Superman ou Super-Homem é um super-herói de histórias em quadrinhos publicadas pela DC Comics. O personagem, entretanto, desde os anos 1930 já foi adaptado para diversos outros meios, como cinema, rádio, televisão, literatura e videogame. Superman foi criado pela dupla de autores de quadrinhos Joe Shuster e Jerry Siegel. Sua primeira aparição aconteceu no verão de 1938, na revista Action Comics #1. O personagem nasceu no planeta fictício Krypton e tinha o nome de Kal-El. Foi enviado à Terra por seu pai cientista, Jor-El, momentos antes de Krypton explodir. O foguete aterrissou na cidade de Smallville (por alguns anos, foi traduzida no Brasil como Pequenópolis), onde o jovem Kal-El foi descoberto pelo casal de fazendeiros Jonathan Kent e Martha Kent. Conforme cresceu, Kal-El descobriu que tinha capacidades sobre-humanas. Quando não está com o tradicional uniforme azul e vermelho, vive com Lois Lane e Jimmy Olsen como Clark Kent, um repórter/jornalista no Planeta Diário da cidade de Metrópolis.
É um dos mais importantes personagens da cultura pop ocidental, sendo o primeiro herói dos quadrinhos a ter uma revista intitulada com seu nome: Superman #1. Além disso, Superman foi licenciado e adaptado para diversas mídias, desde rádio até televisão e cinema.
Para acompanhar a evolução do público, sua origem e seus poderes foram expandidos e alterados ao longo dos anos. A história do Superman foi alterada para permitir as aventuras do Superboy e outros sobreviventes como a Supergirl e Krypto, o supercão. O personagem foi revisado e atualizado mais recentemente em 1986. John Byrne recriou o personagem, reduzindo os poderes do Superman e apagando diversos personagens da versão oficial das histórias, o que atraiu a atenção dos meios de comunicação. A cobertura da imprensa foi novamente recebida na década de 1990, com A Morte do Superman, uma história na qual o personagem era dado como morto (Superman na verdade não morre, ele só tinha ficado inconsciente/em coma temporário).
A propriedade sobre o personagem foi objeto de disputa, com Siegel e Shuster reclamando o retorno de sua propriedade legal. Os direitos autorais são novamente objeto de disputa, com a mudança das leis de direitos autorais permitindo à esposa e à filha de Siegel reclamarem uma parte dos direitos autorais, levando a uma disputa com a companhia Warner Bros. E é até hoje um dos três super-heróis mais populares do mundo, os outros são Batman (também da DC) e o Homem-Aranha (da Marvel Comics).
História e publicação do personagem
Criação e concepção
miniatura|esquerda|180px|Capa da história The Superman, de 1933, uma das versões preliminares do personagem.
Jerry Siegel e Joe Shuster se conheceram no início da década de 1930 em Cleveland, cidade onde ambos estudavam. Colegas na Glenville High School, a dupla trabalhava no jornal estudantil local, o "Glenville Torch", e criavam histórias de ficção científica. O editor Hugo Gernsback, à época, já permitia que na revista Amazing Stories os leitores divulgassem seus endereços, para trocar correspondências. O termo "fanzine" sequer havia sido inventado quando Siegel e Shuster começaram a produzir em 1932 aquela que seria definida posteriormente como uma das primeiras publicações do gênero: Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization.JONES, p. 80-84
No ano seguinte veio a surgir a primeira versão do personagem, então concebido como um supervilão cujos poderes psíquicos foram usados para manipular outras pessoas e dominar a humanidade. Com o término da revista, Siegel e Shuster passariam a se dedicar a outras atividades. Em 1933, as revistas em quadrinhos dos Estados Unidos ainda não eram tão populares, e seu conteúdo era baseado nas tiras de jornal então publicadas. Siegel reescreveu "Superman" como um herói, distinto do vilão criado no ano anterior. Intitula The Superman, a primeira história desse novo personagem foi oferecida a "Consolidated Books Publishing", mas a editora decidiu deixar de publicar histórias em quadrinhos pouco após receber a proposta. Frustrado, Shuster ateou fogo sobre o material produzido. Dessa história resta apenas uma única página, a capa.
Nos anos seguintes o personagem passaria por uma série de reformulações nas mãos dos dois autores, que passariam a oferecê-lo a diversas empresas, sempre com resultados negativos, até que em 1938 a " National Periodical Publications" — com quem os dois já haviam trabalhado anteriormente, tendo sido os responsáveis por uma das história publicadas na primeira edição de Detective Comics, criando o detetive Slam Bradley — os convidou para contribuir com um novo personagem para a mais recente publicação da National. Mostraram Superman para apreciação, e uma vez aprovado, passaram a recortar e colar as tiras de jornal da amostra que tinha preparado no formato de páginas de uma revista em quadrinho.JONES, p.124
A cidade que é o lar e a base do Super-Homem, recebeu seu nome em homenagem a Metrópolis (de Fritz Lang, 1927) filme de ficção científica do qual Siegel e Shuster eram grandes fãs.
1938-1955: Publicação inicial e popularidade
A primeira aparição do Superman foi em Action Comics #1, em 1938. Já naquele momento, as histórias do personagem se mostraram um sucesso, com a tiragem de 200 mil exemplares da revista esgotando-se rapidamente. A partir de sua quarta edição, Action já começaria a apresentar um significativo aumento em suas vendas, em comparação com os demais títulos da editora: entre 1938 e 1939, já possuía uma tiragem de mais de 500 mil exemplares. O sucesso levou, em 1939, a criação de uma segunda revista dedicada às histórias do personagem, a homônima Superman. A primeira edição consistiu principalmente de aventuras já publicadas em Action Comics, mas apesar disso a revista atingiu grande vendagem. 1939 também foi publicado na especial New York World's Fair Comics, que no verão de 1942 virou World's Finest Comics. Com a edição de All Star Comics, Superman fez sua primeira de um número infrequente de aparições, nesta ocasião aparecendo brevemente para estabelecer-se como membro honorário da Sociedade de Justiça da América.
