Cracídeos (Cracidae) é uma família da ordem Craciformes que inclui as aves conhecidas popularmente no Brasil como mutum (gêneros Crax, Mitu e Oreophasis), jacu (gêneros Penelope e Pipile) e aracuã (gênero Ortalis). O grupo habita, sobretudo, as zonas tropicais e subtropicais da América do Sul, América Central e América do Norte até ao México; a espécie Ortalis vetula, no entanto, chega a incluir, em sua área de distribuição, o estado americano do Texas. Mutum (do tupi mi'tuFERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 176) é a designação comum às aves galiformes da família dos cracídeos, florestais, dos gêneros Crax e Mitu, sendo várias espécies dessas aves ameaçadas de extinção. Tais animais possuem uma plumagem geralmente negra, com topete com penas encrespadas ou lisas e bico com cores vivas.
Assemelham-se morfologicamente aos seus parentes distantes, os faisões e perdizes europeias e asiáticas (pertencendo, tal como estes, à ordem dos Galliformes), diferindo deles, no entanto, pelo fato de preferirem habitat florestais aos campestres, nidificarem em árvores, e não no chão, e terem uma alimentação mais frugívora do que granívora. Segundo a classificação de Sibley & Monroe, os cracídeos estariam estreitamente aparentados aos megapodídeos da Oceania e Sul da Ásia, formando com eles uma ordem separada, a dos Craciformes; diferentemente dos seus parentes próximos, no entanto, não possuem a prática da incubação em montes de terra e material orgânico decomposto.
Todas são espécies cinegéticas e algumas em vias de extinção.
Classificação A classificação da família Cracidae sofreu algumas mudanças, tanto devido à proposta de uma ordem própria, a Craciformes (Taxonomia de Sibley-Ahlquist), juntamente com a família Megapodiidae, como pelas propostas de subdivisão, ou seja, as subfamílias. Vaurie (1968) reconhecia três divisões principais dentro da família, baseado em critérios morfológicos: tribo Penelopini, tribo Cracini e tribo Oreophasini. Delacour e Amadon (1973) considerou que o gênero Oreophasis pertencia ao grupo Penelope-Ortalis, e reconheceu apenas dois grupos: a) os mutuns, e b) o restante das espécie. Del Hoyo (1994) reconheceu duas subfamílias: Cracinae com quatro gêneros e Penelopinae, com o restante dos gêneros. Recentes estudos filogenéticos (Pereira et al., 2002; Crowe et al., 2006; e Hoeflich et al., 2007) tem sugerido que a família Cracidae se divide em dois grandes grupos: (i) Oreophasis (extralimital), Pauxi, Mitu, Nothocrax e Crax, e (ii) Chamaepetes, Penelopina (extralimital), Penelope e Pipile/Aburria. A posição do Ortalis em um ou outro grupo é controversa. Os estudos moleculares mostram relações com os mutuns: entretanto, os estudos morfológicos e comportamentais mostram correlação com os Penelopinae. Os nomes populares das espécies que ocorrem no Brasil estão padronizadas com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO).Listas de Aves do Brasil do CBRO versão de 16/08/2007. Outros nomes populares podem ser encontrados nos verbetes específicos das espécies
Subfamília Penelopinae Gênero Chamaepetes Wagler, 1832 Chamaepetes unicolor Salvin, 1867 Chamaepetes goudotii (Lesson, 1828) Gênero Penelopina Reichenbach, 1861 Penelopina nigra (Fraser, 1852) Gênero Penelope Merrem, 1786 Penelope argyrotis (Bonaparte, 1856) Penelope barbata Chapman, 1921 Penelope ortoni Salvin, 1874 Penelope montagnii (Bonaparte, 1856) Penelope marail (Statius Müller, 1776) - Jacumirim Penelope superciliaris Temminck, 1815 - Jacupemba Penelope dabbenei Hellmayr e Conover, 1942 Penelope purpurascens Wagler, 1830 Penelope perspicax Bangs, 1911 Penelope albipennis Taczanowski, 1878 