thumb|350px|Palácio de Schwetzingen visto do jardim. thumb|350px|"Bordados" nos jardins do Palácio de Schwetzingen.
Schwetzingen () é um palácio da Alemanha, localizado na cidade de Schwetzingen, entre Edelberga e Mannheim, outras cidades com residências palatinas (Edelberga e Mannheim). Schwetzingen está na região noroeste do estado de Bade-Vurtemberga, na área metropolitana do Reno-Necar.
O palácio foi residência de verão dos eleitores do Eleitorado do Palatinado Carlos III Filipe e Carlos Teodoro. O edifício adquiriu a sua forma actual por ordem do eleitor João Guilherme, segundo desenhos do arquitecto Johann Adam Breuning, entre 1700 e 1750.
O palácio acolhe todos os verões o Festival de Schwetzingen (), o qual ocorre principalmente no Teatro Rococó ().Em 2007, foi proposto o reconhecimento da residência estival de Schwetzingen como Património da Humanidade pela UNESCOSchloesser-Magazin.
História Fortaleza A primeira referência histórica ao Palácio de Schwetzingen data do ano 1350, momento em que aparece descrito como fortaleza.
Pavilhão de caça de Schwetzingen O edifício primitivo foi remodelado várias vezes, tendo sido destruído no final da Guerra dos Trinta Anos, assim como em 1689, durante a Guerra dos Nove Anos. O núcleo do castelo medieval manteve-se erguido. O fosso que rodeava a fortaleza foi soterrado.
Residência de Schwetzingen thumb|left|250px|Entrada do Palácio de Schwetzingen.
O príncipe eleitor Carlos I Luís reconstruiu o Palácio de Schwetzingen para a sua amante Marie Luise von Degenfeld. Durante uma visita, em Agosto de 1656, ordenou aos habitantes de Schwetzingen que retirassem completamente os escombros e a sujidade do lugar; os restos, como pedras, madeiras e ferragens, podiam guardá-los para uso próprio. A partir de 1657, e durante vinte anos, o príncipe residiu em Schwetzingen.
A estrutura actual do palácio deve-se ao príncipe eleitor palatino João Guilherme, o qual governava a partir de Düsseldorf. O príncipe deixou as obras sob a direcção do conde e arquitecto Matteo Alberti, construtor do Palácio de Bensberga, e do arquitecto Johann Adam Breunig, procedente de Edelberga. O palácio foi notavelmente ampliado com a construção de duas novas alas.
O edifício foi reconstruído e ampliado em várias fases a partir de 1697. Em 1752 ampliaram-se os jardins para uma área de cerca de 70 hectares. Curiosamente, as obras dos jardins foram terminadas, apesar de o palácio praticamente não ser usado desde o momento em que o príncipe eleitor Carlos IV Teodoro decidiu mudar a sua residência para Munique, em 1778.
Durante a época de Carlos Teodoro, o Palácio de Schwetzingen serviu de residência de Verão à Corte: esta mudava-se, nos meses quentes, do Palácio de Mannheim para o Palácio de Schwetzingen. A simplicidade dos aposentos dos pares do eleitor e uma maior informalidade no trato eram expressão de uma vida mais simples e despreocupada no campo.
Cronologia 1350 - Primeira menção ao Palácio de Schwetzingen; 1715 - Reconstrução do palácio; 1752 - Inauguração do "Rokokotheater" (Teatro Rococó); 1938 - Reinauguração do teatro depois de restaurado; 1952 - Primeiro "Schwetzinger Festspiele" (Festival de Schwetzingen), realizado no teatro.
Artífices A maior parte do desenho artístico do palácio e do jardim foi obra de artistas da Corte de Mannheim. Entre eles encontram-se Alessandro Galli da Bibiena e Peter Anton von Verschaffelt. O loreno Nicolas de Pigage foi o director artístico do jardim e das fontes artificiais, assim como o arquitecto mais significativo dos tempos de Carlos Teodoro. Pigage ampliou o jardim utilizando todos os estilos da época. Johann Ludwig Petri, o jardineiro da Corte de Zweibrücken, plantou o parterre principal e o círculo que engloba o jardim francês.
