Teosofia refere-se a um conjunto de doutrinas filosóficas, místicas, ocultistas e especulativas que buscam o conhecimento direto dos mistérios presumidos da vida e da natureza, da divindade e da origem e propósito do universo. Esta escola mística/movimento iniciático propõe que todas as religiões surgiram a partir de ensinamentos de tronco comum, que foram, de certa forma, recombinando e permutando, nas suas diversas mutações e encarnações, e que, apesar de comungarem de um tronco comum, acabam muitas vezes por deturpar os ensinamentos da doutrina original. A teosofia é considerada parte do esoterismo ocidental, que acredita que o conhecimento escondido ou a sabedoria do passado antigo oferece um caminho para a iluminação e a salvação, tendo base nos ensinamentos de Jakob Boehme, Friedrich Cristoph Oetinger, Paracelsus, Emanuel Swedenborg e Louis Claude de Saint-Martin assim como a Kabbalah Judaica. De notar que quando colocamos a teosofia nestes termos estamo-nos a referir a todo e qualquer movimento que tenha surgido no pré-Blavatskismo, estando, portanto, conotado com o movimento de gnose cristã do século XVI, XVIII e XIX.

A origem etimológica do termo teosofia vem do grego clássico , que combina theos (θεός), "Deus" e sophia (σοφία), "sabedoria", que significa "sabedoria divina", remontando assim para uma dimensão conotada com o universo do neoplatonismo (quer o movimento do século XVI, iniciado sobretudo a partir de Itália, quer o movimento do século XIX, iniciado sobretudo na Alemanha). A partir do final do século XIX, o termo teosofia geralmente foi usado para se referir às doutrinas religioso-filosóficas da Sociedade Teosófica, fundadas em Nova York em 1875 por Helena Blavatsky, William Quan Judge e Henry Steel Olcott. O trabalho principal de Blavatsky, A Doutrina Secreta (1888), foi uma das obras fundamentais da teosofia moderna.

A partir de 2015, membros de organizações oriundas ou relacionadas à Sociedade Teosófica atuavam em mais de 52 países ao redor do mundo. Constitui um movimento eclético, que partilha de bases comuns em correntes como o cristianismo, budismo e hinduísmo, e que viriam a dar origem a toda uma série de movimentos espiritualistas de carimbo gnóstico do final do século XIX. A teosofia moderna desempenhou um papel significativo em levar o conhecimento das religiões do sul da Ásia para os países ocidentais, bem como no incentivo ao orgulho cultural em várias nações do sul da Ásia. Uma variedade de artistas e escritores proeminentes também foi influenciada pelos ensinamentos teosóficos. A teosofia tem seguidores internacionais e, durante o século XX, teve dezenas de milhares de adeptos. As ideias teosóficas também exerceram influência em uma ampla gama de outros movimentos e filosofias esotéricas, entre eles a Antroposofia de Rudolf Steiner, a Nova Era, a metafísica cristã de Conny Méndez, a Escola Arcana de Alice Bailey, a Fundação Krishnamurti e correntes relacionadas com as doutrinas orientalistas sobre níveis de ascensão (Mestres Ascendidos).

Contudo, existem diferenças substanciais entre o movimento de gnose espiritualista cristã dos séculos XVI-XVIII e aquilo que viria a ser a doutrina sincrética de Helena Blavatski, quase comparáveis à diferença entre o movimento rosacruciano ortodoxo, e depois encarnações que este viria a ter mais tarde como é o caso da Ordo Templi Orientis ou da Ordem Hermética da Aurora Dourada, movimentos com conotações substancialmente diferentes dos originais. No caso da teosofia a semelhança mantém-se na ideia de transmigração da alma e no conceito de metempsicose que é aceite quer por pelo movimento da teosofia cristã, quer pela síntese de Blavatski, com nuances. Convém referir que a ideia latente em metempsicose difere em sobremaneira da ideia de reencarnação.

Origens do nome A Teosofia de Blavatsky não é o único movimento a usar o termo "teosofia" e isso resultou em tentativas acadêmicas de diferenciar as diferentes correntes. Godwin traçou uma divisão referindo-se à Teosofia Blavatskiana com uma letra maiúscula, e a teosofia boehmiana mais antiga com uma letra minúscula. Alternativamente, o estudioso do esoterismo Wouter J. Hanegraaff distinguiu o movimento blavatskiano de seu homônimo mais antigo, chamando-o de "teosofia moderna". Os seguidores do movimento de Blavatsky são conhecidos como "teosofistas", enquanto os adeptos da tradição mais antiga são chamados de "teósofos". Causando alguma confusão, alguns teosofistas—como C. C. Massey—também eram teósofos. Nos primeiros anos do movimento de Blavatsky, alguns críticos se referiram a ele como "neoteosofia" para diferenciá-lo do movimento teosofia cristã mais antigo. O termo "neoteosofia" mais tarde seria adotado dentro do próprio movimento teosófico moderno, onde foi usado—em grande parte pejorativamente—para descrever os ensinamentos promovidos por Annie Besant e Charles Webster Leadbeater por aqueles que se opunham às suas inovações.

Em uma reunião do Miracle Club na cidade de Nova York em 7 de setembro de 1875, Blavatsky, Olcott e Judge concordaram em estabelecer uma organização, com Charles Sotheran sugerindo que eles a chamassem de Sociedade Teosófica. Antes de adotar o nome "Teosófico", eles debateram vários nomes potenciais, entre eles a Sociedade Egiptológica, a Sociedade Hermética e a Sociedade Rosacruz. O termo não era novo, mas já havia sido usado em vários contextos pelos filaleteus e pelo místico cristão Jakob Böhme. Etimologicamente, o termo veio do grego theos ("deus(es)") e sophia ("sabedoria"), significando assim "sabedoria divina" ou "sabedoria de Deus". O termo teosofia apareceu (em grego e latim) nas obras dos pais da igreja primitiva, como sinônimo de teologia. Em seu livro A Chave para a Teosofia, Blavatsky afirmou que o termo "Teosofia" havia sido cunhado pelos "filósofos alexandrinos", especialmente Amônio Sacas.

