O joão-xique-xique [também grafado joão-chique-chique] (Synallaxis hellmayri)A espécie S. hellmayri foi movida do género monotípico Gyalophylax a Synallaxis de acordo com a SACC mediante a aprovação da Proposta N° 529, seguindo a Derryberry et al. (2011), e o nome científico de Gyalophylax hellmayri foi considerado invalido.Derryberry et al., 2011Brumfield, R., junho de 2012. «Mover Gyalophylax e Siptornopsis para Synallaxis» Proposta (529) South American Classification Committee (Em inglês). é uma espécie de ave passeriforme da família Furnariidae endêmica do Nordeste do Brasil.João-chique-chique Synallaxis hellmayri Reiser, 1905 em Avibase. Consultado em 4 de março de 2015. Conhecido também como maria-macambira, sis-tré, tatac e patró.João-chique-chique em Wikiaves. Consultado em 08 de agosto de 2021. Vive no bioma da caatinga, em meio á arbustos densos e espinhosos.

Anteriormente esta espécie foi considerada monotípica dentro do género Gyalophylax, mas estudos filogenéticos moleculares feitos entre 2009 e 2011 mostram que ela esta incorporada no género Synallaxis.

Distribuição e hábitat É distribuído no árido Nordeste do Brasil, exclusiva da caatinga, desde o nordeste do Piauí ate o norte de Minas Gerais; ocorre também no interior dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.Red-shouldered Spinetail (Synallaxis hellmayri) em Handbook of Birds of the World - Alive (em inglês). Consultado em 09 de agosto de 2021.

miniaturadaimagem|220px|esquerda|Vegetação de caatinga, o hábitat típico do joão-xique-xique (São João do Sabugi, RN) Habita uma variedade de ambientes secos da caatinga, incluindo pastagens ate altitude de 500 m.Ridgely, Robert & Tudor, Guy. (2009). Gyalophylax hellmayri, p. 279, lâmina 5(9), em Field guide to the songbirds of South America: the passerines - edição - (Mildred Wyatt-World series in ornithology). University of Texas Press, Austin. ISBN 978-0-292-71748-0 Acreditava-se inicialmente que estava restrito a vegetação abundante da bromélia terrestre macambira (Bromelia laciniosa), mas isso aparentemente não é verdade. Seu hábitat real inclui arbustos densos e espinhosos, raramente fica exposto em lugares abertos.

Descrição Mede aproximadamente 18 a 19 cm de comprimento e pesa entre 25 e 26 g. A íris é amarelo-alaranjada. Plumagem geralmente cinza acastanhado uniforme com uma grande mancha negra na garganta; face levemente negra, porém esfumada e discreta; bico e pernas são escuros; ombros das asas contrastantes com um castanho-ruivo; a cauda é longa espigada e com duas pontas, é enegrecida em comparação ao resto do corpo.

Estado de conservação O joão-xique-xique tinha sido previamente classificado como quase ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), porque foi anteriormente pensado que sua distribuição geográfica ocorria em uma área limitada e era suspeito sua população estar em declínio devido a degradação da caatinga seca. Porem, verificou-se que sua área de distribuição é muito maior e ainda não esta gravemente fragmentada ou restrita a poucas localidades. Portanto, foi classificado como pouco preocupante na sua última avaliação. Ameaças Apesar de ser mais disperso e seu hábitat menos restrito do que se pensava, ainda esta ameaçado pela conversão para a agricultura, pastagem intensiva, queimadas e o uso da flora local como carvão.

Comportamento Alimentam-se principalmente aos pares, porém preferem viver sós, evasivamente em vegetação rasteira densa e emergindo raramente no sub-bosque.

