upright=1.4|thumb|A bandeira arco-íris é um símbolo do orgulho lésbico, gay, bissexual e transgênero (LGBT) e movimentos sociais LGBT em uso desde a década de 1970.

LGBT é uma sigla que significa Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgênero. Em uso desde a década de 1990, o termo é uma adaptação da sigla LGB, que começou a substituir o termo gay em referência à comunidade LGBT mais ampla a partir de meados da década de 1980, que aproximadamente a partir de 1988, ativistas começaram a usar o inicialismo LGBT nos Estados Unidos.

A sigla tornou-se popular como uma autodesignação, e esta, bem como algumas de suas variantes comuns, tendem a funcionar como um termo abrangente para minorias de orientação sexual e identidade de gênero, sendo adotado pela maioria dos centros comunitários sobre estas minorias e em meios de comunicação nos Estados Unidos, bem como alguns outros países anglófonos. O termo é usado também em alguns outros países, particularmente naqueles cujos idiomas usam acrônimos, tais como Argentina, Brasil, França e Turquia.

A sigla LGBT pode referir-se a qualquer pessoa não-heterossexual ou não-cisgênero, ou fora das normas de gênero pela sua orientação sexual, identidade ou expressão de gênero, ou características sexuais.Aragon, Angela Pattatuchi (2006). Challenging Lesbian Norms: Intersex, Transgender, Intersectional, and Queer Perspectives. Haworth Press. ISBN 1-56023-645-0.  Para reconhecer essa inclusão, várias variantes surgem, sendo uma das mais populares a LGBTQ, que adiciona a letra Q para as pessoas que se identificam como queer ou que estão em questionamento da sua orientação sexual ou identidade de gênero. Aqueles que adicionam pessoas intersexo a grupos ou organizações LGBT poderão usar variantes como LGBTI.William L. Maurice, Marjorie A. Bowman, Sexual medicine in primary care, Mosby Year Book, 1999, Algumas organizações também poderão usar variantes como LGBTIQ, LGBTQI ou LGBT+, sendo o "+" por vezes adicionado ao final para incluir qualquer outra minoria relacionada que não tenha sido representada pelas outras iniciais. Outras variantes menos comuns também existem, como LGBTQIA+ com o A significando pessoas assexuais, agênero ou arromânticas, ou ainda em uso controverso para pessoas aliadas. Outra sigla utilizada é a LGBTQIAPN+, na qual pessoas pansexuais e não binárias são incluídas pelo P e N. Siglas mais longas, como essa e algumas outras que acabam sendo duas vezes mais longas que LGBT, geraram críticas por sua extensão, e a implicação de que a sigla se refere a uma única comunidade também é controversa.

As pessoas podem ou não se identificar como LGBT+, dependendo das suas preocupações políticas ou se elas vivem em um ambiente discriminatório, bem como a situação dos direitos LGBT onde elas vivem.

Origens do termo

esquerda|miniaturadaimagem|O Stonewall Inn no bairro gay de Greenwich Village, Manhattan, local da rebelião de Stonewall em junho de 1969, o berço do movimento moderno pelos direitos LGBT e um ícone da cultura LGBT, é adornado com bandeiras arco-íris. O primeiro termo amplamente usado, homossexual, agora carrega conotações negativas nos Estados Unidos.Media Reference Guide (citing AP, Washington Post style guides), GLAAD. Retrieved 23 Dec 2019. Foi substituído por homófilo nas décadas de 1950 e 1960, e subsequentemente gay na década de 1970; o último termo foi adotado primeiro pela comunidade homossexual.

À medida que as mulheres lésbicas conseguiam mais espaço público, a frase "gays e lésbicas" tornou-se mais comum. Uma disputa sobre se o foco principal de seus objetivos políticos deveria ser o feminismo ou os direitos homossexuais levou à dissolução de algumas organizações lésbicas, incluindo as Daughters of Bilitis, que se desfez em 1970 após disputas sobre qual objetivo deveria ter precedência. Como a igualdade era uma prioridade para as mulheres feministas lésbicas, a disparidade de papéis entre homens e mulheres ou butch e femme era vista como patriarcal. As feministas lésbicas evitavam a reprodução de papeis de gênero típicos em casais heterossexuais que era generalizada em bares, bem como o chauvinismo percebido por homens gays; muitas mulheres lésbicas feministas se recusaram a trabalhar com homens gays ou a assumir as suas causas.Faderman, Lillian (1991). Odd Girls and Twilight Lovers: A History of Lesbian Life in Twentieth Century America, Penguin Books. , p. 210–211.

Mulheres lésbicas que mantinham a visão essencialista, de que haviam nascido homossexuais e usavam o descritor "lésbica" para definir atração sexual, muitas vezes consideravam as opiniões separatistas de lésbicas-feministas prejudiciais à causa dos direitos homossexuais.Faderman (1991), p. 217–218. Pessoas bissexuais e transgênero também buscaram reconhecimento como categorias legítimas dentro da comunidade minoritária maior.

Após a ação do grupo na rebelião de Stonewall de 1969 em Nova York, no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, alguns gays e lésbicas aceitaram menos pessoas bissexuais ou transgênero. Os críticos disseram que as pessoas transgênero estavam disseminando estereótipos e bissexuais eram simplesmente homens gays ou mulheres lésbicas que tinham medo de sair do armário e ser honesto sobre as suas identidades. Cada comunidade lutava para desenvolver as suas próprias identidade, incluindo se, e como, se alinhar com outras comunidades baseadas em minorias de orientação sexual ou identidade de gênero, às vezes excluindo outros subgrupos; esses conflitos continuam até hoje. Ativistas e artistas LGBT criaram cartazes para aumentar a consciência sobre o assunto desde o início do movimento.

