miniaturadaimagem|Escala do tempo geológico simplificada, mostrando todos os éons e eras; os períodos da eras Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica; e as épocas dos períodos Paleógeno, Neógeno e Quaternário. Os demais períodos, épocas e idades não estão nomeados, mas seus limites estão visíveis.
A escala de tempo geológico (ETG, em português; ou GTS, em inglês: geologic time scale e geological time scale) é a representação temporal, com base no registro rochoso da Terra. É um sistema de datação cronológica que usa cronostratigrafia (o processo de relacionar estratos ao tempo) e geocronologia (um ramo científico da geologia que visa determinar a idade das rochas). É usado principalmente por cientistas da Terra (incluindo geólogos, paleontólogo, geofísicos, geoquímicos e paleoclimatologistas) para descrever o tempo e as relações de eventos na história geológica. A escala de tempo foi desenvolvida por meio do estudo de camadas de rochas e da observação de suas relações e identificação de características como litologias, propriedades paleomagnéticas e fósseis. A definição de unidades internacionais padronizadas de tempo geológico é da responsabilidade da Comissão Internacional sobre Estratigrafia (CIE em português ou ICS em inglês), um órgão constituinte da União Internacional de Ciências Geológicas (UICG em português ou IUGS em inglês), cujo objetivo principal é definir com precisão as unidades cronostratigráficas globais da Carta Cronostratigráfica Internacional (CCI em português ou ICC em inglês), que são usadas para definir divisões do tempo geológico. As divisões cronoestratigráficas são, por sua vez, usadas para definir unidades geocronológicas.
Princípios
300px|esquerda|thumb|Representação em formato de relógio mostrando algumas unidades geológicas e alguns eventos da história da Terra.
A escala de tempo geológico é uma forma de representar o tempo profundo com base em eventos que ocorreram ao longo da história da Terra, um intervalo de tempo de cerca de 4,54 ± 0,05 Ga (4,54 bilhões de anos). Organiza cronologicamente os estratos e, posteriormente, o tempo, observando mudanças fundamentais na estratigrafia que correspondem a grandes eventos geológicos ou paleontológicos. Por exemplo, o evento de extinção do Cretáceo-Paleogeno marca o limite inferior do sistema/período Paleogeno, e portanto, a fronteira entre os sistemas/períodos Cretáceo e Paleogeno. Para divisões anteriores ao Criogênico, definições de limites numéricos arbitrários (Idades Estratigráficas do Padrão Global, IEPGs em português ou GSSAs em inglês) são usadas para dividir o tempo geológico. Propostas foram feitas para melhor conciliar essas divisões com o registro rochoso.
Historicamente, escalas de tempo geológicas regionais foram usadas devido às diferenças lito- e bioestratigráficas ao redor do mundo em rochas equivalentes no tempo. O CIE tem trabalhado há muito tempo para reconciliar terminologia conflitante, padronizando horizontes estratigráficos globalmente significativos e identificáveis que podem ser usados para definir os limites inferiores das unidades cronoestratigráficas. Definir unidades cronoestratigráficas dessa maneira permite o uso de uma nomenclatura global e padronizada. A Carta Cronoestratigráfica Internacional representa esse esforço contínuo.
Vários princípios-chave são usados para determinar as relações relativas das rochas e, portanto, sua posição cronoestratigráfica.
O Princípio da superposição que afirma que em sequências estratigráficas indeformadas, os estratos mais antigos ficarão na parte inferior da sequência, enquanto o material mais novo se acumula na superfície. Na prática, isto significa que uma rocha mais jovem ficará sobre uma rocha mais antiga, a menos que haja evidências que sugiram o contrário.
O princípio da horizontalidade original que afirma que camadas de sedimentos serão originalmente depositadas horizontalmente sob a ação da gravidade. No entanto, sabe-se agora que nem todas as camadas sedimentares são depositadas puramente horizontalmente, mas este princípio ainda é um conceito útil.
O princípio da continuidade lateral que afirma que camadas de sedimentos se estendem lateralmente em todas as direções até se tornarem mais finas ou serem cortadas por uma camada rochosa diferente, ou seja, são lateralmente contínuas. As camadas não se estendem indefinidamente; seus limites são controlados pela quantidade e tipo de sedimento em uma bacia sedimentar e pela geometria dessa bacia.
O princípio das relações de corte que afirma que uma rocha que corta outra rocha deve ser mais jovem do que a rocha que corta.
A lei dos fragmentos incluídos, que afirma que pequenos fragmentos de um tipo de rocha que estão incrustados em um segundo tipo de rocha devem ter se formado primeiro e foram incluídos quando a segunda rocha estava se formando.
As relações de discordâncias que são características geológicas que representam uma lacuna no registro geológico. As inconformidades são formadas durante períodos de erosão ou não deposição, indicando deposição não contínua de sedimentos. Observar o tipo e as relações das discordâncias nos estratos permite ao geólogo compreender o tempo relativo dos estratos.
O princípio da sucessão faunística (quando aplicável) que afirma que os estratos rochosos contêm conjuntos distintos de fósseis que se sucedem verticalmente em uma ordem específica e confiável. Isto permite uma correlação de estratos mesmo quando o horizonte entre eles não é contínuo.
Divisões do tempo geológico
upright=1.5|alt=Escala de tempo geológico representada proporcionalmente como uma espiral logarítmica. A imagem também mostra alguns eventos notáveis na história da Terra e na evolução geral da vida.|thumb|A escala de tempo geológico, proporcionalmente representada como uma espiral-log com alguns eventos importantes na história da Terra. Um mega-annum (Ma) representa um milhão (106) anos.
