Demografia do Brasil é um domínio de estudos e conhecimentos sobre as características demográficas da população no território brasileiro. O Brasil possuía habitantes em 1 de agosto de 2022, segundo o censo demográfico do Brasil de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destacando-se naquele ano como a sétima nação mais populosa do planeta.

Os indicadores demográficos e as características da população no Brasil são verificadas diretamente por meio de operações censitárias realizadas pela primeira vez em 1872 e, desde sua criação em 1936, a cada dez anos pelo IBGE. No censo demográfico brasileiro, a população é contada em todo o território do Brasil e os resultados são usados pelo governo no desenvolvimento de políticas públicas.

Índices demográficos Distribuição e densidade demográficas

direita|250px|miniatura|Densidade demográfica brasileira por município direita|250px|miniatura|Densidade populacional dos estados do Brasil

A distribuição populacional no Brasil é bastante desigual, havendo concentração da população nas zonas litorâneas, especialmente das regiões Sudeste e Nordeste. Outro núcleo importante é a região Sul. Centro-Oeste e Norte constituem as regiões menos povoadas.

O Brasil apresenta uma baixa densidade demográfica — apenas habitantes por quilômetro quadrado, inferior à média dos países do mundo (60 habitantes/km2), menor que a dos EUA (35 habitantes/km2) e bem menor que a de países intensamente povoados, como o Japão (330 habitantes por quilômetro quadrado).

+ População das regiões do BrasilRegião Estados Municípios População (2022)%Norte 450 Nordeste Centro-Oeste 467 Sudeste Sul Brasil 26 e um distrito federal

Crescimento natural

miniatura|esquerda|300px|Crescimento das capitais brasileiras

O crescimento anual da população brasileira, em 2021, foi de 0,52% ao ano. A população de um país aumenta em função da combinação do crescimento natural (endógeno) e do saldo migratório. No caso brasileiro, é pequena a contribuição das migrações internacionais para a variação populacional. A estimativa para 2022 é de uma taxa bruta de natalidade de 12,8‰ — ou seja, 12,8 nascidos para cada grupo de mil pessoas ao ano — e uma taxa bruta de mortalidade de 9,1‰ — ou seja 9,1 mortes por mil pessoas ao ano.

Ao longo das últimas quatro décadas, o crescimento demográfico do Brasil tem desacelerado rapidamente. Em 1980, o recenseamento indicava habitantes; em 1991, habitantes; em 2000, 169 590 693; em 2010, 190 755 799 habitantes; e em 2022, 203 080 756 habitantes. Em 50 anos, a população brasileira dobrou em relação aos 95 milhões de habitantes do início da década de 1970. Mas o envelhecimento da população está se acentuando: em 2020, o grupo de 0 a 14 anos representava 20% da população brasileira, enquanto os maiores de 65 anos eram 10%; em 2050, os dois grupos se igualarão em 18%. Segundo a Projeção da População do IBGE publicada em 2024, o número de brasileiros vai começar a declinar a partir de 2041. A população brasileira será de aproximadamente 220 milhões e meio em 2041 e irá diminuir até alcançar aproximadamente 199 milhões em 2070.

As razões para uma diminuição do crescimento demográfico relacionam-se com a urbanização e industrialização e com incentivos à redução da natalidade (como a disseminação de anticoncepcionais). Embora a taxa de mortalidade no país tenha caído bastante desde a década de 1940, a queda na taxa de natalidade foi ainda maior.

Taxa de natalidade A taxa de natalidade no Brasil é estimada em 12,8‰ — ou seja, 12,8 nascidos para cada grupo de mil pessoas ao ano. Essa taxa já foi mais elevada, acima de 40‰ nos anos 1950, em patamar similar a de outros países subdesenvolvidos. Contudo, houve sensível diminuição nas últimas décadas, que pode ser explicada pelo aumento da população urbana — já que a natalidade é bem menor nas cidades, em consequência da progressiva integração da mulher no mercado de trabalho — e da difusão do controle de natalidade. Além disso, o custo social da manutenção e educação dos filhos é bastante elevado, sobretudo no entorno urbano.

