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O serviço Intercidades refere-se a uma família de comboios de passageiros de longa distância em Portugal, gerida pela CP - Comboios de Portugal, E.P.E.. Pertence aos serviços de CP Longo Curso.https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/fusao-da-cp-e-emef-resulta-em-duas-direcoes-diferentes-o-que-muda-nos-comboios-11703870.html

História Década de 1980: formação

Na década de 1980, a concorrência feita pelos autocarros expressos ao comboio começava a ser cada vez mais forte em Portugal e a CP (a companhia ferroviária estatal) verificou que existia um segmento de mercado ao qual a companhia não oferecia ligações, um segmento composto por passageiros com necessidades de deslocação intermédias entre as aquelas que os serviços Alfa e Inter-Regional ofereciam. A CP considerava que a solução passava pela criação de um serviço ferroviário rápido, mas que simultaneamente abrangesse uma grande parte do território português, ligando Lisboa a capitais de distrito e a outras cidades com importância regional, em comboios com níveis de conforto semelhantes ou iguais aos existentes nos Alfa.

O serviço Intercidades foi implementado pelos Caminhos de Ferro Portugueses em Maio de 1988, de forma a alargar os serviços de passageiros de maior qualidade e velocidade, que antes se limitavam às ligações entre Lisboa e o Porto, ao resto do país. Este primeiro serviço Intercidades ligava Lisboa a Braga, passando por Coimbra e Porto. Inicialmente, existiam duas ligações por diárias em cada sentido; os comboios Intercidades consistiam numa locomotiva (elétrica entre Lisboa e Porto e diesel daí até Braga) que rebocava várias carruagens Corail (as mesmas que eram usados nos comboios Alfa); estas eram carruagens climatizadas, com assentos confortáveis e um amplo bar e com uma interior inspirado nas carruagens francesas. Ainda em 1988, começaram a funcionar cinco outros serviços Intercidades: os Intercidades da Beira Alta (Lisboa–Guarda), Beira Baixa (Lisboa–Covilhã), Algarve (Barreiro–Faro–Vila Real de Santo António, com ligação a Lagos), Oeste (Lisboa–Leiria e, posteriormente prolongado à Figueira da Foz) e Douro (Porto–Régua). Uma vez que a CP tinha falta de carruagens Corail, nos Intercidades da Beira Alta, Beira Baixa e Algarve eram usadas carruagens Sorefame; os Intercidades do Oeste e do Douro eram assegurados por automotoras triplas diesel da série 0600. Todos os serviços com origem em Lisboa partiam da Estação de Santa Apolónia, com excepção do serviço do Algarve, que partia da Estação do Barreiro e, do serviço do Oeste, que partia da Estação do Rossio. O serviço do Douro, partia da Estação de São Bento, no Porto.

Em 1989 é criado o serviço de Intercidades do Alentejo (Barreiro–Évora/Beja). Na estação de Casa Branca, onde a linha bifurcava, as carruagens com destino a Évora eram separadas do resto da composição e seguiam até Évora. Em Beja, o Intercidades fazia ligação com o Regional para Moura, ligação essa que foi extinta em 1 de Janeiro de 1990, com o encerramento do Ramal de Moura. Ainda em 1989, é criado o Intercidades Porto–Viana do Castelo e mais um Intercidades na Linha do Norte: o Intercidades Lisboa–Aveiro. À semelhança dos Intercidades do Oeste e do Douro, o Intercidades Porto–Viana era assegurado por automotoras da série 0600.

Década de 1990 Em 1990, os serviços Intercidades na Linha da Beira Alta eram rebocados por locomotivas da Série 1550.

Em 1991, a CP decidiu prolongar os Intercidades do Oeste de Leiria até à Figueira da Foz. O material circulante também foi alterado: o Intercidades deixou de ser realizado por uma automotora da série 0600 e passou a ser assegurado por uma composição composta por uma locomotiva a diesel, uma carruagem Carel et Fouché (bar e 1.ª classe) e duas a três carruagens Sorefame (2.ª classe). Também nesse ano, o Intercidades Lisboa–Aveiro foi prolongado até ao Porto. Assim, o eixo Lisboa–Porto passou a ser servido por quatro comboios diários em cada sentido.

