The Hobbit, or There and Back Again (publicado em Portugal como O Gnomo ou O Hobbit e, no Brasil, como O Hobbit ou Lá e de Volta Outra Vez ou simplesmente O Hobbit) é um livro infantojuvenil de alta fantasia escrito pelo filólogo e professor britânico J. R. R. Tolkien. Publicado originalmente em 21 de setembro de 1937, foi aclamado pela crítica, sendo nomeado à Medalha Carnegie e recebendo um prêmio do jornal norte-americano New York Herald Tribune de melhor ficção juvenil. O romance se mantém popular com o passar dos anos e é reconhecido como um clássico da literatura infantil, tendo vendido mais de 190 milhões de cópias.

Situado em um tempo "Entre o Alvorecer das Fadas e o Domínio dos Homens", o livro segue a busca do hobbit caseiro Bilbo Bolseiro para conquistar uma parte do tesouro guardado pelo dragão Smaug. A jornada de Bilbo o leva de um ambiente rural alegre a um território mais sinistro. A história é contada na forma de uma busca episódica, e a maioria dos capítulos apresenta uma criatura específica, ou um tipo de criatura, das "Terras Ermas" de Tolkien. Ao aceitar o lado desonroso, romântico, feérico e aventureiro de sua natureza e aplicar sua inteligência e senso comum, Bilbo ganha um novo nível de competência, maturidade e sabedoria. A história atinge o seu clímax na Batalha dos Cinco Exércitos, onde muitos dos personagens e criaturas dos capítulos anteriores reemergem para se envolver no conflito.

O crescimento pessoal e as diferentes formas de heroísmo são os temas centrais da história. Juntamente das causas que levam a uma guerra, esses temas levaram os críticos a citar as próprias experiências pessoais de Tolkien durante a Primeira Guerra Mundial como instrumentos na formação da história. O conhecimento acadêmico do autor sobre literatura anglo-saxônica e seu interesse em contos de fadas também são indicados como influências.

Encorajada pelo sucesso crítico e financeiro do livro, a editora pediu uma continuação. Como o trabalho de Tolkien em seu sucessor O Senhor dos Anéis estava evoluindo, o escritor fez algumas acomodações retrospectivas para ele em O Hobbit. Essas poucas porém significativas mudanças foram integradas à segunda edição. Seguiram-se outras edições com alterações menores, incluindo aquelas que refletem um conceito variável de Tolkien do mundo de Bilbo. A obra nunca esteve fora de catálogo, e seu legado permanente abrange muitas adaptações para teatro, cinema, rádio, jogos de tabuleiro e video games. Várias dessas adaptações têm recebido reconhecimento da crítica por seus próprios méritos.

Personagens Bilbo Bolseiro, o protagonista, é um hobbit respeitável, avesso a perigos e tudo o mais que interfira na vida mansa e farta de um hobbit que se preza. Muitas vezes durante a aventura, em especial nos momentos mais perigosos, Bilbo lamenta o conforto e a boa comida que deixou para trás. Essa natureza pacífica e levemente indolente fazem com que, até conseguir o anel mágico que o torna invisível, Bilbo seja tanto um peso quanto uma ajuda na busca dos anões, colocando seus companheiros em apuros para imediatamente tirá-los com a astúcia e a percepção dos detalhes também típicas dos hobbits. Gandalf é o feiticeiro andarilho que introduz Bilbo à companhia de treze anões cuja missão é narrada pelo livro. Durante a jornada, o feiticeiro desaparece em missões secundárias vagamente inusitadas, reaparecendo somente em momentos-chave da história. Thorin Escudo de Carvalho, o orgulhoso e pomposo chefe do grupo de anões e herdeiro do destruído reino sob a Montanha Solitária, comete muitos erros em sua liderança, tendo sempre Gandalf e Bilbo para tirá-lo dos perigos; contudo, ele sempre se mostra um guerreiro honrado e preocupado com seu povo. Smaug é um dragão que há muito tempo saqueou Erebor, o reino criado por Thror, pai de Thrain e avô de Thorin, e que desde então dorme sobre o vasto tesouro amealhado pelos anões.

