O Reino de Judá (), antiga região no atual Oriente Médio que limitava-se ao norte com o antigo Reino de Israel, a oeste com a região costeira da Filístia, ao sul com o deserto de Negueve, e a leste com o rio Jordão e o mar Morto e o Reino de Moabe. Era uma região alta, geograficamente isolada por colinas de montanhas ao oeste, o mar Morto a leste e pelo deserto de Negueve ao sul. Sua capital era Jerusalém, onde encontrava-se o Templo de Jerusalém, o qual segundo a Bíblia, teria sido erigido por ordem do rei Salomão para abrigar a Arca da Aliança (ou Arca do Pacto). Segundo a Estela de Tel Dã ("House of David", estela do século IX a.C. da região de Dã), o Reino de Judá realmente existiu, em alguma forma, pelo menos em meados do , mas faz pouco para mostrar até que ponto.

Após a divisão do reino, no quinto ano do reinado do rei Roboão, o faraó Sisaque I invadiu o território dos hebreus e transformou o Reino de Judá num estado tributário. Esse fato evidenciado no relato bíblico (II Crônicas 12.2) e comprovado por inscrições egípcias. (Inscrição mural sobre Sisaque I no Templo de Carnaque e a estela de Megido). Devido à sua posição estratégica às portas da península do Sinai e acesso ao Baixo Egito, foi utilizada pelo faraó como um Estado tampão, o que lhe pouparia de usar seus próprios exércitos para defender esta fronteira.

O Reino de Judá entrou em conflitos com os reinos de Moabe, Amom e os filisteus. A Bíblia afirma que o Reino de Judá permaneceu, de maneira geral, fiel à sua fé em Deus (Javé ou Jeová), enquanto que Israel setentrional tornara-se fortemente influenciado pela cultura cananeia e pela religião fenícia. O culto a Hashem e preservação da linhagem real davídica do qual deveria vir o prometido Messias, de acordo com os profetas do Antigo Testamento, a justificativa para a misericórdia de Deus sobre o Reino de Judá, ao passo que o politeísmo do Reino de Israel teria sido responsável por sua ira sobre seus governantes (enquanto o Reino de Judá permaneceu sob a dinastia dos descendentes do rei David, o Reino de Israel passou por várias dinastias e golpes de Estado).

A arqueologia vem demonstrando que, durante os séculos IX e , Judá não passava de uma região atrasada, predominantemente rural, prejudicado pelo isolamento geográfico e com uma população politeísta formada principalmente por pastores nômades e mencionado por fontes estrangeiras pela primeira vez apenas em , dois séculos após a formação do Reino de Israel. Este, por outro lado, localizado numa região mais privilegiada para a agricultura e rota de comércio entre os portos fenícios e os estados mesopotâmicos, gozou de grande desenvolvimento anterior, durante os séculos IX e , estendendo suas fronteiras entre os territórios arameus ao norte da Galileia, instalando palácios em diversas partes do reino e formando um poderoso exército.Finkelstein, Israel; Silberman, Neil Asher (2001). The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts

O Reino de Judá viu o perigo das potências estrangeiras emergentes quando a capital de Israel, Samaria foi tomada pelo rei assírio , em , o que o levou a buscar prestar vassalagem junto à Assíria. Ironicamente, a destruição do reino do norte pelos assírios causou um grande florescimento do reino de Judá, ao sul. A população cresceu enormemente, alimentada pelos refugiados hebreus do norte e Jerusalém, antes uma pequena cidade de um reino pobre e isolado no sul, tornou-se o grande centro de influência entre todos os hebreus. Mais tarde, devido à recusa do rei Ezequias em continuar pagando tributos à Assíria, o rei Senaqueribe invadiu o Reino de Judá e sitiou Jerusalém, mas sem a conquistar. Segundo a Bíblia, o seu exército foi "subitamente destruído por obra de Deus". Os registros assírios em Nínive e os trabalhos arqueológicos realizados na região apontam para uma situação diferente. Embora Jerusalém tenha sido apenas saqueada e poupada da devastação e do terrorismo de estado praticados pelos assírios contra populações rebeldes, outras cidades do reino de Judá, como a rica Laquis, na região oeste do reino, não contaram com a mesma sorte e foram pilhadas, com seus moradores assassinados ou escravizados.Finkelstein & Silberman 2001, The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. O rei Senaqueribe, ao encerrar sua campanha na Filistia, concedeu ao reino de Judá um saldo considerado como desastroso, incluindo a redução de um terço da população do reino e a perda da rica região do Sefelá, produtora de cereais, transferida pelos assírios aos seus vassalos filisteus.

