O Triássico (ou Triásico) é um período geológico que se estende entre há 251,9 milhões a 201,4 milhões de anos. É o primeiro período da era Mesozoica e fica entre o Permiano e Jurássico. O início e o fim do período são marcados por eventos de extinção em massa. O Triássico foi nomeado em 1834 por Friedrich Von Alberti após as três camadas de rochas distintas ("tri" significa "três") que são encontradas em toda a Alemanha e noroeste da Europa (Terra vermelha, tampado por giz, seguido por folhelhos pretos) chamadas Trias.
O Triássico começou com a extinção do Permiano-Triássico, que deixou a biosfera da Terra pobre; levaria muito tempo para a vida recuperar sua diversidade anterior (cerca de 10 milhões de anos). Terapsídeos e arcossauros eram os principais vertebrados terrestres durante este tempo. Um subgrupo especializado de arcossauros, os dinossauros, apareceram pela primeira vez no Triássico, mas não se tornou dominante até o Jurássico.Lecture 10 - Triassic: Newark, Chinle Os primeiros verdadeiros mamíferos também evoluíram durante este período, bem como os primeiros vertebrados voadores, os pterossauros.
O vasto supercontinente Pangeia existiu até o Triássico, começando, gradualmente, a fissura que o separaria em duas massas de terra: a Laurásia, ao norte e Gondwana, ao sul. O clima global durante o Triássico era mais quente e seco, com desertos abrangendo grande parte do interior de Pangeia, porém, o clima mudou e se tornou mais úmido com a sua separação. O final do período foi marcado por outra grande extinção em massa, acabando com muitos grupos e permitindo que os dinossauros assumissem o domínio no Jurássico.
Em Portugal, o Triássico é sobretudo conhecido pela formação geológica Grés de Silves, com Metoposaurus e fitossauros.Brusatte, S. L., Butler R. J., Mateus O., & Steyer S. J. (2015). A new species of Metoposaurus from the Late Triassic of Portugal and comments on the systematics and biogeography of metoposaurid temnospondyls. Journal of Vertebrate Paleontology, e912988., 2015
Datação e subdivisões
O Triássico é normalmente separado em Inferior, Médio e Superior, com rochas e faunas correspondentes que são: Triássico Superior (TR3) Reciano (203,6 ± 1,5 – 199,6 ± 0,6 Milhões de anos) Noriano (216,5 ± 2,0 – 203,6 ± 1,5 Milhões de anos) Carniano (228,0 ± 2,0 – 216,5 ± 2,0 Milhões de anos)Triássico Médio (TR2) Ladiniano (237,0 ± 2,0 – 228,0 ± 2,0 Milhões de anos) Anisiano (245,0 ± 1,5 – 237,0 ± 2,0 Milhões de anos) Triássico Inferior (Scythian) Olenekiano (249,7 ± 0,7 – 245,0 ± 1,5 Milhões de anos) Indiano (251,0 ± 0,4 – 249,7 ± 0,7 Milhões de anos)
Paleogeografia esquerda|thumb|250px|Reconstrução da terra na época Triássica Inferior. Durante o Triássico, quase toda a massa de terra do planeta foi concentrada em um único supercontinente centrado mais ou menos na linha do equador, chamado Pangeia ("todas as terras"). Ao leste de Pangeia estava o mar de Tétis. Ali existia o oceano PaleoTétis, que existiu durante a era Paleozoica. As margens restantes foram cercadas pelo imenso oceano conhecido como Pantalassa ("todo o mar"). Todos os sedimentos do fundo do mar estabelecidas durante o Triássico desapareceram através de subducção das placas oceânicas, assim, muito pouco se sabe sobre o oceano aberto do Triássico. O supercontinente Pangeia foi rifteado durante o Triássico, especialmente no final do período, quando ainda não havia começado a separação. Os sedimentos não marinhos das primeiras fendas que marcaram a primeira ruptura de Pangeia, que separou Nova Jérsia de Marrocos, são da idade Triássico Superior. Nos EUA, estes sedimentos grossos compõem o grupo Newark. Devido ao litoral limitado do supercontinente, depósitos marinhos do Triássico são relativamente raros, apesar de sua proeminência na Europa Ocidental, onde o Triássico foi estudado. Na América do Norte, depósitos marinhos são limitados a algumas exposições no oeste. Assim, a estratigrafia do Triássico se baseia principalmente em organismos que viveram em lagoas e ambientes hipersalinos, como os crustáceos Estheria.
