X é o décimo álbum de estúdio da artista musical australiana Kylie Minogue. O seu lançamento ocorreu em 21 de novembro de 2007 pela Parlophone Records. O disco representa um afastamento musical dos trabalhos anteriores de Minogue, apresentando uma influência de gêneros nunca experimentados pela artista. Tendo como gêneros musicais predominantes o dance-pop, R&B e hip hop, o trabalho possui influências do electro, synthpop e do rock. Liricamente, as faixas refletem vários assuntos, com a cantora afirmando mais tarde que queria que o CD fosse "mais coerente" em relação à direção lírica. As gravações ocorreram entre 2006 e 2007 em estúdios de alguns países da Europa, com a produção musical ficando a cargo de Bloodshy & Avant, Guy Chambers, Cutfather, Cathy Dennis, Freemasons, Calvin Harris, Jonas Jeberg, Kish Mauve, Greg Kurstin, Richard "Biff" Stannard e Eg White.

Optando por restabelecer sua carreira após o lançamento da coletânea Ultimate Kylie (2004) e iniciar a Showgirl: The Greatest Hits Tour (2005), digressão cancelada no começo da parte do Reino Unido e Austrália pela cantora ter sido diagnosticada com câncer de mama, Minogue começou a gravar canções em 2006 com diversos produtores, com o Scissor Sisters afirmando que a artista estava "aberta a coisas diferentes", bem como foi divulgado que Calvin Harris estaria participando do projeto. O trabalho continuou em 2007, ano no qual foram divulgadas versões inacabadas de novas canções da artista, com tabloides dizendo que poderia ser um marketing da editora de Minogue para divulgar o disco. A capa do álbum e as fotos de seu encarte correspondente foram feitas por William Baker, com a primeira recebendo análises prezando sua "estranheza".

X recebeu análises positivas ​​da mídia especializada, a qual elogiou a produção, a escrita inovadora de Minogue e muitos acreditaram que ela era verdadeiramente bem-vinda de volta à cena pop. Entretanto, alguns profissionais ficaram divididos quanto a se o álbum foi para um "retorno", e alguns notaram o tema inconsistente. Obteve um desempenho comercial mediano, atingindo a liderança na tabela da Austrália, enquanto listou-se entre as vinte primeiras posições do Reino Unido, Suíça, Áustria, República Checa, Alemanha e Hungria. Em território estadunidense, entrou na 139ª posição da Billboard 200, comercializando 6 mil cópias em sua primeira semana de lançamento, com a Reuters descrevendo o álbum como um "fracasso". O material recebeu certificação de platina pela Australian Recording Industry Association (ARIA) e British Phonographic Industry (BPI). Em âmbito global, vendeu mais de um milhão de exemplares até julho de 2008.

De X surgiram cinco singles. O primeiro, "2 Hearts", atingiu a primeira posição das tabelas da Austrália e Espanha e teve um sucesso comercial médio, listando-se nas dez primeiras posições em diversos países. O segundo e terceiro, "In My Arms" e "Wow", foram lançados simultaneamente, com o primeiro conseguindo as vinte melhores colocações das paradas de países como Alemanha, Áustria, França, e o segundo as vinte melhores em países como Reino Unido, Irlanda, Austrália, França e Nova Zelândia. Os vídeos musicais de ambas as canções foram lançados no final de janeiro de 2008 pelo Channel 4, com "Wow" tendo que ser reeditado pelo forte uso de luzes. O quarto, "All I See", foi lançado para o território estadunidense, mas só conseguiu entrar nas paradas do Canadá e Hungria. O quinto e último, "The One", foi lançado apenas por venda digital, entrando na parada do Reino Unido e das duas regiões da Bélgica, bem como nas tabelas radiofônicas da Nova Zelândia e Hungria. Para divulgar o disco, a cantora apresentou faixas do disco em seu especial intitulado The Kylie Show, participou de programas de televisão tanto europeus como estadunidenses, e iniciou a turnê KylieX2008, na qual arrecadou 14 milhões de libras na parte inglesa; esta teve um registro gravado com mesmo nome, lançado em dezembro de 2008 como DVD e em julho de 2009 como blu-ray.

