Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, ou MZUSP é um museu público de história natural no bairro do Ipiranga, na cidade de São Paulo, atrás do Museu do Ipiranga. Sua sede é um prédio construído com o propósito de ser um museu de história natural, com vitrais e decorações em gesso, exibindo temática zoológica. Sua exposição abriga uma série de animais empalhados, fósseis, réplicas de fósseis e diversas informações didáticas. Com entrada temporariamente gratuita, atrai público de todas as idades.
O museu começou a funcionar no final do século XIX como parte do Museu Paulista e em 1941 mudou-se para um edifício dedicado. Em 1969, o museu passou a fazer parte da Universidade de São Paulo, recebendo seu nome atual. Além do espaço de visitação, o museu também abriga coleções científicas de diversos grupos zoológicos, e seu corpo de docentes realiza pesquisas e fornece disciplinas a alunos de graduação e pós-graduação. Desde 2011 o Museu de Zoologia possui pós-graduação própria em "Sistemática, Taxonomia Animal e Biodiversidade". Além disso, oferece também pós-graduação em museologia, pelo programa interunidades da USP.
O MZUSP possui uma das maiores coleções de história natural da América Latina, com mais de 8,5 milhões de espécimes preservados de vertebrados anfíbios, mamíferos, pássaros, peixes e répteis) e invertebrados (cnidários, insetos, crustáceos, aracnídeos, miriápodes, anelídeos, moluscos e outros grupos marinhos). Cada coleção é organizada de forma independente e organizada de acordo com necessidades específicas. Outras instalações do museu incluem uma biblioteca especializada em zoologia e laboratórios dedicados à pesquisa em cronobiologia, microscopia eletrônica, biologia molecular, histologia e tomografia computadorizada . O MZUSP também opera a Estação Biológica Boracéia na floresta perto de Salesópolis para pesquisa de campo
O Museu foi fechado em 2011 para reformas e foi reaberto em 2015 com novidades como a exposição "Biodiversidade: conhecer para preservar." A organização interna no Museu de Zoologia conta agora com uma nova cenografia e mais diversidade de animais em sua galeria, além de um recente laboratório aberto para o público, de modo que as pessoas possam interagir com uma simulação dos bastidores do museu.
Há atualmente uma discussão que envolve o local do Museu: discute-se a possibilidade de transferi-lo para a Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira, no futuro "Parque dos Museus", mas a intenção é que o Museu de Zoologia continue no bairro do Ipiranga.
História Formação thumb|Sala lúdica O Museu de Zoologia foi formado a partir do Museu Paulista, inaugurado propriamente em 1895, no Monumento do Ipiranga. Este museu foi construído com o material de história natural acumulado desde 1870 pelo Coronel Joaquim Sertório, irmão de Domingos Sertório. Em 1890, a coleção do Coronel foi doada pelo diretor do Museu Paulista, Francisco Mayrink, para o Governo do estado de São Paulo uma coleção de história natural compilada durante a década de 1870.
Essa coleção foi posteriormente organizada pela Comissão Geográfica e Geológica do estado de São Paulo. Em 1895, as coleções foram transferidas para o novo prédio do Museu Paulista, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Nos próximos 40 anos, novas pesquisas foram realizadas com base nas crescentes coleções zoológicas, botânicas, etnográficas e históricas, alojadas no Museu Paulista. Na década de 1930, o Museu de Zoologia ainda não era uma instituição independente; ainda era a Seção de Zoologia do Museu Paulista.
Em 11 de janeiro de 1939 a o acervo de Zoologia passa a ganhar mais reconhecimento: A Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio do Estado de São Paulo cria o Departamento de Zoologia, dando uma continuidade mais acentuada à Seção de Zoologia do Museu Paulista. Este Departamento ganha, inclusive, um novo prédio construído em 1941 que permanece exclusivo ao acervo até os dias de hoje. Somente em 1969 o edifício é englobado pela Universidade de São Paulo e transformado no "Museu de Zoologia" propriamente dito.
Atualmente O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo adquiriu grande prestígio por se tratar de uma fonte de conhecimento diversificado sobre a biodiversidade brasileira e global. Possui um dos maiores acervos zoológicos da América Latina, o que traz para o Museu um estudo detalhado e qualificado desta área. São mais de 10 milhões de exemplares e alguns possuem a exclusividade de testemunhos sobre espécies já extintas. O museu foi a primeira instituição brasileira reconhecida como fiel depositária pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente do Brasil .
A biblioteca conta com equipamentos modernos que possam dialogar tanto com as exigências de cientistas quanto com a curiosidade e o interesse do público em geral. Seu patrimônio é de 78.850 volumes e desempenha um papel importante na área da biologia evolutiva, paleontologia, ecologia e biologia molecular.
Coleções alt=Older, bearded man in suit, spectacles and bow tie|direita|miniaturadaimagem| Hermann von Ihering (1850–1930) liderou os esforços para adquirir e estudar muitos dos primeiros espécimes do MZUSP O Museu de Zoologia é o lar de várias coleções zoológicas significativas. Cada coleção é curada independente e organizada para cada grupo de animais. É uma das maiores coleções biológicas da América Latina, com mais de 10 milhões de espécimes preservados. Várias sub-coleções estão entre as maiores das Américas e do mundo, com um grande número de espécimes e espécies de espécies agora extintas . A preparação dos espécimes destinados à exibição pública é separada da dos espécimes de pesquisa.
