miniaturadaimagem|O nome Jeová, em hebraico, é derivado do verbo HWH que significa "vir a ser; tornar-se". Muitos eruditos creem que esse nome reflete a forma causativa desse verbo. Na Bíblia, em Êxodo 3:14 o próprio Jeová descreve a essência do seu nome. Jeová é uma das transliterações e vocalizações latinizadas do tetragrama יהוה YHWH, o nome próprio do Deus de Israel no Antigo Testamento e um dos Nomes de Deus no Judaísmo e no Cristianismo.https://books.google.com.br/books?id=-oTqH84Se34C&pg=PA22&redir_esc=y#v=onepage&q&f=falsehttps://books.google.com.br/books?id=OxpuDgAAQBAJ&pg=PT1191&redir_esc=y

Originariamente, em aramaico e hebraico, era escrito e lido horizontalmente, da direita para esquerda יה-וה; ou seja, HVHY. Formado por quatro consoantes hebraicas — Yud י Hêi ה Vav ו Hêi ה ou יה-וה. O tetragrama aparece 6.828 vezes — sozinho ou em conjunção com outro “nome” — no texto hebraico do Antigo Testamento.

Os nomes YaHVeH (vertido em português para Javé), ou YeHoVaH (vertido em português para Jeová), são transliterações possíveis nas línguas portuguesas e espanholas, mas alguns eruditos preferem o uso mais primitivo do nome das quatro consoantes YHVH, já outros eruditos favorecem o nome Javé (Yahvéh ou JaHWeH). Ainda alguns destes estudiosos concordam que a pronúncia Jeová (YeHoVaH ou JeHoVáH), seja correta, sendo esta última a pronúncia mais popular do Nome de Deus em vários idiomas.https://www.universalidadedabiblia.com.br/tetragrama-yhvh-o-nome/

A vocalização histórica foi perdida porque no judaísmo do Segundo Templo, durante os séculos III a II a.C., a pronúncia do tetragrama passou a ser evitada, sendo substituída por Adonai ("meu Senhor"). Desde então, tentativas de vocalização no Período helenístico e a adição de pontos vocálicos hebraicos ao tetragrama pelos massoretas, levaram a forma resultante que foi transliterada por volta do século XII como Jeová.Schaff, Philip -Yahweh The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge Volume XII, Paper Book House, Grand Rapids, Michigan, 1950, page 480.

História da Pronúncia

Desuso judaico É costume judaico não enunciar o nome YHWH,A Bíblia Tradução Ecumênica. Edicões Loyola, 1996), p. 1566. costume que nem sempre existia: o uso do nome YHWH era habitual no tempo da Bíblia hebraica (ver por exemplo Livro de Rute 2:4) e a Mishná ainda prescreveu seu uso em juramentos, mas na época do Talmude (Guemará) já estava proibido enunciar o nome. Alguns até pensaram que enunciar de qualquer maneira o nome era uma violação do mandamento de não tomá-lo em vão, em vez de entender o mandamento em relação aos juramentos.Judaism 101: "The Name of G-d"→→– Um rabino citado no tratado Sanhedrin 10:1 declarou que quem enuncia o nome divino como está escrito não participará do mundo vindouro.Lawrence H. Schiffman. Texts and Traditions: A Source Reader for the Study of Second Temple and Rabbinic Judaism (KTAV Publishing House, 1998). p. 306. Por isso na leitura a voz alta Adonai (Senhor) substituiu YHWH em hebraico e foi adotado pelos tradutores nas diversas línguas estrangeiras (em grego Kύριος; em latim Dominus).Ronald L. Eisenberg, What the Rabbis Said: 250 Topics from the Talmud (ABC-CLIO 2010), p. 2.

Dentre os estudiosos, existem algumas controvérsias sobre se a pronúncia do tetragrama, sendo que muitos afirmam que os sons vocálicos originais do Tetragrama YHWH jamais serão conhecidos, estando perdida a pronúncia original, como pode-se notar na revista A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová: "Simplesmente não sabemos como os servos de Deus no passado pronunciavam esse nome em hebraico". A maioria dos estudiosos acredita que o nome Jeová (também transliterado como Yehowah) seja uma forma híbrida derivada da combinação das letras hebraicas יהוה (YHWH, posteriormente traduzidas no alfabeto latino como JHVH ) com as vogais da palavra hebraica Adonai, que era usada como substituição da pronúncia do nome por tradição judaica pós domínio babilônico.