A trama envolve uma série de outros personagens de importância variável, tais como: os doze outros anões da companhia; elfos tanto endiabrados quanto sérios; mulheres; trolls comedores de gente; gigantes de pedra; goblins que habitam as cavernas nas Montanhas Sombrias; aranhas gigantes que vivem em Mirkwood e são capazes de falar; águias imensas que fazem seus ninhos nas escarpas e também falam; lobos malignos, ou "wargs", que são aliados dos orcs; Elrond, o sábio; Gollum, uma estranha criatura que habita um lago subterrâneo; Beorn, um homem que pode assumir a forma de um urso; e Bard, um arqueiro triste, mas honrado que vive na Cidade do Lago.

Enredo Gandalf envolve Bilbo em uma festa para Thorin e seu grupo de anões, que cantam sobre recuperar a Montanha Solitária e seu vasto tesouro do dragão Smaug. Quando a música termina, Gandalf revela um mapa que mostra uma porta secreta na montanha e propõe que um estupefato Bilbo sirva como "ladrão" da expedição. Os anões ridicularizam tal ideia, mas o hobbit, indignado, junta-se a eles mesmo sem querer.

O grupo viaja rumo às terras selvagens, onde Bilbo e Gandalf salvam a companhia de um grupo de trolls. Este último os leva à Rivendell, onde Elrond revela os segredos do mapa que Thorin possui para a entrada secreta de Erebor. Passando por cima das Montanhas Sombrias, eles são capturados por goblins e conduzidos ao subterrâneo profundo. Embora Gandalf consiga resgatá-los, Bilbo acaba separado dos demais no momento da fuga. Perdido nos túneis dos goblins, ele se depara com um misterioso anel e, em seguida, encontra Gollum, que o envolve em um jogo de charadas. Como recompensa por resolver todos os enigmas propostos, Gollum lhe mostraria o caminho para fora dos túneis; mas, se Bilbo não conseguir decifrá-los, sua vida se perderá. Com a ajuda do anel — que lhe confere invisibilidade —, Bilbo escapa e reencontra os anões, melhorando sua reputação junto a eles. Os orcs e os wargs ainda os perseguem, mas o grupo é salvo por águias antes de descansar na casa de Beorn.

A companhia entra na floresta negra de Mirkwood sem Gandalf. Lá, Bilbo primeiro salva os anões de aranhas gigantes e, em seguida, das masmorras dos Elfos da Floresta. Aproximando-se da Montanha Solitária, os viajantes são bem-recebidos pelos habitantes humanos da Cidade do Lago, que esperam que os anões venham a cumprir as profecias sobre o fim de Smaug. A expedição vai até a Montanha Solitária e encontra a porta secreta; Bilbo observa o covil do dragão, roubando um copo grande e aprendendo sobre uma fraqueza na armadura de Smaug. O enfurecido dragão, deduzindo que a Cidade do Lago seja aliada do intruso, prepara-se para destruir aquele local. Um nobre tordo que ouviu o relato de Bilbo sobre a vulnerabilidade de Smaug reporta a informação a Bard, que mata o monstro.

Quando os anões tomam posse da montanha, Bilbo encontra a Pedra Arken, uma herança da dinastia de Thorin, e a rouba. Os Elfos da Floresta e os homens do lago cercam a montanha e exigem recompensas por sua ajuda, indenizações pela destruição da Cidade do Lago e a liquidação de antigos direitos sobre o tesouro. Thorin se recusa e, depois de ter convocado seus parentes das Montanhas de Ferro, reforça sua posição. Bilbo entrega a Pedra Arken aos homens, de forma que eles tenham algo de valor para negociarem com Thorin e evitarem uma guerra. Contudo, o anão é intransigente; ao saber do fato, ele expulsa o hobbit, e a batalha parece inevitável.

Gandalf reaparece para advertir a todos sobre um exército de orcs e wargs que se aproxima. Os anões, homens e elfos se unem, mas apenas com a chegada oportuna das águias e de Beorn alcançam a vitória no clímax da Batalha dos Cinco Exércitos. Thorin é ferido mortalmente e reconcilia-se com Bilbo antes de falecer. Bilbo aceita apenas uma pequena parcela de sua respectiva parte do tesouro, sem querer ou mesmo precisar de mais; de qualquer forma, ele ainda retorna para casa como um hobbit muito rico.