A escala de tempo geológico é dividida em unidades geocronológicas e suas correspondentes unidades cronostratigráficas.
Um éon é a maior unidade de tempo geocronológico e é equivalente a um éonotema cronostratigráfico. Existem quatro éons formalmente definidos. A atual éon é o Fanerozoico. Uma era é a segunda maior unidade de tempo geocronológica e equivale a um eratema cronostratigráfico. Existem 10 eras formalmente definidas em todos éons, com exceção do Hadeano. A atual era é o Cenozoico. Um período é a terceira unidade de tempo geocronológica é equivale a um sistema cronostratigráfico. Existem 22 períodos formalmente definidos, com exceção de dois subperíodos, que são usados para o Carbonífero. O atual período é o Quaternário. Uma época é a segunda menor unidade geocronológica. É equivalente a uma série cronostratigráfica. Existem 37 épocas definidas e uma informal. Existem também 11 subépocas, todas dentro do Neogeno e do Quaternário. O uso de subépocas como unidades formais na cronostratigrafia internacional foi ratificado em 2022. A época atual é o Holoceno. Uma idade é a menor unidade geocronológica hierárquica. É equivalente a um andar cronostratigráfico. Existem 96 idades formais e cinco informais. A idade atual é o Megalaiano. Uma cron é uma unidade de geocronológica formal não hierárquica de classificação não especificada e é equivalente a uma cronozona cronostratigráfica. Estes se correlacionam com unidades magnetoestratigráficas, litoestratigráficas ou bioestratigráficas, pois são baseados em unidades estratigráficas ou características geológicas previamente definidas.
+Formal, unidades hierárquicas da escala de tempo geológico (do maior para o menor)Unidade cronostratigráfica (corpos rochosos)Unidade geocronológica (tempo)Intervalo de tempoÉonotemaÉonVárias centenas de milhões de anos a dois bilhões de anosEratemaEraDezenas a centenas de milhões de anosSistemaPeríodoMilhões de anos a dezenas de milhões de anosSérieÉpocaCentenas de milhares de anos a dezenas de milhões de anosSubsérieSubépocaMilhares de anos a milhões de anosAndarIdadeMilhares de anos a milhões de anosCronozonaCronCentenas de anos a milhares de anos
As subdivisões Inicial e Tardio são usadas como equivalentes geocronológicos do cronostratigráfico Inferior e Superior, por exemplo, período Triássico Inferior (unidade geocronológica) é usado no lugar do sistema Triássico Inferior (unidade cronostratigráfica).
As rochas que representam uma determinada unidade cronostratigráfica são essa unidade cronostratigráfica, e o momento em que foram depositadas é a unidade geocronológica, por exemplo, as rochas que representam o sistema Siluriano são o Sistema Siluriano e foram depositadas durante o período Siluriano. Esta definição significa que a idade numérica de uma unidade geocronológica pode ser alterada (e está mais frequentemente sujeita a alterações) quando refinada pela geocronometria, enquanto a unidade cronostratigráfica equivalente (cuja revisão é menos frequente) permanece inalterada. Por exemplo, no início de 2022, a fronteira entre os períodos Ediacarano e Cambriano (unidades geocronológicas) foi revista de 541 Ma para 538.8 Ma, mas a definição rochosa da fronteira (GSSP) na base do Cambriano, e portanto, a fronteira entre os sistemas Ediacarano e Cambriano (unidades cronoestratigráficas) não foi alterada; em vez disso, a idade absoluta foi apenas refinada.
Terminologia A cronostratigrafia é o elemento da estratigrafia que trata da relação entre os corpos rochosos e a medição relativa do tempo geológico. É o processo em que estratos distintos entre horizontes estratigráficos definidos são atribuídos para representar um intervalo relativo de tempo geológico.
Uma Unidades cronoestratigráficas é um corpo rochoso, em camadas ou não, definido entre horizontes estratigráficos especificados que representam intervalos específicos de tempo geológico. Eles incluem todas as rochas representativas de um intervalo específico de tempo geológico, e apenas deste intervalo de tempo. Éonotema, Eratema, sistema, série, subsérie, andar e subandar são as unidades cronostratigráficas hierárquicas.
Uma Unidades geocronológicas é uma subdivisão do tempo geológico. É uma representação numérica de uma propriedade intangível (tempo). Essas unidades são organizadas em uma hierarquia: éon, era, período, época, subépoca, idade e subidade. Geocronologia é o ramo científico da geologia que visa determinar a idade de rochas, fósseis e sedimentos por meio de meios absolutos (por exemplo, datação radiométrica) ou relativos (por exemplo, posição estratigráfica, paleomagnetismo, razões de isótopos estáveis). Geocronometria é o campo da geocronologia que quantifica numericamente o tempo geológico.
Uma Seção e Ponto de Estratotipo de Limite Global (SPEG em português ou GSSP em inglês) é um ponto de referência acordado internacionalmente em uma seção estratigráfica que define os limites inferiores dos estágios na escala de tempo geológico. (Recentemente, isso tem sido usado para definir a base de um sistema)
Uma Idade Estratigráfica do Padrão Global (IEPG em português ou GSSA em inglês) é um ponto de referência cronológico apenas numérico usado para definir a base das unidades geocronológicas anteriores ao Criogênico. Esses pontos são definidos arbitrariamente. Eles são usados onde os GSSPs ainda não foram estabelecidos. Estão em andamento pesquisas para definir GSSPs para a base de todas as unidades atualmente definidas por GSSAs.