miniatura|Participação global da riqueza por grupo de riqueza, Credit Suisse, 2021 A Globalização é um conceito das ciências humanas que designa os processos de aprofundamento internacional da integração econômica, social, cultural e política,Al-Rodhan, R.F. Nayef and Gérard Stoudmann. (2006).Definitions of Globalization: A Comprehensive Overview and a Proposed Definition. Albrow, Martin and Elizabeth King (eds.) (1990). Globalization, Knowledge and Society London: Sage. ISBN 978-0803983243 p. 8. "...all those processes by which the peoples of the world are incorporated into a single world society." que teriam sido impulsionados pela redução de custos dos meios de transporte e comunicações no final do século XX e início do século XXIStever, H. Guyford (1972). "Science, Systems, and Society." Journal of Cybernetics, 2(3):1-3. sendo considerada a maior mudança da história econômica nos últimos 40 anos.Peter Dicken, Global Shift. Mapping the Changing Contours of the World Economy, Sage, 2007, p. 43 O marco histórico que daria início ao processo de globalização é alvo de disputa acadêmica, ao passo que alguns estudiosos defendem que ele se deu no início da Era Moderna, enquanto outros traçam a sua história muito antes da era das descobertas e viagens ao Novo Mundo pelos europeus. Alguns até mesmo traçam as origens ao terceiro milênio a.C.Frank, Andre Gunder. (1998). ReOrient: Global economy in the Asian age. Berkeley: University of California Press. ISBN 978-0520214743

O termo "globalização", a partir de meados da década de 1990, esteve em crescente uso, até atingir seu pico nos anos 2006/7. Apesar disso, a partir dos anos 2010, o termo foi aos poucos sendo menos utilizado.

Em 2000, o Fundo Monetário Internacional (FMI) identificou quatro aspectos básicos da globalização, a saber: comércio e transações financeiras, movimentos de capital e de investimento, migração e movimento de pessoas e a disseminação de conhecimentoInternational Monetary Fund . (2000). "Globalization: Threats or Opportunity." 12th April 2000: IMF Publications., por meio dos quais os países mais influentes no contexto do mundo globalizado se integram para dar força ao capital transnacional.George T. Crane, Abla Amawi, The Theoretical evolution of international political economy. Oxford University Press US, 1997: page 108 Além disso, os desafios ambientais, como a mudança climática, poluição do ar e a pesca predatória nos oceanos, também são apontados como fenômenos vinculados à globalização.

História miniatura|Sistemas globais do século XIII miniatura|A Rota da Seda ligava a Europa, a África e a Ásia.

Os seres humanos têm interagido por longas distâncias por milhares de anos. A Rota da Seda, que ligava a Ásia, África e Europa, é um bom exemplo do poder transformador de troca que existia no "Velho Mundo". Filosofia, religião, língua, as artes e outros aspectos da cultura se espalharam e misturaram-se nas nações. Nos séculos XV e XVI, os europeus fizeram descobertas importantes em sua exploração dos oceanos, incluindo o início das viagens transatlânticas, saindo da Europa para o "Novo Mundo" das Américas. O movimento global de pessoas, bens e ideias expandiu significativamente nos séculos seguintes. No início do século XIX, o desenvolvimento de novas formas de transporte, como o navio a vapor e ferrovias, e das telecomunicações permitiu um intercâmbio global mais rápido.O'Rourke, Kevin H. and Jeffrey G. Williamson. (2000). "When Did Globalization Begin?" NBER Working Paper No. 7632.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941, surgiu, no Brasil, o noticiário intitulado O Repórter Esso, constituído por uma síntese noticiosa de cinco minutos rigidamente cronometrados em que se veiculava, ao longo de várias edições diárias, um conteúdo associado ao pacote cultural-ideológico dos Estado Unidos. A transmissão deste noticiário em 14 países do continente americano, por 59 estações de rádio, exprime a relação deste fenômeno com o contexto mais amplo da globalização, uma vez que os processos de crescente integração e inter-relação dos países do mundo designados por esse conceito, por meio das novas tecnologias de comunicação, como o rádio e a televisão, ofereceram as condições para o surgimento deste canal de notícias no Brasil.

O fim da Segunda Guerra Mundial é tido, segundo algumas vertentes teóricas, como o início da globalização moderna, assim como da mobilização para impedir que um conflito tão letal se repetisse. Nesse contexto, as nações vitoriosas da guerra e as devastadas potências do Eixo chegaram à conclusão de que era de suma importância, para o futuro da humanidade, a criação de mecanismos diplomáticos e comerciais que permitissem aproximar, cada vez mais, as nações uma das outras. Deste consenso, nasceu as Nações Unidas, e começou a surgir o conceito de bloco econômico, pouco após isso, com a fundação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço - CECA.

A necessidade de expandir seus mercados levou as nações a gradualmente se abrirem para o aumento das trocas de mercadorias com outros países, contexto marcado pelo avanço de ideologias econômicas vinculadas à tradição do liberalismo. Atualmente, o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), assim como outros países emergentes, podem ser vistos como beneficiários de determinadas vantagens advindas da globalização, com grandes economias de exportação, grande mercado interno e cada vez maior presença mundial. Antes do BRICS, outros países fizeram uso da globalização e de economias voltadas à exportação para obter rápido crescimento econômico, como os países conhecidos como Tigres Asiáticos na década de 1980 e o Japão na década de 1970.

Impactos Os processos nomeados pelo conceito de globalização afetam todos os setores da sociedade, principalmente comunicação, comércio internacional e liberdade de movimentação, com diferente intensidade dependendo do contexto econômico de cada nação e sua integração com o restante do planeta.