Conceito e criação Antecedentes No início dos anos 1930, Tolkien buscava uma carreira acadêmica na Universidade de Oxford como Professor titular da cátedra Rawlinson e Bosworth de anglo-saxão, com uma associação à Pembroke College. Ele teve dois poemas publicados em pequenas coleções: Goblin FeetOxford Poetry (1915) Blackwells e The Cat and the Fiddle: A Nursery Rhyme Undone and its Scandalous Secret Unlocked,Yorkshire Poetry, Leeds, vol. 2, no. 19, Outubro–Novembro de 1923 uma reformulação da canção de ninar Hey Diddle Diddle.

Seus esforços criativos neste momento também incluíram uma coleção de cartas intituladas The Father Christmas Letters para os seus filhos — manuscritos ilustrados que contaram com gnomos e duendes guerreando, e um atencioso urso polar — juntamente com a criação de idiomas élficos e uma mitologia, que tinha vindo a desenvolver desde 1917. Todas essas obras foram publicadas postumamente.

Em uma carta que enviou ao escritor norte-americano W. H. Auden em 1955, Tolkien recorda que começou a trabalhar em O Hobbit na década de 1930, quando ele estava marcando papéis de Certificados Escolares. Ele encontrou uma página em branco. Subitamente inspirado, escreveu as palavras: "Num buraco no chão vivia um hobbit". Ao final de 1932 ele havia terminado a história e depois emprestou o manuscrito para vários amigos, incluindo o escritor C.S. Lewis e uma estudante sua chamada Elaine Griffiths. Em 1936, quando Griffiths foi visitada em Oxford por Susan Dagnall, que era membro da equipe da editora George Allen & Unwin, é tanto relatado que ela tenha emprestado o livro a Dagnall quanto que ela tenha sugerido que Dagnall o pegasse emprestado de Tolkien. Em todo caso, Dagnall ficou impressionada com ele, e mostrou o livro para Stanley Unwin, que então pediu ao seu filho Rayner, de dez anos de idade, para analisá-lo. Os comentários favoráveis de Rayner resultaram na decisão da Allen & Unwin de publicar o livro de Tolkien.

Publicação

A editora britânica George Allen & Unwin Ltd., sediada em Londres, publicou a primeira edição de O Hobbit em 21 de setembro de 1937 com uma tiragem de 1 500 exemplares — que se esgotou em dezembro por causa de críticas entusiastas e da ampla divulgação boca-a-boca por parte dos leitores Esta primeira impressão foi ilustrada em preto e branco pelo próprio Tolkien, que desenhou a sobrecapa também. Na época, a editora americana Houghton Mifflin, sediada tanto em Boston como em Nova York, redefiniu o tipo para uma edição americana, a ser lançada no início de 1938, em que quatro das ilustrações seriam gravuras coloridas. Allen & Unwin decidiu incorporar as ilustrações coloridas em sua segunda edição, lançada no final de 1937.

Apesar da popularidade do livro, o racionamento de papel provocado pelas condições da Guerra não terminou até 1949, e isto significou que a obra esteve muitas vezes indisponível para compra durante este período. Edições posteriores em inglês foram publicadas em 1951, 1966, 1978 e 1995. O romance foi reeditado com frequência por muitos editores.

Revisões Em dezembro de 1937, o editor de O Hobbit Stanley Unwin pediu a Tolkien uma sequência para a obra. Em resposta, Tolkien forneceu-lhe os rascunhos de O Silmarillion, mas os editores os rejeitaram, acreditando que o público queria "mais sobre hobbits". Tolkien posteriormente começou a trabalhar em The New Hobbit, que viria a ser O Senhor dos Anéis, um caminho que não só mudou o contexto da história original, mas que levou a mudanças substanciais para a personagem Gollum.

Na primeira edição de O Hobbit, Gollum voluntariamente aposta seu anel mágico sobre o resultado do jogo do enigma, e ele e Bilbo trataram-se amigavelmente. Na segunda edição, para refletir o novo conceito do Anel e sua habilidade de corromper, Tolkien fez Gollum mais agressivo em relação a Bilbo e perturbado com a perda do Anel. O encontro termina com a maldição de Gollum: "Ladrão! Ladrão, Bolseiro! Nós odeia ele, nós odeia ele, nós odeia ele para sempre!". Isto pressageia a descrição de Gollum em O Senhor dos Anéis.