Deep Purple é uma banda britânica de rock formada em Hertford, em 1968.Texto do livreto do álbum Shades of Deep Purple, p. 4-5. Juntamente com as bandas Black Sabbath e Led Zeppelin, o Deep Purple é considerado um dos pioneiros do heavy metal e do hard rock moderno, embora alguns de seus integrantes tenham tentado não se categorizar como apenas um destes gêneros.Erica Starr. The Everything Rock Drums Book with CD: From Basic Rock Beats and Syncopation to Fills and Drum Solos - All You Need to Perform Like a Pro. Everything Books; 2009. ISBN 1-59869-627-0. p. 8.Entrevista de Ian Gillan e Ian Paice - www.deep-purple.net A banda também incorporou elementos do barroco, da psicodelia, do blues e do rock progressivo ao seu som.Biografia de Deep Purple no VH1, Jason Ankeny & Greg Prato - Allmusic Foram listados pelo Livro Guiness dos Recordes "como a banda com o som mais alto ao vivo no mundo", e venderam mais de 150 milhões de álbuns ao redor do mundo.Berner Zeitung: Die Bern-Connection des Rock-KlassikersRP.online: Deep Purple Jon Lord ist tot
A banda passou por diversas mudanças de formação, além de um hiato de oito anos (1976-84). As formações do período 1968-76 foram comumente chamadas de fases I, II, III e IV.Deep Purple reviewsDeep Purple Mark I & Mark II Sua segunda formação, a mais bem-sucedida comercialmente, contou com Ian Gillan (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Jon Lord (teclado), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria). Esta formação esteve em atividade de 1969 a 1973, e foi reunida de 1984 a 1989 e, brevemente, em 1993, antes que os atritos entre o guitarrista Ritchie Blackmore e os outros membros da banda se tornassem intransponíveis. A formação atual é composta por Paice, Gillan, Glover, o tecladista Don Airey (que entrou em 2002 após o afastamento de Jon Lord) e o guitarrista Simon Mc Bride (que entrou em 2022 no lugar de Steve Morse).
A marca da banda sempre foi a mistura de guitarra e teclado, com riffs simples e fortes e solos vigorosos. O Deep Purple ficou na 22ª posição na lista dos "Maiores Artistas de Hard Rock" do canal de TV VH1, recebeu o título de "Lenda da Música" na premiação World Music Awards de 2008 e entrou no Hall da Fama do Rock and Roll em 2016.
História Início (1967–1968) Em 1967, Chris Curtis, ex-baterista do The Searchers, contatou o empresário de Londres Tony Edwards, na esperança de que ele conseguiria um novo grupo que estava montando, para se chamar Roundabout. Eles se revezariam em torno do baterista, como num carrossel. Depois de a ideia ter sido comprada pelo produtor Tony Edwards, o primeiro músico a descobri-la foi o tecladista Jon Lord, colega de Curtis nos The Flowerpot Men, onde também tocava o baixista Nick Simper.
Era o final dos anos 60, e Curtis estava metido até o pescoço no espírito da época. Certa vez, Lord entrou no apartamento e encontrou as paredes cobertas de papel-alumínio. Seu colega havia redecorado a casa para mudar o astral. Liga, desliga, cai na estrada: Curtis desapareceu. O grupo achou um guitarrista — Ritchie Blackmore, conhecia um baterista — Ian Paice — que trouxe um colega da The Maze — o vocalista Rod Evans. Com a saída de Curtis, acabou a ideia do rodízio e a banda precisava trocar de nome. Em fevereiro de 1968, depois de queimar pestana em uma lista de nomes que incluía o pomposo Orpheus, acabou vencendo o título da música favorita da avó de Blackmore: Deep Purple.
O primeiro disco, Shades of Deep Purple, foi lançado em setembro de 1968. Recheado de regravações (incluindo versões progressivas de "Help!", dos Beatles, e "Hey Joe", de Jimi Hendrix), o disco estourou nas paradas de sucesso dos Estados Unidos com uma música de Joe South: "Hush", o primeiro single da banda. Em dezembro daquele ano, quando o segundo disco (The Book of Taliesyn) já havia sido lançado, eles fizeram sua primeira turnê na América, acompanhando o Cream. Nessa turnê, além de visitar a mansão de Hugh Hefner, criador da revista Playboy, o grupo também descobriu que outro motivo de seu sucesso no Novo Mundo vinha do nome da banda - o mesmo de uma droga então muito popular na Califórnia. O segundo disco também trazia regravações, como "River Deep, Mountain High" (sucesso na voz de Tina Turner), "We Can Work it Out" (Beatles) e "Kentucky Woman" (Neil Diamond). A composição "Wring That Neck" (chamada de "Hard Road" nos Estados Unidos, pela violência do nome) sobreviveu, no setlist do grupo, à extinção da primeira formação no ano seguinte. Foi o veículo de algumas das mais inspiradas trocas de solos entre Blackmore e Lord.
