Alphaville é um bairro nobre planejado, localizado nos municípios de Barueri e Santana de Parnaíba, localizados na Região Metropolitana de São Paulo, no estado de São Paulo, Brasil. Idealizado pelos engenheiros Yojiro Takaoka e Renato de Albuquerque, sócios da empresa Albuquerque Takaoka, Alphaville é considerado a primeira tentativa de criação artificial de um bairro de grandes proporções no Brasil, sendo formado por uma série de condomínios fechados de alto padrão, conhecidos como Residenciais, além de um centro industrial e empresarial.

História

O projeto Alphaville teve início em 1973, com a aquisição de um terreno de aproximadamente 500 hectares da antiga Fazenda Tamboré, pertencente aos herdeiros Almeida Prado. O nome "Alphaville" foi inspirado no filme homônimo do cineasta francês Jean-Luc Godard, lançado em 1965, o que inicialmente gerou resistência devido à sonoridade e à associação direta com a obra cinematográfica.A implantação do bairro enfrentou desafios como a regularização de reservas indígenas, a negociação com cerca de 105 posseiros e dúvidas sobre a vocação do local, se seria destinado a casas de campo ou moradia permanente. miniaturadaimagem|Alphaville Industrial O projeto original previa um centro empresarial em torno da sede brasileira da HP, voltado a indústrias não-poluentes. A HP foi a primeira empresa a instalar-se no local, em 1975, seguida por outras como Sadia, Du Pont e Confab. A necessidade de moradia para executivos dessas empresas motivou o lançamento do primeiro núcleo residencial, o Alphaville Residencial 1, ainda em 1975.Com o tempo, percebeu-se que a venda de lotes residenciais era mais rentável do que a empresarial, levando à expansão dos residenciais numerados. O bairro passou a ser conhecido como Alphaville Centro Comercial, Industrial e Empresarial.

No início da década de 1980, era possível adquirir terrenos pelo preço de um carro, mas a valorização imobiliária acelerou rapidamente, tornando essa comparação obsoleta já em 1986. O bairro adotou regras rígidas de construção: proibição de casas pré-fabricadas, limite de 22 casas por quadra e recuo obrigatório de quatro metros para jardins. A Associação de Moradores assumiu papel semelhante ao do poder público, sendo responsável pela liberação do Habite-se.

Na década de 1990, Alphaville, juntamente com Tamboré, tentou emancipar-se, criando um novo município com a junção dos dois bairros, mas o processo não obteve êxito e foi arquivado. miniaturadaimagem|Alphaville vista noturna da área mais verticalizada. A expansão dos loteamentos seguiu a numeração dos residenciais, do Alphaville Residencial 0 até o Residencial 12, com a ausência do número 7 por superstição do mercado imobiliário. O processo de verticalização teve início em 1980, com a construção do edifício Mirage, acompanhando a demanda crescente por imóveis.O Residencial 0 localiza-se na entrada do bairro, enquanto os demais foram lançados progressivamente, acompanhando a expansão urbana e a demanda imobiliária. O último residencial lançado no século XX foi o Alphaville 12.

O desenvolvimento imobiliário recente impulsionou o surgimento de áreas adjacentes, como Tamboré, bairro nobre com condomínios residenciais e centros empresariais, e Bethaville, bairro planejado próximo ao centro político de Barueri e ao Rodoanel Mário Covas.

Abriga atualmente mais de 65 mil habitantes residentes e recebe diariamente cerca de 180 mil pessoas, entre trabalhadores e visitantes.

Comércio, cultura e serviços miniaturadaimagem|Centro comercial de Alphaville. O centro comercial Alphaville reúne cerca de 1.200 negócios, incluindo mais de 180 restaurantes, lojas, bancos, clínicas e academias. Os principais shoppings são o Iguatemi Alphaville e o Shopping Tamboré, além de Alpha Shopping, Shopping Flamingo e Alpha Square Mall. O bairro oferece diversas opções de lazer, como o Parque Ecológico de Barueri, com um milhão de metros quadrados, o Parque Municipal Dom José, o Parque da Juventude e o Alphaville Tênis Clube, além de academias, clubes e áreas verdes.

Alphaville destaca-se como polo cultural e gastronômico, abrigando o Centro de Apoio ao Artesão, o Cine-Teatro Coronel Raimundo, a Escola Castanheiras (voltada à cultura brasileira) e o Museu Parnaibano de Música Bendito Antonio Pedroso. O bairro conta com mais de 180 restaurantes, além de bares, cafés e casas de culinária internacional.Conta com 26 instituições de ensino, incluindo escolas internacionais como a Escola Internacional de Alphaville e a St. Nicholas School, além de colégios tradicionais e universidades como FGV, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Universidade Nove de Julho e Universidade Paulista.

A região dispõe de hospitais privados de referência, como o Hospital São Luiz Alphaville, inaugurado em 2024, com 212 leitos e centro de alta complexidade, o Hospital Israelita Albert Einstein Alphaville e o Hospital Nove de Julho Alphaville, além de unidades públicas de saúde em Barueri e Santana de Parnaíba.

Características arquitetônicas, imobiliárias e críticas miniaturadaimagem|Vista de um dos residenciais. Alphaville é conhecido por sua arquitetura moderna e sofisticada, com destaque para o uso de linhas retas, grandes aberturas envidraçadas e integração com a natureza. As casas frequentemente seguem o estilo minimalista, com fachadas geométricas e acabamentos de alto padrão, como mármore, madeira certificada e estruturas metálicas. A sustentabilidade também é uma prioridade, com o uso de painéis solares, sistemas de reuso de água e ventilação cruzada.

As casas, muitas vezes apelidadas de "casas quadradas", seguem um estilo minimalista, com linhas retas, grandes janelas de vidro e fachadas geométricas. Esse estilo, embora amplamente admirado por sua sofisticação, também é alvo de críticas por sua aparente falta de diversidade arquitetônica e pela padronização excessiva.

O valor do metro quadrado em Alphaville é um dos mais altos da região metropolitana de São Paulo, variando entre R$ 8.000 e R$ 12.000, dependendo da localização e do padrão do imóvel. Entre as propriedades mais famosas estão mansões localizadas no Alphaville Residencial 1 e no Alphaville Residencial 2 e o Tamboré 1, que frequentemente aparecem em revistas de arquitetura e design. centro|miniaturadaimagem|650x650px|Vista aérea panorâmica de Alphaville e Tamboré em Santana de Parnaíba.

Bibliografia REIS, Nestor Goulart. Notas sobre urbanização dispersa e novas formas de tecido urbano. São Paulo: Via das Artes, 2006 Ferreira, Luiz.''Alphaville: urbanismo e sociedade. São Paulo: Editora Projeto, 2021. Souza, Maria. Alphaville: do campo à urbanização planejada. São Paulo: Folha de S.Paulo, 2022.

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