O calendário gregoriano é o sistema usado na maior parte do mundo, inclusive no Brasil e em Portugal, para organizar os dias em anos, meses e semanas. É a principal referência internacional para datas civis, administrativas e comerciais. Em 2026, o calendário gregoriano fazia parte da vida de cerca de 8 bilhões de pessoas, mais de 96% da população mundial.A estimativa toma a população residente em países que adotaram o calendário gregoriano para uso civil como aproximação de seu alcance, e não como uma contagem de usuários individuais. Com as projeções medianas da ONU para 1.º de julho de 2026, a população mundial era de 8.300.678.395 habitantes. Afeganistão, Etiópia, Irã e Nepal, os quatro países classificados como não tendo adotado o calendário gregoriano para uso civil, somavam 306.747.161 habitantes. A diferença é de 7.993.931.234, ou cerca de 96,3% da população mundial. O cálculo inclui países que empregam outro calendário ao lado do gregoriano ou usam sua estrutura com uma numeração de anos diferente.

Cada ano tem doze meses e 365 dias, ou 366 quando inclui o dia adicional dos anos bissextos. Sua regra de intercalação mantém as datas civis próximas do ciclo das estações. Os anos divisíveis por quatro costumam ser bissextos, mas os anos que encerram um século só recebem o dia adicional quando também são divisíveis por 400. Com esse ajuste, o ano civil médio dura 365,2425 dias.Dershowitz e Reingold (2008), p. 45.

O sistema entrou em vigor em 1582, quando o Papa Gregório XIII promulgou a bula Inter gravissimas para reformar o calendário juliano. Como o calendário anterior acumulava um pequeno excesso de tempo a cada ano, suas datas se afastavam lentamente das estações. A reforma eliminou dez datas para corrigir o deslocamento acumulado desde o Primeiro Concílio de Niceia e modificou a distribuição dos anos bissextos para reduzir novos desvios.Gregório XIII (1582).

Portugal esteve entre os primeiros países a adotar o novo calendário, em 1582, e o sistema chegou também ao Brasil por meio da administração portuguesa. A adoção internacional ocorreu gradualmente durante mais de três séculos. Como cada território fez a mudança em momento diferente, uma mesma data histórica pode aparecer no estilo antigo, juliano, ou no estilo novo, gregoriano. Outros calendários continuam em uso religioso, cultural e, em alguns países, administrativo, muitas vezes ao lado do gregoriano.

Estrutura e funcionamento

O calendário gregoriano conserva os doze meses do calendário juliano, com durações que variam de 28 a 31 dias. Ambos são calendários solares: um ano comum tem 365 dias, e um dia intercalar é acrescentado a fevereiro nos anos bissextos. O que distingue os dois sistemas é a maneira de tratar os anos que encerram um século. Em cada ciclo de quatrocentos anos, o gregoriano deixa de acrescentar o dia intercalar em três desses anos e o mantém no quarto.

Ano e regra de intercalação

miniatura|upright=0.78|alt=Fluxograma em inglês que testa a divisibilidade de um ano por 4, 100 e 400 para classificá-lo como comum ou bissexto|Pelos testes de divisibilidade por 4, 100 e 400, 1900 fica como ano comum e 2000 como bissexto.

A regra dos anos bissextos segue três testes sucessivos: um ano divisível por quatro é bissexto; se também for divisível por 100, passa a ser comum; se ainda for divisível por 400, volta a ser bissexto.Um número é divisível por outro quando a divisão é exata, sem resto. Por exemplo, 2024 é divisível por 4; 1900 é divisível por 100, mas não por 400.

Embora hoje o dia intercalar seja conhecido como 29 de fevereiro, durante muito tempo ele foi inserido pela repetição de 24 de fevereiro, procedimento chamado bissextus.Os romanos contavam os dias de trás para a frente e incluíam os dois extremos da contagem. Bissextus significa, em sentido literal, "sexta vez repetida": o sexto dia antes das calendas de março era contado duas vezes. Essa tradição também aparecia no calendário religioso: antes da revisão de 1969 do Calendário Romano Geral, a Igreja Católica deslocava em um dia as festas posteriores a 23 de fevereiro nos anos bissextos. As missas celebradas segundo o calendário anterior ainda conservam essa prática.Richards (1998), p. 101.

