Um dispositivo intrauterino (DIU), também conhecido como dispositivo contraceptivo intrauterino (DCI), é um pequeno dispositivo contraceptivo, geralmente em formato de T, que é inserido no útero para prevenir a gravidez. O DIU é um método contraceptivo reversível e de longa duração.

Os DIUs de cobre têm uma taxa de falha de cerca de 0,8% no primeiro ano. Já os DIUs hormonais com levonorgestrel têm uma taxa de falha de 0,2% no primeiro ano. Comparativamente, a esterilização masculina e o preservativo masculino têm uma taxa de falha de 0,15% e 15%, respectivamente.

Os DIUs são seguros e eficazes também durante a adolescência e em mulheres que nunca tiveram filhos. Assim que um DIU é removido, mesmo após utilização prolongada, a fertilidade regressa rapidamente ao normal.

Entre todos os métodos contraceptivos, os DIUs e os implantes contraceptivos são os que apresentam maior satisfação entre os utilizadores. Os DIUs de cobre podem ainda ser usados como contracepção de emergência no prazo de cinco dias após uma relação sexual desprotegida.

História do DIU

Antiguidade (400 a. C.) Considera-se Hipócrates (século IV a. C.) o precursor do dispositivo intrauterino, uma vez que ele descobriu o efeito anticoncepcional derivado da colocação de um corpo estranho no interior do útero de alguns animais. Conta-se que eram inseridos objetos no útero das mulheres por meio de um tubo de chumbo.

1909 O primeiro DIU foi desenvolvido em 1909 pelo médico alemão Richard Richter, de Waldenburg. O seu dispositivo era feito de tripa de bicho-da-seda e não foi amplamente utilizado.Thiery M (March 1997). "Pioneers of the intrauterine device" (PDF). The European Journal of Contraception & Reproductive Health Care. 2 (1): 15–23. doi:10.1080/13625189709049930. PMID 9678105. Archived from the original (PDF) on 20 August 2006. Ao contrário dos dispositivos intrauterinos modernos, os primeiros dispositivos interuterinos (do latim inter-, que significa "entre", em oposição a intra-) atravessavam tanto a vagina quanto o útero, causando uma alta taxa de doença inflamatória pélvica.

1929 O médico alemão Ernst Gräfenberg (que dá nome ao ponto G) criou o primeiro DIU de anel. O anel de Gräfenberg, como foi chamado, era feito de filamentos de prata. Porém, a substituição dos pessários teve dificuldade em convencer os ginecologistas da época. Seu trabalho foi reprimido durante o regime nazista, quando a contracepção era considerada uma ameaça às mulheres arianas. Ele se mudou para os Estados Unidos, onde seus colegas H. Hall e M. Stone retomaram seu trabalho após sua morte e criaram o Anel Hall-Stone de aço inoxidável.

1959 Duas comunicações sobre bons resultados obtidos em Israel e no Japão reacenderam o interesse pelo DIU enquanto método contraceptivo. Em Israel, um estudo comparou a eficácia de um anel de prata e de um anel de crina de cavalo. Já no Japão, o médico Tenrei Ota também desenvolveu um DIU de prata ou ouro, chamado anel Precea (traduzido como anel de pressão) ou anel Ōta.

1960 O obstetra Lazar C. Margulies projetou um DIU de plástico, utilizando termoplásticos, em formato de espiral. Sua inovação permitiu a inserção do DIU no útero sem a necessidade de dilatar o cérvix.

1962 Em 1962, Jack Lippes deu a ele um formato de S duplo e adicionou dois fios de náilon para facilitar a remoção. Seu DIU Lippes Loop, com formato trapezoidal, tornou-se um dos DIUs de primeira geração mais populares. Lippes ajudou a iniciar o aumento do uso de DIU nos Estados Unidos.

Décadas de 1960 e 1970 A invenção do DIU de cobre na década de 1960 trouxe consigo o design em forma de "T" maiúsculo usado pela maioria dos DIUs modernos. O médico americano Howard Tatum determinou que o formato em "T" se adaptaria melhor ao formato do útero, que forma um "T" quando contraído. Ele previu que isso reduziria as taxas de expulsão do DIU. Juntos, Tatum e o médico chileno Jaime Zipper descobriram que o cobre poderia ser um espermicida eficaz e desenvolveram o primeiro DIU de cobre, o TCu200. Os aprimoramentos de Tatum levaram à criação do TCu380A (ParaGard), que é atualmente o DIU de cobre preferido.