Em 1992, o Intercidades Porto–Viana do Castelo foi encurtado, passando a ligar apenas Nine a Viana do Castelo. Na estação ferroviária de Nine (local onde a linha férrea proveniente do Porto bifurca para Braga e Viana do Castelo), este serviço tinha ligação com o Intercidades Lisboa–Braga. O Intercidades Nine–Viana do Castelo acabaria por ser suprimido dois anos depois.

Em 1993, entraram ao serviço Intercidades novas carruagens, criadas a partir das antigas carruagens construídas pela empresa Sociedades Reunidas de Fabricações Metálicas; em Setembro desse ano, já se encontravam em serviço nos comboios Intercidades entre Lisboa e a Guarda, tendo-se, nessa altura, previsto que também iriam assegurar estes serviços, entre a capital portuguesa e a Covilhã, e entre o Barreiro e Vila Real de Santo António. Com esta renovação, as carruagens Sorefame passaram a ser carruagens climatizadas, tal como já eram as Corail. A renovação das carruagens Sorefame custou PTE 5 000 000.

O primeiro corte nos serviços Intercidades da CP ocorreu em 1994, seis anos depois da criação deste serviço. Com efeito, a companhia suprimiu os Intercidades de ligação Nine–Viana do Castelo e o trajeto do Intercidades do Algarve (Barreiro–Faro–Vila Real de Santo António) foi encurtado para Barreiro–Faro. Até 1994, os Intercidades do Algarve levavam carruagens que, saindo do Barreiro, eram separadas do resto da composição em Tunes e daí seguiam para Lagos. Estas carruagens diretas também foram suprimidas.

Em meados da década de 1990, a Linha da Beira Alta sofreu profundas obras de modernização e eletrificação. Até 1996, os Intercidades Lisboa–Guarda eram rebocados por uma locomotiva elétrica entre Lisboa e a Pampilhosa (a estação onde se encontram a Linha do Norte e da Beira Alta); na Pampilhosa, a locomotiva elétrica era trocada por uma a diesel que rebocava o Intercidades até à Guarda. Em Maio de 1996 entrou ao serviço a eletrificação no troço entre Pampilhosa e Mangualde, pelo que a troca de locomotivas se começou a realizar nesta última gare. Finalmente, em Fevereiro de 1997 foi inaugurada a eletrificação entre Mangualde e a Guarda, pelo que os Intercidades da Beira Alta passaram a ser realizados por locomotivas elétricas em todo o seu percurso.

Em 1997, os Intercidades da CP ligavam Lisboa e Porto a cerca de 60 vilas e cidades do país e transportaram 1 933 129 passageiros, dos quais 47% no eixo Lisboa–Porto–Braga. Nesse ano e nesse eixo, a CP obteve receitas de PTE 1 511 516 000, correspondente a 52% do total de receitas do serviço Intercidades. Os Intercidades da Beira Alta, Beira Baixa e Algarve tinham uma ocupação e produziam valores de receitas similares entre si. Por outro lado, os Intercidades do Douro, Oeste e Alentejo, em conjunto, transportavam 8% do total de passageiros dos serviços Intercidades. Tendo em conta que estes três últimos serviços eram realizados através de automotoras ou carruagens não-climatizadas, a CP decidiu rebaixá-los para a categoria de Inter-Regionais; deste modo, o conceito de serviço Intercidades podia ser homogeneizado (seria sempre realizado em carruagens climatizadas).

Assim, em Maio de 1998, os Intercidades do Douro (Porto–Régua), Oeste (Lisboa–Figueira da Foz) e Alentejo (Barreiro–Évora/Beja) passaram a ser considerados Inter-Regionais, mantendo exatamente os mesmos horários e material circulante; por outro lado, os preços foram reduzidos. Também nesse mês, a 18 de Maio, foi inaugurada em Lisboa a Gare do Oriente; esta estação era servida de origem por todos os serviços ferroviários da CP (incluindo o Intercidades) e gradualmente começa a assumir-se como a estação central de Lisboa. Nesse ano, o Intercidades do Oeste deixa de partir da gare do Rossio e passa a partir da Estação do Oriente.

