O Pampa é uma região natural e pastoril de planícies com coxilhas cobertas por campos localizada no sul da América do Sul. Geograficamente abrange a metade meridional do estado brasileiro do Rio Grande do Sul (ocupando cerca de 69% do território do estado),Mapa de Biomas do Brasil o Uruguai e as províncias argentinas de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé, Córdoba, Entre Ríos e Corrientes.
No âmbito brasileiro, os pampas podem ser designados com o termo regionalista campanha gaúcha. Quando em conjunto com os campos do planalto meridional (abrangendo regiões do norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, incluindo os Campos de Cima da Serra e os Campos Gerais do Paraná), são chamados campos do sul ou campos sulinos.Pillar et al. (2009).
Etimologia e conceito
"Pampa" originou-se do vocábulo pampa, de origem aimará e quéchua, que significa "planície".FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1254.Plischke, Hans. Sobre a origem ameríndia de alguns conceitos geográficos. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 101-106, 1954. [Trad. de Anatol H. Rosenfeld.] link. "Campos" é oriundo do termo latino campv, campus.FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.329 "Campanha" é oriundo do termo latino tardio campania,FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.328 que possui também o significado de planície.Instituto Antônio Houaiss Minidicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004. p.128
A terminologia relacionada à região dos campos sulinos do Brasil varia entre diferentes autores.Overbeck, G. E. et al. Brazil's neglected biome: the South Brazilian Campos. Perspectives in Plant Ecology, Evolution and Systematics, v. 9, n. 2, p. 101-116, 2007. Disponível em: <http://ecoqua.ecologia.ufrgs.br/arquivos/Reprints%26Manuscripts/Overbeck_et_al_2007_PPEES.pdf >
Na classificação dos "biomas" (mais propriamente, domínios) brasileiros pelo IBGE (2004), tal região está subdividida entre os biomas Mata Atlântica (planalto meridional, ou planalto das araucárias, do Paraná ao Rio Grande do Sul) e Pampa (sul do Rio Grande do Sul).IBGE (2004). Mapa de Biomas do Brasil. Primeira Aproximação. Escala 1:5.000.000. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.terrabrasilis.org.br/ecotecadigital/index.php/estantes/mapas/563-mapa-de-biomas-do-brasil>Boldrini, I.I. 2009. Biodiversidade dos campos do planalto das araucárias Brasília: MMA, .
Fitogeograficamente, para Cabrera & Willink (1973, 1980), os campos sulinos estão dentro da Região Neotropical, subdivididos entre a Província Paranaense (no Domínio Amazônico) e a Província Pampeana (no Domínio Chaqueno).Cabrera, A. L. & Willink, Y A. 1973. Biogeografía de América Latina. Monografía 13, Serie de Biología, OEA, Washington, D.C., . (2a ed., 1980). O IBGE (2012) denomina estas duas regiões florísticas como região dos campos do planalto meridional e região da campanha gaúcha.IBGE (2012). Manual Técnico da Vegetação Brasileira. 2a ed. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/vegetacao/manual_vegetacao.shtm>.
Em termos de tipo de vegetação, no Projeto Radambrasil (Veloso & Góes-Filho, 1982), precursor dos esquemas de vegetação do IBGE, os campos gerais do planalto meridional, são descritos como um tipo de savana, enquanto os campos da campanha gaúcha são descritos como um tipo de estepe.Veloso, H. P.; Góes-Filho, L. (1982). Fitogeografia brasileira: classificação fisionômico-ecológica da vegetação neotropical. Salvador: Projeto Radambrasil. 86 p. (Boletim técnico. Vegetação, n. 1). Disponível em: <>.
Posteriormente, os sistemas do IBGE (2012) aplicariam o termo estepe a ambos os campos.Marchett, C.A. (2010). Sensoriamento Remoto na Análise dos Campo de Criúva - Caxias do Sul - RS. Trabalho de graduação, Universidade de Caxias do Sul, . Entretanto, alguns autores consideram o uso do termo "estepe" para descrever o tipo de vegetação da região dos campos sulinos em desacordo com o uso na literatura internacional de tal expressão, preferindo usar o termo tradicional "campos".
