Patinhas (Patinhas McPato ou Patinhas McPatinhas no Brasil e Scrooge McDuck na versão original dos EUA), comumente chamado de Tio Patinhas por seu sobrinho Pato Donald e seus sobrinhos-netos Huguinho, Zezinho e Luisinho, é uma personagem americana de ficção criada pelo cartunista Carl Barks, um pato antropomórfico introduzido na banda desenhada Disney em dezembro de 1947. Patinhas é um empresário com extensa fortuna, sendo comumente referido como "o pato mais rico do mundo", e é notório por uma intensa avareza que o torna avesso a grandes gastos. Boa parte de seu dinheiro está no prédio Caixa-Forte, onde Patinhas criou o hábito de nadar por entre as moedas.
Ao longo das décadas, Patinhas foi promovido de coadjuvante nas histórias do universo de Patópolis à protagonista de suas próprias aventuras, com direito à participação em vários especiais de televisão, filmes e jogos eletrônicos. A série de animação de 1987 DuckTales acompanha as aventuras de Patinhas com seus sobrinhos-netos Huguinho, Zezinho e Luisinho, depois que Donald entra para a marinha no primeiro episódio. Tio Patinhas tem sua fortuna estimada em U$ 65.4 bilhões de dólares pela revista Forbes, sendo considerado o segundo personagem mais rico da ficção de todos os tempos, atrás apenas de T'Challa.
O nome original de Patinhas em inglês, Scrooge, se baseia no avarento Ebenezer Scrooge, personagem principal do Conto de Natal, de Charles Dickens. Tal como muitos outros habitantes de Patópolis, Patinhas se tornou popular no mundo inteiro, mais ainda na Europa, e tem sido expandido mais e mais desde então.
História nos quadrinhos miniaturadaimagem|Carl Backs, o criador de Tio Patinhas.
Primeira aparição Tio Patinhas surgiu nos quadrinhos em dezembro de 1947 em "Natal nas Montanhas", história escrita e desenhada por Carl Barks. Patinhas era um velho barbudo, de óculos e razoavelmente rico, que andava curvado sobre sua bengala e vivia isolado numa "grande mansão". Na história, Patinhas convida seu sobrinho Pato Donald e sobrinhos-netos Huguinho, Zezinho e Luisinho para sua cabana nas montanhas, planejando armar um susto e divertir-se com a desgraça dos sobrinhos.
A figura de um pato escocês já havia sido usada pela Disney em um desenho chamado O Espírito de 1943, propaganda americana de guerra e que, portanto, é considerado um desenho banido comercialmente. Naquela ocasião esse pato fora a parte da consciência do Pato Donald, ou seja, a parte poupadora, que estava em conflito com a parte gastadora, curiosamente parecida com o futuro personagem Ganso Gastão, que também seria criado na mesma época que Patinhas.
Barks mais tarde relatou: "Natal nas Montanhas foi apenas minha primeira ideia para se criar um tio velho e rico. Eu o fiz muito velho e muito fraco. Descobri mais tarde que tinha que torná-lo mais ativo. Não poderia deixar um velho comum fazer as coisas que eu queria que ele fizesse".Ortman, Steve (trans.); Laqua, Charsten, "Carl Barks – the Author", Carl Barks His Work and His Life (site). Retrieved on September 5, 2007.
Personagem regular Na verdade, Barks criara Patinhas para uma aparição única, mas logo decidiu que poderia aproveitar o personagem em outras histórias. Barks seguiu retocando a aparência e a personalidade de Patinhas nos anos subsequentes.
Em sua segunda história, “O Segredo do Castelo” (publicada em junho de 1948The Old Castle's Secret at the INDUCKS e, no Brasil, em capítulos, nos três primeiros números da revista brasileira O Pato Donald, lançada pela Editora Abril em julho de 1950), Tio Patinhas recrutava seus sobrinhos para procurarem um tesouro escondido no castelo ancestral da família McDuck, na Escócia. Em “Perdendo a Esportiva"As Obras Completas de Carl Barks, Vol. 25, Abril, 2007 (novembro de 1948) surge o tradicional título e bordão de Patinhas: “O pato mais rico do mundo”.
