A Apollo 7 foi um voo espacial tripulado norte-americano e a primeira missão tripulada do Programa Apollo. O voo marcou volta de humanos ao espaço pelo programa espacial dos Estados Unidos depois do incêndio da Apollo 1 em janeiro de 1967. A tripulação era formada por Walter Schirra, Donn Eisele e Walter Cunningham, com os três tendo sido inicialmente designados para a segunda missão do programa e depois como reservas da Apollo 1. Voos espaciais foram suspensos depois do incêndio enquanto as investigações ocorriam e melhorias eram implementadas na espaçonave e nos procedimentos de segurança, com testes não-tripulados tendo ocorrido. Os três astronautas passaram meses em treinamento e também longos períodos monitorando a construção de seu Módulo de Comando e Serviço com o objetivo de impedir um acidente similar ao incêndio.
Schirra, Eisele e Cunningham foram lançados ao espaço em 11 de outubro de 1968 da Estação da Força Aérea de Cabo Kennedy, na Flórida, por um foguete Saturno IB, com a missão ao todo tendo durado pouco menos de onze dias. Os três realizaram vários testes no Módulo de Comando e Serviço e também a primeira transmissão televisiva de uma espaçonave norte-americana na história. Houve grande tensão e conflito entre os astronautas e o Controle da Missão em terra, porém a missão foi um sucesso e ela amerrissou em segurança no Oceano Atlântico em 22 de outubro. Nenhum dos tripulantes retornou ao espaço de novo, parcialmente devido a esses conflitos. Mesmo assim, a Apollo 7 foi um grande passo para o objetivo final da alunissagem tripulada antes do fim da década e deu confiança para a NASA enviar a Apollo 8 até a órbita lunar apenas dois meses depois.
Antecedentes Os Estados Unidos estavam no meio da Guerra Fria, uma disputa geopolítica com a União Soviética, no final da década de 1950 e início da de 1960. Os soviéticos lançaram em outubro de 1957 o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da história. Isto causou temores ao redor do mundo, pois demonstrou que a União Soviética era capaz de lançar armas nucleares a distâncias intercontinentais, ao mesmo tempo que desafiava a reivindicação de superioridade militar, econômica e tecnológica dos Estados Unidos. Isto precipitou a Crise do Sputnik e iniciou a Corrida Espacial, levando à criação da NASA em 1958.
O presidente norte-americano John F. Kennedy acreditava que era do interesse nacional dos Estados Unidos ser superior a outras nações, além de que a percepção do poderio norte-americano era pelo menos tão importante quanto a realidade. Dessa forma era intolerável que a União Soviética fosse mais avançada no campo da exploração espacial. Ele determinou que os Estados Unidos deveriam competir, procurando um desafio que maximizasse suas chances de vitória. Ele escolheu tal projeto depois de consultar-se com especialistas e conselheiros: pousar um homem na Lua. A NASA trabalhou para alcançar esse objetivo incrementalmente, enviando astronautas para o espaço primeiro no Projeto Mercury e depois no Projeto Gemini, que antecederam o Programa Apollo.
A primeira missão tripulada da Programa Apollo seria a Apollo 1, composta pelos astronautas Gus Grissom, Edward White e Roger Chaffee. Entretanto, os três foram mortos em 27 de janeiro de 1967 quando um incêndio começou dentro da cabine da espaçonave enquanto realizavam testes pré-lançamento. Seguiu-se uma revisão completa da segurança do Programa Apollo. A Apollo 7 tornou-se a nova primeira missão tripulada sob novo cronograma e foi decidido que ela usaria um Módulo de Comando e Serviço do Bloco II, projetado para as missões lunares, diferentemente do Bloco I, projetado apenas para missões em órbita terrestre, que teria sido usado na Apollo 1. A espaçonave e os trajes espaciais foram amplamente redesenhados com o objetivo de reduzir a chance de uma repetição do acidente que matou Grissom, White e Chaffee. A Apollo 7 testaria os sistemas de suporte de vida, propulsão, orientação e controles no decorrer de onze dias, mais curta do que os catorze dias programados para a Apollo 1.