África No início da era Mesozoica, a África se juntou a outros continentes da Terra, formando a Pangeia. A África compartilhava uma fauna relativamente uniforme em todo o supercontinente, que foi dominado por terópodes, prossaurópodes e ornitísquios primitivos até o final do período Triássico. Fósseis do Triássico Superior são encontrados em toda a África, mas é mais comum no sul do que ao norte. O advento que separa o Triássico do Jurássico e o impacto global da extinção, embora haja estratos africanos deste período não foi minuciosamente estudado.Jacobs, Louis, L. (1997). "African Dinosaurs." Encyclopedia of Dinosaurs. Edited by Phillip J. Currie and Kevin Padian. Academic Press. p. 2-4.
América do Sul No Rio Grande do Sul, Brasil, foi encontrado o estauricossauro, um dos primeiros dinossauros do planeta. Também foram encontrados os primeiros mamíferos verdadeiros: Brasilitherium e Brasilodon. A região possui vários sítios paleontológicos, que pertencem às camadas geológicas Formação Santa Maria e Formação Caturrita.
Clima Tomamos por base a Austrália de hoje como exemplo do que ocorria na Pangeia: observe que é um grande continente cercado por um oceano O clima nas bordas da Austrália é mais razoável do que seu interior (região central), onde um imenso deserto existe. A brisa oceânica consegue amenizar as temperaturas na borda da Austrália, mas o efeito desta brisa diminui indo para o interior desta, e de forma semelhante, era isso o que ocorria na Pangeia.
No Triássico, o clima era muito mais quente e seco do que atualmente. A temperatura média do planeta era quase o dobro da atual. Isso favorecia o aparecimento de formações de arenito e evaporito. Perto de cada um dos polos, não há nenhuma evidência de glaciação. O clima nesta região era ameno, favorecendo a proliferação de florestas. Aparentemente, as regiões polares tinham um clima (h)úmido e temperado, ideal para os répteis. Se formos procurar onde eram os polos daquela época, encontraremos evaporitos e paleodunas. Na região do Canadá existem grandes quantidades de carvão.
Vida thumb|175px|esquerda|Flora do Triassico descrito na Meyers Konversations-Lexikon (1885-90)
Flora Durante os períodos Permiano e Triássico, os registros de âmbar são escassos.Martinez-Delclòs, X.; Briggs, D.E.G. & Peñalver, E. 2004. Taphonomy of insects in carbonates and amber. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 203: 19-64. A partir do Triássico, pteridospermas são gradualmente substituídas por formas mais evoluídas de gimnospermas – as coníferas.
Houve a expansão da vegetação de gimnospermas, espécies arborescentes com flores, semente e estróbilos menos elaborados, portanto, dispersas pelo vento (as mais conhecidas são os pinheiros, ciprestes e cicas). Em terra, os resquícios de vegetação que encontramos no Triássico são de Licófitas, que viveram do Devoniano ao Triássico, atingindo cerca de 30 a 40 metros de altura. Os herbívoros tinham uma série de pedras no estômago, os gastrólitos, para ajudar a digerir a celulose. Nas florestas, prosperavam samambaias, ginkgos e coníferas. Estas últimas vão dominar boa parte do mesozoico, pois eram melhor adaptadas à intensa variação de temperatura.
Fauna Marinha thumb|Triássico Médio sequência do litoral marinho,Utah Surge uma nova radiação em ambientes marinhos. Novos tipos de corais, os hexacorais (Hexacorallia), surgem no Triássico inferior, formando, de maneira modesta, pequenas manchas de recifes, em comparação com sistemas de recifes de coral atuais ou anteriores, como no Devoniano.