Taxa de mortalidade

O Brasil apresentou uma taxa de mortalidade de 7,5‰ — ou seja 7,5 mortes por mil pessoas ao ano em 2022.

Essa taxa era maior que 16‰ nos anos 1950. Desde então, a taxa de mortalidade brasileira também vem caindo, como reflexo de uma progressiva popularização de medidas de higiene, principalmente após a Segunda Guerra Mundial; da ampliação das condições de atendimento médico e abertura de postos de saúde em áreas mais distantes; das campanhas de vacinação; e do aumento quantitativo da assistência médica e do atendimento hospitalar.

A taxa de mortalidade alcançou seu mínimo nos anos 2000 quando era aproximadamente 6‰. O aumento observado a partir de 2010 ocorre pelos efeitos do envelhecimento da população e da pandemia de COVID-19 no Brasil que causa um aumento no número absoluto e relativo de óbitos.

Taxa de mortalidade infantil O Brasil apresenta uma taxa de mortalidade infantil de 13,31 mortes em cada mil nascimentos (estimativa para 2022). No entanto, há variações nessa taxa segundo as regiões e as camadas populacionais. O Norte e o Nordeste têm os maiores índices de mortalidade infantil, que diminuem na região Sul. Com relação às condições de vida, pode-se dizer que a mortalidade infantil é menor entre a população de maiores rendimentos, sendo provocada sobretudo por fatores endógenos. Já a população brasileira de menor renda apresenta as características típicas da mortalidade infantil tardia.

Taxa de fecundidade 300px|direita|miniatura|Mapa das unidades federativas brasileiras por taxa de fecundidade.

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de fecundidade no Brasil era de 1,57 filho por mulher em 2023, semelhante à dos países desenvolvidos e abaixo da taxa de reposição populacional, que é de filhos por mulher – duas crianças substituem os pais e a fração é necessária para compensar os indivíduos que morrem antes de atingir a idade reprodutiva. Esse índice sofre variações, caindo entre as mulheres de etnia branca e elevando-se entre as pardas. Tal variação está relacionada ao nível socioeconômico desses segmentos populacionais; em geral, a população parda concentra-se nas camadas menos favorecidas social e economicamente, levando-se em conta a renda, a ocupação e o nível educacional, entre outros fatores.

Há também variações regionais: as taxas são menores no Sudeste ( filho por mulher), no Sul ( filho por mulher) e no Nordeste ( filho por mulher). As regiões Região Norte ( filho por mulher) e Centro-Oeste filho por mulher, apresentam as maiores taxas de fecundidade do país, ainda assim abaixo da média mundial.

Expectativa de vida No Brasil, a expectativa de vida está em torno de 76,6 anos, sendo 73,3 anos para os homens e 79,9 para as mulheres, conforme estimativas para 2024. Dessa forma, esse país se distancia das nações menos desenvolvidas, em que essa expectativa não alcança 50 anos (Mauritânia, Guiné, Níger), mas ainda não alcança o patamar das nações desenvolvidas, onde a expectativa de vida ultrapassa os 80 anos (Noruega, Suécia).

Composição da população Composição por sexo direita|miniatura|300px|Pirâmide etária em 2022 A razão de sexo no país é de 94,2 homens para cada grupo de 100 mulheres, conforme estimativas do Censo Demográfico de 2022.

Até os 23 anos de idade, há um leve excesso de homens na população, após essa faixa etária a proporção se inverte levemente com excesso de mulheres. Esse fato pode ser explicado por um número maior de mortes entre os homens durante a juventude devido a causas externas, como homicídios e acidentes de trânsito. Essa disparidade cresce ainda mais, em decorrência de outras razões, como o fato de mulheres serem menos atingida por moléstias cardiovasculares, causa frequente de morte após os 40 anos.

