M é uma personagem fictícia da série de James Bond, chefe do Serviço Secreto de Inteligência britânico – também conhecido como MI6, criada por Ian Fleming. Personagem constante em toda a literatura de Fleming e na filmografia de 007, chefe e principal aliado do espião britânico, foi baseada em várias pessoas que seu criador conheceu durante a vida e que haviam comandado seções da Inteligência Britânica no período em que a integrou, com destaque para o contra-almirante John Henry Godfrey, seu superior na Divisão de Inteligência Naval.
M já apareceu nos romances escritos por seu criador Fleming e, após sua morte, por outros sete autores, como também em vinte e quatro filmes da série. Na série oficial produzida pela EON Productions, ele já foi interpretado por quatro atores: Bernard Lee, Robert Brown, Judi Dench e Ralph Fiennes. Em duas produções independentes, por John Huston e Edward Fox.
Inspirações thumb|155px|left|O Almirante Godfrey, a inspiração para M. Fleming baseou muitos dos aspectos de M no contra-almirante John Henry Godfrey, antigo diretor da Divisão de Inteligência Naval da Marinha Real Britânica, e seu superior durante a Segunda Guerra Mundial. Após a morte do autor, Godfrey reclamou dizendo que "ele me transformou naquele personagem desagradável, M".
Outra possível inspiração inclui o Tenente-Coronel Sir Claude Dansey, subchefe do MI6 e chefe do canal Z durante a guerra, que era visto de muitas maneiras por aqueles que o conheciam: Malcolm Muggeridge achava que ele era "o único profissional do MI6", Macintyre 2008, p. 78 enquanto Hugh Trevor-Roper o considerava "uma droga total, corrupto, incompetente, porém com uma certa astúcia". Outra inspiração foi Maxwell Knight, chefe do MI5, que assinava seus memorandos como "M" e a quem Fleming conhecia bem. A tradição do chefe do MI6 assinar seu nome com uma única letra veio de Mansfield Smith-Cumming, que assinava seu "C" com tinta verde. Macintyre 2008, p. 77
Outra possibilidade de modelo para M foi William Melville, um irlandês que se tornou chefe do Escritório do Serviço Secreto, o predecessor do MI5 e MI6. Melville era chamado dentro dos círculos do governo de M. Ele recrutou Sidney Reilly para servir ao governo e frustrou uma tentativa de assassinato contra a Rainha Vitória no seu Jubileu de Ouro, em 1887. Macintyre 2008, p. 81 O biógrafo de Fleming, John Pearson, também levanta a hipótese que a caracterização de M reflete memórias que o autor tinha de sua mãe:
Romances O terceiro romance de Bond escrito por Fleming, Moonraker, estabelece as iniciais de M como "M**** M*******" West 2010, p. 142 e seu primeiro nome é posteriormente revelado como sendo Miles. No último romance da série, The Man with the Golden Gun, a identidade completa de M é revelada como Almirante Sir Miles Masservy, KCMG; Macintyre 2008, p. 74 Masservy foi nomeado como chefe do MI6 depois de seu predecessor ter sido assassinado em sua própria mesa. Griswold 2006, p. 47
Um tema naval permeia a descrição que Fleming faz de M e seus arredores, e o personagem foi descrito pelo jornalista e estudioso Ben Macintyre como "um autoritário naval em cada centímetro". Macintyre também percebeu em seus estudos que Kingsley Amis delineou o modo como Fleming descreveu a voz de M, sendo: nervosa (três vezes); brutal, fria (sete vezes); breve, seca (cinco vezes); áspera (sete vezes); austera, rabugenta (cinco vezes). Amis 1966, p. 75