Tripulação Principal Posição Astronauta Comandante Walter M. Schirra Jr. Piloto do Módulo de Comando Donn F. Eisele Piloto do Módulo Lunar R. Walter Cunningham O Comandante da Apollo 7 era Walter Schirra, formando da Academia Naval dos Estados Unidos em 1945 e um dos astronautas do Grupo 1 da NASA. Ele anteriormente tinha voado ao espaço em 1962 na Mercury-Atlas 8, a quinta missão tripulada do Projeto Mercury, e depois em 1965 na Gemini VI-A. Ele tinha 45 anos na época da Apollo 7. O Piloto do Módulo de Comando era Donn Eisele, então com 38 anos, que tinha se formado na Academia Naval em 1952 com um bacharelato em aeronáutica e escolhido servir junto com a Força Aérea. O Piloto do Módulo Lunar era Walter Cunningham, então com 36 anos, que tinha entrado na Marinha em 1951 e iniciado treinamentos de voo no ano seguinte, tendo servido como piloto de caça de 1953 a 1956 e depois como civil na reserva do Corpo de Fuzileiros Navais. Ele tinha conquistado um bacharelato e mestrado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles em 1960 e 1961. Tanto Eisele quanto Cunningham tinham sido escolhidos astronautas no Grupo 3 de 1963.
Eisele estava originalmente designado para uma posição na tripulação da Apollo 1 junto com Grissom e White, porém ele sofreu uma lesão no ombro que precisou de cirurgia apenas alguns dias antes do anúncio oficial das tripulações, em 25 de março de 1966. Chaffee recebeu a posição e Eisele foi colocado na tripulação de Schirra.
Schirra, Eisele e Cunningham foram nomeados como uma tripulação em 29 de setembro de 1966. Eles deveriam voar um segundo teste orbital do Módulo de Comando e Serviço. Cunningham ficou feliz por ter sido designado para uma tripulação principal sem antes ter servido como reserva, porém ficou incomodado pelo fato de que a Apollo 2 seria desnecessária caso a Apollo 1 fosse bem-sucedida. Ele depois descobriu que Donald Slayton, o Diretor de Operações de Tripulações de Voo e outro astronauta do Grupo 1 que tinha sido proibido de voar por motivos médicos, estava planejando, com o apoio de Schirra, comandar a missão caso conseguisse uma liberação médica. Isto não ocorreu e Schirra permaneceu no comando, com a Apollo 2 sendo cancelada em novembro e Schirra, Eisele e Cunningham sendo designados como reservas da Apollo 1.
Reserva Posição Astronauta Comandante Thomas P. Stafford Piloto do Módulo de Comando John W. Young Piloto do Módulo Lunar Eugene A. Cernan
A tripulação reserva era formada por Thomas Stafford, John Young e Eugene Cernan como, respectivamente, Comandante, Piloto do Módulo de Comando e Piloto do Módulo Lunar. Pela rotação normal de tripulações, ela se tornaria depois a principal da Apollo 10 e realizaria seu voo espacial em maio de 1969.
Suporte Uma terceira tripulação de astronautas foi adicionada para o Programa Apollo, conhecida como tripulação de suporte. Slayton a criou porque James McDivitt, comandante da Apollo 9, acreditava que reuniões que necessitariam da presença de um membro da tripulação seriam perdidas, devido às preparações que ocorreriam em instalações por todo os Estados Unidos. Os membros da tripulação de suporte, assim, deveriam ajudar de acordo com as ordens do comandante da missão. Eles geralmente tinham um nível hierárquico mais baixo, e suas funções consistiam em manter o plano de voo, listas de checagens e regras da missão, e também em garantir que as tripulações principal e reserva fossem notificadas das mudanças. Também desenvolviam procedimentos que deveriam estar prontos quando as tripulações principal e reserva fossem treinar em simuladores.
