Grêmio Recreativo Cultural e Escola de Samba Gaviões da Fiel Torcida (G.R.C.E.S. Gaviões da Fiel Torcida) é a maior torcida organizada do Sport Club Corinthians Paulista e também uma escola de samba da cidade de São Paulo. Fundada em 1969, localiza-se no bairro do Bom Retiro, contando com mais de 140 mil associados. Foi a primeira torcida organizada do Brasil a ter uma estrutura administrativa interna regida por regras estatutárias. Na Gaviões os departamentos de Carnaval e os ligados ao futebol fazem parte de uma mesma entidade.

A torcida teve um grande crescimento, e muitos de seus membros se envolveram em brigas de torcedores, o que chegou a levar o Ministério Público a pedir a extinção da entidade em 1997. A agremiação chegou a ter suspensas por liminar as suas atividades como torcida.

História A Gaviões foi criada em 1969, mas desde 1965 já vinham sendo realizadas reuniões entre torcedores corintianos com o objetivo de criar uma entidade que pudesse não apenas atuar como uma torcida organizada, mas também tivesse atuação na área político-administrativa do Corinthians. Seu principal objetivo, à época, era o de derrubar o dirigente Wadih Helú, presidente do clube desde 1961.

Primeiros desfiles e mudança de sede Flávio La Selva foi o sócio número um dos Gaviões da Fiel. Desde o começo, integrantes da agremiação participavam ativamente dos desfiles de escola de samba, inicialmente como uma ala da Vai-Vai, escola que também possui as mesmas cores do Corinthians. No início, a sede era numa garagem na Zona Norte, sendo transferida posteriormente para a Rua Santa Efigênia, no ano de 1974, sendo esta a primeira sede social da entidade. Em 1975 a torcida passou a desfilar no desfile oficial de blocos da cidade de São Paulo, desfile este que venceria doze vezes, em treze anos de disputa. No ano de 1978 foi inaugurada a quadra atual, no Bom Retiro.

A Gaviões passou a desfilar como escola de samba em 1989, ficando em segundo lugar no grupo 1 (atual Grupo de Acesso). Em 1990, terminou a disputa em nono lugar, entre dez escolas, e foi rebaixada. Porém em 1991 ganhou o Grupo de Acesso, ficando em oitavo Lugar no Grupo Especial de 1992.

Em 1993, a escola ficou em quinto lugar com o enredo A Chave do Tempo, e em 1994 a escola foi vice-campeã, ficando atrás apenas da Rosas de Ouro.

Em 1995 foi campeã pela primeira vez, com um enredo que até hoje é lembrado por muitos e também entre os sambistas de São Paulo, Coisa Boa é pra Sempre.

Graças ao inusitado fato de até então ser ao mesmo tempo uma escola de samba e uma torcida organizada, a Gaviões ganhou muita visibilidade no Carnaval, não só em São Paulo, mas também atraindo a curiosidade de gente de outros estados, como o Rio de Janeiro, por exemplo, bem como ganhando a simpatia também dos torcedores do Corinthians, mesmo os que torciam para outras escolas.

Em 1996 a escola foi a quarta colocada com enredo "Quem Viver Verá o Vinte Virar" assinado pelo carnavalesco Raul Diniz. Em 1997 a Escola foi a quinta colocada com o enredo "Mundo da Rua". Já em 1998 a escola fez uma de suas muitas homenagens ao Corinthians. thumb|right|240px|Bandeirão dos Gaviões, na última partida oficial do Corinthians realizada no Estádio do Pacaembu em 2014. thumb|240px|direita|Bandeirão dos Gaviões, no Derby Paulista disputado na Arena Corinthians. Em 1999, vence novamente o Carnaval com o enredo "O Príncipe Encoberto ou a busca de S. Sebastião na Ilha de São Luís do Maranhão", terminando empatada com a Vai-Vai. Nesse ano, teria vencido sozinha se houvesse critérios de desempate.

No ano 2000 a escola foi a última a desfilar naquela noite, apresentando o enredo "Um Voo Para a Liberdade", no Carnaval temático dos 500 anos de Descobrimento do Brasil.