Antecedentes e desenvolvimento esquerda|miniaturadaimagem|293x293px|Calvin Harris (imagem) foi um dos produtores que trabalharam em X com Minogue em meados do desenvolvimento do disco. Em novembro de 2004, a gravadora da artista lançou a coletânea Ultimate Kylie. A mesma foi bem recebida pelos críticos, com a British Phonographic Industry certificando o álbum como platina tripla, pelas vendas de 900 mil unidades, e a Australian Recording Industry Association certificando como platina quádrupla, pelas vendas de 280 mil unidades. Em maio de 2005, enquanto promovia o disco com a turnê Showgirl: The Greatest Hits Tour, a cantora foi diagnosticada com câncer de mama, tendo que cancelar as datas de todos os concertos. Dias depois do diagnóstico, foi submetida a uma cirurgia, e esta conseguiu ser feita, mesmo com ninguém divulgando quanto tempo a recuperação total da artista levaria. Em novembro de 2005, foi anunciada pelo seu promotor de concertos a volta da turnê no final de 2006, a qual se chamaria Showgirl: The Homecoming Tour e teria a Austrália e Reino Unido como partes, por ser estes países os cancelados no meio da primeira turnê. Mais tarde, em julho de 2006, ele disse que a artista estava em estúdio gravando um novo material. A cantora disse no recomeço da turnê que estava "realmente inspirada, mais do que eu estava por um bom tempo", e também disse que "quase não parou" em seu momento de recuperação, pois ela estava registrando novas faixas, fazendo sessões de fotos e gravando novos vídeos para os telões da digressão.

No começo de 2007, uma faixa chamada "Excuse My French" vazou na internet, e levantou dúvidas por parte dos tabloides se seria o primeiro single do disco. Mais tarde, o sítio oficial de Minogue disse em uma postagem que não era a mesma que estava cantando na obra, e que ela "nunca gravou uma canção com este nome", também dizendo que seu décimo álbum não conteria a faixa. No começo de abril de 2007, o produtor escocês Calvin Harris foi divulgado por um portal de notícias como sendo um dos quais estavam trabalhando para o novo álbum da artista, e alegando que isso rapidamente também se transformou em uma amizade entre Kylie e Harris. Pouco depois, o produtor disse em uma entrevista que "ela foi brilhante para trabalhar" com ele, bem como falou que fizeram uma faixa que descreveu como "suja, suada e um pouco errada". Um mês após o pronunciamento, cinco canções da cantora vazaram e foram enviadas para sites de compartilhamento de arquivos, e fãs alegaram em alguns fóruns que um conjunto de três CDs, dos quais continham 49 demos, existiam e que pessoas poderiam encontrá-los. Alguns tabloides disseram que poderia ser um marketing por parte da gravadora de Minogue de vazar as faixas, com Lucy Holmes, uma sósia de Minogue, dizendo que os vazamentos não atrapalhariam as vendas do disco. Além disso, em setembro de 2007, duas faixas intituladas "In the Mood for Love" e "Spell of Love" foram vazadas na internet pelo produtor Mylo em seu sítio oficial, saindo do ar horas depois.

