Arganil é uma vila portuguesa do distrito de Coimbra, na província da Beira Litoral, região do Centro (Região das Beiras) e sub-região Região de Coimbra, com cerca de habitantes.
É sede do Município de Arganil que tem de área e habitantes (2011), subdividido em 14 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. O município é limitado a norte pelos municípios de Penacova, Tábua e Oliveira do Hospital, a nordeste por Seia, a leste pela Covilhã, a sul por Pampilhosa da Serra, por Góis e pela Lousã (numa escassa centena de metros) e a oeste por Vila Nova de Poiares.
Arganil fica situada num bonito vale junto a dois ribeiros do mesmo nome, que desaguam no Alva, acima do Sarzedo, onde tem uma ponte de pedra, feita em 1850. Dista 60 quilómetros a este de Coimbra e 240 ao norte de Lisboa. A vila é uma das mais importantes do Distrito de Coimbra e consta, pela tradição, à falta de outras indicações mais seguras, que foi fundada pelos Romanos, no ano de 150 D.C., os quais lhe deram o nome de Argos, e floresceu no período da dominação. Esta notícia, apesar de muito vaga, parece confirmar-se pelo aparecimento de várias moedas de ouro e prata, quando há dois séculos se procedeu a escavações para diversas obras.Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Memórias Paroquiais 1722/1832,Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4, 72 Arganil 1758/1758-m0236 Todavia, sustentam alguns escritores que seja a cidade Aussasia dos primeiros Lusitanos, fundada 550 anos A.C., mas esta versão é pouco autorizada. Durante o Império Romano foi Argos uma cidade muito florescente. No ano 716 os Árabes a invadiram e arruinaram, reedificando-a depois, mas não tornou a atingir a sua antiga prosperidade.
Pertence ao bispado e distrito administrativo de Coimbra. Arganilense é o nome atribuído aos habitantes de Arganil e tem como feriado municipal o 7 de Setembro, festa de Nossa Senhora do Mont'Alto. O seu santo padroeiro é São Gens.
Etimologia Arganil significa pequeno campo “Arganil é palavra portuguesa antiga, diminutivo de Arga, significa pequeno campo, campinho. Arga é corrupção de agra, campina, do latim agro, campo.”
História Alguns autores mencionam que Arganil foi fundada pelos romanos, e outros citam os lusitanos. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira encontramos “A tradição diz ter sido Arganil cidade romana que se teria chamado Argos, querendo alguns autores que fosse a Aussasia dos antigos lusitanos. Que a vila existia no começo da monarquia lusitana é facto averiguado, pois no ano de 1160 da era de César foi ela doada à Sé de Coimbra pela rainha D. Tereza, mãe de D. Afonso Henriques existindo já no seu termo o Mosteiro de S. Pedro de Folques.” Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa: Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [19-]. Vol.III. P. 186-187
Entretanto, o primeiro documento conhecido que se refere a Arganil, o da doação feita pela Rainha D. Teresa, Mãe de D. Afonso Henriques, da Vila à Sé de Coimbra, prova a sua existência anterior à Monarquia Portuguesa. Apesar, porém, desta doação, nunca chegou a entrar na posse dela, ou porque tornasse ao poder dos árabes, ou porque a doadora mudasse de parecer.
Carta de Povoamento e Foral - “No que concerne a Arganil, em 25 de Dezembro de 1114, o bispo D. GonçaloBispo de Coimbra - D. Gonçalo Pais (1109 - †1127) outorgou uma carta de povoamento aos habitantes desta povoação.”BARROS, Patrícia Cláudia Nascimento de Sousa – Uma visão de Arganil através dos seus forais. Arganil: Câmara Municipal, 1998. P. 29A.N.T.T. - Cabido da Sé de Coimbra 0906/1646, Livro Preto da Sé de Coimbra,m0514 -Folha255 e verso- A.N.T.T. - Cabido da Sé de Coimbra 0906/1646, Livro Preto da Sé de Coimbra,m0581 índice Aos 1 de Janeiro de 1175, Pedro Uzbertiz outorga uma carta de foro a Arganil, assinada no acervo do Arquivo Público.BARROS, Patrícia Cláudia Nascimento de Sousa – Uma visão de Arganil através dos seus forais. Arganil: Câmara Municipal, 1998. p. 22 Aos 18 de Dezembro de 1273 nas Cortes de Santarém e por Carta domini regis super corrigimento corrigendo in regne, é eleito como corregedor de Arganil, Pedro Afonso de Arganil.
