() foi imperador romano entre 193 e 194 durante o ano dos cinco imperadores. Ele tomou o trono imperial depois do assassinato de Pertinax e da ascensão de Dídio Juliano, mas acabou derrotado por um outro pretendente, Sétimo Severo, e morto quando tentava fugir de Antioquia.
Etimologia O nome "Níger" significa "negro", um cognome que coincidentemente contrastava com o de um de seus rivais em 194, Clódio Albino, cujo cognome Albino (Albinus) significa "branco"Southern, pg. 28. De acordo com a pouco confiável História Augusta, ele recebeu-o por que seu pescoço era negroHistória Augusta, Vida de Pescennius Niger, 6:6.
Início da carreira Embora Níger tenha nascido numa tradicional família equestre italiana entre 135 e 140Potter, pg. 101; Meckler, Pescennius Niger, Dião Cássio, 75:6:1, ele foi o primeiro membro da família a alcançar a função de senadorPotter, pg. 101. Não se sabe muito sobre os primeiros anos de sua carreira; é possível que ele tenha exercido uma função administrativa na província do Egito e servido numa campanha militar na Dácia bem no início do reinado de CômodoMeckler, Pescennius Niger. No final da década de 180, ele foi eleito cônsul sufecto depois que Cômodo nomeou-o legado imperial da Síria em 191Meckler, Pescennius Niger; Southern, pg. 28.
Ele ainda estava servindo lá quando as notícias do assassinato de Pertinax chegaram, seguidas imediatamente pela vergonhoso leilão do título imperial pela guarda pretoriana que acabou na ascensão de Dídio JulianoBowman, pg. 2; Meckler, Pescennius Niger. Níger era uma personalidade pública com boa reputação em Roma e logo uma revolta popular contra Dídio Juliano irrompeu na qual os romanos chamaram Níger para reivindicar o título para siMeckler, Pescennius Niger; Potter, pg. 101; Bowman, pg. 2. Por causa disso, acredita-se que Juliano tenha enviado um centurião ao oriente com ordens de matá-lo ainda em AntioquiaPotter, pg. 99.
O resultado da revolta em Roma foi a proclamação de Níger como imperador pelas legiões do oriente no final de abril de 193Southern, pg. 28; Bowman, pg. 2. Ao ascender, Níger incorporou o cognome Justo (Justus). Apesar de a propaganda oficial de Sétimo Severo ter depois alegado que Níger teria se revoltado contra DídioPotter, pg. 99, foi o próprio Severo que se rebelou primeiro, reivindicando o título em 9 de abril. Níger havia despachado mensageiros para Roma com a missão de anunciar sua elevação ao trono, mas eles foram todos interceptados por agentes de Severo e enquanto Níger arregimentava aliados nas províncias orientais, Severo marchou para Roma, onde chegou no início de junho de 193, pouco depois da morte de Dídio JulianoBowman, pg. 4; Meckler, Pescennius Niger.
Sétimo Severo e Níger thumb|esquerda|150px|Sétimo Severo.Busto no Museus Capitolinos em Roma. Severo imediatamente começou a consolidar-se no trono e ordenou a seu prefeito recém-eleito, Caio Fúlvio Plauciano, que capturasse os filhos de Níger e os mantivesse como refénsPotter, pg. 103. Enquanto isso, Níger também estava ocupado garantindo o apoio de todos os governadores das províncias orientais, inclusive o poderoso procônsul da Ásia, Asélio Emiliano, que invadiu e ocupou Bizâncio em nome de NígerSouthern, pg. 32; Meckler, Pescennius Niger. Níger marchou em seguida para o Egito enquanto Severo tentava o possível para proteger o vital suprimento de cereais que vinha da província ordenando que as tropas que ainda lhe eram leais que vigiassem a fronteira ocidental da província e que evitassem que a legião estacionada no Egito, a II Traiana Fortis, se juntasse a NígerSouthern, pg. 32.