Peixes Em 2000, a coleção ictológica foi considerada uma das maiores coleções de peixes neotropicais e uma das 10 maiores do mundo. Continha quase 1,3 milhões de espécimes, preservados principalmente em etanol. Em 2020, a coleção conta com mais de 130.000 lotes (cada lote pode conter várias amostras) ocupando uma área de 700 metros e tendo mais de 9000 espécies A maioria dos peixes foi coletada no Brasil e 80% da coleção é de peixes de água doce.
A coleção teve início no final do século XIX, em comum com as demais coleções do MZUSP, e em 1940 já contava com 3.000 lotes. Durante a década de 1960, vários especialistas foram contratados. O programa Expansão Permanente à Amazônia (EPA) levou a 8 anos de coletas contínuas de peixes da região amazônica.
Acoleção expandiu-se consideravelmente também devido a expedições de pesquisa e prospecção no litoral sul do Brasil pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo . Com o estabelecimento de programas de pós-graduação e pesquisa brasileira, a coleção continua a crescer.
Répteis e anfíbios Em 2000, a coleção herpetológica do museu foi considerada a sexta maior do gênero, e é reconhecida como o maior conjunto de répteis e anfíbios da América do Sul. Em 2020, ela contém cerca de 260.000 amostras (um aumento de quase 12% em comparação com 230.000 amostras 13 anos antes), incluindo cerca de 120.000 répteis e 140.000 anfíbios (principalmente preservados em meios úmidos). Desses espécimes, 468 são espécimes-tipo. A coleção também apresenta um grande número de amostras de tecido (cerca de 6.850 itens) e quase 1.000 esqueletos, preservados a seco.
O acervo herpetológico começou como material de expedições esporádicas até o final do século XIX, que ainda estava alojado no Museu Paulista. A maioria das amostras foi identificada por pesquisadores durante o início do século XX. Em 1946, o zoólogo Paulo Emílio Vanzolini tornou-se curador de herpetologia. Vanzolini foi o principal responsável pela expansão da coleção de cerca de 1.200 amostras para seu tamanho atual. Em março de 2002, ele foi sucedido pelo zoólogo Hussam El Dine Zaher, que até 2020 é o responsável pela curadoria da coleção.
Pássaros miniaturadaimagem|160x160px|Exemplares de gralhas da coleção ornitolǵica do museu A coleção ornitológica é a maior e mais completa coleção de aves brasileiras do mundo. Em 2020, essa coleção inclui 115.000 amostras taxidermizadas mantidas em armários de armazenamento. Destas amostras, 160 são espécimes-tipo. A coleção ornitológica também contém amostras de tecido (cerca de 4.000 itens), 2.000 ninhos, 3.000 ovos, com mais de 2.000 espécimes preservados em meio úmido. Também há vocalizações gravadas de mais de 800 espécies.
A coleção de ornitologia data das primeiras coleções do Museu Paulista, com seus primeiros espécimes conhecidos coletados no final do século XIX. Durante esta primeira fase, a coleção foi curada pelo zoólogo Hermann von Ihering e foram realizadas expedições que geraram conhecimento da diversidade da avifauna brasileira. Os naturalistas viajantes associados ao museu exploraram áreas remotas (incluindo o rio Juruá em 1902 e outras regiões do Brasil) e coletaram espécimes. Após a partida de Ihering em 1916, a atividade de campo associada à coleção ornitológica diminuiu. Após 1929, sob a curadoria do zoólogo Olivério Pinto, a atividade aumentou; pesquisas foram realizadas em todos os biomas, em vários locais. Beneficiando da atividade do colecionador equatoriano A. Martins Olalla, a coleção de ornitologia se tornou a maior e mais completa coleção brasileira do gênero. Sob muitos trabalhos científicos de Pinto foram publicados, incluindo catálogos de pássaros brasileiros e a inacabada Ornithologia brasiliense.
A coleção serve de referência para programas de análise de biodiversidade da FAPESP e para elaboração de listas vermelhas para aves ameaçadas de extinção.
Pinto foi sucedido por Eurico Camargo e Helio Camargo, que continuaram a tradição de descrever e documentar a diversidade de aves brasileiras no MZUSP. Após a aposentadoria de Camargo em 1981, a coleção estagnou até que as atividades de amostragem e catalogação foram retomadas em 2003. A coleção de ornitologia é comissariada pelo zoólogo Luis Fábio Silveira..
Mamíferos Em 2020, a coleção de mamíferos (mastozoológica) possuía 50.000 espécimes (um aumento de quase 80% em relação aos 28.000 espécimes registrados em 2000) coletados em território brasileiro, especialmente do sudeste e da floresta amazônica. Em 2000, a coleção de mamíferos do museu foi considerada a segunda maior das Américas. Seus primeiros espécimes conhecidos foram catalogados em 1895. Em 1930, o zoólogo Carlos Octaviano da Cunha Vieira tornou-se o primeiro curador da coleção de mamíferos, permanecendo no cargo até sua morte em 1958. Durante seu mandato, Vieira ampliou a coleção de cerca de 3.000 para mais de 15.000 espécimes, publicando catálogos e monografias sobre mamíferos brasileiros. Vieira foi sucedido pelo zoólogo Cory Carvalho, curador da coleção de mamíferos de 1960 a 1961. Após a saída de Carvalho, a coleção não tinha curador exclusivo até 1999, quando o zoólogo Mário de Vivo assumiu o cargo.
Após a aposentadoria de Mário de Vivo em 2017, a professora Joyce Rodrigues do Prado foi contratada e assumiu a curadoria da coleção.
Crustáceos