As amonites, um tipo de molusco marinho, escaparam por pouco da extinção total. A fauna dos peixes que povoam mares e rios atualmente estão na mesma linha evolutiva dos peixes do Triássico que não foram extintos. Exemplo: dipnoicos.
Neste período, surge a família Pteriidae, moluscos bivalves que possuem a capacidade de produzir pérolas.
Nos oceanos, os principais predadores são os répteis.
Fauna Terrestre A extinção do Permiano-Triássico devastou a vida terrestre. A biodiversidade se recuperou lentamente e a complexa diversidade levou 30 milhões de anos para se restabelecer.
Os anfíbios Temnospondyli estão entre os grupos que sobreviveram à extinção do Permiano-Triássico; algumas linhagens (por exemplo, trematossauros) tiveram uma vida breve no Triássico Inferior, enquanto outros (por exemplo, capitossauros) mantiveram-se bem sucedidos durante todo o período. Outros, apenas ganharam destaque no final do Triássico (plagiossauros, um exemplo de metopossauros). Os primeiros anfíbios Lissanfíbios, caracterizados pelas rãs, são conhecidos desde o Triássico inferior, mas o grupo só se tornou comum no Jurássico, quando os temnospondylis se tornaram muito raros.
Répteis Archosauromorphas, progressivamente substituíram os sinapsídeos que dominavam no Permiano, embora o Cynognathus fosse o principal predador do Triássico Inferior (Olenekiano e Anisiano) em Gondwana. Os dicinodontes Kannemeyeriidae e os cinodontes gomphodontes permaneceram como importantes herbívoros durante grande parte do período. Até o final do Triássico, os sinapsídeos tiveram um papel pequeno. Durante o Carniano, os cinodontes tiveram alguns avanços que deram origem aos primeiros mamíferos (Brasilitherium e Brasilodon). O Ornithodira, que até então era um grupo pequeno e insignificante, evoluiu para os pterossauros e uma variedade dos dinossauros. O Crurotarsi foi um outro clado de dinossauros importantes que, no final do Triássico, alcançou grande diversidade, junto com vários outros grupos, incluindo os phytossauros, aetossauros, várias linhagens distintas de Rauisuchia e os primeiros crocodilos (o Sphenosuchia). Os atarracados rincossauros herbívoros e os pequenos e médios Prolacertiformes (insetívoros ou piscívoros) foram importantes grupos basais Archosauromorphas durante a maior parte do Triássico.
Entre outros répteis, as primeiras tartarugas, como Proganochelys e Proterochersis, apareceram durante o Noriano. Os Lepidosauromorphas, especificamente o Sphenodontia, foi o primeiro registro fóssil ocorrido no Carniano. Os Procolophonidae foi um importante grupo de pequenos lagartos herbívoros.
Os Arcossauros inicialmente eram raros em relação aos terapsídeos que haviam dominado os ecossistemas terrestres no Permiano, mas isso mudou no Triássico. Esta mudança pode ter contribuído para a evolução dos mamíferos, forçando os terapsídeos sucessores a mudarem sua forma mammaliaformes para viver como pequenos insetívoros noturnos. A vida noturna, provavelmente, forçou os pequenos mammaliaformes a desenvolverem pele e maior taxa metabólica.
Carvão miniaturadaimagem|Floresta de Pinus radiata na zona oeste de Sydney, Austrália. No início do Triássico, é perceptível pelos geólogos a ausência de carvão em todo o mundo. Isto é conhecido como a lacuna do carvão e pode ser consequência do evento de extinção do Permiano-Triássico. A queda brusca no nível do mar em todo o Permo-Triássico pode ser a explicação para a lacuna do carvão. No entanto, as teorias ainda são especulativas a respeito do porquê de o carvão estar ausente. Durante o período anterior, no Permiano, as condições desérticas e áridas contribuíram para a evaporação e inundação de muitos dos mares interiores; podem ter sido responsáveis pela queda no nível do mar. Essa hipótese é devido à descoberta de grandes bacias de sal no sudoeste dos Estados Unidos e uma bacia muito grande no centro do Canadá.Dott, R.H. and Batten, R.L. (1971) Evolution of the Earth, 4th ed. McGraw Hill, NY.