é uma forma curta de poesia japonesa. É tradicionalmente caracterizada por três aspectos:
A essência do haiku é o "corte" (kiru). Isto é geralmente representado pela justaposição de duas imagens ou ideias e um kireji ("palavra que corta") entre elas, um tipo de marca de pontuação verbal que sinaliza o momento da separação e destaca a maneira pela qual os elementos justapostos são relacionados. O haiku tradicional consiste de 17 on (também conhecida como mora), em três frases de 5, 7 e 5 on respectivamente,Lanoue, David G. Issa, Cup-of-tea Poems: Selected Haiku of Kobayashi Issa, Asian Humanities embora existam autores críticos com a distribuição de sílabas como Vicente Haya ou Jaime Lorente.Vicente Haya, Aware., Barcelona, Kairós, 2013, págs.23 y 24Jaime Lorente, Shasei. Introducción al haiku, Lastura y Juglar, Toledo, 2018, p.32
Um kigo (referência sazonal), normalmente gerado de um saijiki, uma lista extensiva e definitiva de tais palavras.
O está gradativamente usando menos a tradição de 17 on ou usando a natureza como assunto, mas o uso da justaposição continua em voga tanto no haiku tradicional quanto no moderno. Há uma percepção comum, embora relativamente recente, de que as imagens justapostas devem ser objetos ou ocorrências diretamente observados no dia a dia.Haruo Shirane Beyond the Haiku Moment
Em japonês, os haikus são tradicionalmente impressos em uma linha vertical única, enquanto o haiku ocidental geralmente aparece em três linhas paralelas, uma para cada das três frases do haiku japonês.Van den Heuvel, Cor. The Haiku Anthology, 2nd edition, Simon & Schuster, 1986, ISBN 0-671-62837-2 p.11
Anteriormente chamado de hokku, o haiku recebeu seu nome atual pelo escritor japonês Masaoka Shiki no final do século XIX.
Sílabas ou on no haiku
Em comparação com os versos ocidentais geralmente caracterizados por uma métrica silábica, o verso japonês conta as unidades de som conhecidas como "on" ou mora. O haiku tradicional consiste de 17 on, em três frases de cinco, sete e cinco on respectivamente. Entre os poemas contemporâneos teikei (定型 forma fixa), o haiku continua a usar o padrão 5-7-5 enquanto o haiku jiyuritsu (自由律 forma livre) não usa. Um dos exemplos abaixo ilustra que os mestres do haiku tradicional nem sempre se restringem ao padrão 5-7-5.
Embora a palavra "on" seja traduzida às vezes como "sílaba", um "on" é contado para uma sílaba curta, dois para uma vogal alongada ou ditongo e uma para uma sílaba terminada em n. Assim, a palavra "haibun," é contada como duas sílabas no português e é contada como quatro on no japonês (ha-i-bu-n), enquanto a própria palavra "on", que os falantes de português veriam como uma sílaba única, compreende dois on: a vogal curta o e o som . Isto é ilustrado pelo exemplo do Issa haiku abaixo, que contém 17 on mas apenas 15 sílabas.
A palavra onji (音字; "símbolo de som") é algumas vezes usado para se referir a unidades de som japoneses em português T. Kondo, "In support of onji rather than jion," Frogpond: Journal of the Haiku Society of America', 1:4, 30-31 (1978). embora esta palavra não seja mais utilizada no japonês. No japonês, cada on corresponde a um caractere kana (ou às vezes dígrafos) e portanto o ji (ou "caractere") é às vezes usado como unidade de contagem.
Em 1973, a Sociedade de Haiku da América observou que a norma para os escritores de haikai em inglês era usar 17 sílabas, mas eles também observaram uma tendência de haikais mais curtos.1973 definition of haiku on the website of the Haiku Society of America
Kigo
Um haiku tradicionalmente contém um kigo, uma palavra ou frase definida que simboliza ou implica a estação do poema, que é tirada de um saijiki, uma lista extensiva e definida de tais palavras.
