Fila-brasileiro é uma raça de cão de grande porte e molossoide desenvolvida no Brasil, e a primeira raça brasileira a ser reconhecida internacionalmente. O fila-brasileiro é utilizado como cão de guarda e companhia.

A origem deste canino está atrelada à colonização do Brasil, quando os europeus trouxeram para cá os seus cães de trabalho. Porém, assim como acontece em outras raças antigas, a exata origem genética do fila-brasileiro é desconhecida. A primeira teoria sobre sua origem especulou que através de vários cruzamentos entre três raças inglesas de grande porte, surgiu um cão brasileiro que teria herdado a grande e forte estrutura óssea dos mastins-ingleses, a pele solta e as orelhas baixas dos bloodhounds e a resistência dos antigos-buldogues. Contudo não há fatos que suportem esta teoria. A teoria considerada mais plausível do ponto de vista histórico e com mais embasamento, é a de que o fila-brasileiro descenda de grandes cães primitivos portugueses e espanhóis como o mastín leonés (variedade funcional do mastim-espanhol), rafeiro-do-alentejo, alão-português (extinto), cão-de-gado-transmontano, cão-de-castro-laboreiro, entre outros, possivelmente trazidos ao Brasil durante a União Ibérica, ou mais tarde.

O fila-brasileiro é ainda considerado um personagem anônimo da História do Brasil desde os tempos do Brasil-colônia, quando ajudou os colonizadores na conquista de território, protegendo as comitivas dos Bandeirantes de ataques de nativos e onças ou suçuaranas; ajudando na proteção aos rebanhos e comitivas, e até mesmo sendo usado pelos colonizadores para recapturar escravos fugitivos.do Vale, Procópio & Monte, Enio; "Grande Livro do Fila Brasileiro Quatro Séculos da História do Brasil"; ISBN 852130059X; Editora Ver Curiosidades; 1981 alt=|miniaturadaimagem|337x337px|Fila brasileiro Robusto, é descrito como animal de temperamento forte, que requer o pulso firme de donos experientes. Conhecido por sua intensa aversão a estranhos, teve o seu inicial padrão modificado, segundo a CBKC, para mostrar um rosto "menos intimidante". Em contrapartida, é visto como um canino tolerante com crianças, comportado e seguro.

Etimologia A palavra "filar" em português significa literalmente "agarrar, segurar, prender". Portanto "Cão de fila" ou "Cão de filar" dá a entender de que trata-se de um Cão de agarre, um cão que "morde e não solta". Nomeação similar é encontrada também em duas raças de origem portuguesas (que podem compartilhar parentesco com o fila-brasileiro): o Cão de Fila de São Miguel e o extinto Cão de Fila da Terceira.Dicionário - significado da palavra 'filar'

História thumb|235x235px|Obra do início do século XIX de cães auxiliando vaqueiros a capturar um boi bravio no nordeste brasileiro. Por Maximilian zu Wied-Neuwied Primeira raça brasileira a ser reconhecida internacionalmente pela FCI na década de 1960, o fila-brasileiro é um personagem anônimo da História do Brasil desde os tempos do descobrimento, quando ajudou os colonizadores na conquista do território brasileiro, seja protegendo as comitivas dos Bandeirantes e o gado de ataques de nativos e de onças ou suçuaranas, ou até mesmo, mais tarde, sendo usado pelos colonizadores para recapturar escravos fugitivos.do Vale, Procópio & Monte, Enio; "Grande Livro do Fila Brasileiro Quatro Séculos da História do Brasil"; ISBN 852130059X; Editora Ver Curiosidades; 1981

alt=|miniaturadaimagem|236x236px|Quatro cães com orelhas cortadas acuando uma onça-pintada numa árvore. "Caça à onça no Brasil", 1817, sul da Bahia. Por Maximilian zu Wied-Neuwied. Os cães representados possuem enorme semelhança ao extinto Alão-português fotografado por último em 1904 em Portugal

