Português brasileiro (abreviado como pt-BR ou simplesmente PB), também conhecido como português do Brasil, é o termo utilizado para classificar a variante da língua portuguesa falada de forma nativa pelos mais de 213 milhões de brasileiros no país, em 2025, e pelos mais de 4 milhões, que vivem fora do Brasil.

A Academia Brasileira de Letras (ABL), embora seja uma instituição cultural importante no desenvolvimento do português brasileiro, não possui poder regulatório legal sobre a língua, que é moldada pelo uso e por normas educacionais no Brasil. É, de longe, a mais falada e escrita variante do português, tradicionalmente descrita por gramáticos prescritivistas e filólogos, ainda que estudos modernos da Linguística, como o projeto NURC, venham apontando significativas disparidades entre a gramática tradicional e o português brasileiro de fato, inclusive em suas variedades de prestígio. Tais diferenças, bem como outras características particulares do português brasileiro, o distinguem especialmente do português europeu, embora permaneça uma variante do português dentro da família das línguas românicas, o que tem levado alguns estudiosos a interpretá-lo como uma língua distinta.

No decorrer da sua história, o português brasileiro incorporou empréstimos de termos indígenas, especialmente do tupi antigo, mas também de línguas africanas, sobretudo do iorubá, quicongo, quimbundo e umbundo, com dialetos italianos, alemães e espanhóis, e inúmeros exemplos mais, em casos regionais. Muitas diferenças do português brasileiro em relação ao português europeu são apontadas como tendo origem nesse contato, enquanto que outras são apontadas como conservação de características do português quinhentista que não ocorrem em Portugal da mesma maneira.

Há várias diferenças entre o português europeu e o português brasileiro, especialmente no vocabulário, pronúncia e sintaxe, principalmente nas variedades vernáculas; nos textos formais as diferenças também existem, mas são bem menores. Devido à forte influência que o português brasileiro sofreu de outros idiomas, especialmente do tupi, a diferença entre a linguagem escrita e a falada se tornou bem maior do que a do português europeu. Adotado pelo Brasil e por alguns outros países, o Acordo Ortográfico de 1990 tem por base critérios fonéticos, fonológicos, etimológicos e tradicionais, desconsiderando muitas particularidades linguísticas desses países.

O português brasileiro é falado não só no Brasil mas em muitos outros países pela importância que tem na América Latina e no hemisfério Sul, além de sua grande diáspora, de notável presença em países como Estados Unidos, Portugal, Paraguai, Reino Unido, Japão, Itália, Espanha, Alemanha, Canadá e Argentina. No entanto, a difusão do português brasileiro mundo afora não conta com os mesmos suportes que o português europeu recebe de Portugal, que, por sua vez, não beira a mesma magnitude de políticas de difusão linguística alemãs, espanholas, francesas, inglesas e companhia.

História Línguas indígenas americanas ou ameríndias Antes da chegada dos portugueses, estima-se que cerca de 1 500 línguas diferentes eram faladas no território que veio a ser o Brasil. Essas são agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes aos troncos tupi, macro-jê e aruaque. Há famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos, são elas: caribes, panos, macus, ianomâmis, muras, tucanos, catuquinas, chapacuras, nambiquaras e cadiuéu-guaicurus. Evidentemente, o facto de duas sociedades indígenas americanas falarem línguas pertencentes a uma mesma família não faz com que seus membros consigam entender-se mutuamente.Tal como, por exemplo, português e o francês. Sendo ambas línguas românicas ou neolatinas, os falantes de uma e outra língua não se entendem, apesar das muitas semelhanças linguísticas existentes entre ambas.

Apesar de o Brasil ter sido descoberto oficialmente em 1500 pelos portugueses, sua colonização europeia só começou efetivamente em 1532. No mesmo ano, o rei de Portugal, João III, organizou a primeira expedição com objetivos de colonização. Foi comandada por Martim Afonso de Sousa e tinha, como metas, povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil. Com isso, a língua portuguesa passou a ser usada factualmente no território hoje conhecido como Brasil. Ao mesmo tempo, outras nações europeias vieram para o Brasil, como a França e a Holanda (que chegou a instalar uma colônia na região que é hoje o Estado de Pernambuco).

No início da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos ameríndios tupinambás (tronco tupi) era falada numa enorme extensão de território ao longo da costa atlântica. No século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que, de início, eram uma minoria entre a população local. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de "brasílica", se intensificou e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro. Com o decorrer do tempo, ela se modificou e, a partir da segunda metade do , passou a ser chamada de "língua geral".

Era a língua de contato entre ameríndios de diferentes línguas e entre ameríndios e portugueses e seus descendentes. A língua geral era, assim, uma língua franca no atual território brasileiro. Essa foi a primeira influência que a língua portuguesa recebeu no Brasil. Como tal, deixou algumas marcas no vocabulário popular falado atualmente no país. A língua geral possuía duas variantes:

A Língua Geral Paulista: originária na língua dos ameríndios tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, passou a ser falada pelos bandeirantes no . Dessa forma, ouve-se tal idioma em locais em que esses ameríndios jamais estiveram, influenciando o modo de falar dos brasileiros. O nheengatu (do tupi ie’engatú, "língua boa") é uma língua tupi-guarani que foi, durante a época colonial, falada na Amazônia (atualmente, continua a ser falada apenas no noroeste do estado do Amazonas e na Venezuela). O nheengatu é uma língua de comércio que foi desenvolvida ou compilada pelos jesuítas portugueses nos séculos XVII e XVIII, tendo, como fundamentos, o vocabulário e a pronúncia tupinambá e, como referência, a gramática da língua portuguesa, tendo sido o vocabulário enriquecido com palavras do português e do castelhano.