Os kigo são geralmente na forma de metonímia e pode ser difícil para aqueles sem referências culturais japonesas captar a ideia. Os exemplos abaixo de Bashō incluem "kawazu", "sapo" implicando primavera, e "shigure", um banho de chuva no final do outono ou começo do inverno. Os kigo nem sempre são incluídos em haikus não japoneses ou por escritores modernos da "forma livre" do haiku japonês.
Kireji
No haiku japonês, um kireji, ou palavra de corte, normalmente aparece no final de uma das três frases do verso. Um kireji preenche um papel um tanto semelhante a uma caesura na poesia clássica ocidental ou a uma volta em sonetos. Dependendo de qual palavra de corte é escolhida, e sua posição dentro do verso, ele pode cortar brevemente a corrente de pensamento, sugerindo um paralelo entre as frases antecedente e posterior, ou pode fornecer um fim digno, concluindo o verso com um sentido de encerramento.
A qualidade estética fundamental tanto do hokku quanto do haiku é a autossuficiência, independente do contexto, e será considerado como uma obra completa. O kireji empresta o apoio estrutural do verso,Brief Notes on "Kire-ji" , Association of Japanese Classical Haiku. Retrieved 2008-10-16. permitindo-o permanecer como um poema independente.Steven D. Carter. Three Poets at Yuyama. Sogi and Yuyama Sangin Hyakuin, 1491, in Monumenta Nipponica, Vol. 33, No. 3. (Autumn, 1978), p.249Konishi Jin'ichi; Karen Brazell; Lewis Cook, The Art of Renga, in Journal of Japanese Studies, Vol. 2, No. 1. (Autumn, 1975), p.39 O uso do kireji distingue o haiku e o hokku do segundo verso e subsequentes do renku que, embora eles possam empregar uma disjunção semântica e sintética, mesmo ao ponto de ocasionalmente terminar uma frase com um shūjoshi (終助詞 partícula de fim de sentença), geralmente não recorre ao kireji.
Em português, como o kireji não possui um equivalente direto, os poetas algumas vezes usam pontuação como um traço ou reticências, ou uma pausa implícita para criar uma justaposição que levaria o leitor a refletir sobre a relação entre as duas partes.
O kireji nos exemplos de Bashō "velha lagoa" e "o vento no Monte Fuji" são ambos "ya" (や). Nenhum dos outros exemplos de Bashō nem o exemplo de Issa contêm um kireji, embora eles façam um equilíbrio do fragmento nos primeiros cinco on contra uma frase nos outros 12 on (pode não ser aparente a partir da tradução em português do Issa que os primeiros cinco on signifiquem "chuva de Edo").
Exemplos O mais conhecido haiku japonês Higginson, William J. The Haiku Handbook, Kodansha International, 1985, ISBN 4-7700-1430-9, p.9 é a "velha lagoa" de Matsuo Bashō':
Eles se separam como on desse modo:
fu-ru-i-ke ya (5) ka-wa-zu to-bi-ko-mu (7) mi-zu no o-to (5)
Tradução:Translated by William J. Higginson in Matsuo Bashō: Frog Haiku (Thirty Translations and One Commentary), including commentary from Robert Aitken’s A Zen Wave: Bashô’s Haiku and Zen (revised ed., Shoemaker & Hoard, 2003) velha lagoa . . . um sapo salta nela o som da água
Uma tradução alternativa, que preserva a contagem de sílabas no inglês ao custo de tomar uma liberdade maior com o sentido: na velha lagoa um sapo pula na água uma profunda ressonância
Outro haiku de Bashō:
Ele se separa em on como:
ha-tsu shi-gu-re (5) sa-ru mo ko-mi-no wo (7) ho-shi-ge na-ri (5)
Tradução:
o primeiro banho gelado mesmo os macacos parecem querer um pequeno casaco de palha
Este haikai de Bashō ilustra que ele nem sempre se restringia ao padrão de 5-7-5 on. Ele contém 18 on no padrão 6-7-5 ("ō" ou "おう" é tratado como dois on.