Gravação e composição

A artista conheceu Harris por Jamie Nelson, seu A&R, o qual ouviu os trabalhos do produtor e perguntou se ele gostaria de trabalhar com Minogue. Eles escreveram e gravaram músicas juntos, sendo as que entraram para a edição final "In My Arms" e "Heart Beat Rock". No começo de fevereiro de 2007, foi afirmado que a cantora estaria trabalhando com o disc jockey (DJ) Roger Sanchez, com este dizendo que a cantora estava "se movendo em uma direção diferente". Pouco depois, foi divulgado que o grupo Scissor Sisters estava ajudando Minogue no processo de escrita e gravação do projeto, com Jake Shears, vocalista da banda, dizendo que a musicista "tem bom senso, boa escrita e é incrivelmente aberta a coisas diferentes". A cantora disse que, enquanto estava em sua recuperação do câncer, a mesma "dançava um pouco ao redor da sala de estar", e disse que isto lhe deu muita energia que descreveu como "boa" e que espera que "a minha música faça o mesmo para pessoas que precisam dele tanto quanto eu". Em 2006, durante o processso de gravação do CD, foi divulgado pela cantora Nelly Furtado planos para gravar um dueto entre ela e Minogue para a volta da segunda a música. No entanto, esta não foi gravada, com Minogue dizendo em uma entrevista que a proposta de gravação da canção "está ainda em aberto". Três anos depois do lançamento de X, a cantora disse que queria que este, juntamente com Body Language, fosse "mais coerente" em relação às composições. A cantora ainda falou sobre a retiração de músicas que falavam de sua cura com o câncer do produto final de X, comentando que "estava voltando e tinha feito canções sobre minha experiência, minha doença, e elas não entraram no álbum. Não sei o motivo. Se elas não eram boas o suficiente [ou] se a gravadora não achou que elas eram apropriadas".

Musicalmente, a maior parte do álbum foi identificada como "música dance-pop calculada", com a Allmusic citando "Like a Drug" e "The One", respectivamente a segunda e sétima faixa do álbum, como exemplos. Dave Hughes, da Slant Magazine, comentou sobre a influência R&B do álbum, escrevendo que "[a faixa] 'Speakerphone' é particularmente notória, pelo menos parcialmente, porque o seu som de bateria sutilmente anuncia a intenção deste registro, [que é] flertar com o hip hop de uma forma que é totalmente inadequada para Minogue, e também porque ela afoga sua voz em inundações de vocoder". A primeira canção do álbum é "2 Hearts", o primeiro single do disco que é, musicalmente, uma faixa electro rock. "Like a Drug" é uma canção electro descrita pelo PopMatters como "de alta qualidade", enquanto "In My Arms" é uma canção que contém uma "profusão" de sintetizadores distorcidos. Tom Ewing, da Pitchfork, comentou que o tema "é como uma versão leitora de cassete de Justice". Quarta faixa do disco, "Speakerphone" começa com um número de harpa que é descrita pela Pitchfork como "tentadora", e é conduzida a uma linha do baixo com uma batida impulsionada e Minogue cantando com vocais codificados.

A quinta obra "Sensitized" utiliza amostras de "Bonnie and Clyde", interpretada por Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot; já o sexto tema, "Heart Beat Rock", é uma canção derivada do R&B e hip hop, sendo comparada a obras de Gwen Stefani. Segue-se "The One", uma faixa dance-pop de andamento métrico, e contém instrumentação derivada de guitarras e sintetizadores de código morse. A oitava obra do disco, "No More Rain", é uma canção reminiscente a trabalhos da década de 1990 da cantora americana Madonna que apresenta letras com referência a pensamentos de Minogue em relação "a sensação de voltar ao palco". "All I See", uma obra inspirada no R&B, foi citada pelo New York Times, o qual disse que esta "soa como uma música [que] Janet Jackson deve ter gravado". A décima faixa "Stars" tem letras relacionadas ao "significado da vida". "Wow", décima primeira faixa do disco, é uma canção electro que se abre com um piano estridente. O tema foi comparado por vários críticos com "Holiday", da cantora Madonna. A penúltima faixa "Nu-di-ty" é musicalmente derivada do hip hop, e apresenta vocais de apoio "quase gagos" e gritos. A última canção, intitulada "Cosmic", não apresenta efeitos vocais como em outras faixas e "confia em suas esvoaçantes batidas de tambor e hesitantes cordas para puxar o ouvinte". O número bônus "Magnetic Electric" foi descrito pelo sítio GoodRichard como tendo "uma linha de baixo efervescente, distorcida, barulhenta, e um refrão cativante com vocais cauterizantes". "White Diamond", também um bônus do disco, é uma faixa de andamento lento que contém apenas uma instrumentação com um piano.

Lançamento e capa