Em 1969, Blackmore e Lord estavam descontentes com a sonoridade do grupo. Ambos queriam experimentar mais com volume e eletricidade, mas consideravam que a voz de Evans não acompanharia as mudanças. O terceiro disco do grupo, chamado Deep Purple, reflete a tensão de uma banda que tinha os pés no rock inglês dos anos 60 e a cabeça em algo que ainda estava por ser criado. Sob convite do baterista Mick Underwood, em 24 de junho, Blackmore e Lord foram conferir uma apresentação do grupo Episode Six, de cujo vocalista (Ian Gillan) o ex-colega de Blackmore havia falado muito bem. Os dois membros do Deep Purple chegaram a subir ao palco para uma jam. Começou aí o mês mais tenso e criativamente decisivo em toda a carreira do Deep Purple.
Blackmore, Lord e Paice combinaram um teste com Ian Gillan. Ele levou seu amigo Roger Glover, baixista também do Episode Six. Juntos, os cinco gravaram o single "Hallellujah", no dia 7 de junho. Aprovados os dois, o Deep Purple passou a ter vida dupla. Durante o dia, a segunda formação ensaiava no Hanwell Community Centre; à noite, a primeira formação continuava se apresentando como se nada estivesse ocorrendo. Evans e Simper não sabiam o que estava por acontecer até a véspera da estreia da fase II nos palcos, em 10 de julho. A situação era tão maluca que, em 10 de junho de 1969, Episode Six e Deep Purple se apresentaram em bailes de Cambridge. O Deep Purple fez onze apresentações entre a escolha dos novos membros e a estreia da nova fase; o Episode Six, oito. Mas Gillan e Glover ainda fizeram outros quatro shows para cumprir contrato com o E6 até o dia 26 de julho, intercalando com os três primeiros shows da fase II. + Todas as formações do Deep Purple Fase I "MK I"(1968–1969) Rod Evans - vocais Ritchie Blackmore - guitarra Jon Lord - teclado Nick Simper - baixo Ian Paice - bateria Fase II "MK II"(1969–1973) Ian Gillan - vocais Ritchie Blackmore - guitarra Jon Lord - teclado Roger Glover - baixo Ian Paice - bateria Fase III "MK III"(1973–1975) David Coverdale - vocais Ritchie Blackmore - guitarra Jon Lord - teclado Glenn Hughes - baixo,vocais Ian Paice - bateria Fase IV "MK IV"(1975–1976) David Coverdale - vocais Tommy Bolin - guitarra Jon Lord - teclado Glenn Hughes - baixo,vocais Ian Paice - bateria (1976-1984) O grupo esteve separado. Fase II "MK II", reunião(1984–1989) Ian Gillan - vocais Ritchie Blackmore - guitarra Jon Lord - teclado Roger Glover - baixo Ian Paice - bateria Fase V "MK V"(1989–1991) Joe Lynn Turner - vocais Ritchie Blackmore - guitarra Jon Lord - teclado Roger Glover - baixo Ian Paice - bateria Fase II "MK II", nova reunião(1992–1994) Ian Gillan - vocais Ritchie Blackmore - guitarra Jon Lord - teclado Roger Glover - baixo Ian Paice - bateria Fase VI "MK VI"(alguns meses em 1994) Ian Gillan - vocais Joe Satriani - guitarra Jon Lord - teclado Roger Glover - baixo Ian Paice - bateria Fase VII "MK VII"(1994-2002) Ian Gillan - vocais Steve Morse - guitarra Jon Lord - teclado Roger Glover - baixo Ian Paice - bateria Fase VIII "MK VIII"(2002–2022) Ian Gillan - vocais Steve Morse - guitarra Don Airey - teclado Roger Glover - baixo Ian Paice - bateriaFase IX "MK IX"(2022–atualmente) Ian Gillan - vocais Simon McBride - guitarra Don Airey - teclado Roger Glover - baixo Ian Paice - bateria Os projetos que já vinham ocorrendo, porém, continuaram. O terceiro disco tinha acabado de ser lançado na Inglaterra quando a nova formação, com sua proposta sonora mais ousada, estreou. Jon Lord também estava finalizando seu Concerto for Group & Orchestra, que seria apresentado no Royal Albert Hall, com a Royal Philharmonic Orchestra, no dia 24 de setembro. Nesse