Imperador romano entre os meses de julho e setembro de 253.
Vida e ascensão ao poder
Marco Emílio Emiliano (Marcus Aemilius Aemilianus) foi imperador romano por um breve período em 253. Originário da África, nasceu na ilha de Girba, na África Proconsular, por volta de 207. O autor do Epitome de Caesaribus o definia como "mouro",Epitome de Caesaribus, 31.2. enquanto Zonaras dizia que Emiliano era "líbio".João Zonaras, Extratos de História, 12.21.
Sua trajetória é desconhecida. Foi senador, ingressando no Senado romano depois de 230.Harl, Karl W. (2013). "Aemilian (Marcus Aemilius Aemilianus Augustus)" IN Roger S. Bagnal et alii, ed., The encyclopedia of ancient history, Malden, pg. 123 (Online edition). Foi casado com Cornélia Supera, cuja existência é conhecida somente por causa de moedas que foram batidas em nome dela durante o curto governo de Emiliano. Exerceu um consulado sufecto pouco antes de ser nomeado governador da Mésia em 251 ou 252 pelo imperador Treboniano Galo, que provavelmente também concedeu a Emiliano um comando militar supraprovincial sobre as duas Panônias. Como governador, o principal foco de Emiliano eram as áreas centrais da província da Mésia Inferior, onde sármatas e godos concentravam os seus ataques desde a época do imperador Filipe, o Árabe.
No verão de 253, os godos chefiados pelo rei Cniva invadiram a Mésia devido à recusa de Emiliano em pagar os tributos anuais que o imperador Treboniano Galo lhes havia prometido ainda em 251. Emiliano derrotou os godos e partiu para a contraofensiva, atravessando o rio Danúbio e invadindo o território inimigo num ataque-relâmpago.Grozdanova, op. cit., pgs. 124; 133/134.
Esta vitória restaurou o ânimo e a confiança das tropas imperiais que serviam na região, desmoralizadas que estavam após desastres militares sucessivos. Como consequência, os soldados decidiram proclamar seu comandante como imperador no começo de julho de 251. Era um processo comum naquela época, quando as legiões imperiais que atuavam na fronteira do Baixo Danúbio aclamavam os seus líderes como imperadores, como foram os casos de Pacaciano e Décio em 249 e do próprio Treboniano Galo em 251. Isso era o resultado de um processo de provincialização do poder imperial romano no século III, quando os imperadores já não eram mais escolhidos por causa de suas conexões políticas com a cidade de Roma e com a Itália, centro do Império Romano.
Ainda em julho de 253, Emiliano invadiu a Itália a fim de combater Treboniano Galo. Aproximadamente um mês depois, no começo de agosto daquele ano, Treboniano Galo e seu filho, o também imperador Volusiano, foram assassinados por seus próprios soldados, depois de terem sido derrotados pelas forças lideradas por Emiliano numa batalha próxima à cidade de Terni (Interamna Nahars). Diante disso, o Senado romano reconheceu Emiliano como imperador.Antiqueira, op. cit., pg. 27.
Política e governo Emiliano passou as poucas semanas em que governou envolvido com deslocamentos e campanhas militares na Itália Central. Parece provável que ele nem mesmo tenha conseguido visitar a cidade de Roma durante o período.Antiqueira, op. cit., pg. 27. No entanto, isso não impediu que o seu curto governo se caracterizasse por algumas inovações, em particular na cunhagem de moedas imperiais, o que se explica pelo contexto marcado por intensa mobilidade por parte dos imperadores romanos. Foi sob o governo de Emiliano que divindades como Diana e Hércules foram descritas pela primeira vez como “vitoriosas” em moedas imperiais romanas. Isso era reflexo do cenário de guerras civis e disputas pelo poder imperial naquele momento. Essas moedas projetavam uma imagem de Emiliano como governante que mantinha uma relação próxima com essas duas divindades, que ofereciam a ele a vitória no campo de batalha e, por extensão, paz e estabilidade para o Império Romano.Antiqueira, op. cit., pg. 32.
Morte Em setembro de 253, outro senador, Valeriano, foi aclamado imperador por seus próprios soldados na Récia, ao saberem do falecimento de Treboniano Galo e seu filho. Autores tardo-antigos como Zósimo afirmam que Treboniano Galo havia ordenado que Valeriano reunisse forças militares estacionadas na bacia do rio Reno e as conduzisse para a península itálica, para se somarem ao combate contra Emiliano e seus soldados.Zósimo, História Nova, 1.28.3. Mas essa informação não é consensual entre os estudiosos modernos. É provável que Valeriano, ciente da tomada do poder imperial por parte de Emiliano e das mortes de Treboniano Galo e Volusiano, tenha decidido por conta própria combater Emiliano a fim de tomar o poder imperial para si, conseguindo agregar os soldados romanos que serviam nas Gálias e nas Germânias para apoiá-lo em sua luta pelo poder.
Já na segunda quinzena de setembro de 253, cientes da superioridade das forças de Valeriano, os soldados de Emiliano resolveram assassiná-lo nos arredores da cidade de Espoleto, num estranho paralelo com o destino de seu antecessor. Isso reforça a ideia de que Emiliano jamais obteve uma base mais sólida de apoio político junto ao Senado e ao exército imperial, o que contribuiu para sua morte.Antiqueira, op. cit., pg. 27.
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