O DIU hormonal também foi inventado nas décadas de 1960 e 1970. Inicialmente, o objetivo era atenuar o aumento da menstruação vaginal associado aos DIUs de cobre e aos DIUs inertes. O primeiro modelo, Progestasert, foi concebido por Antonio Scommegna e criado por Tapani J. V. Luukkainen, mas o dispositivo durou apenas um ano de uso. Um DIU hormonal comercial atualmente disponível, o Mirena, também foi desenvolvido por Luukkainen e lançado em 1976. A fabricante do Mirena, a Bayer AG, tornou-se alvo de vários processos judiciais por alegações de que a Bayer não alertou adequadamente as usuárias sobre a possibilidade de o DIU perfurar o útero e migrar para outras partes do corpo.

Além disso, nas décadas de 1960 e 1970, muitos DIUs de plástico com formatos diferentes foram inventados e comercializados. Entre eles, estava o Dalkon Shield, cujo design inadequado causou infecção bacteriana e levou a mortes indiretas e milhares de processos judiciais. O caso do Dalkon Shield foi julgado na década de 1970, o que interrompeu temporariamente seu uso. Embora o Dalkon Shield tenha sido retirado do mercado, ele teve um impacto negativo duradouro no uso e na reputação do DIU nos Estados Unidos. Os DIUs modernos são mais seguros e as complicações são raras.

Tipos de DIU miniaturadaimagem|DIU de cobre. Os principais tipos de DIU (Dispositivo Intrauterino) são o DIU de cobre e o DIU hormonal. Mas existem, também, os DIUs de ouro, de prata, de aço inoxidável e de plástico.

DIU de cobre A maioria dos DIUs de cobre tem uma estrutura em forma de T enrolada com fio de cobre eletrolítico puro e/ou possui colares (mangas) de cobre. Os braços da estrutura mantêm o DIU no lugar próximo à parte superior do útero. Esses dispositivos intrauterinos geralmente vêm com um nome que consiste em uma marca registrada e um número. O número corresponde aproximadamente à área de superfície coberta com cobre e é expresso em mm2. O Paragard TCu 380a mede 32 mm (1,26") horizontalmente (parte superior do T) e 36 mm (1,42") verticalmente (perna do T). Os DIUs de cobre têm uma taxa de falha no primeiro ano que varia de 0,1 a 2,2%.

O DIU de cobre libera íons de cobre, que são tóxicos para os espermatozoides e interrompem sua motilidade, impedindo-os de se unirem ao óvulo. Ele também faz com que o útero e as Trompas de Falópio produzam um fluido que contém íons de cobre, prostaglandinas, enzimas e glóbulos brancos, atuando como um espermicida dentro do útero. O aumento de íons de cobre no muco cervical inibe a motilidade e a viabilidade do esperma, impedindo que ele viaje pelo muco cervical ou destruindo-o ao passar. O cobre também pode alterar o revestimento endometrial e estudos mostrem que, embora essa alteração possa impedir a implantação de um óvulo fertilizado ("blastocisto"), não pode romper um DIU já implantado.Trussell J, Schwarz EB (2011). "Emergency contraception". In Hatcher RA, Trussell J, Nelson AL, Cates W Jr, Kowal D, Policar MS (eds.). Contraceptive technology (20th revised ed.). New York: Ardent Media. pp. 113–145. ISBN 978-1-59708-004-0. ISSN 0091-9721. OCLC 781956734. p. 121:Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (Great Britain). Faculty of Sexual & Reproductive Health Care. (2007). Faculty of Sexual & Reproductive Healthcare clinical guidance.

Eficácia Um DIU de cobre pode permanecer no local com a mesma eficácia por um período de 5 a 10 anos, dependendo do modelo. Dados de eficácia em larga escala, em estudos randomizados realizados por vários centros internacionais e em estudos comparativos não randomizados de longo prazo com a versão padrão do GyneFix 330 e com a versão reduzida do Gynefix 220, foram realizados em 15.000 mulheres-ano de exposição em mulheres nulíparas e multíparas. Eles demonstram que esses DIUs são sistemas contraceptivos intrauterinos muito eficazes.