O número de mulheres, na população rural brasileira, pode-se dizer que no Nordeste, por ser uma região de repulsão populacional, há o predomínio da população feminina. Já nas regiões Norte e Centro-Oeste predomina a população masculina, atraída pelas atividades econômicas primárias, como o extrativismo vegetal, a pecuária e, sobretudo, a mineração.

Um relativo equilíbrio entre os sexos, entretanto, só se estabeleceu a partir dos anos 1940 — pois até a década de 1930 o país apresentava nítido predomínio da população masculina, devido principalmente à influência da imigração — e, ainda que nascessem mais meninos que meninas, a maior mortalidade infantil masculinas (até a faixa de 5 anos de idade) fez com que se estabelecesse o equilíbrio.

Composição por faixa etária O Brasil passa por um rápido processo de transição demográfica com envelhecimento da população e aumento da idade média. A queda na taxa de natalidade e número de nascimentos por ano situam o Brasil na passagem da fase 3 para fase 4 dessa transição, com um pequeno acréscimo de 910 mil pessoas em 2021. Foram registrados 2,89 milhões de nascimentos em 2018 e 2019, mas somente 2,68 milhões em 2020 e 2021 e 2,54 milhões em 2022. Já o registro civil de óbitos foi de 1,29 milhão em 2018, 1,33 milhão em 2019, aumentando para 1,52 milhão em 2020 e 1,78 milhão em 2021 recuando depois para 1,52 milhão em 2022. Esse aumento da mortalidade ocorre pelos efeitos da pandemia de COVID-19 no Brasil e pelo envelhecimento da população que causa um aumento no número absoluto de óbitos.

O número absoluto e proporcional de crianças e jovens está em queda. As crianças (0 a 14 anos) atingiram 53 milhões em 1994 e são aproximadamente 43 milhões em 2022. Os jovens (15 a 24 anos) atingiram 36 milhões em 2005 e são aproximadamente 28 milhões em 2022.

O número de adultos (25 a 64 anos) ainda está em crescimento, porém lento, totalizando aproximadamente 118 milhões de pessoas. O número de idosos (acima de 65 anos) é de aproximadamente 22 milhões e sua proporção na população cresce rapidamente.

As proporções dos diferentes grupos etários da população brasileira estão convergindo rapidamente às observadas nos países de alto índice de desenvolvimento humano (IDH). Nos países de alto IDH, a natalidade é baixa e a expectativa de vida bastante alta, o que explica o grande número de idosos na população total. No Brasil, a progressiva redução das taxas de natalidade verificada nas últimas três décadas, causou a redução no número de crianças e jovens na população.

Composição por religião professada

O Brasil é um país religiosamente diverso, com a tendência de mobilidade entre as religiões. Segundo o censo de 2010, a população brasileira é majoritariamente cristã (86,8%), sendo sua maior parte católica. Em uma população recenseada de 190 755 799 habitantes, 123 280 172 (64,6%) declararam-se católicos e 42 275 440 (22,2) declararam-se evangélicos. Herança da colonização portuguesa, o catolicismo foi a religião oficial do Estado até a Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado laico. No entanto, existem muitas outras denominações religiosas no Brasil. Algumas dessas igrejas são protestantes: pentecostais, episcopais, metodistas, luteranas e batistas. Ainda segundo o censo de 2010, naquele ano 3 848 876 (2%) declararam-se espíritas. Existem também seguidores da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, uma minoria de judeus, muçulmanos, budistas, neopagãos e seguidores do candomblé e da umbanda, que segundo o censo de 2010, eram 588 797 (0,3%). 15 335 510 (8%) declararam-se sem religião.

De acordo com o censo de 2022, 56,75% da população era católica, 26,85% protestante ou evangélica, 9,28% sem religião, 1,84% espírita, 1,05% de religião afro-brasileira, 4,01% de outras religiões, 0,06% de religião indígena e 0,17% não declarada. A população evangélica protestante aumentou, juntamente com a população irreligiosa. Em áreas com grandes populações cristãs protestantes, a população irreligiosa também cresceu.