Caracterização thumb|Pampas no Rio Grande do Sul, Brasil. thumb|Imagem aérea dos pampas ao redor de um autódromo em Junín, Argentina. thumb|Campos pampeanos em Pigüé, Argentina. thumb|Pampas argentinos nas Província de Buenos Aires.
Flora e fauna Os Pampas, juntamente com a Mata de Araucárias, correspondem à província fitogeográfica das Napaeae de Martius (1858).Martius, C. F. P. von. (1858). Tabula geografica brasiliae et terrarum adjacentium exhibens itinera botanicorum et florae brasiliensis quinque provincias. In: Martius, C. F. P. von, Eichler, A. W. & Urban, I. (ed.). Flora brasiliensis. Monacchi et Lipsiae: R: Oldenbourg, 1840-1906, v. 1, pars 1, fasc. 21. Disponível em: <http://bdlb.bn.br/acervo/handle/123456789/48095> e <http://www.biodiversitylibrary.org/item/9632#page/136/mode/1up>.
Ecologicamente, é um bioma caracterizado por vegetação composta principalmente por gramíneas, plantas rasteiras e algumas árvores e arbustos encontrados próximos a cursos d'água, que não são abundantes. E o principal motivo para essa característica curiosa da vegetação, são as queimadas naturais vindas do Cerrado, que fazem com que o Pampa não seja capaz de ser coberto por árvores de grande porte.
Na parte brasileira do bioma, existem cerca de 3.000 espécies de plantas vasculares, sendo que aproximadamente quatrocentas são gramíneas, como o capim-mimoso (veja mais em Flora dos campos no Brasil).
Quanto aos animais, há, no Pampa, 102 espécies diferentes de mamíferos, como guaraxains, veados e tatus, 476 tipos de aves, como pica-paus, caturritas e anum-pretos e 50 de peixes.
Solo e seu uso O solo é, por sua parte, arenoso, devido à sua origem em rochas sedimentares e, por ser feito desse tipo de material, ele é bem frágil e suscetível a erosões hídricas e eólicas.
As plantas precisam ser bem adaptadas, o que justifica também, o porquê de a vegetação ser principalmente herbácea, já que as árvores de grande porte precisam de um solo muito rico e nutritivo que é capaz de sustentar florestas densas.
Por conta do Pampa ser composto principalmente por planícies, isso torna muito conveniente a utilização delas para a pecuária extensiva, que é uma das principais atividades econômicas hoje em dia no Pampa, em que se cria especialmente ovelhas e bois.
A pecuária extensiva, tratando dela mais detalhadamente, desde o período do Brasil Colonial, a região do Pampa já era utilizada para a esta ampla criação de gado, e a partir do século XIX a agricultura foi introduzida começou a se desenvolver. Porém a pressão sobre o solo aumentou drasticamente, já que havia a prática de queimadas propositais (e ainda há) para eliminar as pastagens secas, e desta forma o solo se tornou bem mais vulnerável. O Pampa é caracterizado por suas chuvas periódicas, mas com o solo desprotegido sem a vegetação, ele pode perder muito dos seus nutrientes.
No Pampa há também a presença da agricultura. Existe principalmente cultivo de: arroz, trigo, uva, milho e soja. Contudo, esta atividade econômica tem contribuído diretamente para o desmatamento na região sul. O plantio de arroz e de soja, especificamente, são os protagonistas nessa questão, lembrando que mais da metade do bioma original foi desmatado em função da agricultura. E a soja, por ser cultivada em várias partes do país, influenciou a agricultura sulina, ela acabou substituindo em grande parte cultivo do milho. As monoculturas como um todo, são a principal causa de desmatamento, não apenas no Pampa, mas no país inteiro.