Sem considerar os cálculos lunares e pascais, o calendário completa um ciclo a cada quatrocentos anos, ou 146.097 dias.Os quatrocentos anos valem para o calendário solar ou civil. Quando entram também as regras lunares da Páscoa, todos os padrões só voltam a coincidir depois de 5.700.000 anos. Esse ciclo reúne 2.081.882.250 dias e 70.499.183 meses lunares, com um mês médio de 29 dias, 12 horas, 44 minutos e segundos. Seu ano médio é o mesmo do ciclo solar gregoriano. Seidelmann (1992), p. 582.O ciclo pascal é tão longo porque vários padrões precisam recomeçar juntos: o ciclo metônico de 19 anos, os trinta valores possíveis da epacta e as correções solar, de quatrocentos anos, e lunar, de 2.500 anos. O mínimo múltiplo comum dos dois últimos é 10.000. Walker (1945), p. 218. Nesse intervalo há 303 anos comuns, de 365 dias, e 97 anos bissextos, de 366. A média é de dias por ano, ou 365,2425 dias, equivalentes a 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos.O mesmo resultado surge da soma das partes fracionárias da regra: 365 + − + = 365 + 0,25 − 0,01 + 0,0025 = 365,2425. Como os 146.097 dias formam exatamente 20.871 semanas, os dias da semana também retornam à mesma sequência. A combinação dos sete possíveis dias de início com os dois tipos de ano, comum e bissexto, produz catorze configurações de calendário anual.

Meses

+ Os doze meses do calendário gregoriano Nº Mês Dias Origem do nome 1 Janeiro 31 Do latim mēnsis Iānuārius, "mês de Jano", deus da mitologia romana associado às passagens, portas, começos e fins.A palavra latina mēnsis significa "mês". O traço horizontal sobre algumas vogais, chamado mácron, indica que elas eram pronunciadas como longas; ele não marca a sílaba tônica. 2 Fevereiro 28, ou 29 nos anos bissextos Do latim mēnsis Februārius, "mês das Februa", festa romana de purgação e purificação. O nome é cognato de "febre" e de uma palavra protoindo-europeia para enxofre. 3 Março 31 Do latim mēnsis Mārtius, "mês de Marte", deus romano da guerra. 4 Abril 30 Do latim mēnsis Aprīlis, de sentido incerto. Costuma-se relacioná-lo a uma forma do verbo latino aperire, "abrir",Nomes de meses baseados em aspectos da natureza não são raros, mas essa etimologia é contestada porque nenhum outro mês romano recebe nome semelhante. ou ao nome da deusa Afrodite.A derivação de Afrodite era corrente na Roma antiga e foi dada por Plutarco, em Vida de Numa, capítulo 19, mas rejeitada por Varrão e Cíncio. Ver H. H. Scullard, Festivals and Ceremonies of the Roman Republic, Cornell University Press, 1990, p. 96, e Forsythe, Time in Roman Religion, Routledge, 2014, p. 10. 5 Maio 31 Do latim mēnsis Māius, "mês de Maia", deusa da vegetação. Seu nome é cognato do latim magnus, "grande", e da palavra "maior". 6 Junho 30 Do latim mēnsis Iūnius, "mês de Juno", deusa romana do casamento, do parto e do governo. 7 Julho 31 Do latim mēnsis Iūlius, "mês de Júlio César". Era o mês de nascimento de César e recebeu esse nome em 44 a.C., como parte das reformas do calendário juliano. 8 Agosto 31 Do latim mēnsis Augustus, "mês de Augusto". O imperador lhe deu esse nome em 8 a.C., em correspondência com julho e porque acontecimentos de sua ascensão ao poder haviam ocorrido nesse mês. 9 Setembro 30 Do latim mēnsis september, "sétimo mês" do ano romano de dez meses atribuído a Rômulo, por volta de 750 a.C.Setembro, outubro, novembro e dezembro conservam nomes ligados aos números sete, oito, nove e dez porque essa sequência antiga começava em março. Ao contar desde janeiro, eles passaram a ocupar as posições nove a doze. 10 Outubro 31 Do latim mēnsis octōber, "oitavo mês" do ano romano de dez meses de Rômulo, por volta de 750 a.C. 11 Novembro 30 Do latim mēnsis november, "nono mês" do ano romano de dez meses de Rômulo, por volta de 750 a.C. 12 Dezembro 31 Do latim mēnsis december, "décimo mês" do ano romano de dez meses de Rômulo, por volta de 750 a.C.