De acordo com o estudioso da religião James A. Santucci, discernir o que o termo "Teosofia" significava para os primeiros teosofistas "não é tão óbvio quanto se poderia pensar". Conforme usado por Olcott, o termo "Teosofia" parecia ser aplicado a uma abordagem que enfatizava a experimentação como um meio de aprender sobre o "Universo Invisível"; inversamente, Blavatsky usou o termo em referência à gnose em relação a essa informação.

Sociedade Teosófica

Definição ligação=https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e0/Blavatsky_and_Olcott.jpg/220px-Blavatsky_and_Olcott.jpg|direita|miniaturadaimagem|Blavatsky e Olcott, dois dos membros fundadores da Sociedade Teosófica A fundadora da teosofia, a russa Helena Blavatsky, insistiu que não era uma religião, embora ela se referisse a ela como a transmissão moderna da "religião outrora universal" que ela afirmava ter existido profundamente no passado humano. Que a Teosofia não deve ser rotulada de religião é uma afirmação que tem sido mantida por organizações teosóficas, que, em vez disso, a consideram como um sistema que abraça o que eles veem como a "verdade essencial" subjacente à religião, filosofia e ciência. Como resultado, os grupos teosóficos permitem que seus membros mantenham outras lealdades religiosas, resultando em teosofistas que também se identificam como cristãos, budistas ou hindus.

Estudiosos de religião que estudaram Teosofia a caracterizaram como uma religião. Em sua história do movimento teosófico, Bruce F. Campbell observou que a Teosofia promovia "uma visão de mundo religiosa" usando "termos explicitamente religiosos" e que seus princípios centrais não são fatos inequívocos, mas sim confiam na crença. Olav Hammer e Mikael Rothstein a chamaram de "uma das tradições religiosas mais importantes do mundo moderno". Vários estudiosos apontaram para sua natureza eclética; Joscelyn Godwin a descreveu como um "movimento religioso universalmente eclético", enquanto o estudioso J. Jeffrey Franklin caracterizou a Teosofia como uma "religião híbrida" por sua combinação sincrética de elementos de várias outras fontes. Mais especificamente, a Teosofia foi categorizada como um novo movimento religioso.

Os estudiosos também classificaram a Teosofia como uma forma de esoterismo ocidental. Campbell, por exemplo, referiu-se a ela como "uma tradição religiosa esotérica", enquanto a historiadora Joy Dixon a chamou de "religião esotérica". Mais especificamente, é considerada uma forma de ocultismo. Junto com outros grupos como a Ordem Hermética da Aurora Dourada, a Sociedade Teosófica tem sido vista como parte de um "renascimento oculto" que ocorreu nos países ocidentais durante o final do século XIX. O historiador da religião Wouter Hanegraaff observou que a Teosofia ajudou a estabelecer os "fundamentos essenciais para grande parte do esoterismo do século XX". Embora a Teosofia se baseie nas crenças religiosas indianas, o sociólogo da religião Christopher Partridge observou que "a Teosofia é fundamentalmente ocidental. Ou seja, a Teosofia não é um pensamento oriental no Ocidente, mas um pensamento ocidental com um sabor oriental."

Conceitos básicos miniaturadaimagem|Emblema da Sociedade Teosófica, sincretizando diversos símbolos antigos e conceitos básicos da Teosofia, como os ciclos cósmicos, a eternidade da vida, e a polaridade Espírito-Matéria Embora os escritos de teosofistas proeminentes apresentem um conjunto de ensinamentos, a própria Sociedade Teosófica afirma que não tem crenças oficiais com as quais todos os membros devem concordar. Portanto, tem doutrina, mas não a apresenta como dogma. A Sociedade afirmou que o único princípio ao qual todos os membros deveriam aderir era o compromisso de "formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor". Isso significa que havia membros da Sociedade Teosófica que eram céticos sobre muitas, ou mesmo todas, as doutrinas teosóficas, enquanto permaneciam simpatizantes de seu objetivo básico de fraternidade universal.

Como observado por Santucci, a Teosofia é "derivada principalmente dos escritos" de Blavatsky, no entanto, revisões e inovações também foram produzidas por teosofistas subsequentes como Annie Besant e Charles Leadbeater. Blavatsky afirmou que essas doutrinas teosóficas não eram sua própria invenção, mas tinham sido recebidas de uma irmandade de adeptos espirituais secretos a quem ela se referia como os "Mestres" ou "Mahatmas".

Para os teosofistas, este corpus de conhecimento, a Sabedoria de Deus, com a ética a esse associada, é tão antigo quanto o mundo, e a rigor é o único conhecimento que vale a pena ser adquirido. Sua realidade e importância são relembradas às pessoas periodicamente, sob diversas denominações e formalizações, adequadas ao espírito de cada época, local e povo para quem é apresentado, e é o tronco vivo e eterno de onde brotam as flores do ensinamento original todas as grandes religiões do mundo, do passado e do presente. Segundo um dos inspiradores do movimento teosófico contemporâneo, o Kut Humi, a quem Blavatsky dizia seguir, "a Teosofia não é uma nova candidata à atenção do mundo, mas é apenas uma declaração nova de princípios que têm sido reconhecidos desde a infância da humanidade".K.H. The Mahatma Letters to A. P. Sinnett - Letter 8, de 20 de fevereiro de 1881. Theosophical University Press Edition