dia, além de mostrarem o novo tipo de composição idealizado por Lord (unindo as linguagens da música erudita e do rock), os ingleses de todas as classes sociais conheceram "Child in Time", composta ainda em Hanwell. A composição mostra tudo o que a nova formação trazia de novo em relação à anterior: mudanças de ritmo, solos poderosos, gritos de banshee. O novo Deep Purple era elétrico e explosivo, e isso ficaria muito claro no primeiro disco da nova formação - In Rock, lançado em junho de 1970. Os ingleses puderam conhecer faixa por faixa do novo disco via BBC durante os vários meses que levaram ao lançamento. Conheceram inclusive faixas inéditas, como "Jam Stew", e uma versão primitiva de "Speed King" chamada "Kneel and Pray", com uma letra completamente diferente e muito mais maliciosa do que a conhecida e cantada até hoje.
O segundo disco da fase II foi Fireball, que mantém a eletricidade mas envereda por um caminho mais experimental. Até um country ("Anyone's Daughter") o disco inclui, ao lado de longos instrumentais como os de "Fools" e canções mais próximas das que havia no disco anterior, como "Strange Kind of Woman". Os shows da turnê de 1971, disponíveis apenas em gravações piratas, mostram uma banda mais madura e mais ousada. É nessa turnê que Ian Gillan começa a fazer duelos de sua voz com a guitarra de Blackmore, por exemplo.
Conquistando o mundo O passo seguinte na experimentação do Deep Purple seria gravar um disco de estúdio feito nas mesmas condições de uma apresentação ao vivo. Todos juntos, num mesmo ambiente, criando e gravando juntos como nas longas jams instrumentais que eles faziam no palco. Eles já tinham algumas músicas quase prontas: "Highway Star" começou a ser criada dentro de um ônibus, quando um jornalista perguntou como eles criavam suas músicas. Blackmore disse: "assim", e começou a tocar um riff agitado. Gillan entrou na farra e começou a improvisar uma letra: "We're on the road, we're on the road, we're a rock'n'roll ba-and!". Em setembro, a primeira versão do que seria "Highway Star" já estava começando a ser experimentada no palco e no programa de TV alemão Beat Club. É dessa apresentação que vem o clipe de "Highway Star" em que Blackmore usa um chapéu de bruxo e Gillan balbucia palavras sobre Mickey Mouse e Steve McQueen. "Lazy" é outra canção que começou a ser testada no palco antes de ir ao estúdio.
miniatura|esquerda|250px|A formação clássica do Deep Purple, em 1971. Da esquerda para direita: Jon Lord, Roger Glover, Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Ian Paice
Em dezembro de 1971, eles haviam achado o local certo para criar e gravar esse disco: Montreux, na Suíça, onde até hoje ocorre um famoso festival de jazz. O melhor lugar para gravar seria o grande cassino da cidade, onde tradicionalmente havia apresentações musicais. O cassino ainda não estava liberado para o Deep Purple quando eles chegaram - faltava uma última apresentação, de Frank Zappa, para encerrar a temporada. O grupo, então, foi assistir ao show. Zappa sempre foi um inovador do rock, e naquela apresentação em especial ele usava um sintetizador de última geração. No meio do show, alguém põe fogo no cassino. A música pára. Zappa grita: "FOGO! Arthur Brown, em pessoa!" e orienta os presentes a deixar o cassino calmamente. Em entrevistas, Roger Glover conta que todos realmente estavam calmos - o suficiente para que ele próprio ainda pudesse dar uma olhada no sintetizador antes de sair do prédio. Enquanto isso, Claude Nobs, que até hoje organiza o Festival de Jazz de Montreux, corria de um lado para o outro para tirar alguns espectadores de dentro do cassino.