pela existência da mais extensa, variada e densa floresta do planeta, ou seja, a Floresta Amazônica.
A região abriga os dois maiores estados em território no país, Amazonas e Pará, onde estão localizados os dez maiores municípios do Brasil em área territorial (quatro no estado do Pará e seis no estado do Amazonas). Na região se situam ainda a maior capital estadual brasileira em área, Porto Velho, capital de Rondônia; o Rio Amazonas, o segundo mais extenso do mundo e os dois pontos culminantes do Brasil, o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março, ambos no Amazonas.
História Originalmente, esta região era habitada por uma grande diversidade de povos ameríndios, pertencentes às famílias linguísticas tupi, caribe, aruaque, pano e tucano. O Delta do Amazonas foi "descoberto" em 1500 pelo navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón. Entretanto, o rio só foi percorrido em 1542, pelo seu conterrâneo Francisco de Orellana, que relata ter sido atacado por mulheres indígenas, semelhantes às amazonas da mitologia grega, daí o nome do rio.
Nenhum país europeu reclamou as terras situadas ao norte do Brasil até que, na primeira metade do século XVII, Portugal começou as reivindicações. Em 1616, portugueses liderados por Francisco Caldeira Castelo Branco ergueram o Forte do Castelo, marco inicial da atual cidade brasileira de Belém. Entre 1637 e 1639, Pedro Teixeira percorreu o Rio Amazonas e posteriormente um de seus afluentes, o Rio Napo, chegando a cidade equatoriana de Quito.
thumb|Ajuricaba liderando a Guerra dos Manáos, contra os conquistadores portugueses, no século XVIII. Pintura de Americo Makk.|esquerda
Nos séculos XVII e XVIII, Portugal colonizou a Amazônia Brasileira, com a instalação de feitorias para a exportação das riquezas, missões para a catequese dos indígenas e fortalezas para a defesa da região. O motor de ocupação da região foram as drogas do sertão, extraídas com o uso da mão-de-obra indígena. O africano escravizado esteve pouco presente na Região Norte, pois seus habitantes não tinham condições de comprar escravos, exceto no atual Tocantins, cuja ocupação ocorreu no século XVIII, com a mineração de ouro com o uso da mão-de-obra escrava africana.
No final do século XIX e início do século XX, a economia da Amazônia Brasileira foi baseada na extração de látex (1879-1912), seiva da seringueira, utilizado para a fabricação de pneus, produtos com demanda em alta na época devido à Revolução Industrial. Para trabalhar nos seringais, vieram muitos sertanejos flagelados pela seca, principalmente cearenses.
thumb|direita|247x247px|Pelas de borracha aguardando as composições de carga da Ferrovia Madeira-Mamoré (início do século XX).
O Ciclo da Borracha acabou na época da Primeira Guerra Mundial, por causa da concorrência com o látex produzido na Malásia, para onde foram contrabandeadas sementes e mudas de seringueiras vindas da Floresta Amazônica. Entretanto, o ciclo voltou na Segunda Guerra Mundial, com o aumento da demanda por borracha devido à guerra e a ocupação de importantes áreas produtoras de látex pelo Japão.
Nas décadas de 1960 e 1970, os governos da Ditadura Militar implementaram programas para integrar a Amazônia Brasileira com o restante do país, por meio, por exemplo, da Zona Franca de Manaus e a construção de rodovias como a Transamazônica. Consequentemente, migrantes de outras partes do Brasil se fixaram no Sudeste do Pará, Tocantins, Roraima, Rondônia e Acre. No entanto, tais programas iniciaram o desmatamento em grande escala da floresta amazônica, o que perdura até hoje.
miniaturadaimagem|Chico Mendes demonstrando a extração de látex de uma seringueira, no Acre, em 1988.|esquerdaEm 1967, o IBGE elaborou a divisão regional do Brasil em cinco grandes regiões, que foi revista dois anos depois e publicada em 8 de maio de 1969 como Resolução nº. 1 da "Comissão Nacional de Planejamento e Normas Geográfico-Cartográficas". Em 24 de novembro de 1970, o decreto federal 67 647 oficializou esta divisão em cinco grandes regiões (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e, Centro-Oeste), que foi retificada em 4 de dezembro deste mesmo ano. Que teve mais uma alteração nas décadas de 1970 e 1980.
Geografia thumb|Fotografia do limbo da Terra vista da Estação Espacial Internacional, sobre o Norte do Brasil, durante a Expedição 20. A vegetação da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, influencia fortemente o ciclo da água regional.|alt=|300x300pxA Região Norte ocupa uma área de , correspondendo a 45,27% do Brasil, ontologicamente a maior região brasileira em extensão territorial. Neste território regional situam-se os estados mais extensos do Brasil, Amazonas e Pará, respectivamente. Ainda, os três municípios brasileiros mais extensos também estão localizados na macrorregião: Altamira, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, que possuem cada um mais de 100.000 km², uma extensão superior a aproximadamente 105 países mundiais, superando ainda a área dos estados de Alagoas, Sergipe, Rio de Janeiro e Espírito Santo juntos. Limita-se ao sul com os estados de Mato Grosso e Goiás, além da Bolívia, a leste com o Maranhão, Piauí e a Bahia, a oeste com o Peru e com a Colômbia e a norte com Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.