Por volta de 1988, ativistas começaram a usar o inicialismo LGBT nos Estados Unidos.Research, policy and practice: Annual meeting, American Educational Research Association Verlag AERA, 1988. Durante a década de 1990, dentro do movimento, as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgênero tinham o mesmo respeito. Isso estimulou algumas organizações a adotarem novos nomes, como a GLBT Historical Society fez em 1999. Embora a comunidade LGBT tenha visto muita controvérsia em relação à aceitação universal de diferentes grupos de membros (indivíduos bissexuais e transgêneros, em particular, às vezes foram marginalizados pela comunidade LGBT em geral), o termo LGBT tem sido um símbolo positivo de inclusão.

Apesar do fato de que LGBT não abrange nominalmente todos os indivíduos em comunidades menores, o termo é geralmente aceito para incluir aqueles não especificamente identificados na inicial de quatro letras. De modo geral, o uso do termo LGBT tem, ao longo do tempo, ajudado em grande parte a trazer indivíduos de outra forma marginalizados para a comunidade em geral. A atriz transgênero Candis Cayne em 2009 descreveu a comunidade LGBT como "a última grande minoria", observando que "ainda podemos ser perseguidos abertamente" e ser "atacados pela televisão".

Em 2016, o Media Reference Guide da GLAAD afirma que LGBTQ é o inicialismo preferido nos países anglófonos, sendo mais inclusivo para membros mais jovens das comunidades que adotam queer como um autodescritor. No entanto, algumas pessoas consideram queer um termo depreciativo originado em discurso de ódio e o rejeitam, especialmente entre os membros mais velhos da comunidade.

Lusofonia thumb|Bandeira (oficiosa) da comunidade LGBT portuguesa

Portugal

Em Portugal, o termo usado pelas associações nos últimos anos têm sido LGBTI, outros termos como LGBTQ e o histórico LGBT também são utilizados em Portugal.

Brasil

miniaturadaimagem|Bandeira da comunidade LGBT brasileira O termo atual geralmente usado para as minorias sexuais e de gênero no Brasil é LGBT (união das minorias sociais discriminadas por questões de gênero e sexualidade). A alteração do termo GLBT em favor de LGBT foi aprovada na 1ª Conferência Nacional GLBT, realizada em Brasília no período de 5 e 8 de junho de 2008. A mudança de nomenclatura foi realizada a fim de valorizar as lésbicas no contexto da diversidade sexual e também de aproximar o termo brasileiro com o termo predominante em várias outras culturas; pois dava um protagonismo aos gays, que são apenas uma parte da comunidade.

A partir destas Conferências Nacionais LGBT, foi sendo construído o Sistema Nacional LGBT, também o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de LGBT, dispositivos criados para o acompanhamento de ações que fomentem o debate sobre as questões LGBT em vários espaços de governo, instituições de ensino e espaços da sociedade civil.

Variantes Existem muitas variantes, incluindo variações que alteram a ordem das letras; LGBT ou GLBT são os termos mais comuns e os mais frequentemente vistos. Embora idêntica em significado, LGBT pode ter uma conotação mais feminista do que GLBT como coloca o "L" (para "lésbica") na frente.Alexander, Jonathan; Yescavage, Karen (2004). Bisexuality and Transgenderism: InterSEXions of The Others. Haworth Press. ISBN 1-56023-287-0. Na Espanha é utilizado LGTB, invertendo-se as letras "B" e "T".LGTB, en mayúsculas LGBT também pode incluir "Q" para "queer" ou "questionamento" produzindo as variantes "LGBTQ" e "LGBTQQ". No Reino Unido, às vezes é estilizado como LGB&T, enquanto o Partido Verde da Inglaterra e País de Gales usa o termo LGBTIQ em seu manifesto e publicações oficiais.

A ordem das letras não foi padronizada. Além das variações entre as posições do "L" e do "G" como inicial, as letras menos comuns, se usadas, podem aparecer em quase qualquer ordem.Alexander, Jonathan; Yescavage, Karen (2004). Bisexuality and Transgenderism: InterSEXions of The Others. Haworth Press. ISBN 1-56023-287-0. Os termos variantes nem sempre representam diferenças políticas dentro da comunidade, mas surgem simplesmente das preferências de indivíduos e grupos.

Inclusão das pessoas transgênero esquerda|miniaturadaimagem|A parada do orgulho em Buenos Aires, 2007, organizada pela Federação Argentina de Pessoas LGBT, com o inicialismo LGBT visível no banner do grupo. O termo transgênero inclui por definição homens e mulheres trans, e pessoas não-binárias, no entanto o termo por vezes é recategorizado para trans por alguns grupos, onde trans (sem um asterisco) tem sido usado para descrever homens e mulheres trans, enquanto alguns grupos usam trans* para abranger homens e mulheres trans, e pessoas não-binárias.Ryan, Hugh (10 de janeiro de 2014). "What Does Trans* Mean, and Where Did It Come From?'". Slate. "Glossary of Transgender Terms" . Vaden Health Center Stanford University.  Do mesmo modo, o termo transexual geralmente se enquadra no termo "transgênero", mas algumas pessoas que se identificam como transexuais se opõem a isso. Quando não inclui as pessoas trans, a sigla LGBT às vezes é encurtada para LGB.Bohan, Janis S. (1996). Psychology and Sexual Orientation: Coming to Terms. Routledge. ISBN 0-415-91514-7.

Inclusão das pessoas intersexo