Primeiras vocalizações em grego miniaturadaimagem|329x329px|Papiro Fuade 266 com o tetragrama sem vocalização no texto grego. Originalmente, a escrita em hebraica não tinha uma vocalização definida, e como a pronúncia foi sendo diminuída, tradutores passaram a tentar diferentes formas de vocalizações que geraram variantes textuais. Na tradução grega da Septuaginta, o Papiro Fuade 266 e o Papyrus Oxyrhynchus 3522, que contém partes do livro de Deuteronômio e do Livro de Salmos traz YHWH em hebraico quadrático (יהוה) dentro do texto grego, sem tradução. Já o papiro 4Q120 com trecho de Levítico, tenta uma vocalização ao grego como ΙΑΩ (IAO) sendo a evidência mais clara e mais antiga de que tradutores judeus transliteraram o Nome Divino em letras gregas, e não o substituíram por “Senhor”. O Codex Marchalianus do século VI traz notas marginais com o uso do tetragrama tanto na forma hebraica quanto com a vocalização ΙΑΩ

Outros fragmentos em grego que tratam de assuntos litúrgicos judaicos, também trazem a vocalização ΙΑΩ (IAO) como o Papyrus Vindobonensis Graecus 39777 Alguns testemunhos antigos de Clemente de Alexandria e Teodoreto de Ciro, também confirmam que a forma ΙΑΩ era uma representação sonora do tetragrama entre os judeus helenistas que viviam no Egito. Outros fragmentos litúrgicos da época, trazem uma vocalização em grego como ΙΕΗΩΟΥΑ, como o Papyrus 121, col. XV, linha 10, considerado um texto mágico com nomes sagrados judaicos. Na literatura gnóstica e nos talismãs, o nome ΙΑΩ aparece frequentemente — às vezes em combinações mais longas de vogais (por exemplo “ΙΕΗΩΟΥΑ”) para expressar o nome divino. Citada por Teodoreto e Epifânio de Salamina, as vocalizações como ΙΑΒΕ / ΙΑΒΕΕ eram comuns entre os Samaritanos. Alguns estudiosos de língua hebraica antiga, também defendem que a vocalização do tetragrama יהוה foi "Yahweh". O "Javé" em duas sílabas, e que "Jeová" é apenas uma forma híbrida derivada da combinação das letras latinas JHVH com as vogais de "Adonai".Russell Norman Champlin, Novo dicionário bíblico Champlin: Completo, prático, exegético, indispensável (EDitora Hagnos 2020

O “Logos Hebraikos” é um fragmento preservado por Eusébio de Cesareia (em Praeparatio Evangelica, IX, 17) e atribuído ao filósofo e teólogo judeu helenista Aristóbulo de Alexandria, do século II a.C. Aristóbulo era contemporâneo (ou pouco posterior) da tradução da Septuaginta, e seu tratado, o “Logos Hebraikos” ou “Discurso Hebraico” era uma tentativa de harmonizar a filosofia grega com a teologia judaica. No fragmento preservado, Aristóbulo cita passagens da Lei de Moisés traduzidas para o grego, e ali ele comenta sobre o Nome divino, como sendo transliterado em grego como “ΙΑΩ” (Iao). Já Severo de Antioquia, um importante teólogo, mencionou uma forma grega do Nome divino transcrita como IAO ou IOA.

Alguns estudiosos acreditam que as formas IAO e IOA eram uma transliteração de vocalização muito próximas foneticamente, e que provavelmente eram uma variante de acordo com o local, sendo IOA tuma terminação com a vogal aberta, mas que em posição final, especialmente em nomes estrangeiros, podia soar semelhante a Ω para falantes gregos, reforçando que tentativas de vocalização do nome, embora com variações, ainda eram comuns no Período helenístico e Romano, e que os dialetos aramaicos e hebraicos, ou mesmo a adaptação ao grego, poderiam facilmente gerar A / O no meio da palavra sem perder a identidade do Nome.

Vocalização posteriores no hebraico miniaturadaimagem|263x263px|Tetragrama com a vocalização massoretica Por volta do século IX, manuscritos judaicos massoréticos e tradições rabínicas passaram a mostrar as vogais combinadas com as consoantes YHWH, mas não como instrução verdadeira de pronúncia, e sim como um sistema de leitura substitutiva, como um sistema de sinais vocálicos para preservar a pronúncia tradicional da Bíblia hebraica. Por conta disso, passou a se encontrar ocorrências do nome como יְהֹוָה, tratando se do nome com as vogais, Shevá (ְ), Ḥolam (ֹ), Qamatz (ָ). Essas vogais correspondem a E-O-A. Muitos eruditos entendem que essa vocalização era uma junção do tetragrama com as vogais de “Adonay” apenas como substituição litúrgica.