Comunicação miniatura|esquerda|upright=1.6|Mapa da rede de cabos submarinos ao redor da Terra que mantém a Internet miniatura|esquerda|upright=1.6|Mapa das rotas aéreas comerciais de todo o mundo em outubro de 2024.

A globalização das comunicações tem sua face mais visível na internet, a rede mundial de computadores, possível graças a acordos e protocolos entre diferentes entidades privadas da área de telecomunicações e governos no mundo. Isto permitiu um grande fluxo de troca de ideias e informações sem paralelos na história da humanidade. Se, antes, uma pessoa estava limitada à imprensa local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as tendências do mundo inteiro, teoricamente tendo apenas, como fator de limitação, a barreira linguística - se forem abstraídas inúmeras outras condições materiais, culturais, políticas etc. que influenciam sobre o acesso e o uso de tal tecnologia.

Nesse sentido, outra característica da globalização das comunicações é a expansão do acesso a meios de comunicação, graças ao barateamento dos aparelhos, principalmente celulares e os de infraestrutura para as operadoras, com aumento da cobertura e incremento geral da qualidade graças à inovação tecnológica. Hoje, uma inovação criada no Japão pode aparecer no mercado português ou brasileiro em poucos dias e virar sucesso de mercado. Um exemplo da universalização do acesso à informação pode ser o próprio Brasil, hoje, com cerca de 502 milhões de dispositivos digitais (smartphones, tablets, notebooks e computadores), 2,4 por habitante. Dentre os quais, 54% são smartphones, ou seja, 272 milhões de aparelhos, uma média de 1,3 por habitante.

Redes de televisão e imprensa multimídia em geral também sofreram um grande impacto da globalização. Um país com imprensa livre hoje em dia pode ter acesso, algumas vezes por televisão por assinatura ou satélite, a emissoras do mundo inteiro, desde a NHK do Japão até a Cartoon Network americana.

Pode-se dizer que este incremento no acesso à comunicação em massa acionado pela globalização tem impactado até mesmo as estruturas de poder estabelecidas, com forte conotação democrática, ajudando pessoas antes restritas a um pequeno grupo de radiodifusão de informação a terem acesso à informação de todo o mundo, mostrando, a elas como o mundo é e se comporta. Por outro lado, este mesmo livre fluxo de informações é tido como uma ameaça para determinados governos ou entidades religiosas com poderes estabelecidos na sociedade, que têm gastado enorme quantidade de recursos para limitar o tipo de informação a que seus cidadãos têm acesso.

A República Popular da China, onde a internet tem registrado um expressivo crescimento, hoje com 92% de sua população tendo acesso à web, ou seja, cerca de 1,3 bilhão de pessoas - graças à evolução, iniciada em 1978, de uma política econômica centralmente planejada para uma nova economia socialista de mercado -, é um exemplo de nação notória por tentar limitar a visualização de certos conteúdos considerados "sensíveis" pelo governo, como a do Protesto na Praça Tiananmen em 1989. Além disso, em torno de 923 sites de notícias ao redor do mundo estão bloqueados no país, incluindo os da CNN e BBC. Sites de governos como Taiwan e sites de defesa da independência do Tibete também são proibidos. O número de pessoas presas na China por "ação subversiva" por ter publicado conteúdos críticos ao governo é estimado em mais de 40 ao ano. A própria Wikipédia já sofreu diversos bloqueios por parte do governo chinês.

No Irã, Arábia Saudita e outros países islâmicos com grande influência da religião nas esferas governamentais, a internet sofre uma enorme pressão do estado, que tenta implementar diversas vezes barreiras e dificuldades para o acesso à rede mundial, como bloqueio de sites de redes de relacionamentos sociais como Orkut e MySpace, bloqueio de sites de noticias como CNN e BBC. Acesso a conteúdo erótico também é proibido.

Qualidade de vida miniatura|Londres, a cidade mais globalizada do planeta em 2012, junto com Nova Iorque, segundo a Rede de Pesquisa de Globalização e Cidades MundiaisThe World According to GaWC 2012. Disponível em http://www.lboro.ac.uk/gawc/world2012t.html. Acesso em 8 de maio de 2016.

O acesso ampliado a tecnologias, principalmente novos medicamentos, novos equipamentos cirúrgicos e técnicos, o aumento na produção de alimentos e o barateamento no custo têm causado, nas últimas décadas, um aumento generalizado da longevidade dos países emergentes e desenvolvidos. De 1981 a 2001, o número de pessoas vivendo com menos de um dólar estadunidense por dia caiu de 1,5 bilhão de pessoas para 1,1 bilhão, sendo a maior queda da pobreza registrada exatamente nos países mais liberais e abertos à globalização.

Na República Popular da China, após a flexibilização de sua economia comunista centralmente planejada para uma nova economia socialista de mercado, e uma relativa abertura de alguns de seus mercados, a porcentagem de pessoas vivendo com menos de 2 dólares estadunidenses caiu 50,1%, contra um aumento de 2,2% na África sub-saariana. Na América Latina, houve redução de 22% das pessoas vivendo em pobreza extrema de 1981 até 2002.

Embora alguns estudos sugiram que, atualmente, a distribuição de renda ou está estável ou está melhorando, sendo que as nações com maior melhora são as que possuem alta liberdade econômica pelo Índice de Liberdade Econômica, outros estudos mais recentes da Organização das Nações Unidas indicam que "a 'globalização' e 'liberalização', como motores do crescimento econômico e do desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas".