alt=A Queda de um Velho Tempo|miniaturadaimagem alt=Terceira Queda|direita|semmoldura Pintomeira (Deocriste, Viana do Castelo, ) é um artista plástico português – pintura, fotografia, ilustração | ensaísta e escritor. Membro da Associação Portuguesa de Escritores.
Biografia alt=Lisboa|miniaturadaimagem|Lisboa - Cidade de Tragédias Pintomeira nasce em Deocriste, Viana do Castelo, Portugal. Em 1957 entra no Seminário de Braga, que abandona em 1961, após concluir que não tinha vocação para o sacerdócio.
Em 1965,abandona a formação em Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes da Universidade do Porto, hoje Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e opta por uma carreira nas artes plásticas (pintura), embora o cinema tenha sido, desde cedo, a sua primeira orientação. Em 1977, abortada a possibilidade de inscrição na Nederlandse Filmacademie ( Academia de Cinema da Holanda), razão primeira que o levou a deixar Portugal, Pintomeira frequenta entre 1977-1980 o Instituto CREA van de Universiteit van Amsterdam https://www.crea.nl/, onde estuda pintura.
Entre 1967 e 1972 encontra-se em Lisboa. Durante esse período, faz algumas exposições e convive com Mario Cesariny, Cruzeiro Seixas, Raul Perez e outros pintores do movimento surrealista português, e escritores ligados a esse movimento como Luiz Pacheco e Natália Correia.
Em 1972, e após uma curta passagem por África, parte para Paris na companhia da pintora e modelo holandesa Marijke de Hartog que conhece em Portugal. Os dois decidem, mais tarde, partir para Amesterdão na Holanda onde passam a viver e onde casam em 1976. Até 1999, a cidade de Amesterdão será a sua residência, tendo aí o seu atelier onde produz grande parte da sua obra, realizando, ao longo desses 27 anos, diversas exposições, bienais e feiras de arte.
Em 1978, após algumas exposições na Holanda, faz a sua primeira exposição em Paris, na Galerie Entremonde. No mesmo ano, também em Paris, participa no Salon Metamorphoses em homenagem ao pintor surrealista belga René Magritte, realizado no Grand Palais des Beaux Arts. Após esta participação, decide terminar o seu período surrealista. Sobre este seu percurso no surrealismo 1967-1978, Luis Chaves, historiador de arte, escreve no catálogo de uma retrospectiva realizada em 2005 no Museu Municipal de Viana do Castelo, (excerto): "Recuamos até à década de setenta do século XX para entrarmos em contacto com a sua passagem pelo surrealismo. Descobrimos a sua convivência com Cesariny, Raul Perez e outros ligados a esse movimento, aquando da sua estada em Lisboa (1967-1972). No entanto, será já em Paris e mais tarde em Amesterdão, que todas as convenções e preconceitos se soltam para dar lugar a uma expressão liberta de toda a preocupação racional e moral resultante da ideia introduzida por André Breton: o automatismo psíquico."Pintomeira | Pintura . Fotografia. Bilingue . 500 páginas. Edição Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2016, depósito legal 413973/16, ISBN 978-972-588-255-9
Durante a década de 1980, no seu atelier em Amesterdão, Pintomeira recebe várias influências, sendo a mais marcante a do grupo CoBrA (agregação das letras iniciais das cidades de Copenhaga, Bruxelas e Amesterdão) e do qual fazem parte grandes nomes como Karel Appel, Corneille, Asger Jorn e Lucebert. Algumas influências desse movimento, como as texturas espessas, o desenho automático, as cores vivas e primárias do expressionismo em combinações complementares, e ainda os motivos simples e depurados com algumas ligações ao surrealismo e à arte primitiva, acompanharam o artista durante grande parte da sua obra. Apesar de o género Paisagem nunca ter despertado a sua atenção, nos finais desta década, Pintomeira decidiu trazê-la para o seu atelier. Produziu, então, cerca de 30 trabalhos sobre tela, nessa expressão pictórica, e que hoje se encontram dispersos por diversas colecções públicas e privadas. International Comtemporary Artists; 2012, ICA publishing, New York, USA, ISBN 9786188000278
Na década de 1990 inicia o tema "CONTORNOS", um trabalho inovador de estilização e depuração da figura que consiste no constante exercício e experimentação à volta do contorno, tornando-o preponderante através do seu alargamento, prolongação e multiplicação. Donald Meyer, escritor e crítico de arte, escreve no livro “Contornos . Contours” editado pela Appelbloesem Pers de Amsterdam, (excerto):“...a escrita pincelada é profundamente pessoal e convida o espectador a percorrer todas essas linhas-estradas contornantes, dando-lhe a possibilidade de contemplar a figura ou objecto no conforto da periferia anfiteátrica. O rigor, quase matemático de todas essas linhas e contornos, acentua uma preocupação na busca de uma harmonia que suavize uma observação mais racional ou dramática da memória. No entanto, esse rigor na procura do equilíbrio não significa austeridade ou aprisionamento do lírico. ...Essa exuberância linear, esses traços espessos, que se cruzam e interligam, conduzem a novas áreas e oferecem movimento e ritmo a uma representação estática ou inspiram um ambiente de dinamismo e diversão a uma figura depurada.” Contours-Contornos; editora: De Appelbloesem pers, Amsterdam,1998,ISBN 9070459167 Durante a década de noventa, Pintomeira apresenta os seus trabalhos em diversas exposições individuais e participa em outras colectivas.Em 1999, Pintomeira deixa Amesterdão e regressa a Portugal. O trabalho que realiza no seu novo atelier no norte do país, dá origem a um vasto conjunto de obras figurativas, ainda com influências do grupo CoBrA e que denomina de “NOVA LINHA”.