Clima O clima da região é o temperado, do tipo subtropical, que caracteriza-se por grande variação sazonal, com verões quentes e invernos bastante rigorosos, com a ocorrência de geada e precipitação eventual de neve. Possui ainda as quatro estações do ano bem definidas. As temperaturas médias variam entre 15 e 18 °C, com mínimas de até -10 °C e máximas de 38 °C. A latitude reforça as influências das massas de ar oriundas da região polar e da área tropical continental e Atlântica. A movimentação e os encontros destas massas definem muitas de suas características climáticas. O solo, em geral, é fértil, sendo bastante utilizado para a agropecuária.
Tempestades muito intensas são comuns na primavera e no verão, e tem entre os relâmpagos mais frequentes e os mais altos topos de nuvens convectivas do mundo. As tempestades severas produzem intensas tempestades de granizo, inundações, bem como a região mais consistentemente ativa de tornados fora dos Estados Unidos central e sudeste.
Problematização e Soluções
Obstáculos e consequências A respeito dos obstáculos, há primeiramente o desmatamento, em que as monoculturas de soja e arroz tem um importante papel nisso. O Pampa é o segundo bioma com maior índice de desmatamento no país, tendo percentual entre 43,7% e 54%. Em que aqui ao lado pode-se observar um gráfico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, mostrando na coloração amarela a área de desmatamento do bioma no Brasil.
Sobre quais seriam as suas consequências para o funcionamento do ecossistema local, como um todo, as principais são: o aumento do processo de arenização do solo (que é um processo natural onde a areia retira a vegetação matando-a e impedindo o nascimento de uma nova), só que nesse caso, apesar dela ser natural ela decorre dessas ações indevidas.
Outra questão é a da extinção de espécies nativas e a invasão de espécies que levam ao desequilíbrio do ecossistema. O que leva a um outro obstáculo, a introdução digamos que “artificial” de espécies. Em que esta introdução de exemplares exóticos, pode se dar tanto em relação a espécies vegetais, quanto a espécies animais. A monocultura de eucaliptos, em função da produção de papel, por exemplo, é considerada uma das principais causas de risco ambiental. Neste caso, há o desmatamento da vegetação nativa, para a introdução de uma espécie exótica. E essa forma de "reflorestamento" pode trazer consigo novas espécies não pertencentes ao ecossistema. Estas são, inicialmente, consideradas como exóticas, que quando passa-se certo tempo, passam a ser chamadas de invasoras. E essas espécies invasoras vão consequentemente, quando adaptadas ao ambiente, serem chamadas de naturalizadas. Como resultado, há a desestabilização do ecossistema e das cadeias e teias alimentares presentes no bioma.
Avanços tecnológicos Sobre avanços tecnológicos, foram criados vários aplicativos para auxiliar famílias com produções rurais com agronegócio e foi criada a ideia de um parque tecnológico. Além disso, existem alguns programas de incentivo a esse avanço, tendo um produto que foi criado como consequência desse incentivo, um tipo de plástico biodegradável.
Possíveis soluções e sustentabilidade Para possíveis soluções, o conhecimento de características, potencial e limitações do Pampa, é a chave para o bom desenvolvimento e sucesso de produções primárias. E esse conhecimento é necessário para o uso adequado e mais efetivo do solo, promovendo a sustentabilidade ambiental.
Em relação ao tópico de sustentabilidade, o Ministério do Meio Ambiente fez várias recomendações: o estabelecimento de novas unidades de conservação, como o Ibirapuitã (área de proteção ambiental já existente), a adoção de boas práticas agrícolas e pecuárias e o cumprimento das recentes diretrizes de zoneamento econômico e ecológico para a região sul (uma série de tópicos estabelecidos para segurança da biodiversidade e para uma atividade econômica sustentável, que não agride o meio ambiente).
Subdivisões
Lindman (1900)