Acredita-se que historicamente os filas sempre estiveram presentes em todas as regiões do território brasileiro, mas que a rota dos tropeiros (levando mercadorias do interior do território para o litoral) influenciou entre outras coisas a maior presença desta raça em determinadas regiões. É provável que muitos tropeiros tinham suas comitivas protegidas por filas, com isto sua incidência sempre foi maior nas regiões centro-oeste e sudeste, principalmente em Minas Geraisdo Vale, Procópio & Monte, Enio; "Grande Livro do Fila Brasileiro Quatro Séculos da História do Brasil"; ISBN 852130059X; Editora Ver Curiosidades; 1981 e em Mato Grosso. Mas, algumas gravuras do início do século XIX, apresentadas pelo príncipe Maximilian zu Wied-Neuwied, atestam que esta raça já estava presente também no nordeste brasileiro desde esta época. Uma destas gravuras mostra vaqueiros vestidos com chapéus e roupas de couro (característicos desta região) perseguindo um boi sendo auxiliados por cães grandes, que na época eram chamados de "cabeçudos", "onceiros" ou "boiadeiros". Em outra gravura, o príncipe relata o fato no sul da Bahia, onde segundo ele, quatro cães de orelhas cortadas, com grande porte e formato corporal retangular (característico do fila) estão acuando uma onça em cima de uma árvore.

Entre as décadas de 1930 e 1940, exemplares de filas-brasileiros, na época chamados de filas-nacionais, começaram a aparecer em exposições caninas em São Paulo, apresentados ao público da cidade grande. O primeiro a tentar expor estes cães foi Benedito Faria de Camargo. Estes cães, há muito negligenciados pela história, eram encontrados em fazendas do interior e foram reunidos para reerguer, organizar e formalizar a raça. O dr. Paulo Santos Cruz, considerado "pai da raça" por ter sido o principal entusiasta e promovedor do fila, escreveu o primeiro padrão da raça, que tornou-se válido em 1954.

O fila-brasileiro teve seu apogeu nas décadas de 1970 e 1980, quando era uma das raças com maior número de registros. Nesta mesma época, criadores tentaram mudar o padrão oficial da raça para abrandar o temperamento agressivo contra estranhos que, de certa forma, era exaltado no padrão anterior. Uma escolha que hoje em dia é polêmica, já que alguns criadores acreditam que o fila é um cão necessariamente com ojeriza a estranhos, mas muito dócil com a família e crianças. Outros também concordam que ele é muito dócil com a família e crianças, mas preferem um temperamento de guarda mais brando, onde o cão não aceitaria uma invasão territorial, mas aceitaria uma visita acompanhada de seu dono. O fato é que nesta época a palavra "ojeriza" foi substituída por "aversão", mantendo o mesmo significado na expressão "possui aversão a estranhos" em seu padrão oficial.

Uma outra conhecida polêmica foi a divulgação de um possível escândalo de mestiçagem, e de cães provavelmente mestiços sendo registrados como filas puros nas décadas de 1970 e 1980. O escândalo teria causado a separação entre os criadores e a formação de um clube independente, o CAFIB (Clube de Aprimoramento do Fila Brasileiro), cujo um dos fundadores foi o dr. Paulo Santos Cruz. O clube existe até hoje e os criadores seguem um padrão diferente, que segundo o CAFIB, descreve de forma fiel o verdadeiro fila puro, sem características de outras raças que teriam sido inseridas em outras criações registradas em outros clubes, clubes estes que inclusive teriam alterado o padrão justamente para adequar as características de cães mestiços.

O fila-brasileiro é conhecido pela fidelidade e devoção extremas ao dono, características que criaram um provérbio brasileiro secular que diz, "fiel como um fila". Tais características comportamentais foram apreciadas durante os séculos de desenvolvimento da raça, o que ajudou a popularizá-la.

Origem Muito se especula sobre as raças que deram origem ao fila-brasileiro, mas a intervenção do homem no aperfeiçoamento da raça dividiu igual importância com a seleção genética natural a que estes cães foram submetidos, devido as árduas condições encontradas pelos primeiros filas brasileiros em nossa história. Eles desempenhavam as mais variadas funções junto aos colonizadores, como guarda, caça, proteção contra animais selvagens, guarda de bovinos, faro para localizar e capturar escravos fugitivos, e até como cão de guerra, nos ataques a tribos nativas e posteriormente a quilombos.do Vale, Procópio & Monte, Enio; "Grande Livro do Fila Brasileiro Quatro Séculos da História do Brasil"; ISBN 852130059X; Editora Ver Curiosidades; 1981 Devido a haverem tantas versões de seu surgimento, mas nenhuma cabalmente comprovada, o padrão oficial da raça omite qualquer versão histórica para o surgimento do fila, por não haver consenso entre os criadores sobre qual versão é a mais aceitável.

