José Silveira Machado ComM • OIP • GOIP (São Jorge, Velas, 24 de Outubro de 1918 - Macau, 18 de Novembro de 2007Jornal Tribuna de Macau, 19 de Novembro de 2007, Faleceu Silveira Machado, "o senhor professor" ) foi um professor, co-fundador e jornalista do semanário católico "O Clarim", comentador, animador cultural, dirigente desportivo e escritor português, mas radicado na Região Administrativa Especial de MacauJornal Tribuna de Macau - Artigo de António Arestes - Figuras de Jade- José Silveira Machado .

Biografia José Silveira Machado deixou, entre outras coisas, um património escrito invejável, incluindo um guião para cinema e vários livros de História.

Mais conhecido por "o Professor" e também chamado por vezes de "Macaense dos Açores"Jornal Tribuna de Macau, 4 de Fevereiro de 2008, Jorge Rangel escreveu - O Carnaval em Macau/ o Macaense dos Açores, a vida de José Silveira Machado confunde-se com a própria História de Macau do século XX, onde viveu cerca de 70 anos Revista de Macau - Pessoas - Artigo - O empenhamento de um professor açoriano na China . Mais concretamente, ele veio para Macau no ano de 1933, onde chegou para estudar no famoso Seminário de S. José, na companhia de outras destacadas personalidades de Macau como Monsenhor Manuel Teixeira e o padre Áureo da Costa Nunes e Castro.

Porém, não sentindo a vocação para ser padre, optou por ser funcionário público, profissão que exerceu desde Janeiro de 1941 na então chamada Repartição da Fazenda do Concelho de Macau. Em 1948, ele foi transferido para os Serviços de Economia. Casou em 1946 com Margarida Maria Botelho e, com este casamento, teve 4 filhas. Em 1974, José Silveira Machado aposentou-se e foi para Lisboa. Estava infelicissimo em Portugal, ele gostava de Macau. Porém, acabou por regressar a Macau em 1976 para iniciar a carreira de docente na Escola Comercial Pedro Nolasco, no Colégio Dom Bosco e no Centro de Formação dos Serviços de Educação.

Durante a sua longa vida em Macau, foi, entre outras coisas, co-fundador e assíduo colaborador do semanário O Clarim, sócio fundador do Círculo Cultural de Macau, presidente da Comissão de Árbitros de Macau e vice-presidente do Comité Olímpico de Macau. De 2003 até 2007, ele foi um Conselheiro das Comunidades Portuguesas pelo círculo eleitoral de China/Japão/Tailândia, juntamente com José Maria Pereira Coutinho e Mário Gabriel.

Quando faleceu em 2007, não visitava Portugal há cerca de 17 anos e costumava dizer que, se aterrasse em Lisboa, era capaz de se perder em cinco minutos.

Faleceu em Macau, no Centro Hospitalar Conde de São Januário e foi sepultado no cemitério de São Miguel Arcanjo.

A obra Ao longo da sua carreira como jornalista, colaborou na Voz de Macau, na Revista Renascimento, no O Clarim, na Comunidade, no Boletim Informativo de Macau e foi também correspondente do Diário da Manhã e da Revista Cinema Plateia.

Escreve o guião para o 1º filme realizado em Macau Filme Caminhos Longos (1956)

Fluente em cantonense, o dialecto chinês que se fala em Macau e no sul da China, José Silveira Machado escreveu diversos livros como: Macau, Sentinela do Passado Sentinela do Passado - 1956, cópia na Universidade Aveiro, Fundação Portugal África, Cota PP2774 CLP (confirmar em Memórias de África e do Oriente) (prosa),1956 Rio das Pérolas cópia na Biblioteca Nacional de Portugal (confirmar s no catálogo online da BNP (poemas),1993 Macau, Mitos e Lendas (contos), 1998 Duas Instituições Macaenses Editado pela APIM, confirmar aqui (sobre a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses e a Escola Comercial Pedro Nolasco), 1998 Macau na Memória do Tempo cópia na Universidade Aveiro - Fundação Portugal África, Cota Lt-1537 FCM, confirmar em Memórias de África e do Oriente, 2002 O Outro lado da Vida editado por O Clarim, confirmar aqui ,» (retrato social de Macau), 2005.

Este seu último livro, lançado em Outubro de 2005, com 87 anos, é uma obra que reúne textos e comentários por si publicados ao longo dos anos da sua ligação com o O Clarim e tem por tema principal o "lado preto da vida" – o das "crianças que morrem de fome, doentes, pobres, drogados, desempregados ou imigrantes". Com a publicação deste livro, o autor, um católico convicto, quis lançar um apelo à preservação e divulgação da cultura portuguesa em Macau e dos sectores marginalizados e esquecidos da sociedade.

Segue-se um poema da autoria de José Silveira Machado:

Em grades de ferro te prenderam por amor Em grades de ferro esmagaram a tua dor As grades não prendem O voar do pensamento As grades não seguram a distância do vento No encanto dessa idade há de haver felicidade p´los cristais da quimera Há de entrar primavera

Condecorações

A sua actividade cívica e a sua defesa da língua portuguesa em Macau valeu-lhe várias condecorações:

Governo de Macau Medalha de Mérito Desportivo de Macau (classe de prata) Boletim Oficial de Macau - de 22 de Março de 1980 - Medalha de Merito desportivo de Macau atribuída José Silveira Machado , 1980 Medalha de Mérito Cultural Governo de Macau - Portaria nº145/95/M de 29 de Maio de 1995 - Medalha de Merito Cultural atribuída José Silveira Machado , 1995

Governo de Portugal Oficial da Ordem da Instrução Pública (26 de Abril de 1978) Comendador da Ordem do Mérito (9 de Junho de 1999) Grande-Oficial da Ordem da Instrução PúblicaFábrica de Conteúdos 2005 - Jorge Sampaio condecora com a Ordem de Instrução Pública, grau de Grande-Oficial José Silveira Machado (11 de Janeiro de 2005), esta última pelo então Presidente português Jorge Sampaio, em Macau

A memória A morte de José Silveira Machado foi considerada uma “enorme perda” pela comunidade de Macau em geral, mas mais concretamente pelas comunidades portuguesa e macaense O Clarim - 21 de Novembro de 2008 - A homenagem que falta ,. Para muitos, ele era um homem e professor culto, generoso e apaixonado pela vida e por Macau, dando um contributo muito grande a várias gerações de alunos. Mesmo depois de deixar as salas de aula, ele continuou a cultivar as suas tertúlias literárias e as suas discussões com amigos sobre várias questões relacionadas com a vida, a sociedade e a literatura.

Muito ligado a Macau, à juventude, à comunidade, ao desporto, ao turismo, ao jornalismo, à educação e à cultura, José Silveira Machado é muitas vezes recordado pelos seus muitos amigos. O Padre Albino Bento Pais, actual director do semanário O Clarim, destacou que Silveira Machado “fazia amizades facilmente com todos, era disciplinado e um defensor de valores humanistas em resultado da sua formação católica que o marcou para sempre”.

Ver também Círculo Cultural de Macau O Clarim (Macau) Associação Promotora da Instrução dos Macaenses

Ligações externas O Clarim - Jornal católico de Macau José Silveira Machado no macanesefamilies.com

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