miniatura|upright=0.9|alt=Fragmentos de um calendário romano antigo divididos em colunas mensais com inscrições em latim|Os nomes e a sequência dos meses do calendário gregoriano vieram do calendário juliano e, antes dele, de séculos de organização do calendário romano; os Fasti Antiates, do século I a.C., pertencem a uma etapa anterior dessa evolução.

A sequência dos meses e seus nomes foram herdados do calendário juliano. Janeiro a junho conservam principalmente nomes ligados a divindades e festividades romanas, julho e agosto receberam os nomes de Júlio César e Augusto, enquanto setembro a dezembro mantêm nomes numéricos de uma época em que março ocupava o começo da sequência anual.

Mnemônicas

O verso "Trinta dias tem novembro" pertence a uma antiga tradição oral criada para memorizar a duração dos meses. Há versões em latim, italiano, francês e português. A forma mais antiga conhecida aparece numa anotação marginal inglesa de um calendário de santos, escrita por volta de 1425:

Texto medieval Thirti dayes hath novembir April june and Septembir. Of xxviij is but oon And alle the remenaunt xxx and j. No texto medieval, xxviij representa 28 e xxx and j, 31, com numerais romanos. A grafia inglesa também é anterior à padronização moderna. Tradução livre Trinta dias tem novembro, abril, junho e setembro. Vinte e oito só tem um, e os demais, trinta e um.

miniatura|esquerda|upright=0.8|alt=Dois punhos lado a lado, com os nós representando meses de 31 dias e as depressões representando meses mais curtos|Na mnemônica dos nós dos dedos, cada nó corresponde a um mês de 31 dias, enquanto os intervalos ficam para fevereiro e os meses de 30 dias.

Variações do verso entraram nas rimas da Mamãe Gansa e ainda são ensinadas nas escolas. Sua utilidade foi parodiada na frase "Trinta dias tem setembro, mas dos outros não me lembro", embora a composição também tenha sido chamada de "provavelmente o único poema do século XVI que a maioria das pessoas sabe de cor".

Uma alternativa sem palavras usa os nós dos dedos para representar os meses de 31 dias e as depressões entre eles para representar os meses mais curtos. Com duas mãos, a contagem pode começar pelo nó de qualquer dedo mínimo, tomado como janeiro, e seguir adiante sem contar o espaço entre os indicadores, pois julho e agosto têm 31 dias. O mesmo procedimento funciona numa só mão: depois do último nó, correspondente a julho, volta-se ao primeiro para contar agosto e os meses seguintes. Outra técnica percorre um teclado musical em semitoms a partir da tecla fá, associando as teclas brancas aos meses longos e as pretas aos curtos.

Semanas

miniatura|direita|upright=1.15|alt=Mapa-múndi colorido conforme o primeiro dia da semana usado em cada país|A semana começa em dias diferentes conforme a convenção nacional, com a segunda-feira adotada em grande parte do mundo e o domingo em outras regiões.

Além dos meses, o calendário organiza os dias em semanas. Uma agenda física ou eletrônica permite relacionar qualquer data com seu dia da semana, mas fazer esse cálculo à mão exige métodos próprios, como a Congruência de Zeller e o Algoritmo Doomsday, por causa das irregularidades do sistema gregoriano. Quando um país adotava o calendário reformado, a sequência semanal continuava sem interrupção.Os números de algumas datas foram saltados no papel, mas a sucessão dos dias da semana continuou normalmente. Depois de uma quinta-feira veio uma sexta-feira, sem que dias reais deixassem de transcorrer. Nos países que seguiram a data proposta por Gregório XIII, por exemplo, a sexta-feira, 15 de outubro de 1582, veio logo depois da quinta-feira, 4 de outubro, ainda contada pelo calendário juliano.