O certo é que em 1219 era Senhor da Vila, Afonso Pires de Arganil, o mesmo que trouxe as Relíquias dos Mártires de Marrocos para a Igreja de Santa Cruz, de Coimbra. Reinava D. Afonso IV (o Bravo), quando por transacção com D. Senhorinha neta de Afonso Pires, e os administradores da fazenda régia, Arganil entrou no número das vilas de senhorio da coroa, sendo dada pelo mesmo soberano, no ano de 1392, em dote a sua neta infanta D. Maria, filha de D. Pedro I e de sua primeira mulher, a Infanta D. Constança, quando aquela foi casar com D. Fernando de Aragão. Falecendo esta Princesa sem sucessão, reverteu outra vez para a corôa, e foi doada em 1423 por D. João I a Martim Vasques da Cunha, que a trocou à Sé de Coimbra pela vila de e couto de Belmonte e seu termo, e pelo couto de S. Romão, vindo por esta forma a tornar-se propriedade da mitra conimbricence.
Possui foral novo que lhe foi dado em Lisboa, por El-Rei D. Manuel, a 12 de Setembro de 1514.Digitarq - Arq. Dig. Torre do Tombo - Minutas para os Forais - Ref.PT/TT/CC/1/1/000002Digitarq - Arq. Dig. Torre do Tombo - Foral de Arganil 1514-09-12/1516-09-14 - Ref: PT/TT/FRS/08 As gentes de Pombeiro e Celavisa pagavam antigamente a Arganil certo fôro, mas se compravam aqui qualquer propriedade eram isentas de sisa. Aos Bispos de Coimbra competia pôr ali ouvidores, que conheciam das apelações de vinte e duas vilas, coutos do bispo-conde, que tinham também o direito de nomear o Juiz Ordinário, três Vereadores, um Procurador de Concelho, Escrivão de Camara, Juiz dos Órfãos, etc.
Em Arganil houve um Convento de Crúsios, fundado por D. Vermudo Paes e sua mulher D. Elvira Draiz, por doação de 13 de junho de 1086, e um século depois, estando muito arruinado, foram os frades mudados para o da Mata de Folques, Convento que D. Sancho I veio a contar em 1204.Testamento de Elvira Draiz - Arquivo Nacional Torre do Tombo ref:PT/TT/MSPF/M001/09 Aos priores deste mosteiro deu D. Afonso V, ao fazer condes de Arganil os bispos de Coimbra, o título de “Condes da vila de Alvares e senhores da vila de Fajão”.
O Convento conservou os Senhorios destas duas Vilas até 1834, tendo nelas jurisdições, pondo alcaides, recebendo Jugadas, etc., etc. Um dos privilégios que gozavam os Priores de Folques era o de receberem da Câmara de Alvares um tanto dinheiro para o jantar, todas as vezes que ali comparecessem. Este Convento (depois de tornado comendatário, sendo o último usufruidor, Luis Carneiro em tempo de D. Sebastião) foi incorporado em 1595 nos apanágios da Sé de Coimbra.
thumb|thumb|left|A aldeia de xisto de Piódão Bispos de Coimbra Os bispos de Coimbra possuíam na vila um bom palácio com uma capela de três naves, fundado no século XIV, por D. Fernando Rodrigues Redondo e sua mulher D. Senhorinha Afonso. Gozavam do título de Condes de Arganil os Bispos de Coimbra, por mercê d’El-Rei D. Afonso V, passada em 1472 a favor do Bispo D. João Galvão e de seus sucessores no bispado.