No decorrer de doze romances e duas coleções de contos, Fleming deu vários detalhes relacionados a história do personagem. Em On Her Majesty's Secret Service, é revelado que o salário de M como chefe do Serviço Secreto é de £6500 por ano (£ em valores atuais ), com £1.500 vindo de sua aposentadoria naval. Amis 1966, p. 39 Apesar de seu salário ser considerado bom para as décadas de 1950 e 1960, nunca é explicado como M podia pagar um título de membro no Blades, um clube privado da classe alta para cavalheiros que ele frequenta em Londres para jogar e jantar. O Blades tem seus membros restritos a um número de duzentos e todos devem pagar £ (£fmtn|1559944}} em valores atuais) em dinheiro. Comentale, Watt & Willman (2005), p. 153 Amis percebeu em seu estudo, The James Bond Dossier, que o salário de M e sua situação como membro do Blades é algo confuso. Como um favor pessoal, os funcionários do Blades mantém um estoque de vinho tinto barato da Argélia sem colocá-los na carta de vinhos. M se refere a eles como "enfurecedores" e tende a bebê-los em quantidades moderadas a menos que esteja com péssimo humor. Lejeune 1979, p. 63
O acadêmico Paul Stock discute que o escritório de M é uma metonímia para a Inglaterra e um ponto estável de onde Bond parte para uma missão, enquanto que M é uma representação icônica da Inglaterra e das coisa inglesas. Stock 2009, p. 251
No primeiro romance pós-Fleming, Colonel Sun, M é sequestrado de Quarterdeck, sua casa, e Bond não mede esforços para resgatá-lo. Lane & Simpson 2002, p. 65 Os livros posteriores, escritos por John Gardner, mantém Sir Miles Masservy como M, que protege Bond do novo clima menos agressivo no Serviço Secreto, dizendo em um momento que o Reino Unido precisará de "um instrumento cego". Lane & Simpson 2002, p. 71 No último romance de Gardner, COLD, M é sequestrado e resgatado por Bond, se aposentando do MI6 ao final do livro. Simpson 2002, p. 61 O romance de 1998 escrito por Raymond Benson, The Facts of Death, continua a aposentadoria de Masservy, ainda morando em Quarterdeck. Simpson 2002, p. 63 O livro também introduz uma nova M, Barbara Mawdsley. Lane & Simpson 2002, p. 81
Filmes EON Productions Bernard Lee: 1962–1979
M foi interpretado por Bernard Lee desde Dr. No, primeiro filme da série, até Moonraker. Rubin 2003, p. 256 Em Dr. No, M se refere a um recorde de reduzir o número de mortes de agentes desde que assumiu o trabalho, implicando que outra pessoa ocupava o cargo até recentemente. O filme também mostra M dizendo ser o chefe do MI7; Lee havia originalmente dito MI6, porém sua fala foi redublada com MI7 antes do lançamento do filme. No início do mesmo filme, o departamento foi chamado de MI6 por um operador de rádio. Smith & Lavington 2002, p. 11
Vários estudiosos de Bond perceberam que a interpretação de Lee estava muito semelhante com sua contraparte literária; John Cork e Colin Stutz observaram que Lee era "muito semelhante com a visão original de Fleming para o personagem", Cork & Stutz 2007, p. 154 enquanto que Steven Jay Rubin comentou sua figura autoritária séria e eficiente. Rubin 2003, pp. 227-228 Jim Smith e Stephen Lavington, enquanto isso, dizem que Lee era "a verdadeira encarnação do almirante rabugento de Fleming". Smith & Lavington 2002, p. 15
Lee morreu de câncer em janeiro de 1981, quatro meses após o início das filmagens de For Your Eyes Only e antes de qualquer uma de suas cenas serem filmadas. Em respeito, nenhum ator foi contratado para assumir o papel e, ao invés disso, o roteiro foi reescrito para que fosse dito que o personagem saiu de licença, com suas falas sendo entregues para seu Chefe de Estado Bill Tanner e para o Ministro da Defesa, Sir Frederick Gray. Pfeiffer & Worrall 1998, p. 98 Filmes posteriores fizeram referência à Lee como M, com uma pintura sua no quartel general do MI6 na Escócia em The World Is Not Enough. A aparência de Lee também foi usada no jogo eletrônico de 2005 007: From Russia with Love.