Lista dos reis

Para esta época, a maioria dos historiadores segue as cronologias estabelecidas por William Foxwell Albright ou Edwin R. Thiele, ou a nova cronologia de Gershon Galil. Além destas tem também a cronologia de Steve Rudd. Todas elas são indicadas no quadro. Todas as datas são a.C. (Antes de Cristo).

Datas de Steve RuddDatas de AlbrightDatas de ThieleDatas de GalilNome comum/ Nome biblicoTradução alternativaNome HebraicoNotas931-914 a.C.922–915 a.C.931–913 a.C.931–914 a.C.RoboãoReoboãoרחבעם בן-שלמה מלך יהודהRehav’am ben Shlomoh 914-911 a.C.915–913 a.C.913–911 a.C.914–911 a.C.AbiasAbiãoAbiamאבים בן-רחבעם מלך יהודה ’Aviyam ben Rehav’am 911-870 a.C.913–873 a.C.911–870 a.C.911–870 a.C.Asa אסא בן-אבים מלך יהודה ’Asa ben ’Aviyam 872-848 a.C.873–849 a.C.870–848 a.C.870–845 a.C.JosafáJosafatJeosafáיהושפט בן-אסא מלך יהודה Yehoshafat ben ’AsaCo-Reinou com Asa por dois anos853-841 a.C.849–842 a.C.848–841 a.C.851–843 a.C.JorãoJeorãoיהורם בן-יהושפט מלך יהודהYehoram ben YehoshafatCo-Reinou com Josafá por cinco anos, foi assassinado841 a.C.842–842 a.C.841–841 a.C.843–842 a.C.AcaziasOcoziasאחזיהו בן-יהורם מלך יהודה ’Ahazyahu ben YehoramMorto por Jeú, Rei de Israel841-835 a.C.842–837 a.C.841–835 a.C.842–835 a.C.Atália עתליה בת-עמרי מלכת יהודה‘Atalyah bat ‘OmriAssassinada835-796 a.C.837–800 a.C.835–796 a.C.842–802 a.C.JoásJeoásיהואש בן-אחזיהו מלך יהודה Yehoash ben ’AhazyahuAssassinado796-767 a.C.800–783 a.C.796–767 a.C.805–776 a.C.AmassiasAmaziasאמציה בן-יהואש מלך יהודה ’Amatzyah ben YehoashAssassinado790-739 a.C.783–742 a.C.767–740 a.C.788–736 a.C.UziasOziasAzariasעזיה בן-אמציה מלך יהודה‘Uziyah ben ’Amatzyah עזריה בן-אמציה מלך יהודה‘Azaryah ben ’Amatzyah 750-735 a.C.742–735 a.C.740–732 a.C.758–742 a.C.JotãoJotamיותם בן-עזיה מלך יהודה Yotam ben ‘Uziyah 735-715 a.C.735–715 a.C.732–716 a.C.742–726 a.C.Acaz אחז בן-יותם מלך יהודה’Ahaz ben Yotam 728-686 a.C.715–687 a.C.716–687 a.C.726–697 a.C.Ezequias חזקיה בן-אחז מלך יהודהHizqiyah ben ’Ahaz 696-642 a.C.687–642 a.C.687–643 a.C.697–642 a.C.Manassés מנשה בן-חזקיה מלך יהודהMenasheh ben Hizqiyah 642-640 a.C.642–640 a.C.643–641 a.C.642–640 a.C.AmomAmonאמון בן-מנשה מלך יהודה’Amon ben MenashehAssassinado640-609 a.C.640–609 a.C.641–609 a.C.640–609 a.C.Josias יאשיהו בן-אמון מלך יהודהYo’shiyahu ben ’AmonMorreu em batalha609-609 a.C.609 a.C.609 a.C.609 a.C.JoacazJeoacazיהואחז בן-יאשיהו מלך יהודהYeho’ahaz ben Yo’shiyahuאחז בן-יאשיהו מלך יהודה’Ahaz ben Yo’shiyahuDeposto pelo faraó Neco II.609-598 a.C.609–598 a.C.609–598 a.C.609–598 a.C.JoaquimJeoaquimיהויקים בן-יאשיהו מלך יהודהYehoyaqim ben Yo’shiyahu 598-597 a.C.598598598–597 a.C.JeconiasJeoaquinיהויכין בן-יהויקים מלך יהודהYehoyakhin ben Yehoyaqimיכניהו בן-יהויקים מלך יהודהYekhonyahu ben YehoyaqimDeposto pelos Babilónios.597-587 a.C.597–587 a.C.597–586 a.C.597–586 a.C.ZedequiasSedeciasMataniasצדקיהו בן-יהויכין מלך יהודהTzidqiyahu ben Yo’shiyahuUltimo Rei de Judá. Deposto e levado para o exílio.