Uma época remota houve que as lides da guerra não repugnava a dignidade de sacerdote. Muitos prelados e outros eclesiásticos, movidos pelos nobres sentimentos da independência da pátria, juntavam ao carácter sacerdotal o de guerreiros intrépidos. Conserva-nos a história alevantados exemplos de muitos que, sobrepondo as vestes sacerdotais a armadura de cavaleiro, empunhando numa das mãos a cruz e na outra a lança, se arrojavam com audaciosa intrepidez no campo de batalhas, batendo-se pela fé e pela pátria. Briosa lição para os inimigos deste cobiçado Jardim da Europa e da nossa jovem República. Sucedia então com os eclesiásticos o mesmo que com as Igrejas. Quem atentar bem nos poucos edifícios religiosos que ainda nos restam da Idade Média, notará que o seu aspecto é meio guerreiro e meio eclesiástico, e que as paredes exteriores apresentam a forma de fortaleza, erguendo-se por entre as ameias a Cruz. Ao folhearmos as páginas da História Pátria, frequentes vezes se nos deparam brilhantes feitos de armas praticados por eclesiásticos nos campos da batalha. O arcebispo de Braga, D. Estêvão Soares da Silva, acompanhou D. Sancho II e prestou-lhe relevantes serviços nas suas conquistas e nos combates que este notável Monarca sustentou contra os mouros, e distinguiu-se principalmente na conquista de Elvas. No ano de 1336, invadindo os Castelhanos o norte de Portugal, ligam-se o arcebispo de Braga D. Gonçalo, o bispo do Porto e o mestre da ordem de Cristo, organizam corpos de tropas, saem ao encontro do inimigo, e com tanto esforço o combatem, que ele se vê forçado a fugir, com grande perda de gente e bagagem.Guerra entre Portugal e Castela-1336 a 1339 Na memorável batalha do Salado, no dia 28 de Outubro de 1340, obra prodígios de valor o arcebispo D. Gonçalo, combatendo ao lado d’El-Rei D. Afonso IV.
O arcebispo de Braga, D. Lourenço, em 1385 pelejou com o maior denodo na gloriosa batalha de Aljubarrota; e a tal ponto se expôs, penetrando nas hostes inimigas, que recebeu no rosto uma formidável cutilada, cuja cicatriz ainda hoje se divisa na sua múmia conservada na Sé de Braga. E refere a história que este valioso prelado se desafrontara em continente, prostrando a seus pés, sem vida, o castelhano que descarregara a cutilada.
No dia 28 de Agosto de 1437 aportou em Ceuta dirigindo-se á conquista de Tanger, uma armada em que ia o bispo de Évora, D. Alvaro d’Abreu, igualmente avesado a empunhar a lança, que tão bem escrevia nos seus pergaminhos teólogos com a pena de letrado, como a peito descoberto combatia com a espada nas batalhas. Na funestíssima batalha de Alcácer-Kibir, tomou parte e lá morreu, o bispo de Coimbra, D. Manuel de Meneses, que, com a lança, mostrou que ainda nas armas fez vantagem ás letras.
Da mesma forma heróica acabou Aires da Silva, bispo do Porto. Finalmente, deixando muitos outros exemplos, o bispo de Coimbra, D. João Galvão, acompanhou El-Rei D. Afonso V na jornada de África de 1471, e não só lhe prestou grandes auxílios de fazenda, como o ajudou pessoalmente na conquista de Arzila e Tânger; e nesta ocasião – para nos servirmos das próprias expressões do autor da “Évora Gloriosa” – o bispo se mostrou tão pontífice como soldado. Em paga de tais serviços, foi que El-Rei lhe deu, para ele e seus sucessores, o título de Conde de Arganil, título até ao dia de hoje usado pelos bispos desta diocese, que também já se assignaram, além daquele título, “Senhores de Côja e alcaides-móres de Avô”.
Os castelos de Côja e Arganil foram doados à Sé de Coimbra pela Rainha D. Teresa e Conde D. Henrique, como consta do Livro Preto. Pelos tempos adiante, não sabemos a que título passou Arganil a outro senhorio, mas posteriormente voltou para o poder do bispo e cabido de Coimbra, pois que, segundo se vê do “Elucidario”, de Viterbo, no ano de 1394 confirmou El-Rei D. João I a permutação que o bispo e o cabido haviam feito com Martim Vasques da Cunha, dando aqueles os lugares de Belmonte e couto de S. Romão, e este a vila de Arganil e seus termos. Acrescenta o mesmo autor, “que naqueles lugares tinham uns e outros meio e misto imperio, padroados e direitos de padroado, frutos e proveitos, rendas e outros direitos”.
A preeminência de conde, inerente á sua dignidade, tem obrigado os bispos de Coimbra a apresentarem-se em ocasiões solenes com o fausto e ostentação próprias de grandes senhores.
Frei Luís de Sousa Frei Luis de Sousa, enumerando os prelados portugueses que assistiram ao Concílio de Trento, diz do bispo de Coimbra: