O Vitória Futebol Clube MHIH • OB • MHIP, também conhecido como Vitória de Setúbal, é um clube multidesportivo português fundado a um Domingo, 20 de Novembro de 1910 e sediado na cidade de Setúbal, Portugal.
O Vitória é um clube eclético pelo que possui diversas modalidades (algumas delas já extintas), tais como: futebol, andebol, aikido, atletismo, basquetebol, chinquilho, ciclismo, futsal, ginástica, halterofilismo, hóquei em campo, jogo de pau, judo, karaté, natação, motorismo, pesca desportiva, polo aquático, râguebi, ténis, ténis de mesa, tiro, voleibol, xadrez, taekwondo e futebol de formação, tendo já vencido inúmeros troféus nacionais e internacionais.
A modalidade principal do clube é o futebol, tendo como principais conquistas as 3 Taças de Portugal (1964/65, 1966/67, 2004/05), 1 Taça da Liga (2007/08) e 3 Taças Ribeiro dos Reis (1962/63, 1968/69, 1969/70).
O Vitória é também o 7.º clube mais titulado do futebol nacional, é o 4.º clube com mais finais da Taça de Portugal (10, ao todo) além de ser também o 6.º clube com mais presenças no Campeonato Nacional da Primeira Liga, com 72 presenças.
O lema do clube diz que o "Vitória não é grande, é ENORME". O clube utiliza como cores principais o verde e o branco e a sua mascote é o "Sadino", um roaz corvineiro (espécie de golfinho que habita o Rio Sado).
A 24 de Junho de 1932 foi feito Oficial da Ordem de Benemerência pela mão do então chefe de estado marechal Carmona, a 31 de Janeiro de 1986 foi feito Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique pela mão do então presidente Ramalho Eanes, e a 10 de Maio de 1999 foi feito Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública.
História alt=Evolução das classificações do Vitória Futebol Clube desde 1938|miniaturadaimagem|300x300px|Evolução das classificações do Vitória Futebol Clube desde 1938
Origens (1903-1910) No início do século XX, várias notícias correram Setúbal de que tinha chegado à cidade um novo desporto vindo de Inglaterra, o futebol.
Uma autêntica novidade na época, mas que começou logo rapidamente a ganhar projeção, muito devido aos recentes jogos que os jovens faziam entre si. Haviam aqueles, que mais abastados, jogavam nos terrenos do Bonfim com bolas de coiro e calçado próprio, enquanto que outros, mais necessitados, jogavam em qualquer parte da cidade, geralmente descalços e com bolas de trapos.
Em 1905, vários rapazes vindos da Casa Pia e que foram estudar para o Liceu, popularizaram ainda mais a modalidade, e nesse período foram fundados os primeiros clubes da cidade, entre os quais: o Grupo Académico, o União Futebol Avenida, o Ginásio Setubalense, o Bonfim Futebol Clube, o Sport Clube Académico, entre outros. No entanto, de entre todos os conjuntos da cidade, um se destacou de forma brilhante, o Setubalense Sporting Clube (que tinha como equipamento as listas verticais listadas a verde-e-branco).
O Setubalense Sporting Clube promovia várias festas de desporto, quer em terra como em mar, tais como: caça ao pato, corridas de canoas de pesca no Rio Sado, regatas a remo, corridas pedestres e de estafetas, provas de bicicleta, exercícios de ginástica e ainda os desafios de futebol, no qual participavam os nomes mais sonantes e importantes do desporto na cidade.
Fundação e primeiros anos (1910-1920) Em 10 de Novembro de 1910, as tensões crescentes entre os membros do Bonfim Futebol Clube (um dos mais populares clubes setubalenses) levaram Joaquim Venâncio, Henrique Santos e Manuel Gregório a abandonarem o mesmo e a resolverem fundar um novo grupo. Joaquim Venâncio incentivava os colegas dissidentes com a frase "A vitória será nossa!" e o clube Sport Vitória se chamou.
Pouco tempo depois, a 20 de Novembro, aderiram ao conjunto novos sócios, tais como Guilherme da Silveira, José Preto Chagas, Manuel Reimão e Gabriel Rouillé, e formou-se assim o Sport Vitória.
Com a fundação do Sport Vitória, que adoptara como equipamento calção e camisola branca com gola e algibeira encarnada, deu-se o desaparecimento de outros clubes (entre os quais o Setubalense Sporting Clube), e todos os seus sócios aderiram em massa ao Sport Vitória, como os exemplos de: Matos Diniz, Duarte Catalão, Ernesto Viegas, António Ledo, Eurico Costa, Joaquim Gomes, Júlio Araújo, Mário Ledo, entre outros.