A queda do Reino de Judá thumb|direita|Levante ca.

De acordo com o Antigo Testamento, Manassés, rei de Judá, teria feito o que é mau aos olhos de Deus, e por causa de suas obras, todo o Reino de Judá estava condenado ao exílio e à escravidão. Isso deve-se ao fato de Manassés ter permitido o culto politeísta das populações rurais do reino, o que não foi visto com bons olhos pelos sacerdotes do Templo de Jerusalém, os quais defendiam um culto único a Hashem e a extinção completa dos cultos a outras divindades. Segundo registros assírios e achados arqueológicos, Manassés herdou de Ezequias um reino bastante combalido devido à campanha militar do rei Senaqueribe da Assíria, então a maior potência econômica e militar do Oriente Médio, empreendida contra aquele pequeno reino durante o reinado anterior, o que tornou extremamente árdua a tarefa em converter e destruir imagens. Manassés, sabendo das consequências e da impossibilidade em enfrentar de frente a potência assíria, buscou estreitar relações com essa nação, entrando de vez na rota do comércio árabe fomentado pelos assírios.

Durante o reinado de Josias, Rei de Judá, o faraó Necao II, aliado do já decadente Império Assírio, empreendendo uma guerra contra os exércitos de Babilônia chega até a região. Assim, em , trava-se a Batalha de Megido. O Rei de Judá entra em batalha para deter o exército egípcio do faraó Necao II, mas acaba por ser morto. Seu filho Joacaz é levado prisioneiro após três meses de reinado, e o Reino de Judá se torna tributário do Egito. Necao II impôs a coroação do irmão de Joacaz, Eliaquim, e mudou-lhe o nome para Joaquim. Em , trava-se a Batalha de Carquemis com a derrota definitiva de Necao II.

A leste, a Assíria sofreu um rápido declínio, e em poucos anos seu território foi absorvido pela Babilônia. Nabucodonosor II, Rei da Babilônia, empreendeu uma campanha militar contra Judá. Enfrentando pouca resistência, conseguiu entrar em Jerusalém, em , e levou consigo utensílios do templo e o próprio rei Joaquim como prisioneiro. Em seu lugar, estabeleceu o filho de Joaquim, como Rei de Judá. Jeconias, com 18 anos de idade, teve o mesmo destino de seu pai três meses e 10 dias depois de sua coroação. Nabucodonosor então colocou sobre o trono o irmão de Joaquim, Zedequias.

Governando como vassalo da Babilônia, o Rei Zedequias manteve-se no poder por 11 anos, quando então rebelou-se contra Nabucodonosor, provavelmente ao recusar-se pagar tributo. Foi o suficiente para que invadisse Jerusalém, matasse seus habitantes, despojasse o templo de todos os seus bens de valor e ateasse fogo a ele. O Reino de Judá deixou assim de existir.

O destino de Judá

No território de Judá permaneceram apenas os mais pobres. Todo o restante do povo que sobreviveu ao ataque de Nabucodonosor II foi levado às cidades do reino da Babilônia. O período do Cativeiro Babilônico estimulou entre o povo de Judá um sentimento de identidade racial e religiosa indissolúvel. O relato bíblico deste período entre a conquista de Jerusalém e a conquista da Babilônia por é onde inicialmente se utiliza de forma consistente o termo "judeu" identificando o povo de Judá, ou aqueles da mesma etnia e seguidores da mesma religião deste povo. A nação judaica sobreviveu para retornar à Palestina e repovoar a província persa de Judá (Yehud), mais tarde denominada Judeia pelos romanos.

A história de Judá após o Cativeiro Babilônico passou a ser a mesma do próprio povo judeu, até os dias de hoje.

Ver também História do Levante Torá Flávio Josefo: A Guerra dos Judeus

Bibliografia

Finkelstein, Israel; Silberman, Neil A. The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Friedman, Richard Elliott. Who Wrote The Bible

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