Penelope jacquacu Spix, 1825 - Jacu-de-spix Penelope obscura Temminck, 1815 - Jacuguaçu Penelope pileata Wagler, 1830 - Jacupiranga Penelope ochrogaster Pelzeln, 1870 - Jacu-de-barriga-castanha Penelope jacucaca Spix, 1825 - Jacucaca thumb|direita|250px|Aracuã-do-pantanal (Ortalis canicollis)Gênero PipileGrau et al., (2005) demonstraram que o gênero Pipile é sinônimo do Aburria por estudo molecular, osteológico e biogeográfico. Bonaparte, 1856 Pipile pipile (Jacquin, 1784) Pipile cumanensis (Jacquin, 1784) - Jacutinga-de-garganta-azul Pipile cujubi (Pelzeln, 1858) - Cujubi Pipile jacutinga (Spix, 1825) - Jacutinga Gênero Aburria Reichenbach, 1853 Aburria aburri (Lesson, 1828)
Gênero OreophasisEm algumas classificações reprenta uma subfamília própria, a Oreophasinae. G. R. Gray, 1844 Oreophasis derbianus G. R. Gray, 1844 - Mutum-cornudo Gênero OrtalisPode vir a constituir uma subfamília própria, ainda não nominada, visto que o nome Ortalinae, já está em uso. Merrem, 1786 Ortalis vetula (Wagler, 1830) Ortalis cinereiceps G. R. Gray, 1867 Ortalis garrula (Humboldt, 1805) Ortalis ruficauda Jardine, 1847 Ortalis erythroptera Sclater e Salvin, 1870 Ortalis wagleri G. R. Gray, 1867 Ortalis poliocephala (Wagler, 1830) Ortalis canicollis (Wagler, 1830) - Aracuã-do-pantanal Ortalis leucogastra (Gould, 1843) Ortalis guttata (Spix, 1825) - Aracuã-comum Ortalis motmot (Linnaeus, 1766) - Aracuã-pequeno Ortalis superciliaris G. R. Gray, 1867 - Aracuã-de-sobrancelhas Subfamília Cracinae Gênero Nothocrax Burmeister, 1856 Nothocrax urumutum (Spix, 1825) - Urumutum Gênero Crax Linnaeus, 1758 Crax rubra Linnaeus, 1758 - Mutum-grande Crax alberti Fraser, 1852 Crax daubentoni G. R. Gray, 1867 Crax alector Linnaeus, 1766 - Mutum-poranga Crax globulosa Spix, 1825 - Mutum-de-fava Crax fasciolata Spix, 1825 - Mutum-de-penacho Crax blumenbachii Spix, 1825 - Mutum-de-bico-vermelho Gênero Mitu Lesson, 1831 Mitu salvini Reinhardt, 1879 Gênero Pauxi Temminck, 1813 Pauxi pauxi (Linnaeus, 1766) Pauxi unicornis Bond e Meyer de Schauensee, 1939 Pauxi tuberosa (Spix, 1825) - Mutum-cavalo Pauxi tomentosa (Spix, 1825) - Mutum-do-norte Pauxi mitu (Linnaeus, 1766) - Mutum-do-nordeste
Nomes vulgares de algumas espécies mutum-do-nordeste mutum-do-sudeste mutum-de-penacho mutum-cavalo
Bibliografia CROWE, T.M., BOWIE, R.C.K., BLOOMER, P., MANDIWANA, T., HEDDERSON, T., RANDI, E., PEREIRA, S.L., & WAKELING, J. (2006). Phylogenetics and biogeography of, and character evolution in gamebirds (Aves: Galliformes): effects of character exclusion, partitioning and missing data. Cladistics 22: 495-532. FRANK-HOEFLICH, K., SILVEIRA, L.F., ESTUDILLO-LOPEZ, J., GARCIA-KOCH. A.M., ONGAY-LARIOS, L. & PINERO, D. 2007. Increased taxon and character sampling reveals novel intergeneric relationships in the Cracidae (Aves: Galliformes). J. Zool. Syst. Evol. Res. GRAU, E. T., S. L. PEREIRA, L. F. SILVEIRA, E. HÖFLING, AND A. WAJNTAL. 2005. Molecular phylogenetics and biogeography of Neotropical piping guans (Aves: Galliformes): Pipile Bonaparte, 1856 is synonym of Aburria Reichenbach, 1853. Molecular Phylogenetics & Evolution 35: 637-645. PEREIRA, S.L., BAKER, A.J.& WAJNTAL, A. (2002). Combined nuclear and mitochondrial DNA sequences resolve generic relationships within the Cracidae (Galliformes, Aves). Systematic Biology 51(6): 946-958. PEREIRA, S.L. & BAKER, A.J. (2004). Vicariant speciation of curassows (Aves, Cracidae): a hypothesis based on mitochondrial DNA phylogeny. The Auk 121: 682-694. Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) - Lista de Aves do Brasil - versão 16 de agosto de 2007
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