Em 2001 a escola apostou num investimento maior sobre o seu carnaval, com carros alegóricos e fantasias com um ótimo acabamento, além de ter sido a escola que teve o abre-alas na época mais caro do que de todos as outros escolas adversárias. "Mitos e Magias na Triunfante Odisseia da Criação" falava da origem da criação do mundo e foi a aposta da escola de samba com o carnavalesco Jorge Marcos Freitas. Nesse ano, a escola conseguiu um quarto lugar, em um ano em que a campeã foi a Nenê de Vila Matilde.

Em 2002, a escola teve como seu tema , Xeque-Mate, que fazia uma homenagem ao jogo de xadrez e ainda aproveitava para fazer duras críticas políticas e sociais, foi inclusive usado no horário político, assim tornou-se campeã novamente do carnaval paulistano. Saindo praticamente campeã do Anhembi.

thumb|right|240px|Bateria da Gaviões, em apresentação no mundo árabe

No ano de 2003 a escola sagrou-se bi-campeã do carnaval paulistano com enredo que falava sobre as cinco regiões do Brasil. "As Cinco Deusas Encantadas na Corte do Rei Gavião" Novamente com a assinatura de Jorge Freitas.

Para 2004, quase dez anos após o seu primeiro título no Grupo Especial e já consolidada como uma das maiores escolas de samba de São Paulo, a Gaviões da Fiel era favorita para um tricampeonato consecutivo, quando, em meio ao seu desfile sobre os 450 anos da cidade de São Paulo, um carro alegórico que falava sobre a "revolução corintiana" teve problemas no seu eixo, tendo uma alegoria que representava um jogador do Corinthians ficado presa na caixa de som e no relógio do Sambódromo, chegando até mesmo a derrubar este último. Isso fez a escola estourar o tempo em cinco minutos, perdendo oito pontos no total, além de levar algumas notas baixas no quesito evolução, terminando aquele desfile em último lugar.ver a gravação da primeira noite do desfile de escolas de samba de São Paulo, 2004

Em 2005, a Gaviões teve alguns problemas novamente na saída do desfile, mas contou com a ajuda da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, que permitiu-lhe mais tempo para começar o desfile, fazendo assim com que a escola vencesse novamente o Grupo de Acesso.

O ano de 2006 foi o primeiro em que duas escolas ligadas à torcidas organizadas estiveram ao mesmo tempo no Grupo Especial: a Gaviões (primeira a desfilar na sexta-feira) e a Mancha Verde (penúltima da madrugada de sábado para domingo). A Gaviões, porém, ganhou na Justiça o direito de participar normalmente do campeonato no Grupo Especial e a Mancha Verde então disputou sozinha durante dois anos o grupo das escolas desportivas.

Nesse ano, havia um temor entre alguns sambistas de que brigas entre torcidas organizadas pudessem atrapalhar o espetáculo. Por isso, o regulamento passou a prever que as escolas de torcida deveriam desfilar num dia em separado (no caso, a madrugada de domingo para segunda), disputando assim, num grupo à parte, o Grupo Especial das Escolas de Samba Desportivas. Porém, faltando menos de uma semana para o carnaval, a Gaviões da Fiel conseguiu uma liminar que garantia que ela disputasse o título do Grupo Especial, abrindo o desfile de sexta-feira.

Este deveria ser um desfile de recomeço, porém a escola acabou estourando o tempo regulamentar, causando perda de pontos. Na apuração, a escola ainda foi punida em mais pontos: por mostrar o escudo do Corinthians em um de seus carros alegóricos (mesmo tendo ganho na justiça o direito de exibi-lo), e por uma suposta propaganda em outro carro alegórico (a marca da empresa de geradores apareceu durante o desfile, quando deveria ter sido escondida), perdendo no total quatro pontos. A isto, somado ao fato de os jurados terem dado notas muito baixas a escola, como, por exemplo, no quesito Bateria, resultou em outro rebaixamento. A diretoria da escola, chegou a afirmar que abandonaria os desfiles de escola de samba da Liga.

Em 2007, a Gaviões da Fiel desfilou pelo Grupo de acesso com quatro carros alegóricos e 3.000 componentes divididos em 22 alas. O enredo dedicado ao padre José de Anchieta contribuiu para que a Gaviões da Fiel se sagrasse novamente campeã da Categoria de Acesso.