O segundo jardineiro da Corte foi Johann Wilhelm Sckell, colaborador principal de Pigage. O seu filho, Friedrich Ludwig Sckell, foi indicado para Munique em 1804, onde dispôs um jardim à inglesa. O primeiro director de horticultura de Baden foi Johann Michael Zeyher, o qual introduziu os liláses em Schwetzingen.
Jardim thumb|Vista aérea do Jardim de Schwetzingen thumb|300px|O Palácio de Schwetzingen visto a partir dos seus jardins.
A situação do Jardim de Schwetzingen é única no que se refere ao seu desenho e à sua conservação. Ao contrário do que ocorre na maioria dos jardins palacianos, os antigos estilos de jardinagem não foram reordenados — e desta forma destruídos ou alterados — pelos novos. Em Schwetzingen, o carácter dos antigos e formais jardins franceses ajusta-se perfeitamente aos modernos jardins paisagísticos segundo o modelo inglês.
O Jardim de Schwetzingen era, com excepção da área em redor dos banhos, acessível a toda a população sem custos de entrada já desde a época dos príncipes eleitores. Uma ordenança regia o comportamento adequado dos visitantes.
Jardim francês thumb|Vista aérea do Jardim francês Ao longo da linha central do jardim pode ver-se a Königstuhl, na Odenwald, para este, e o monte Kalmit, na Floresta Palatina, para oeste.
O jardim barroco é um jardim formal de estilo francês disposto com estritas formas geométricas. Os elementos mais importantes são os dois eixos (principal e transversal) e o círculo que engloba e define o jardim. A parte frontal do jardim mostra parterres e alinhamentos.
A fonte central, chamada Fonte de Arion, é obra de Guibal. Tem como tema uma história da mitologia grega: Arion (Arion de Lesbos) era um conhecido cantor. Depois de um concurso, no qual conseguiu um grande prémio, foi encurralado pelos marinheiros do barco em que viajava. Suplicou a graça de cantar pela última vez, o que lhe foi concedido. Ao cantar apareceram golfinhos e Arion conseguiu montar-se num deles, que o levou à costa de forma a poder seguir o seu caminho. Segundo algumas tradicões, a Constelação do Golfinho é, na realizadees, Arion sobre o golfinho.
O jardim francês está rematado pela representação de uma caçada, obra de Peter Anton von Verschaffelt. Nas cercanias, encontram-se os quatro elementos representados em esculturas.
Jardim inglês A parte ocidental e norocidental do jardim foi acondicionada como jardim inglês, ou paisagístico. Os caminhos são, neste caso, ondulantes, em contraposição ao jardim francês. Nesta zona, coberta de bosques e irregular, apenas se introduziram alterações.
Jardim turco thumb|300px|Mesquita no Jardim turco.
Na zona traseira do chamado "Jardim turco" encontra-se a mesquita, obra de Pigage. Não é uma verdadeira mesquita, mas sim uma interpretação na linguagem artística da Europa do século XVIII. Não é, por isso, uma réplica de um verdadeiro edifício islâmico. O pátio da mesquita foi usado frequentemente para representação de óperas ao ar livre. A mesquita foi usada ocasionalmente por muçulmanos.
Diante da mesquita encontra-se o antigo horto para uso privado do príncipe. Atrás fica um viveiro.
Arboretum Um arboretum é uma colecção de plantas de madeiras exóticas. Zeyher, arquitecto paisagístico, acondicionou este jardim, em 1802, com imagens de todo o mundo. Especialmente notável, é a porta de ferro forjado da autoria de Franz Wilhelm Rabaliatti. Nesta mesma zona encontrava-se, anteriormente, uma faisonaria onde se criavam animais.
Lago Ao entrar no jardim, apresenta-se ante o visitante um grande lago, o qual encerra o jardim. No dito lugar achava-se, inicialmente, um depósito de água amuralhado. Graças à sugestão feita, em 1823, por Zeyher ao grão-duque Luís de Baden, o depósito foi ampliado, transformando-se num lago com margens naturais. De cada lado do eixo visual (nos eixos longitudinais que olham o palácio) descansam duas esculturas de Verschaffelt, a representação divina dos rios Reno e Danúbio.