Primeiras pistas sobre o passado de Patinhas "Donald na África", publicada em agosto de 1949, foi a primeira história a dar pistas do passado de Patinhas com a apresentação de dois personagens. Um era Foola Zoola, um velho feiticeiro africano e chefe da tribo de vodu que lançou uma maldição sobre Patinhas como vingança pela destruição de sua aldeia e tomada das terras de sua tribo décadas antes.
Patinhas confidenciou a seus sobrinhos que usara um exército de “cortadores de gargantas” para fazer a tribo abandonar suas terras, a fim de estabelecer uma colônia de exploração de diamantes. A história diz que o evento se deu em 1879, mas a data seria posteriormente corrigida para 1909 para encaixar-se com a história pessoal de Patinhas.
O outro era Zumba o Zumbi, o instrumento de maldição e vingança do feiticeiro. Pelo que consta, passou décadas em busca de Patinhas até chegar a Patópolis, confundindo Donald com Patinhas. Zumba não era realmente um morto-vivo e Foola Zoola não praticava necromancia.
Barks, com uma nota do ceticismo frequente em suas histórias, explicou que o zumbi era uma pessoa viva; não tinha morrido, mas de algum modo caiu na influência de um feiticeiro. Embora algumas cenas da história fossem pretendidas como paródia do filme ‘’White Zombie’’ de Bela Lugosi, a história é a primeira a focalizar não apenas o passado de Patinhas, mas a também tocar nos aspectos mais sombrios de sua personalidade.
Precursores de histórias posteriores “Em Busca do Unicórnio”, publicada em fevereiro de 1950, apresentou o zoológico particular de Patinhas. Um de seus pilotos tinha conseguido fotografar o último unicórnio vivo, que habitava o lado indiano dos Himalaias. Em proposta a seus sobrinhos Donald e Gastão, Patinhas ofereceu uma recompensa ao primeiro que capturasse o unicórnio para sua coleção de animais.
Esta foi também a história que apresentou seu avião particular. Mais tarde Barks estabeleceu Patinhas como um experiente aviador. Donald tinha sido mostrado anteriormente como também sendo um aviador hábil, e MacMônei também em histórias posteriores. Em comparação, Huguinho, Zezinho e Luisinho foram descritos somente tomando lições de voo na história “Ouro Congelado” (publicada em janeiro de 1945).
Em “O Dinheiro que Virou Picolé”, publicada em julho de 1951, surge a precursora da Caixa-Forte de Patinhas. Esta história diz que o edifício-sede de Patinhas contém “três acres cúbicos de dinheiro” Dois assaltantes sem nome que aparecem momentaneamente durante a história são considerados os precursores dos Irmãos Metralha.
Patinhas como personagem principal “Meu Reino por uma Ampulheta” publicada no Brasil em 1969, e originalmente publicada em setembro de 1950, é considerada a primeira história a mudar o foco das histórias de Pato Donald para Tio Patinhas. Durante a história, apresentaram-se diversos novos temas para Patinhas.
Pela primeira vez, Donald declara que seu tio praticamente é o dono de Patópolis, uma afirmação que mais tarde o rival de Patinhas, Patacôncio, levaria a disputa. Patinhas dá a primeira dica de que não nasceu na riqueza, pois lembra ter comprado a ampulheta da história em Marrocos, quando era um menino de cabine na tripulação de um navio. É também a primeira história em que Patinhas menciona o conhecimento de outras línguas e outros alfabetos além do latino, pois durante a história fala árabe e lê o alfabeto árabe.
O tema seria desenvolvido em histórias posteriores. Barks e o roteirista contemporâneo de Patinhas, Don Rosa, retrataram o personagem como fluente em árabe, holandês, alemão, mongol, espanhol, maia, finlandês e vários dialetos de chinês. Patinhas aprendeu esses idiomas em muitos anos vivendo ou viajando em várias regiões do mundo. Outros roteiristas mostraram Patinhas como tendo pelo menos noções básicas de várias outras línguas.