Para 2008, inicialmente havia duas possibilidades: a Gaviões deveria participar do Grupo Especial das Escolas Esportivas juntamente com a Mancha Verde, ou poderia haver a possibilidade de a escola competir no tradicional Grupo Especial, resguardada pela mesma liminar que lhe garantiu este direito em 2006. No entanto, em julho de 2007, após uma nova reunião da Liga, ficou decidido que tal divisão seria extinta, voltando as escolas participantes desse grupo a disputar o Grupo Especial.

Para o carnaval daquele ano, a Gaviões teve como tema a cidade de Santana do Parnaíba, que fica na região metropolitana de São Paulo. Como então campeã do grupo de acesso, foi a primeira escola a desfilar. A escola impressionou com suas alegorias e fantasias luxuosas, porém, apresentou um nível abaixo em relação a outras agremiações e, até mesmo, em relação a desfiles seus anteriores. Novamente, seus integrantes tiveram que correr no final do desfile para não ultrapassar o tempo máximo (65 min), o que resultou na perda de pontos nos quesitos evolução e harmonia. O resultado foi um tímido 11° lugar.

Para o carnaval 2009, a Gaviões trouxe o carnavalesco Zilkson Reis, vindo da Mocidade Alegre e o diretor de carnaval Igor Carneiro. Nesse ano, o enredo "O sonho comanda a vida, quando o homem sonha, o mundo avança", a escola falou da invenção da roda e homenageou seu torcedor mais ilustre e mais amado: o piloto brasileiro Ayrton Senna, que é até hoje, homenageado pelo clube, classificando-se em 4° lugar, retornando ao desfile das campeãs após 5 anos. 320px|thumb|esquerda|Mestre Sala e Porta Bandeira em 2010 Em 2010, a escola homenageou o centenário do Corinthians, com o enredo "Corinthians... Minha vida, minha história, meu amor!". Além disso, houve a troca de madrinha de bateria, saindo Lívia Andrade e entrando Sabrina Sato. Durante a apuração, os torcedores, revoltados com as notas do quesito Enredo, jogaram garrafas na pista do Sambódromo, após a revolta dos dirigentes da escola. A escola terminou em 5º lugar.

Em 2011, apresentou como enredo a cidade de Dubai. Mesmo não apresentando um enredo que tenha caído ao gosto da torcida, a escola fez um desfile técnico e ficou novamente com a 5ª colocação. No ano de 2012, a escola homenageou o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. O homenageado que se recuperava de um tumor na laringe, por recomendação médica, não participou do desfile, assistindo-o pela televisão em sua residência. Gravou, no entanto, um vídeo agradecendo a homenagem da escola, vídeo este que foi reproduzido em um telão no último carro alegórico, onde desfilou sua mulher. A bateria desfilou fantasiada de Lula operário e, ainda no recuo, se transformou em presidente. Apesar da escola ter vindo com luxo e com um enredo bem desenvolvido, teve problemas em sua evolução, obtendo uma nota 8.9, obtendo nota máxima somente em bateria e enredo.

Antes do clássico contra o Palmeiras no dia 25 de março de 2012, torcedores corintianos e palmeirenses brigaram na Avenida Inajar de Souza, e dois palmeirenses morreram. A Federação Paulista de Futebol proibiu a Gaviões da Fiel e a Mancha Alviverde de entrarem nos estádios da cidade com qualquer material que levasse o nome dessas duas torcidas, até que o caso da briga das torcidas fosse apurado. O presidente da Gaviões, Donizete, passou 18 dias preso, acusado de omissão.

Em 2013, a escola abordou a história da propaganda e da publicidade brasileira no enredo: "Ser Fiel é a alma do negócio", desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes. Diferente de outros anos a escola veio muito colorida. Empatou em número de pontos com a Nenê de Vila Matilde e com a X-9 Paulistana. No desempate, obteve a 9ª posição.

Ainda em fevereiro de 2013, torcedores corintianos, membros da agremiação, foram presos na Bolívia, após a tragédia no estádio de Oruro na Bolívia, onde um adolescente boliviano foi morto por um sinalizador disparado pela torcida. Em abril de 2013, a Gaviões elegeu novo presidente.