Teorias da origem da raça brasileira O Grande Livro do Fila Brasileiro de 1981 levanta algumas hipóteses sobre o surgimento da raça. Dentre as hipóteses levantadas no livro, estão quatro:

1ª teoria: Mastiff - Cão de Santo Humberto - Antigo Buldogue Inglês

A primeira teoria sobre a origem do fila foi criada pelo dr. Paulo Santos Cruz, com base nas características anatômicas e psicológicas do fila-brasileiro. Sendo a teoria mais antiga, consequentemente é a mais difundida, ainda que não seja a mais plausível de todas. Paulo Santos Cruz teoriza que o fila-brasileiro é descendente de cães trazidos ao Brasil durante todo o período de colonização portuguesa. Nesta época muitos cães foram trazidos pelos colonos ao Brasil, raças de cães que eram comuns e muito úteis em toda a Europa ocidental no período do Brasil Colônia. Desta forma o Fila teria herdado o grande porte e a aptidão nata para a guarda do Mastim inglês, já do cão de Santo Humberto(Bloodhound), lhe teria sido transmitido o excelente faro e do antigo buldogue inglês (raça já extinta), herdou a agressividade, a aptidão para o combate e lida com bovinos e a coloração rajada. Segundo O Grande Livro do Fila Brasileiro, que a cita, não há nenhuma base bibliográfica que suporte esta teoria.

2ª teoria: Cão de Fila da Terceira - Cão de Fila de São Miguel

A 2ª teoria foi criada por João Batista Gomes. Esta teoria diz que os filas brasileiros são descendentes do seu homônimo, o Cão de fila da terceira que teria sido trazido maciçamente pelos portugueses e foi cruzado com o Mastim Inglês proveniente da vinda de D.João VI. O Cão de fila da terceira ou terceirense, atualmente extinto, era uma raça portuguesa oriunda da Ilha Terceira, do arquipélago dos Açores. Este cão possuiria duas variedades, uma mais amastinada e outra mais abuldogada.

Devido ao levantamento desta hipótese, posteriormente veio a considerar-se também o Cão de Fila de São Miguel, outro homônimo. O Cão de Fila de São Miguel descende de mastins e outros cães inicialmente levados para a Ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores pelos primeiros colonos(portugueses e espanhóis), vindos do continente.

Estes cães teriam sido trazidos pelos portugueses durante a vinda da corte portuguesa para o Brasil, onde após a adaptação ao clima local teria surgido uma nova raça, bem utilizada como cão de boiadeiro, guarda de fazendas, caçador de onças, etc. E que acabou herdando o nome de seus ancestrais.

Da mesma forma que a primeira teoria, na criação desta não houve base bibliográfica, tratando-se apenas de especulação.

3ª teoria: Cães europeus - cães indígenas Em 1977, Francisco Peltier de Queiroz levantou uma terceira hipótese, considerando quase totalmente a primeira, mas com a adição do "quarto elemento": os cães nativos. Em sua teoria Queiroz relata que cães europeus como o mastim inglês, o bloodhound e o antigo bulldog teriam se unido ao cão indígena aracambé, o cão selvagem brasileiro e o lobo-guará, na formação da raça fila-brasileiro. Da mesma forma que nas teorias anteriores, não há base bibliográfica e muito menos motivação que justifique cruzamentos deste tipo. Deve-se considerar que as espécies de canídeos selvagens brasileiros não são capazes de se reproduzir com cães domésticos, já que não pertencem ao gênero biológico Canis.

4ª teoria: Engelsen Doggen miniaturadaimagem|275x275px|Dogue de forte race. 1818-1842. Iconografia. Coleções Especiais da Universidade de Amsterdã