thumb|upright=1.5|Mapa dos países segundo a variação nos Índices de Inflação em 2019 thumb|upright=1.5|Inflação de preços (IPC ano a ano) nos Estados Unidos de 1914 a 2018. Em economia, a inflação é um aumento geral nos preços de bens e serviços em uma economia.Multiple sources:
Quando o nível geral de preços aumenta, cada unidade de moeda compra menos bens e serviços; consequentemente, a inflação corresponde a uma redução do poder de compra do dinheiro.Why price stability? , Central Bank of Iceland, Accessed on September 11, 2008.Paul H. Walgenbach, Norman E. Dittrich and Ernest I. Hanson, (1973), Financial Accounting, Nova York: Harcourt Brace Javonovich, Inc. página 429. O oposto da inflação é a deflação, uma diminuição sustentada do nível geral de preços de bens e serviços. A medida comum de inflação é a taxa de inflação, a variação percentual anualizada de um índice de preços geral. Como os preços não aumentam todos na mesma proporção, o índice de preços ao consumidor (IPC) é frequentemente usado para esse fim.
Os economistas acreditam que a inflação muito alta e a hiperinflação – que têm efeitos severamente perturbadores na economia real – são causadas pelo crescimento excessivo persistente da oferta monetária.Robert Barro and Vittorio Grilli (1994), European Macroeconomics, Ch. 8, p. 139, Fig. 8.1. Macmillan, .B. Snowdon, Outside the Mainstream: an Interview with Axel Leijonhufvud (2002) As opiniões sobre taxas de inflação baixas a moderadas são mais variadas. A inflação baixa ou moderada pode ser atribuída a flutuações na demanda real por bens e serviços ou mudanças na oferta disponível, como durante períodos de escassez.
Índices moderados afetam as economias de maneira positiva e negativa. Os efeitos negativos incluem um aumento no custo de oportunidade de reter moeda, incerteza sobre a inflação futura que pode desencorajar o investimento e a poupança e, se a inflação for rápida o suficiente, há escassez de bens, à medida que os consumidores começam a acumular com a preocupação de que os preços aumentem no futuro. Os efeitos positivos incluem a redução do desemprego devido à rigidez nominal dos salários, o que permite aos bancos centrais maior liberdade na condução da política monetária, incentivando empréstimos e investimentos em vez de entesouramento de dinheiro e evitando as ineficiências associadas à deflação.
Atualmente, a maioria dos economistas é a favor de uma taxa de inflação baixa e constante.Hummel, Jeffrey Rogers. "Death and Taxes, Including Inflation: the Public versus Economists" (January 2007). p. 56 A inflação baixa (em oposição a zero ou negativa) reduz a gravidade das recessões econômicas, permitindo que o mercado de trabalho se ajuste mais rapidamente em uma crise, e reduz o risco de que uma armadilha de liquidez impeça a política monetária de estabilizar a economia."Escaping from a Liquidity Trap and Deflation: The Foolproof Way and Others" Lars E.O. Svensson, Journal of Economic Perspectives, Volume 17, edição 4, 2003, pp. 145–166 A tarefa de manter a taxa de inflação baixa e estável geralmente é dada às autoridades monetárias, que são os bancos centrais que controlam a política monetária através da fixação das taxas de juros, realizando operações de mercado aberto e (mais raramente) alterando os depósitos compulsórios dos bancos comerciais.
Definição O termo inflação surgiu nos Estados Unidos em meados do século XIX, "não em referência a algo que acontece com os preços, mas como algo que acontece com um papel-moeda".Bryan, Michael F., "On the Origin and Evolution of the Word Inflation", Federal Reserve Bank of Cleveland, Economic Commentary, 15 October 1997.
Conceitos relacionados Outros conceitos econômicos relacionados à inflação incluem: deflação – queda no nível geral de preços; desinflação – diminuição da taxa de inflação; hiperinflação – uma espiral inflacionária fora de controle; estagflação – uma combinação de inflação, crescimento econômico lento e alto desemprego; reflação – tentativa de elevar o nível geral de preços para neutralizar as pressões deflacionárias; e inflação dos preços dos ativos – aumento generalizado dos preços dos ativos financeiros sem o correspondente aumento dos preços dos bens ou serviços; agflação – aumento avançado do preço dos alimentos e das culturas agrícolas industriais em relação ao aumento geral dos preços.
Formas mais específicas de inflação referem-se a setores cujos preços variam de forma semi-independente da tendência geral. A “inflação dos preços da habitação” aplica-se a alterações no índice de preços da habitação,UK House Price Index. enquanto a “inflação da energia” é dominada pelos custos do petróleo e do gás.Ieva Rubene and Gerrit Koester, “Recent dynamics in energy inflation: the role of base effects and taxes” (2021).
Economia clássica No século XIX, os economistas categorizaram três fatores separados que causam um aumento ou queda no preço dos bens: uma mudança no valor ou nos custos de produção do bem, uma mudança no preço do dinheiro que então era geralmente uma flutuação no preço do conteúdo metálico na moeda e a depreciação da moeda resultante de um aumento da oferta de moeda em relação à quantidade de metal resgatável que lastreia a moeda. Após a proliferação da moeda de notas privadas impressas durante a Guerra Civil Americana, o termo "inflação" começou a aparecer como uma referência direta à depreciação da moeda que ocorria à medida que a quantidade de notas resgatáveis superava a quantidade de metal disponível para seu resgate. Naquela época, o termo inflação referia-se à desvalorização da moeda e não ao aumento do preço dos bens. Essa relação entre o excesso de oferta de notas e uma depreciação resultante em seu valor foi notada por economistas clássicos anteriores, como David Hume e David Ricardo, que continuariam examinando e debatendo o efeito que uma desvalorização da moeda (mais tarde denominada inflação monetária) tem sobre o preço dos bens (mais tarde denominado inflação de preços e, eventualmente, apenas inflação).Mark Blaug, "Economic Theory in Retrospect", pg. 129
História Aumentos rápidos na quantidade de dinheiro ou no dinheiro circulante geral ocorreram em muitas sociedades diferentes ao longo da história, mudando com as diferentes formas de dinheiro usadas.