Em 5 de Maio de 1911, deu-se a primeira Assembleia Geral da história do clube, e nessa assembleia, por sugestão de Joaquim Correia da Costa (jornalista e escritor português), o clube passaria finalmente a denominar-se Vitória Futebol Clube.
Nessa histórica primeira Assembleia Geral, também foi formada a primeira direção da história do Vitória, que ficou constituída pelos seguintes elementos: Presidente - Manuel dos Santos Barreira; Vice Presidente - Mário Ledo; 1º Secretário - Manuel Reimão; 2º Secretário - António Ledo; Tesoureiro - Joaquim Venâncio;
Capitão Geral - Matos Diniz;
Em 15 de Maio de 1911, o Vitória Futebol Clube disputou o primeiro jogo de futebol da sua história, tendo perdido por 0-7 frente ao Futebol Grupo Nacional, no Campo Público do Bonfim.
No entanto, e mesmo após essa pesada derrota, os recentes sócios e adeptos do clube não esfriaram. Em 21 de Junho de 1912, o Vitória defrontou o Lisboa Futebol Clube e venceu por 1-0, num jogo que ficou marcado pela estreia das camisolas verde e brancas, herdadas do Setubalense Sporting Clube e que jamais deixou de usar.
Em 1913, o Vitória adquiriu o seu primeiro recinto desportivo, o Campo dos Arcos (demolido em 1971), que foi oficialmente inaugurado em 15 de Setembro de 1913, num jogo entre o Vitória e o Benfica. A partir dali, o Vitória iniciou a participação em Campeonatos inscrevendo-se na Associação de Futebol de Lisboa em 26 de Agosto de 1912, dado que ainda não existia o distrito de Setúbal. O primeiro jogo do clube vitoriano em Lisboa data de 7 de Maio de 1913, quando foi batido por 2-1 frente ao Telégrafo FC.
Apesar de todos os domingos a equipa do Vitória ter que se deslocar a Lisboa (os lisboetas recusavam-se a ir jogar a Setúbal) os sucessos foram logo imediatos, e na época 1916-17, o Vitória conquista o Campeonato de Lisboa em 2ª categoria, sendo este considerado o primeiro troféu oficial da história do Vitória.
Após este feito, o Vitória competiu pela primeira vez no Campeonato de Lisboa em 1ª categoria em 1918-19. A força do Vitória não foi no entanto apenas restringida ao futebol e, durante a sua primeira década de vida, o clube prosperou em outros desportos, como o tiro, atletismo, ciclismo (a primeira modalidade da história do Vitória) e natação.
Primeira década de ouro (1920-1930) Após a conquista do Campeonato de Lisboa em 2ª categoria em 1916-17, o Vitória repetiu o triunfo em 1921-22 e 1925-26. Tais conquistas obrigaram o clube a formar o seu grupo de honra, de modo a ombrear com alguns dos mais categorizados clubes de Lisboa da época, como o Sport Lisboa e Benfica, Sporting Clube de Portugal, Clube de Futebol Os Belenenses, Carcavelinhos Football Club, Casa Pia Atlético Clube, Império Lisboa Clube, União Foot-Ball Lisboa, entre outros.
O Campeonato de Lisboa em 1ª categoria realizou-se entre as temporadas de 1906-07 e 1946-47, tendo o Vitória, apesar de todas as contrariedades, conseguido o título de campeão em 1923-24 e 1926-27.
Em 1923-24, e depois da conquista do Campeonato de Lisboa da Segunda Divisão, o clube sadino foi convidado a disputar a final do Campeonato de Lisboa com o Casa Pia. O Vitória, com um golo de João dos Santos, venceu por 1-0 os "gansos" e conquistou assim o primeiro Campeonato de Lisboa da sua longa história. Em 1926-27, o Vitória superiorizou-se a todos os clubes lisboetas e classificou-se em 1º lugar no Campeonato de Lisboa, com 23 pontos (mais 3 que o Belenenses, 2º classificado).