Ele se separa em "on" como: fu-ji no ka-ze ya (6) o-o-gi ni no-se-te (7) e-do mi-ya-ge (5)
Tradução:
o vento do Monte Fuji eu trouxe o meu leque! uma lembrança de Edo
Este haikai de Issa ilustra que os 17 on japoneses nem sempre se igualam às sílabas em português ("nan" conta como dois on e "nonda" como três)
Ele se separa em "on" como, e-do no a-me (5) na-n go-ku no-n-da (7) ho-to-to-gi-su (5)
Tradução:
quantos galões da chuva de Edo você bebeu? cuco
Origem e desenvolvimento De renga a renku e haiku
Hokku é a estrofe de abertura de um poema ortodoxo colaborativo, ou renga, e de seu derivado posterior, o renku (ou haikai no renga). Na época de Matsuo Bashō (1644–1694), o hokku havia começado a aparecer como um poema independente e foi também incorporado no haibun (uma combinação de prosa e hokku), e haiga (uma combinação de pintura com hokku). No final do século XIX, Masaoka Shiki (1867–1902) renomeou o hokku independente como haiku.Higginson, William J. The Haiku Handbook, Kodansha International, 1985, ISBN 4-7700-1430-9, p.20 Este último termo é agora geralmente aplicado retrospectivamente a todos os hokkus que aparecem independentemente do renku ou do renga, independente de quando eles foram escritos, sendo que o uso do termo hokku para descrever um poema independente é considerado obsoleto.van den Heuvel, 1986, p.357
Bashō
No século XVII, surgiram dois mestres que elevaram o haikai e lhe deram uma nova popularidade. Eles eram Matsuo Bashō (1644–1694) e (1661–1738). Hokku é o primeiro verso do haikai ou renku colaborativo, mas sua posição como o verso de abertura tornou-o o mais importante, definindo o tom para toda a composição. Mesmo o hokku tendo aparecido às vezes individualmente, eles eram sempre entendidos no contexto do renku. A escola de Bashō promoveu o hokku independente ao incluir muitos deles em suas antologias, assim dando origem ao que hoje é chamado de "haiku". Bashō também usou seu hokku como pontos de torque dentro de seus esboços de prosa curta e diários de viagem mais longos. Este subgênero do haikai é conhecido como haibun. Sua obra mais conhecida, Oku no Hosomichi, ou Estradas Estreitas para o Interior, é considerada como um dos clássicos da literatura japonesaYuasa, Nobuyuki. The Narrow Road to the Deep North and other travel sketches, Penguin 1966, ISBN 0-14-044185-9 p.39 e foi traduzido para outras línguas.
Bashō foi deificado tanto pelo governo imperial quanto por instituições religiosas xintoístas cem anos após sua morte por ele ter elevado o gênero haikai de um jogo lúdico para uma poesia sublime. Ele continua a ser reverenciado como um santo da poesia no Japão e é o nome da literatura clássica japonesa que é familiar em todo o mundo.Rimer, J. Thomas. A Reader's Guide to Japanese Literature, Kodansha International 1988, ISBN 4-7700-1396-5 pp.69-70
Buson
thumb|upright|Túmulo de Yosa Buson O próximo estilo famoso de haikai a surgir foi o de Yosa Buson (1716–1783) e outros como Kitō, chamado de estilo Tenmei após a Era Tenmei (1781–1789) no qual ele foi criado.
Buson é reconhecido como um dos maiores mestres do haiga (uma forma de arte na qual a pintura é combinada com o haiku ou a prosa haikai). Sua afeição pela pintura pode ser vista no estilo pictórico de seu haikai.Ross, Bruce. Haiku Moment: An Anthology of Contemporary North American Haiku, Tuttle Publishing, 1993, ISBN 0-8048-1820-7 p.xv
Issa
Nenhum novo estilo popular surgiu após Buson. No entanto, uma abordagem muito individualista, e ao mesmo tempo humanista, de escrever haikai foi demonstrado pelo poeta Kobayashi Issa (1763–1827), cuja infância miserável, pobreza, vida triste e devoção à seita Terra Pura do budismo são evidentes em sua poesia. Issa tornou o gênero acessível a um público maior.
Shiki