Entre 1999 e 2000 os serviços Alfa (que ligavam Lisboa ao Porto em composições com locomotiva elétrica e carruagens Corail) foram substituídos pelo novo serviço Alfa Pendular, realizado através de modernas automotoras múltiplas elétricas da série 4000, com tecnologia pendular. Devido a isso, as carruagens Corail que estavam afetas ao serviço Alfa puderam ser usadas para comboios Intercidades. Com efeito, os Intercidades da Beira Alta (Lisboa–Guarda) passaram a ser realizados com carruagens Corail (em vez de carruagens Sorefame renovadas). Simultaneamente, a CP reativou o Intercidades do Alentejo (agora entre Barreiro e Beja), que passou a ser realizado em composições com locomotiva diesel e carruagens Sorefame renovadas.

Década de 2000 Em 2000, o número de Intercidades diários no eixo Lisboa–Porto foi reduzido de quatro para dois por sentido; os Intercidades suprimidos foram substituídos por comboios Alfa Pendular com as mesmas paragens, horários e preços. Contudo, logo no ano seguinte, são criados dois novos Intercidades entre Lisboa e Porto, com mais paragens. Em 2001, a CP criou mais um serviço Intercidades por sentido no eixo da Beira Alta.

Em Abril de 2002, a CP anunciou que ia reintroduzir, aos fins-de-semana, os Intercidades nos eixos do Oeste e do Douro. No caso do Oeste, os Intercidades apenas iriam ligar Lisboa a Leiria, em vez de Lisboa à Figueira da Foz (como sucedia entre 1991 e 2002); a CP ia criar duas circulações: uma entre Lisboa-Oriente e Leiria ao final de sexta-feira, e outra entre Leiria e Lisboa-Oriente ao final de domingo. Os Intercidades do Douro iriam ligar Lisboa, Porto e Régua: as carruagens com destino à Régua iriam acopladas à composição do Intercidades Lisboa–Porto–Braga até ao Porto. Na estação de Porto-Campanhã, estas carruagens seriam separadas das carruagens com destino a Braga e ser-lhes-ia acoplada uma locomotiva a diesel para fazer a viagem, através da Linha do Douro, até à Régua. Tal como os Intercidades do Oeste, a CP ia criar dois serviços: um entre Lisboa-Santa Apolónia e Régua ao final de sexta-feira, e outro em sentido contrário no final de domingo. Os novos Intercidades do Douro e do Oeste seriam realizados através de carruagens Corail, que até 1999 só eram usadas nos comboios Alfa e nos Intercidades Lisboa–Porto–Braga. Originalmente, os Intercidades do Oeste e do Douro estavam agendados para começar em 16 de Junho de 2002 mas, no caso do Oeste, os serviços acabaram por não se iniciar nessa data. O jornal Público noticiou que a CP se tinha confrontado com dificuldades técnicas relacionadas com o furgão-gerador que iria alimentar o ar condicionado das carruagens Corail e em Agosto, a CP admitiu que a REFER (a empresa estatal que geria as infraestruturas ferroviárias) tinha imposto restrições à circulação desse furgão, pois ele interferia com a sinalização de algumas linhas eletrificadas. Os problemas técnicos acabaram por ser resolvidos e o Intercidades Lisboa–Leiria entrou ao serviço em 15 de Dezembro de 2002. Em Julho de 2003, a CP declarou que a ocupação dos Intercidades semanais do Oeste estava a crescer e que se justificava manter o serviço em operação; nos primeiros 6 meses de funcionamento, os comboios registaram uma ocupação média de 39% com um máximo de 65%. Contudo, os Intercidades do Oeste e do Douro acabariam por ser suprimidos em 2005.