Como representante de Lisboa, o Vitória participou também no Campeonato de Portugal (prova antecessora da Taça de Portugal), à época, a única prova oficial realizada pela Federação. Na temporada 1923-24, no entanto, o Vitória foi eliminado logo na 1ª eliminatória pelo Olhanense. Mais tarde, devido à subida de rendimento do clube e no culminar de uma época memorável que foi 1926-27, a equipa do Vitória foi finalista do Campeonato de Portugal. Nessa espetacular campanha, o Vitória eliminou Despertar de Beja (12-0), Salgueiros (3-0), Sporting (1-0) e o Barreirense (1-0). Na final, realizada no Lumiar no dia 12 de Junho de 1927 contra o Belenenses, o Vitória acabaria por perder por 3-0, com golos de Augusto Silva e Silva Marques (2) para os "homens da cruz de Cristo".
Mais tarde, e devido à criação do distrito de Setúbal, o Vitória abandonou a AF de Lisboa e fundou a AF de Setúbal, juntamente com outros clubes do recente distrito. Apesar da saída da AF de Lisboa, o Vitória continuou na senda dos bons resultados, com as vitórias no Campeonato de Setúbal em 1927-28 e 1928-29, a chegada às 1/2 finais do Campeonato de Portugal em 1927-28 (e a chegada aos 1/4 de final em 1928-29 e 1929-30) e tendo sido vencedor de vários troféus internacionais (no Brasil, por exemplo, onde conquistou em 1929 o Troféu Estado de São Paulo, vencendo por 3-1 o São Paulo).
A grandiosidade do Vitória neste período, além da conquista de vários troféus nacionais e internacionais, ficou bem patente em jogos amigáveis com clubes de vários países, como o Sevilha (espanhol), o Real Bétis (espanhol), o Sombathelyi (húngaro), o MTK Budapeste (húngaro), o Ferencváros (húngaro), o Greuther Fürth (alemão), o Colo-Colo (chileno), o Vasco da Gama (brasileiro), o Atlético Mineiro (brasileiro), a Portuguesa de Desportos (brasileiro), a Portuguesa Santista (brasileiro), o America - RJ (brasileiro), o Real Fortuna Vigo (espanhol, antecessor do Celta de Vigo), o Iberia SC (espanhol, antecessor do Real Saragoça), o Club Esportiu Europa de Barcelona (espanhol), o Pontevedra CF (espanhol), ou as seleções paulista e carioca, que continham um misto dos melhores jogadores dos grandes clubes brasileiros desses estados daquele país.
Também neste período, o Vitória teve nas suas equipas vários jogadores internacionais portugueses, como é o caso de João dos Santos, Armando Martins, Camolas, Octávio Cambalacho, Francisco Silva "Caramelo", Francisco Nazaré, Raúl Alexandre, Joaquim Ferreira, Matias Carlos, Eduardo Augusto, Aníbal José, entre outros.
Pós-Anos 20 e Estabilidade na Primeira Divisão Nacional (1930-1962) Em 1934-35, o Vitória é um dos oito clubes fundadores do Campeonato Nacional da Primeira Divisão, tendo-se classificado logo na primeira temporada em 5º lugar. Em 1935-36, mais uma boa classificação, outra vez com um óptimo 5º lugar. Infelizmente, na época seguinte, a equipa não praticou um futebol bonito, e acabou por descer de divisão.
Voltou em 1939-40, mas não se aguentou e voltou a descer em último lugar com apenas 1 vitória em todo o Campeonato e apenas 7 golos marcados. Em 1942-43, graças a uma excelente época, o Vitória consegue a tão ansiada subida de divisão e chega pela primeira vez na sua história à final da Taça de Portugal, graças a uma meia-final espetacular onde vence o categorizado Porto por 7-0.
Na final, a experiência do Benfica contou mais e o Vitória acabou derrotado por 5-1, com o golo solitário marcado por Amador. Nem mesmo com tamanha derrota o clube se atemorizou, e para a história fica a invasão de mais de 10.000 vitorianos às Salésias e a criação do que foi para a posterioridade uma das maiores legiões de adeptos da história do futebol nacional, o temido VIII Exército.
Na temporada 1943-44, começa o começo da afirmação do Vitória na Primeira Divisão portuguesa, que dura até aos dias de hoje. Nesses anos da década de 40 o Vitória chega a uma final da Taça de Portugal, vence o Campeonato de Setúbal por 4 vezes (em 1943-44, 1944-45, 1945-46 e 1946-47) e consegue as seguintes classificações na Primeira Divisão:
1943/44- 7º lugar; 18 jogos; 7 vitórias, 3 empates e 8 derrotas; 52 golos marcados, 50 golos sofridos; 17 pontos;