Embora seu território fosse muito rico, os recursos militares à disposição de Níger eram inferiores aos de Severo: enquanto este tinha dezesseis legiões danubianas, Níger tinha apenas seis, três na Síria, duas na Arábia Pétrea e uma em MelitenePotter, pg. 103. Por conta disso, Níger decidiu tomar a iniciativa e enviou uma força para a Trácia, onde parte do exército de Severo, liderada por Lúcio Fábio Cilão, foi derrotada em PerintoPotter, pg. 104.
Severo então marchou para o oriente, enviando seu general, Tibério Cláudio Cândido à frenteBowman, pg. 4. Níger, cuja capital agora era Bizâncio, deu a Asélio Emiliano a missão de defender a margem sul do Mar de MármaraBowman, pg. 4. Durante a marcha, Severo ofereceu a Níger a oportunidade de se render e partir para o exílio, mas ele recusou confiante no resultado do confronto militarMeckler, Pescennius Niger. No outono de 193, Cândido enfrentou Emiliano na Batalha de Cízico e as forças de Níger além de terem sido derrotadas, perderam seu generalBowman, pg. 4; Potter, pg. 104; Southern, pg. 33. Bizâncio foi cercada e Níger acabou tendo que recuar para NiceiaBowman, pg. 4. A cidade continuou fiel a Níger e Severo só conseguiu tomá-la no final de 195Southern, pg. 33.
No final de dezembro de 193, Níger foi novamente derrotado na Batalha de Niceia. Ainda assim, ele conseguiu recuar com o grosso de suas forças para os Montes Tauro, que defenderam os passos por alguns meses enquanto Níger voltava para AntioquiaMeckler, Pescennius Niger; Bowman, pg. 4; Potter, pg. 104. Porém, o problema para Níger agora era o declínio de seu apoio no oriente. Algumas cidades desertaram, principalmente Laodiceia e TiroSouthern, pg. 33. Em 13 de fevereiro de 194, o Egito se declarou a favor de Severo, seguido pelo legado da Arábia, o que praticamente acabou com as chances de sucesso de NígerBowman, pg. 4; Potter, pg. 104.
Depois de Severo ter substituído Cândido por Cornélio Anulino, Níger enfrentou-o na Batalha de Isso em maio de 194, onde, depois de uma longa e difícil batalha, foi finalmente derrotadoSouthern, pg. 33; Potter, pg. 104; Bowman, pg. 4. Forçado a recuar para Antioquia, Níger foi capturado quando tentava fugir para a PártiaMeckler, Pescennius Niger; Southern, pg. 33. Ele foi decapitado e sua cabeça foi levada para Bizâncio, que ainda assim não se rendeu. Severo finalmente tomou e arrasou completamente a cidade, ordenando que ela fosse reconstruída em seguidaSouthern, pg. 33. A cabeça de Níger depois foi para Roma para ser exibida ao povo romanoPotter, pg. 104.
Depois de sua vitória no oriente, Severo puniu todos os que haviam se aliado a NígerPotter, pg. 106. Ele também ordenou que sua mulher e filhos fossem executados e suas posses, confiscadasHistória Augusta, Vida de Pescennius Niger, 6:1.
Ver também
Bibliografia 222px|direita|thumb|Denário de Pescênio Níger com a inscrição IMPERATOR CAESAR GAIVS PESCENNIVS NIGER IVSTVS AVGVSTVS CONSVL II. Fontes primárias
Dião Cássio, História romana livros 74 & 75 Herodiano, História Romana, livros 2 & 3 História Augusta, Vida de Pescennius Niger
Fontes secundárias
Southern, Pat. The Roman Empire from Severus to Constantine, Routledge, 2001 Potter, David Stone, The Roman Empire at Bay, AD 180-395, Routledge, 2004 Bowman, Alan K., The Cambridge Ancient History: The Crisis of Empire, A.D. 193-337, Cambridge University Press, 2005 http://www.roman-emperors.org/pniger.htm Meckler, Michael L, "Pescennius Niger (193-194 A.D.)", De Imperatoribus Romanis] (1998)
Ligações externas
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