O lago e todas as outras obras aquáticas, também chamadas de artes aquáticas, eram enchidos pelas duas estações de distribuição de águas de Pigage, cujas bombas funcionavam através da utilização das águas do riacho Leimbach para mover as rodas. Estes elementos estavam incluídos nos fluxos naturais da água, os quais desciam da Odenwald em direcção ao Reno. As águas subterrâneas limpas eram usadas, por exemplo, para as fontes. Estas bombas encontravam-se no extremo da ala norte do palácio (estação alta). Uma segunda estação de bombeamento, com um reservatório de alta pressão para garantir uma pressão contínua, encontrava-se no parque, no extremo do aqueduto que ficava escondido por trás dele (estação baixa).
Edifícios A cidade, o palácio e o jardim, com as suas construções meramente paisagísticas, fontes e esculturas, constituem uma unidade criativa que captura a paisagem circundante. Ambas as partes do jardim ofereciam, juntamente com as numerosas estátuas, outros destinos possíveis para um passeio do conde palatino e da sua Corte: o Templo de Mercúrio (ruínas artísticas), o lago diante da mesquita com madraçal, o Templo de Minerva, o Templo de Apolo, o Templo do Botânico, os banhos (um pequeno pavilhão), a Orangerie e uma parte separada do jardim com estátuas das estações, a "Perspectiva" junto aos banhos e o aqueduto romano com cascata artística incluída.
O desenho do conjunto arquitectónico mostra referências, filosóficas e arquitectónicas, à antiguidade clássica e, no caso do complexo da mesquita, ao Islão e à sabedoria oriental. Novas investigações querem reconhecer em Schwetzinger um desenho francomaçónico, ao qual se uniriam conceitos cristãos.
O palácio O visitante entra no palácio através de um sumptuoso pátio rodeado de lilases. Na casa de vigilância encontram-se uma loja e uma cafetaria.
Salas interiores No amplo restauro que se efectuou entre 1975 e 1991 reconstruíram-se as salas interiores do palácio e acondicionaram-se os móveis autênticos do século XVIII. No andar nobre são exibidos, com arranjo museológico, os salões. Os aposentos do príncipe-eleitor e os da sua esposa são mostrados segundo o perfil do palácio no tempo de Carlos Teodoro.
300px|thumb|Ala circular norte do Palácio de Schwetzingen, construída por Babiena entre 1748 e 1749. thumb|right|150px|Palco do Teatro de Schwetzingen. thumb|right|150px|Camarotes do Teatro de Schwetzingen.
De especial importância histórico-artística são os aposentos do segundo andar, os quais foram redesenhados na época bádica (a partir de 1803) para a condessa Luise Karoline von Hochberg, devido aos excelentes papéis de parede estampados à mão e conservados, da firma Zuber em Rixheim. Entre eles destaca-se uma vista dos Alpes, "Vues de Suisse" (Vistas da Suíça).
Alas circulares As alas circulares são dois edifícios de cantaria, constituídos por um único andar, com acesso imediato ao jardim graças a uns altos janelões. Unem-se às partes laterais do palácio formando um hemiciclo, rodeando o parterre circular juntamente com o semicírculo constituído pela galeria gradeada do outro lado. A ala norte foi construída por Bibiena entre 1748 e 1749, enquanto que a ala sul é obra de Rabliatti, realizada em 1753.
As alas eram usadas para actividades da Corte, como banquetes, jogos, concertos e bailes, entre outras. Este tipo de dependências adicionais eram necessárias ante o comportamento inibido que se vivia no edifício principal do palácio. Actualmente as alas são usadas como restaurante, cafetaria e vestíbulo do teatro, assim como para concertos e exposições.
Teatro 230px|left|thumb|Teatro Rococó do Palácio de Schwetzingen.
O Teatro da Corte dos Eleitores, num estilo neoclássico inicial (frequentemente conhecido de forma errónea como Rokokotheater - teatro Rococó), foi construído em 1752 e inaugurado com o Intermezzo musical "Porsognacco". Encontravam-se presentes cantores, instrumentistas e compositores de renome internacional, incluindo os representantes da Escola de Mannheim.