Inicialmente Jerry Siegel e Joe Shuster queriam ser responsáveis por toda história e arte de todas as tiras publicadas. Entretanto, a visão de Shuster começou a deteriorar-se, e o aumento das aparições da personagem implicou numa sobrecarga de trabalho. Isso fez com que Shuster estabelecesse um estúdio para ajudar na produção da arte embora ele insistisse em desenhar o rosto de todo Superman que o estúdio produzia. Fora do estúdio, Jack Burnley começou fazendo capas e histórias em 1940. Wayne Boring, inicialmente empregado no estúdio de Shuster, começou trabalhando para DC em 1942 fazendo páginas para Superman e Action Comics.
1956-1970: Expansão da mitologia na "Era de Prata"
A publicação de Action Comics #1 marcou o início da "Era de Ouro" das histórias em quadrinhos americanas. A "Era de Ouro" compreenderia o material produzido entre o final da década de 1930 e o final da década seguinte, aproximadamente. Alguns dos mais conhecidos super-heróis foram criados nesse período — além de Superman, Batman, Mulher Maravilha, Capitão Marvel e Capitão América. Posteriormente, as revistas tornaram-se um divertimento barato, quase descartável, que se tornaria bastante popular entre a população, particularmente com as tropas durante a Segunda Guerra Mundial.
Na 123ª edição da revista The Flash foi publicada a emblemática história "Flash of Two Worlds", onde Barry Allen e Jay Garrick, os dois heróis que até então já haviam adotado a alcunha de "Flash", se encontraram. As histórias de Garrick haviam sido publicadas na década de 1940, mas com o declínio da popularidade dos quadrinhos, diversas revistas, incluindo a Flash Comics protagonizada pelo herói, acabariam canceladas. Somente a partir de 1956 que o gênero retomou sua popularidade, a partir da publicação de Showcase #4, onde uma versão modernizada do Flash surgiria.
Flash of Two Worlds juntou os dois personagens, estabelecendo o "Multiverso DC", uma representação ficcional da interpretação da mecânica quântica que propõe a existência de universos paralelos. Se o surgimento do Flash havia dado início à "Era de Prata dos quadrinhos", a história de 1961 estabeleceria que os personagens surgidos durante a "Era de Ouro" (entre 1938 e 1950), bem como as histórias por eles protagonizadas, pertenceriam a um universo paralelo denominado Terra 2, distinto daquele em que ocorriam as histórias publicadas pela editora durante a década de 1960.
Superman era um dos três únicos heróis cujas histórias vinham sendo publicadas ininterruptamente desde a Era de Ouro,Jacobs, pp. 3-4 e era preciso esclarecer quais histórias pertenceriam ao cânone estabelecido. Em 1969, ficou decidido que o personagem surgido em Action Comics #1 era Kal-L, o Superman da Terra 2, um personagem distinto, que coexistia com o "Superman da Terra 1", personagem que protagonizava as histórias publicadas durante a década de 1960. Enquanto o "Superman da Terra 1" fazia parte da Liga da Justiça, sua contraparte da Terra 2 fazia parte da Sociedade da Justiça, uma equipe formada por outros heróis da Era de Ouro.
1970-1988: Amadurecimento e revisionismo
É comumente aceito que a "Era de Prata" das histórias em quadrinhos americanas foi sucedida pela "Era de Bronze". O marco de transição entre um período e o outro, entretanto, não é claro, e existem diversas possibilidades tanto para o término de uma quanto para o início da outra. O pesquisador Arnold T. Blumberg acredita que a transição entre os dois períodos foi gradual, se estendendo desde o final da década de 1960 até 1973, quando foi publicada pela Marvel Comics a história The Night Gwen Stacy Died — o ápice de um ideal que vários profissionais vinham defendendo naquele período de transição: abordar temas mais maduros, ainda que estes estivessem sendo "filtrados" pela "lente simplista dos super-heróis". Nessa transição, um evento da história de Superman é citado como um possível marco para o início da "Era de Bronze": a aposentadoria de Mort Weisinger. Weisinger fora o editor das revistas do personagem por anos, durante a "Era de Prata"DANIELS, p. 131-132 e seria eventualmente substituído por Julius Schwartz. Para Levi Trindade, "a Era de Bronze manteve muitas das convenções comumente associadas à Era de Prata, com super-heróis trajando uniformes extremamente coloridos (...) porém, roteiros contendo elementos mais sombrios e narrativas maduras (...) começaram a surgir", e Must There Be a Superman?, uma história de 1972, seria um exemplo desse amadurecimento.Levi Trindade, "DC e a Era de Bronze", in "Coleção DC 75 Anos: A Era de Bronze", Panini Comics, 2011, ISBN 7897653514090
Após a aposentadoria de Weisinger, o publisher da editora, Carmine Infantino convidaria Julius Schwartz para substituí-lo como editor da revista Superman, mas este recusaria o convite, por acreditar que não havia como contribuir significativamente para a história do personagem, que já havia se estabilizado criativamente. Infantino, então, convidou Schwartz a identificar os pontos em que o personagem havia "estagnado" e mudá-los, e ele apontou sua vontade de alterar desde o visual do personagem, fazendo com que os futuros desenhistas incluíssem roupas diferentes do paletó usualmente utilizado por Clark Kent, até características significativas, como a própria profissão de Kent, que Schwartz acreditava deveria um ser telejornalista.