Alimentação Costuma procurar alimentos no solo onde predominam macambiras e cactos rasteiros, sendo um ambiente de difícil acesso. Ele forrageia com os pés e com o bico arremessa as folhas mortas. Observou-se que eles capturam apenas artrópodes e aranhas. O forrageamento do solo deve-se as condições da caatinga, principalmente na estação de seca, quando há pouca vegetação viva.Whitney, B.M. & Pacheco, J.F 1994. (Behavior and vocalizations of Gyalophylax and Megaxenops (Furnariidae), two little-know genera endemic to northeastern Brazil.) Condor 96: 559-565

Reprodução O ninho é um conglomerado único de galhos e espinhos de cactos que possuem a forma de um túnel na entrada, com uma câmara arredondada na extremidade onde são depositados os ovos, medindo aproximadamente 700 mm, incluindo o tubo de entrada. A parte externa do tubo e a boca são revestidas com espinhos de cactos endêmicos, para impedir a entrada de predadores terrestres como cobras, lagartos, gambás e outros. Todo o resto do ninho é feito de gravetos e não há espinhos por dentro, sendo forrados com lã de cactos. Os ninhos são, em sua maioria, construídos no solo, ou em alturas que variam entre 0,5 a 1 m acima do chão ao redor de algum xique-xique (Pilosocereus sp.) - daí a origem do seu nome popular.Cerqueira Lima, P., Novaes de C.L. Neto, T. e Silva, L.E.S. 2008. Primeiro registro documentado da reprodução do João-chique-chique (Gyalophylax hellmayri Reiser, 1905) na pátria da Anodorhynchus leari. Atualidades Ornitológicas 144: 33-35

Vocalização Seu chamado mais frequente, comum ao amanhecer ou no fim da manhã, é um "ka-cheu, ka-cheu, ka-cheu.." às vezes continuando por longos períodos. Seu canto parece ser um grito alto e abrupto que se transforma em um murmúrio e lentamente para.

Sistemática Descrição original A espécie S. hellmayri foi descrita pela primeira vez pelo ornitólogo austríaco Othmar Reiser em 1905 sob o mesmo nome científico atual; sua área de ocorrência havia sido descrita como localidade-tipo "Fazenda Serra, Rio Grande, Bahia, Brasil".

Etimologia O nome genérico feminino «Synallaxis» pode derivar do grego «συναλλαξις ''sunallaxis'', συναλλαξεως ''sunallaxeōs''»: que significa "troca"; talvez porque o criador do gênero, Vieillot, tenha pensado que dois espécimes com características semelhantes ao género poderiam ser machos e fêmeas da mesma espécie, ou então, aludindo as características diferentes que garantem a separação genérica;Jobling, J.A (2017) Synallaxis Key to Scientific Names in Ornithology (em inglês). Em: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. Consultado em 25 de maio de 2018. um significado diferente seria que deriva do grego «Synalasis», que na mitologia grega é uma das ninfas da água gregas Ionides. O nome da espécie «hellmayri» faz homenagem ao ornitólogo austro-americano Carl Edward Hellmayr (1878-1944).

Taxonomia S. hellmayri foi transferido do género monotípico Gyalophylax para Synallaxis de acordo com a Proposta N529 para o Comitê de Classificação da América do Sul (SAAC) seguindo Derryberry et al. (2011), e o nome científico mudou de Gyalophylax hellmayri para o presente.

Anteriormente era chamado de Synallaxis griseiventris, mas o nome estava pré-ocupado. Alguns autores pensam que é mais próximo do joão-grilo (Synallaxis hypospodia) do que qualquer outro do mesmo género; pois os dois tem semelhança no perfil dos rectrizes; difere morfologicamente do género atual por ter 12 rectrizes; pernas mais grossas e tarso e perfil de bico diferente. Ele já foi colocado em Asthenes e descrito por alguns autores como se assemelhando a membros desse género.

Categoria:Aves do Piauí Categoria:Aves de Minas Gerais Categoria:Aves do Ceará Categoria:Aves do Rio Grande do Norte Categoria:Aves da Bahia Categoria:Aves da Paraíba Categoria:Aves de Sergipe Categoria:Aves de Alagoas Categoria:Aves de Pernambuco Categoria:Aves endêmicas do Brasil Categoria:Furnariídeos Categoria:Aves descritas em 1905 Categoria:Synallaxis