Aparições: Dr. No (1962) From Russia with Love (1963) Goldfinger (1964) Thunderball (1965) You Only Live Twice (1967) On Her Majesty's Secret Service (1969) Diamonds Are Forever (1971) Live and Let Die (1973) The Man with the Golden Gun (1974) The Spy Who Loved Me (1977) Moonraker (1979)
Robert Brown: 1983–1989
Após a morte de Lee, os produtores contrataram Robert Brown para interpretar M em Octopussy. Brown já havia interpretado o Almirante Hargreves no filme The Spy Who Loved Me, e os estudiosos Rubin, Cork e Stutz consideram que Hargreaves teria sido promovido para o cargo de M, ao invés de Brown estar interpretando uma pessoa diferente. Rubin 2003, p. 178 Cork & Stutz 2007, pp. 154-155
Lee Pfeiffer e Dave Worrall consideram que apesar de Brown parecer perfeito, o papel foi suavizado em relação ao de Lee; Pfeiffer & Worrall 1998, p. 136 eles também o acharam "muito paternal", Pfeiffer & Worrall 1998, p. 155 apesar de terem afirmando que ele foi muito efetivo ao retirar a licença 00 de Bond em Licence to Kill. Pfeiffer & Worrall 1998, p. 165 Raymond Benson concorda, notando que o papel de M foi "mais uma vez subescrito, e Brown não teve a oportunidade de explorar e revelar os traços de seu personagem"; Benson 1988, pp. 236-237 Benson também o achou "legal de mais". Benson 1988, p. 137
Aparições: The Spy Who Loved Me – apenas como Almirante Hargreaves Octopussy (1983) A View to a Kill (1985) The Living Daylights (1987) Licence to Kill (1989)
Judi Dench: 1995–2012
Depois do longo período entre Licence to Kill e GoldenEye, os produtores contrataram Judi Dench para interpretar a nova M. A personagem é baseada em Stella Rimington, chefe do MI5 entre 1992 e 1996. West 2010, p. 45 Rimmington 2008, p. 244 Em GoldenEye, M é fria, calculista e desgosta de Bond descaradamente, chamando-o de "dinossauro sexista misógino, uma relíquia da Guerra Fria". Black 2005, p. 100 Tanner, seu chefe de gabinete, refere-se a ela durante o filme como "a rainha má dos números", dada sua reputação à época por se basear em estatísticas e análises ao invés de ser impulsiva e ter iniciativa. Pfeiffer & Worrall 1998, p. 174
Dench também interpretou M em Casino Royale, de 2006, filme que reiniciou a franquia. Na nova continuidade, M implica que ela trabalha há tempos para o MI6, em certo ponto afirmando, "Deus, sinto falta da Guerra Fria". McKay 2008, p. 353 Também há referências à sua família: Jütting 2007, p. 91 em GoldenEye, ele responde a piada da "Rainha Má dos Números" dizendo que quando desejar ouvir sarcasmo, ouvirá seus filhos. Simpson 2002, p. 22 Marc Forster, diretor de Quantum of Solace, sugeriu que a escolha de Dench como M deu a personagem conotações maternas em sua relação com Bond. Em Skyfall, depois de ser caçada por Raoul Silva, M leva um tiro no abdômen e morre nos braços de Bond.
Aparições: GoldenEye (1995) Tomorrow Never Dies (1997) The World Is Not Enough (1999) Die Another Day (2002) Casino Royale (2006) Quantum of Solace (2008) Skyfall (2012)Dench também apareceu em seis jogos eletrônicos: 007: Nightfire (2002) 007: Everything or Nothing (2004) GoldenEye: Rogue Agent (2004) 007: Quantum of Solace (2008) GoldenEye 007 (2010) James Bond 007: Blood Stone (2010)
Ralph Fiennes: 2012–presente
Após a morte da M de Dench, sua posição como M e chefe do serviço secreto foi entregue a Gareth Mallory, interpretado por Ralph Fiennes. Mallory era o presidente do Comitê de Inteligência e Segurança antes de comandar o MI6. Ele é um antigo membro do Exército Britânico, tendo servido com o Serviço Aéreo Especial durante o conflito na Irlanda do Norte com a patente de tenente-coronel, onde foi capturado pelo IRA e feito prisioneiro por três meses. Depois de ser solto ele aposentou-se e entrou na política.
Aparições: Skyfall (2012) – assume o posto no final do filme Spectre (2015)
Independentes John Huston: 1967 A sátira Casino Royale de 1967 possuia dois Ms. O primeiro foi interpretado por John Huston, que também co-dirigiu o filme. No filme, o verdadeiro nome de M é McTarry e ele é acidentalmente morto quando, para fazer Bond sair da aposentadoria, ele ordena que o exército atire morteiros na mansão de Bond quando o espião se recusa a voltar ao dever. O primeiro quarto do filme mostra a subsequente visita de Bond ao Castelo McTarry na Escócia, em uma aventura para entregar o único resto de M encontrado após o ataque – sua peruca ruiva. Rubin 2003, p. 187