Úlfilas (; Bennett, William H. An Introduction to the Gothic Language, 1980, p. 23.; ; – , Constantinopla) foi um godo ou meio-godo e meio-grego da Capadócia que viveu por algum tempo no Império Romano no auge da controvérsia ariana. Foi um bispo dos Godos.
Biografia Úlfilas foi ordenado bispo por Eusébio de Nicomédia e voltou para o seu povo para trabalhar como missionário. Em 348, para escapar da perseguição de um chefe godo (provavelmente AtanaricoMastrelli, Carlo A. Grammatica Gotica, p. 34.), foi autorizado por a migrar com seu rebanho de convertidos para a Mésia e se assentar perto de Nicópolis no Istro, no norte da moderna Bulgária. Lá, Úlfilas traduziu a Bíblia do grego para a língua gótica e, para isso, criou o alfabeto gótico.Sócrates de Constantinopla, , livro 4, capítulo 33.; veja Wright, Joseph A Primer of the Gothic Language with Grammar, Notes, and Glossary, p. 2.; veja Bennett, William H. An Introduction to the Gothic Language, p. 126. Fragmentos desta tradução sobreviveram, de forma mais notável no Códice Argênteo, que está desde 1648 na biblioteca da Universidade de Uppsala, na Suécia. Uma página em pergaminho desta Bíblia foi encontrada em 1971 na Catedral de Speyer.Ulfilas' Bible
De acordo com Carolus Lundius,Veja Carolus Lundius, Zamolxis, Primus Getarum Legislator, Upsala 1687 Úlfilas criou o alfabeto gótico baseado no alfabeto dos getas, com poucas alterações. Ele está citando o livro de Boaventura Vulcânio, "De literis et lingua Getarum sive Gothorum"(Lyon, 1597) e Johannes Magnus Gothus, "Historia de omnibus Gothorum Sueonumque regibus" (Roma, 1554), uma obra na qual foi publicada, pela primeira vez, tanto o alfabeto gético quanto as leis do legislador geta Zamolxis.
Os pais de Úlfilas eram de origem anatólia não-goda, provavelmente capadócios, mas foram escravizados pelos godos e Úlfilas por ter nascido no cativeiro ou capturado ainda pequeno. Criado como um godo, tornou-se depois proficiente no grego e no latim. Úlfilas converteu muitos godos pregando o cristianismo ariano, que fez com que, quando os godos chegaram ao Mediterrâneo ocidental, ficassem separados de seus vizinhos ortodoxos.
Fontes históricas
thumb|upright=1|Fólio do Códice Argênteo, o mais importante manuscrito da Bíblia de Úlfilas.
Há cinco fontes principais para o estudo da vida de Úlfilas. Duas de autores arianos, três de católicosVeja Hagith Sivan, "Ulfila’s Own Conversion," Harvard Theological Review 89 (October 1996): pp. 373–86.: "Vida de Úlfilas" na "Carta de Auxêncio" de Auxêncio de Durostoro (ariano) Fragmentos da "História Eclesiástica" de Filostórgio (ariano) "História Eclesiástica" de Sozomeno (católico) "História Eclesiástica" de Sócrates Escolástico (católico) "História Eclesiástica" de Teodoreto (católico)
Há importantes diferenças entre as histórias apresentadas pelas duas facções. As fontes arianas representam Úlfilas como ariano desde a infância que foi consagrado bispo por volta de 340 e pregou entre os godos por sete anos durante a década de 340. Ele se mudou depois para Mésia (uma província romana) protegido pelo imperador ariano Constâncio II. Participou depois de diversos concílios e participou do contínuo debate religioso que se seguiu. Segundo os arianos, Úlfilas morreu em 383.
Os relatos dos historiadores católicos são diferentes em diversos detalhes, mas o quadro geral é similar. De acordo com elas, Úlfilas foi um cristão ortodoxo grande parte de seus primeiros anos. Só se converteu ao arianismo em algum momento por volta de 360. As fontes diferem no quanto creditar a Úlfilas a conversão dos godos. Sócrates credita a ele um papel menor e atribui a conversão em massa ao comandante militar godo Fritigerno, que adotou o arianismo em gratidão ao apoio militar de Constâncio II. Sozomeno atribui a conversão em massa primordialmente a Úlfilas, embora reconheça também o papel de Fritigerno.
Por razões diversas, acadêmicos modernos dependem mais dos relatos arianos que dos católicos. Auxêncio era o mais próximo de Úlfilas e, presumivelmente, tinha acesso a informações mais confiáveis. Os relatos católicos diferem muito entre si para apresentarem uma visão única. O debate acadêmico continua.
Credo de Úlfilas O "Credo de Úlfilas", que aparece no final de uma carta elogiando-o escrita por seu enteado e pupilo Auxêncio de Durostoro (moderna Silistra), às margens do Danúbio, na época o bispo de Mediolano (moderna Milão), distingue Deus Pai ("não gerado") de Deus Filho ("unigênito"), gerando antes do tempo e criador do mundo, e do Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho:
Maximino, um teólogo ariano do , copiou a carta de Auxêncio e outras obras nas margens de uma cópia de "De Fide" de Ambrósio, mas há algumas lacunas no texto sobrevivente.Heather and Matthews, Goths in the Fourth Century, pp. 135-137.
Ver também
Bíblia Gótica Cristandade gótica
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