Algumas palavras e frases do texto consonantal podiam ser ambíguas se os sinais vocálicos não estiverem lá para esclarecê-las. Por isso alguns protestantes sustentaram que os sinais vocálicos inseridos na Escritura recebida (sola scriptura) não podiam ter sido uma invenção dos massoretas na Idade Média, mas eram parte da Palavra inspirada que Deus revelou a Moisés no Monte Sinai. Do outro lado os primeiros líderes protestantes, Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio e João Calvino, viam-nos como invenções rabínicas doutrinariamente irrelevantes. Alguns católicos enfatizaram as ambiguidades como prova da inadequação da Bíblia tomada isoladamente.Robert J. Wilkinson, Tetragrammaton: Western Christians and the Hebrew Name of God: From the Beginnings to the Seventeenth Century. BRILL, 2015. pp. 460–461.Robert J. Wilkinson, Chapter 13. The Demystification of Language and the Triumph of Philology. The Question of Hebrew Points

Vocalização latinizada para "Jeová" / Yehowah No século XIV d.C. começou a ser usado de modo geral como nome de Deus a palavra "Jeová"; isso ocorreu porque os eruditos cristãos da época não reconheceram a natureza híbrida da forma.Russell Norman Champlin. Novo dicionário bíblico Champlin: Completo, prático, exegético, indispensável. Editora Hagnos; 2020. p. 2073. Alguns sustentam que há evidências de que uma forma do Tetragrama semelhante a Jeová pode ter sido usada em textos fonéticos e artefatos semíticos e gregos da Antiguidade Tardia.

A adoção de "Jeová" no lugar do tradicional "Senhor" gerou disputas. Em 1711, Adriaan Reland publicou um livro contendo o texto de escritos acadêmicos do século XVII, cinco que atacavam o uso de "Jeová" e cinco que o defendiam.Adrian Reeland. Decas exercitationum philologicarum de vera pronuntiatione nominis Jehova, quarum quinque priores lectionem Jehova impugnant, posteriores tuentur. Cum praefatione Adriani Relandi. ex officina Johannis Coster; 1707. Como críticos do uso de "Jeová", incorporou escritos de Drusius (1550-1616), Sixtinus Amama (1593–1629); Louis Cappel (1585–1658); Johannes Buxtorf (1564–1629); Jacob Alting (1618–1679). Em defesa de "Jeová" estavam os escritos de Nicholas Fuller (1557-1626) e Thomas Gataker (1574-1654) e três ensaios de Johann Leusden (1624-1699). O hebraísta Wilhelm Gesenius (1786–1842) relatou que os estudiosos que apoiavam o uso de "Jeová" já então eram uma minoria e que o único argumento de qualquer valor mínimo por eles avançado em favor de sua opinião tinha como base os prefixos יהו (Yeho-) e יו (Yo-) de muitos nomes próprios, para o qual outras explicações são possíveis.Friedrich Wilhelm Gensenius, Thesaurus philologicus criticus linguae Hebraeae et Chaldaeae veteris testamenti, Vol. II, parte I (Fr. Chr. Guil. Vogelii 1839), p. 576.

Outros estudiosos, sustentam que alguns artefatos da Antiguidade podem ser interpretados em favor igualmente de "Javé" ou de "Jeová". Além disso, os que defendem a pronuncia "Jeová" citam demais nomes próprios de personagens bíblicos como exemplos de que o nome de Deus teria 3 sílabas, como por exemplo os nomes Jonatã na Bíblia hebraica, significa “YHWH deu”. O nome do profeta Elias que significa: “Meu Deus é YHWH.” Da mesma forma, o nome hebraico para Jeosafá significa “YHWH julgou”. A pronúncia do Tetragrama com duas sílabas, como “Javé” (ou “Yahweh”), não permitiria a existência do som da vogal. Os nomes próprios de personagens bíblicos fornecem indício da antiga pronúncia do nome de Deus, assim, alguns eruditos concordam que a pronúncia “Jeová”, seja correta.https://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2017/05/22/yhwh-e-o-enigma-das-vogais/george-wesley-buchanan/https://library.biblicalarchaeology.org/biblical-archaeology-review/3/1

Uso em traduções bíblicas thumb|"Jehovah" em Êxodo 6:3 (Bíblia do Rei Jaime, 1611)