Entre 2003 e 2010, e alternando com “Nova Linha”, Pintomeira produz também um extenso conjunto de trabalhos sobre tela e papel a que dá o nome de “FACES”. Sobre este trabalho realizado entre 1999 e 2007, Alberto Abreu, historiador e curador de algumas exposições de Pintomeira, escreveu, (excerto): “A desmaterialização dos objectos foi o caminho seguido por Pintomeira numa Nova Linha onde o contorno acabou por se reduzir a um filete, as imagens dos objectos aparecem estilizadas quando não reduzidas a silhuetas sem cor nem respeito pelos outros objectos do quadro, neste composto de texturas que Ihe conferem ritmo, irrealidade, estatuto de "formas puras”. Neste ambiente Pintomeira colocou grelhas quadriculares, aves, silhuetas femininas, rostos de perfil, frutos; e varandas, e luas, e caras com olhos de espanto.” O ano de 2007 marca uma viragem acentuada na sua obra figurativa. As influências CoBrA e os densos contornos desaparecem. O tema “INTERIORES” apresenta trabalhos próximos da pop art com influências do design gráfico. A figura está manifestamente presente e as cenas de interiores denunciam representações teatralizadas. Nestas representações sobressaem as personagens, os objectos e a encenação. No catálogo de uma exposição dos “Interiores”, Moisés de Lemos Martins, sociólogo / escritor e professor na Universidade do Minho escreveu, (excerto): “Em Interiores são raros, todavia, estes espaços que articulam o interior com o exterior. Nesta fase estética, marcada pela Pop Art e pelo Design Gráfico, Pintomeira descreve, de um modo geral, lugares enclausurados em si mesmos, sem linhas de fuga nem horizonte. Este procedimento obedece aos princípios da Arte Minimalista. Ao privilegiar o espaço de exposição, o artista cria uma obra que se situa entre a pintura, a escultura e a arquitectura. Este espaço, simultaneamente contínuo e descontínuo, assenta na autonomia do mundo interior e não parece conceber qualquer exterior. Mas não é inconcebível que esta paisagem possa ser também percebida do exterior, embora o interior fique necessariamente escondido pela fachada.”
Em 2009 e 2010 é produzido o tema “OUTRAS FACES”, conjunto de obras figurativas, realizadas em impressão digital coladas sobre tela, trabalhadas posteriormente em acrílico e que nos transportam para uma Neo Pop Art. miniaturadaimagem|270x270px|Exteriors 2012 . acrylic on canvas . 165x185x4cmEm 2011 surge “EXTERIORES” que vem complementar “Interiores” produzido entre 2008 e 2009|2010. É composto por uma série de trabalhos que reúnem figuras do quotidiano em encenações urbanas, atravessando passadeiras de rua, onde a sinalética rodoviária é fortemente explorada. José Luis Ferreira, sociólogo, escritor, investigador de arte e Membro Académico Ind. IAA/AIE– International Association for Aesthetics, escreveu no catálogo da exposição “Exteriores . Interiores”, (excerto): “…a regularidade linear do risco, expandido ao traçado largo, recto ou curvilíneo… a acoplagem da sinalética, do pictograma, da carga simbólica e determinante cultural – do semáforo – na Aldeia Global, onde não se perde o sentido das [...] «coisas sólidas e voláteis»[...] coexistente, dentro e fora (no interior e no exterior), de tudo quanto é belo, na existência das coisas, naturais ou artificiais…Daí, o eu admitir que deva considerar-se, enquanto ponto de vista estrito e, unicamente metodológic taxonómico, atávico, ou ((pragmático]] –uma qualquer diferenciação essencial entre Exteriores Urbanos e Interiores Domésticos, na obra pictórica do pintor…" http://www.worldcat.org/identities/viaf-284531829/ Também Michael Amy, Professor de História de Arte no Rochester Institute of Thenology, USA, e membro da International Association of Art Critics (AICA) escreve em "An Empire of Signs" (excerto): "The paintings belonging to the Exteriors series (2011-2012) fascinate me, with their accumulation of signs, their hints of three-dimensional space that is contradicted by other motifs emphasizing the plane, and their juxtaposition of figuration and degrees of abstraction." ( As pinturas que fazem parte da série Exteriores (2011-2012) fascinam-me, com a sua acumulação de sinais, as suas sugestões de um espaço tridimensional que é contraditado por outros motivos que enfatizam o plano, e a sua justaposição de figuras e níveis de abstracção.)'https://rit.academia.edu/MAmyEm 2013, Pintomeira regressa à fotografia. Uma passagem, embora breve, pela expressão fotográfica, tinha já sido feita, em 1979, em Amesterdão.