Relevo
O relevo nortista constitui-se de três grandes unidades geomorfológicas:
Planícies e Terras Baixas Amazônicas; Planalto das Guianas; Planalto Central.
Planícies e Terras Baixas Amazônicas alt=|miniaturadaimagem|300x300px|Monte Roraima, na tríplice fronteira Brasil–Guiana–Venezuela. São, de modo geral, objetos de conhecimento dos especialistas em geografia do Brasil como Planície Amazônica, embora a planície de verdade começa a ser visto apenas nas margens do rio Amazonas ou em trechos de menor porte, em meio a áreas de maior altitude. Esse compartimento geomorfológico poder ser divididos em três: igapós, tesos ou terraços fluviais e terra firme.
Igapós: Correspondem às áreas mais baixas, constantemente inundadas pelas cheias do rio Amazonas. Tesos ou terraços fluviais (Várzeas): Suas altitudes são sempre inferiores a 30 metros, sendo inundados pelas cheias mais fortes. Terra firme: Atinge altitudes de até 350 metros, estando livre das inundações. Ao contrário das várzeas e dos terraços fluviais, formados predominantemente pelos sedimentos que os rios depositam, a terra firme é constituída basicamente por arenitos.
O planalto das Guianas localiza-se ao norte da Planície Amazônica, sendo constituído por terrenos cristalinos. Prolonga-se até a Venezuela e as Guianas, e na área de fronteira entre esses países e o Brasil aparece a região serrana, constituída — de oeste para leste — pelas serras do Imeri ou Tapirapecó, Parima, Pacaraíma, Acaraí e Tumucumaque. É na região serrana que se encontram os pontos mais altos do país, como o pico da Neblina e o pico 31 de Março, na serra do Imeri, estado do Amazonas, inicialmente aferidos com instrumentos rudimentares de medição em 3 014 e 2 992 metros de altitude, respectivamente. Porém após o advento de instrumentos mais precisos para tal medição, como o GPS geodésico, esses valores foram corrigidos para 2 993 m (Pico da Neblina) e 2 972 m (Pico 31 de Março). As medidas oficiais foram obtidas pelo Projeto Pontos Culminantes do Brasil.
Planalto Central O planalto Central localiza-se ao sul da região abrangendo o sul do Amazonas e do Pará e a maior parte dos estados de Rondônia e do Tocantins. É constituído por terrenos cristalinos e sedimentares antigos, sendo mais elevado ao sul e no Tocantins.
Clima thumb|300x300px|Mapa climático da Região Norte do Brasil.|alt=
Algumas latitudes podem criar uma região com climas quentes e úmidos. A existência de calor e da enorme massa líquida favorecem a evaporação e fazem da Região Norte uma área bastante úmida. Dominada assim por um clima do tipo equatorial, a região apresenta temperaturas elevadas o ano todo (médias de 24 °C a 26 °C), uma baixa amplitude térmica, com exceção de algumas áreas do Amazonas, Rondônia e do Acre, onde ocorre o fenômeno da friagem, permitindo que massas de ar frio vindas do oceano Atlântico sul penetrem nos estados da região Sul, entrem por Mato Grosso e atinjam os estados amazônicos, diminuindo a temperatura. Isto ocorre porque o calor da Amazônia propicia uma área de baixa latitude que atrai massas de ar polar. Ocorrendo no inverno, o efeito da friagem dura uma semana ou pouco mais, quando a temperatura chega a descer a 6 °C em Vilhena (RO), 10 °C em Lábrea (AM), 12 °C em Porto Velho (RO), 13 °C Eirunepé (AM), 15 °C em Marabá (PA) e até 9 °C em Rio Branco (AC).
O regime de chuvas na região é bem marcado, havendo um período seco, de junho a novembro, e outro com grande volume de precipitação, Dezembro a Maio. As chuvas provocam mais de mm de precipitação anuais, havendo trechos com mais de mm, como o litoral do Amapá, a foz do rio Amazonas e porções da Amazônia Ocidental.
A Região Norte apresenta o clima mais úmido do Brasil, sendo comum a ocorrência de fortes chuvas. São características da região.As chuvas de convecção ou de "hora certa", que em geral ocorrem no final da tarde e se formam da seguinte maneira: com o nascer do Sol, a temperatura começa a subir, ou seja, aumentar em toda a região, aquecimento que provoca a evaporação; o vapor de água no ar se eleva, formando grandes nuvens; com a diminuição da temperatura, causada pelo passar das horas do dia, esse vapor de água se precipita, caracterizando as chuvas de "hora certa".
Vegetação alt=|miniaturadaimagem|Área de Floresta Amazônica protegida pelo Jardim Botânico de Manaus.|300x300px Na Região Norte está localizado um importante ecossistema para o planeta: a Amazônia. Além da Amazônia, a região apresenta uma pequena faixa de mangue (no litoral) e alguns pontos de cerrado, e também alguns pontos de matas galerias.