O Patinhas de “Meu Reino por uma Ampulheta” é mostrado mais positivamente que em histórias anteriores, mas também vemos seu lado de vilania. O objetivo de Patinhas é retomar uma ampulheta mágica que dera a Donald sem saber que funcionava como um amuleto protetor para ele. Para convencer seus sobrinhos a devolvê-la, Patinhas os persegue através de Marrocos, aonde tinham ido parar anteriormente na história. Digna de nota é a cena em que Patinhas põe Donald amarrado e faz cócegas nele com uma pena para conseguir que ele revele o paradeiro da ampulheta. Finalmente Patinhas consegue recuperá-la, trocando-a por um jarro de água, pois encontrara seus sobrinhos exaustos e sem suprimentos no meio do deserto. Patinhas explica que pretendia dar uma oferta melhor, mas não podia resistir a ter alguém à sua mercê sem tirar vantagem disso.
Patinhas ganhou mais importância com o início da publicação de revistas escritas por Carl Barks com o título "Tio Patinhas" em 1952. A 1º revista foi publicada em Março de 1952 com a história "Nadando em Dinheiro ou Pobre Tio Patinhas", publicada em Portugal na revista "Obras-Primas da Bd Disney 9", "Carl Barks 1952-1954".
Desenvolvimentos finais Em “A Financial Fable”, publicada em março de 1951, Patinhas dá a Donald algumas lições de produtividade como fonte de riqueza, junto com as leis de oferta e demanda. Mais importante, foi a primeira história em que Patinhas observa como Huguinho, Zezinho e Luisinho são diligentes e industriosos, o que os tornava mais semelhantes a Patinhas do que a Donald. O vínculo entre tio-avô e sobrinhos-netos se fortaleceria em histórias posteriores.
“Terror of the Beagle Boys”, publicada em novembro de 1951, apresentou os leitores aos Irmãos Metralha, apesar de o Patinhas da história parecer já ser conhecido deles. “The Big Bin on Killmotor Hill” apresentou a Caixa-Forte de Patinhas, construída no Morro Mata-Motor no centro de Patópolis.
A esta altura, Tio Patinhas já era familiar aos leitores nos Estados Unidos e na Europa. Outros roteiristas e artistas Disney além de Barks começaram a usar o personagem em suas histórias, como o italiano Romano Scarpa. Em março de 1952 a Western Publishing, editora dos quadrinhos Disney nos EUA, lançou a primeira edição da revista ‘’Uncle Scrooge’’, destacando Patinhas como protagonista. A história em destaque, “Only a Poor Old Man” se tornou, junto com “Back to the Klondike” (publicada em março de 1953), a maior influência na definição do caráter, passado e crenças do personagem.
Daí em diante, Barks produziu a maior parte de suas histórias mais longas e aventurescas para a ‘’Uncle Scrooge’’, enquanto as histórias de dez páginas da ‘’Walt Disney’s Comics and Stories’’ continuaram a destacar Donald e focalizar na comédia. Nas histórias de Patinhas, os sobrinhos eram escalados como assistentes, acompanhando o velho pato em suas aventuras pelo mundo. Esta mudança de foco de Donald para Patinhas também se refletiu nas histórias de outros roteiristas contemporâneos. Patinhas continua sendo uma figura central do universo de quadrinhos dos patos.
Era moderna Após a aposentadoria de Barks, o personagem continuou a estrelar histórias de outros artistas. Em 1972, Barks foi persuadido a escrever mais histórias para a Disney. Escreveu histórias dos Escoteiros Mirins, onde Patinhas muitas vezes fazia papel de vilão, semelhante ao que teve em sua primeira história. Nas mãos de Barks, Patinhas sempre era um personagem maleável que assumiria qualquer personagem conveniente para a trama. O escritor e artista italiano Romano Scarpa fez várias adições ao universo do Tio Patinhas, incluindo personagens como Brigite, a eterna pretendente do pato avarento. Essa personagem apareceu principalmente em quadrinhos europeus. Também é o caso do rival de Patinhas, Patacôncio (criado por Barks para apenas uma história) e o primo de Donald, Peninha, que às vezes, trabalha como repórter para o jornal A Patada. Don Rosa