A tripulação de suporte da Apollo 7 era inicialmente formada por Ronald Evans, John Swigert e Edward Givens, porém este último morreu em junho de 1967 e foi substituído por William Pogue. Evans envolveu-se em testes de equipamentos no Centro Espacial John F. Kennedy, Swigert trabalhou nos aspectos operacionais da missão e Pogue passou seu tempo modificando procedimentos. A tripulação de suporte também preenchia funções quando as tripulações principal e reserva não estavam disponíveis.
thumb|240px|Duas das equipes de suporte de voo da Apollo 7 no Controle da Missão Controle da Missão O comunicador com a cápsula (CAPCOM) era um astronauta do Controle da Missão no Centro de Espaçonaves Tripuladas, em Houston no Texas, que era a única pessoa autorizada a se comunicar diretamente com a tripulação no espaço. Os CAPCOMs da Apollo 7 foram todos membros das tripulações reserva e de suporte: Evans, Pogue, Stafford, Swigert, Young e Cernan.
Também havia três diretores de voo, divididos em três equipes diferentes de controladores, cada uma trabalhando em turnos de, normalmente, aproximadamente oito horas cada. Seu trabalho no Programa Apollo era descrito em uma única frase: "O diretor de voo deve tomar quaisquer ações necessárias para a segurança da tripulação e o sucesso da missão". Os diretores de voo da Apollo 7 foram Glynn Lunney da Equipe Ouro, Gene Kranz da Equipe Branca e Gerry Griffin da Equipe Ouro.
Emblema thumb|esquerda|220px|Um medalhão comemorativo que voou a bordo da Apollo 7 O emblema da Apollo 7 mostra um Módulo de Comando e Serviço com seu motor do Sistema de Propulsão de Serviço acionado, com o rastro do motor dando a volta ao redor da Terra, que mostra o continente Americano. Esse rastro do motor se estende até as extremidades do planeta para simbolizar a natureza orbital terrestre da missão. O número da missão foi grafado no Oceano Pacífico em algarismos romanos como "VII", enquanto os nomes dos três astronautas aparecem em um arco ao redor da parte inferior do planeta. O emblema da Apollo 7 foi desenhado Allen Stevens, um desenhista gráfico da Rockwell International.
Stevens tinha desenhado o emblema da Apollo 1 e foi convocado de volta pelos astronautas para criar o emblema da Apollo 7. Schirra, Eisele e Cunningham originalmente queriam enfatizar o sacrifício da Apollo 1 e a recuperação do programa espacial dos Estados Unidos, assim eles acabaram escolhendo imagens com uma fênix. Entretanto, como o emblema deveria receber a aprovação da NASA, os astronautas acharam que simbologia da fênix seria considerada de mau gosto e abandonaram o conceito. Cunningham então pediu para Stevens se concentrar em um círculo para a Terra e uma elipse para uma órbita, com diferentes versões sendo criadas e apresentadas até uma ser escolhida pelos astronautas, que foi aprovada pelos oficiais da NASA.
Preparações Slayton, após a Apollo 1, pediu para que Schirra, Eisele e Cunningham voassem na primeira missão tripulada depois da pausa. Segundo Cunningham, Schirra originalmente tinha pouco interesse em um terceiro voo espacial, entretanto, voar a primeira missão depois do incêndio mudou seu pensamento, "Wally Schirra estava sendo retratado como o homem escolhido para resgatar o programa espacial tripulado. E isso era uma tarefa digna do interesse de Wally". Eisele comentou que "nós sabíamos, vindo dos calcanhares do incêndio, que o destino e futuro de todo o programa espacial tripulado, sem falar de nossas próprias peles, dependiam do sucesso ou fracasso da Apollo 7".