O português no Brasil thumb|esquerda|O Marquês de Pombal instituiu o português como a língua oficial do Brasil, proibindo o uso da língua geral

Com a saída dos holandeses em 1654, o português passou a ser a única "Língua de Estado" do Brasil.

No fim do , os bandeirantes iniciaram a exploração do interior do continente, e descobriram ouro e diamantes. Devido a isso, o número de imigrantes portugueses no Brasil e o número de falantes da Língua Portuguesa no Brasil passaram a aumentar, superando os falantes da língua geral (derivada do tupinambá). Em 17 de agosto de 1758, o Marquês de Pombal instituiu o português como a língua oficial do Brasil, ficando proibido o uso da língua geral. Nessa altura, devido à evolução natural da língua, o português falado no Brasil já tinha características próprias que o diferenciavam do falado em Portugal.

No , por conta da intensificação do cultivo de cana-de-açúcar, houve um grande fluxo de escravos vindos da África, que se espalharam por todas as regiões ocupadas pelos portugueses e que trouxeram uma influência lexical africana para o português falado no Brasil. Para se ter uma ideia, no foram trazidos para o Brasil 100 mil negros. Este número salta para 600 mil no e 1 milhão e 300 mil no . A influência lexical africana veio principalmente da língua iorubá, falada pelos negros vindos da Nigéria, e do quimbundo angolano.

Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808, como consequência das invasões francesas, ocorreu uma relusitanização no falar da cidade do Rio de Janeiro, que passou a ser a capital do país. Acompanhando a família real, chegaram ao Rio de Janeiro cerca de 15 mil portugueses. Essa relusitanização expandiu-se e influenciou outras partes do Brasil. O sotaque carioca e seu dialeto (com "s" chiado e sílabas atonais fechadas e tónicas abertas), ainda guarda profunda influência portuguesa provinda deste período.

Em 1822, o Brasil tornou-se independente. Com isso muitos imigrantes europeus, como alemães e italianos, chegaram ao país. Em números absolutos os italianos formaram a maior corrente migratória no país. Deste modo, as especificidades linguísticas dos imigrantes italianos interferiram nas transformações da língua portuguesa no Brasil. Assim, palavras foram agregadas de outros idiomas europeus. Nos anos seguintes, a língua local ora era designada de língua brasileira, ora de língua nacional, português ou língua portuguesa. Já em 1826, o político José Clemente Pereira apresentou um projeto em que propunha que os diplomas dos médicos cirurgiões fossem redigidos «em língua brasileira, que é a mais própria», se bem que essa designação não se tornou prática comum.

thumb|400px|A língua portuguesa no mundo:

Na segunda metade do ocorreu uma tentativa, dos autores romantistas, de criar uma personalidade literal brasileira. Entretanto, o movimento que consagrou rapidamente a norma brasileira foi o modernismo brasileiro. Esse foi um movimento de nacionalização que rompeu com o parnasianismo e com a imitação do padrão tradicional do português, privilegiando as peculiaridades do falar brasileiro. O modernismo brasileiro nasceu no dia 11 de fevereiro de 1922, com a Semana de arte moderna de 1922, sendo alvo de muitas críticas, como as de Monteiro Lobato, que consideravam-no caricato. A posteriori, o movimento representou uma verdadeira renovação da linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora e na ruptura com o passado. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos.

A questão do nome da língua seria praticamente encerrada no Brasil com a Constituição de 1988 em que é referido que «A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil».

Há várias ideias acerca de quando começaram a divergir o português do Brasil e o de Portugal. O professor titular da Universidade de São Paulo Ataliba Teixeira de Castilho disse numa entrevista ao Jornal da Unicamp:Jornal da UNICAMP, Edição 328, de junho de 2006. Há várias posições sobre isso. Uns dizem que a partir do começou a ser construída uma gramática do português brasileiro, quer dizer, uma nova língua, distinta do português europeu. Mas, se analisar o português medieval, como fez a minha mulher Célia Maria Moraes de Castilho em sua tese de doutorado, descobre-se que aquilo que se explicava como um abrasileiramento do português, na verdade, já se encontrava lá, sobretudo nos documentos do . Ou seja, esse português veio para o Brasil e foi preservado. Nós estamos fazendo mudanças gramaticais a partir dessa base. Já Portugal, a partir do , imprimiu um novo rumo à língua. Por isso é que muito do que aqui sobreviveu não existe mais lá. Eles é que estão diferentes, não nós.A tese citada está disponível na Biblioteca Digital da UNICAMP

pt-BR

pt-BR é um código de língua para o português brasileiro, definido por normas ISO (ver ISO 639-1 e ISO 3166-1 alpha-2) e normas Internet (ver "IETF language tag").

Léxico

thumb|direita|Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, a maior da América Latina

Ainda que o léxico brasileiro seja o mesmo que o do português europeu, existe uma série de regionalismos que podem gerar confusão e desentendimentos entre os falantes das duas variantes. Há ainda as palavras que, apesar de estarem dicionarizadas em ambos os países (Brasil e Portugal), não são utilizadas por um ou por outro, gerando a mesma estranheza quando ouvidas ou lidas por um falante da outra variante.

Tupinismos