China Antiga A China da Dinastia Song introduziu a prática de imprimir papel-moeda para criar moeda fiduciária. Durante a dinastia Yuan mongol, o governo gastou muito dinheiro lutando em guerras custosas e reagiu imprimindo mais dinheiro, levando à inflação. Temendo a inflação que assolava a dinastia Yuan, a Dinastia Ming inicialmente rejeitou o uso de papel-moeda e voltou a usar moedas de cobre.
Da Idade Média até o Iluminismo A Europa com o período da Alta Idade Média, viveu um extenso tempo desde o século XIII até 1290 com uma certa estabilidade de preços, pois na época a Europa Ocidental era rica em minérios e a agricultura apresentava as condições certas para uma produção suficiente para alimentação da região, observando que apesar da produção da época ser considerada elevada, a distribuição para a população camponesa e artesã era desigual para os membros da Igreja e além disso, as alterações climáticas prejudicavam ou ajudavam na produção agrícola.
Porém, durante o mandato de Eduardo II entre 1309 e 1329, houve a elevação inflacionária entre 6% e 7% ao mês até 1329, quando Eduardo II morreu, descendendo Eduardo III, em que iniciou a Guerra dos Cem Anos (1336-1450). Entre 1336 até 1350, a inflação anual era de 96% a 104%, até a epidemia de Peste bubônica quando a inflação disparou para 300% ao ano, pela escassez alimentar e de mão-de-obra.
Durante o haje do rei do Mali Mansa Muça a Meca em 1324, ele teria sido acompanhado por uma caravana de camelos que incluía 60000 carregadores, além de escravos carregando bastões de ouro, levando para presentes e compras uma carga de 80 fardos de ouro pesando 122 onças cada (3,8 kg; no total, ≅ 308 quilos). Quando ele passou pelo Cairo, gastou ou deu tanto ouro que baixou seu preço no Egito causando inflação. Um historiador árabe contemporâneo comentou sobre a visita de Mansa Muça:"O ouro estava em um preço alto no Egito até chegar naquele ano. O metical não desceu abaixo de 25 dirrãs e estava geralmente acima, mas a partir dessa época seu valor caiu e barateou em preço e tem permanecido barato até agora. O metical não excede 22 dirrãs ou menos. Este tem sido o estado de coisas por cerca de doze anos até hoje, devido à grande quantidade de ouro que eles trouxeram para o Egito e lá gastaram"—Xiabe Alumari
Ibne Catir, Almacrizi e Ibne Hajar também atestaram queda na taxa de câmbio de ouro para prata atribuindo-a à passagem de Muça. O historiador Warren Schultz afirma que o episódio, entretanto, teria sido apenas "uma das muitas flutuações de curto-termo" registradas ao longo do século XIV no Egito Mameluco.
A Revolução Americana levantou a questão de se combater a emissão de papel-moeda para favorecer o pagamento de dívidas, seja elas privadas ou estatais.Allen, 98. A constituição norte-americana já demarcava desde seu início como responsabilidade do governo o combate a falsificação da moeda, a fim de regular o seu valor.U.S. Constitution - Article 1 Section 8 U.S. Constitution Online
República de Weimar Entre janeiro de 1919 e novembro de 1923 o índice inflacionário alemão variou em um trilhão por cento (1 000 000 000 000%). Chegou-se ao ponto de queimar dinheiro em lareiras para aquecer-se contra os rigorosos invernos. Tudo isso deve-se ao Tratado de Versalhes imposto pelos países vencedores da I Guerra Mundial, que acabou com sua infraestrutura e aniquilou sua economia, sem contar com a destruição causada pela guerra e da impressão de papel moeda pelo banco central. No início do século XX, já havia economistas de várias vertentes que denunciavam políticas inflacionárias como uma forma de confisco por parte do governo.
Brasil
thumb|upright=1.5|Taxa de inflação anual (IPCA/IBGE). de 1996 até 2016. O aumento verificado nos últimos anos deveu-se à crise econômica brasileira de 2014
Os índices de inflação no Brasil são medidos de diversas maneiras. Duas formas de medir a inflação ao consumidor são o INPC, aplicado à famílias de baixa renda (aquelas que tenham renda de um a seis salários mínimos) e o IPCA, aplicado à famílias que recebem um montante de até quarenta salários mínimos. Até 1994 a economia brasileira sofreu com inflação alta, entrando num processo de hiperinflação na década de 80 (Hiperinflação no Brasil). Esse processo só foi interrompido em 1994, com a criação do Plano Real e a mudança da moeda para o real (R$), atual moeda do país. Atualmente a inflação é controlada pelo Banco Central através da política monetária que segue o regime de metas de inflação.
A moeda nacional do Brasil mudou de nome várias vezes, principalmente nos períodos de altos índices de inflação. Na maioria das renomeações monetárias, foram cortados três dígitos de zero, estratégia esta que impediu que um quilo de carne custasse cerca de quatro milhões de unidades da moeda vigente, por exemplo. Desde 1999, o Brasil está sob o regime de metas de inflação, para orientar sua política monetária. Desta forma, a oferta de moeda pelo Banco Central segue uma estratégia para atingir uma banda de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional.bcb.gov.br - Tabela Metas e Resultados - pdf
Medição thumb|upright=1.5|Desenvolvimento de preços (diversos produtos e serviços) na Alemanha de 1991.