As taxas de falha variam de 0% a 2,5% (taxa cumulativa) do primeiro ano até 9 anos. Esta eficácia a longo prazo foi confirmada num ensaio clínico aleatório comparável realizado pela Organização Mundial de Saúde.Wildemeersch D, Batár I, Affandi B, Andrade ATL, Wu S, Hu J, Cao X. "O sistema intrauterino 'sem moldura' para contracepção reversível de longo prazo: Uma revisão de 15 anos de experiência clínica" J Obstet Gynaecol Res. 2003; 3/29:160–9. No entanto, essas são médias, e a eficiência é menor à medida que a área da superfície do cobre diminui. O modelo Nova T 200, que não continha cobre suficiente e cuja eficiência caiu para 94% após três anos (mesmo tendo sido instalado durante 5 anos), foi retirado do mercado em 2007.Afirmado na tese de doutorado em medicina Alice De Verbizier, 13 de abril de 2011, p. 108. No entanto, suas instruções ainda estão sendo atualizadas em 2015 por seu fabricante. Em 2019, a Vidal lista apenas os modelos 375 e 380.

Vantagens e desvantagens As vantagens do DIU de cobre incluem sua capacidade de fornecer contracepção de emergência até cinco dias após a relação sexual desprotegida. É a forma mais eficaz de contracepção de emergência disponível. Ele funciona impedindo a fecundação ou a implantação, mas não afeta os embriões já implantados."Os fatos são importantes: a contracepção de emergência (CE) e os dispositivos intrauterinos (DIUs) não são abortivos". Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas. 12 de junho de 2014. Página visitada em 14 de julho de 2015 . Os íons de cobre liberados do DIU criam um ambiente tóxico para os espermatozoides, impedindo a fertilização.14 O cobre também pode alterar o revestimento endometrial, mas estudos mostram que essa alteração pode impedir a implantação, mas não interromper a implantação Não contém hormônios, portanto, pode ser usado durante a amamentação. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção.

O DIU de cobre é indicado como um método contraceptivo alternativo aos anticoncepcionais hormonais para prevenir seus efeitos adversos a curto ou longo prazo. Os DIUs de cobre também duram mais e estão disponíveis em uma gama maior de tamanhos e formatos do que os DIUs hormonais.Shoupe D (2011). Contraception. John Wiley & Sons. p. 96. ISBN 978-1-4443-4263-5.

As desvantagens incluem a possibilidade de períodos menstruais mais intensos e cólicas mais dolorosas.Grimes DA, Nelson TJ, Guest F, Kowal D (2007). Hatcher RA (ed.). "Intrauterine Devices (IUDs)". Contraceptive Technology (19th ed.). As cólicas podem ser aliviadas com anti-inflamatórios não esteroides.

Ao contrário dos preservativos, o DIU não protege contra infecções sexualmente transmissíveis. Os DIUs modernos não causam infertilidade nem dificultam a gravidez da mulher, e a fertilidade geralmente retorna alguns dias após a remoção. miniaturadaimagem|DIU hormonal (Mirena) dentro do útero.

DIU hormonal O DIU hormonal, também chamado de Sistema Uterino com Levonorgestrel (SIULNG), é um dispositivo pequeno, feito de plástico em forma de T, que é colocado no interior do útero. O cilindro do DIU é revestido com uma membrana que libera continuamente uma pequena quantidade do hormônio progesterona."Declaração IMAP sobre Dispositivos Intrauterinos", IPPF Medical Bulletin [arquivo], 2003; Volume 37, Número 2.

O DIU hormonal funciona principalmente impedindo a fertilização. Ele libera uma pequena quantidade de levonorgestrel, um progestágeno, dentro do útero. O progestogênio atua espessando o muco cervical e impedindo que os espermatozoides cheguem às Trompas de Falópio. Logo, o principal mecanismo de ação é tornar o interior do útero inabitável para os espermatozoides. O DIU hormonal também pode, às vezes, impedir a ovulação. Cada tipo de DIU hormonal varia em tamanho, quantidade de levonorgestrel liberada e duração.