José Ivo Sartori (Farroupilha, ), conhecido também por Sartori, é um professor, filósofo e político brasileiro, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Foi governador do estado do Rio Grande do Sul entre 2015 e 2019. É casado com Maria Helena Sartori, com quem tem dois filhos.

Natural da Serra Gaúcha, formou-se em filosofia pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e foi professor universitário e de cursos pré-vestibulares. Iniciou sua carreira política no movimento estudantil e entre 1972 a 1975 presidiu o Diretório acadêmico (DCE) da UCS. Em seguida, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e foi eleito vereador em Caxias do Sul em 1976. Exerceu cinco mandatos consecutivos como deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa entre 1998 a 1999. Durante o governo de Pedro Simon, foi secretário estadual do Trabalho e Bem-Estar Social entre 1987 a 1988.

Concorreu, sem sucesso, ao cargo de prefeito de Caxias do Sul em 1992 e 2000. Em 2002, elegeu-se deputado federal com quase cem mil votos. Em 2004, elegeu-se prefeito de Caxias no segundo turno com 52,4% dos votos. Quatro anos depois, reelegeu-se no primeiro turno com 54,3% dos votos, vencendo seu antecessor, Pepe Vargas.

Em 29 de junho de 2014, foi oficializada sua candidatura ao Palácio Piratini. Em uma reviravolta na reta final da campanha, classificou-se para o segundo turno juntamente com o governador Tarso Genro. Em 26 de outubro, venceu a eleição com 61,2% dos votos, sendo empossado o trigésimo oitavo governador do Rio Grande do Sul em 1º de janeiro de 2015. Em 2018, concorreu à reeleição, mas foi derrotado por Eduardo Leite.

Família, educação e movimento estudantil thumb|esquerda|upright|Sartori ainda criança, em fotografia de 1948-1949. thumb|esquerda|A família Sartori em 1986.

José Ivo Sartori nasceu na Capela de São Valentin, uma pequena localidade do interior de Farroupilha, Rio Grande do Sul, em 25 de fevereiro de 1948. Descendente de italianos, é o filho mais velho de Antônio Silva Sartori, que trabalhava como borracheiro, e de Elza Josefina Dengo Sartori, uma dona de casa. Além dele, o casal teve outros cinco filhos: Neuza, Janete, Luiz, Maria de Lourdes e Olmar. Durante a infância, trabalhou no campo ao lado do pai e de seus irmãos. Segundo relatou mais tarde, "Nós, as crianças, tínhamos de ajudar os adultos que estavam trabalhando na roça. Uma das nossas principais tarefas era levar a sporta onde eram carregados os mantimentos que seriam consumidos ao meio-dia, já que não era costume retornar para casa em meio ao trabalho."

Em 1959, a família Sartori mudou-se para um bairro mais próximo do centro de Farroupilha. Em 1961, foi estudar na cidade de Antônio Prado, onde cursou o antigo ginásio na Escola São José. Lá permaneceu durante cinco anos, época em que foi tesoureiro da primeira diretoria do Grêmio Estudantil daquela escola e participou da Juventude Estudantil Católica (JEC). Logo após completar dezoito anos, começou a estudar para ser padre no Colégio do Carmo, em Caxias do Sul, e no Seminário Maior, de Viamão, onde iniciou o curso de filosofia em 1969. Posteriormente, deixou o seminário e voltou para Caxias, onde concluiu os estudos na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Neste período, fez parte do movimento estudantil e presidiu o Diretório acadêmico (DCE) daquela universidade entre 1972 a 1975. Como presidente do DCE, organizou eventos culturais, como uma palestra de Teotônio Vilela, e recepcionou os cantores Chico Buarque e Milton Nascimento.

Após graduar-se em filosofia em 1975, passou a dar aulas desta disciplina, além de história, moral e cívica, Organização Social e Política Brasileira e educação religiosa em universidades, escolas particulares e cursos preparatórios de vestibular. Foi sócio de Germano Rigotto, futuro governador do Rio Grande do Sul (2003-2007), de um curso pré-vestibular, chamado de "Cursão".

Em 9 de julho de 1976, casou-se com Maria Helena, sua ex-colega no curso de filosofia da UCS. Segundo José Ivo Sartori relatou, "tem gente que acha que foi a Maria Helena que me tirou do seminário. Não continuei porque foi uma opção. Eu achava que tinha uma propensão para casar e constituir família." O casal teve dois filhos: Marcos, nascido em 11 de novembro de 1982, e Carolina, nascida em 2 de outubro de 1986.

É associado ao Rotary Club de Caxias do Sul, RS, desde 2013, em que apoia ações humanitárias.https://abrol-rio.com.br/membro/jose-ivo-sartori/

Carreira legislativa thumb|Sartori e o senador Pedro Simon, em 1986.

Em 1974, Sartori filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), principal partido de oposição à Ditadura militar. Nas eleições municipais de 1976, foi eleito vereador de Caxias do Sul com 2.297 votos, sendo o terceiro mais votado de seu partido e o quarto entre todos os candidatos. Naquele ano, o MDB também elegeu o prefeito de Caxias, Mansueto de Castro Serafini Filho.

Em 1980, com a abertura partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o sucessor do MDB. Sartori foi eleito deputado estadual em 1982, e reeleito em 1986, 1990, 1994 e 1998. Durante o governo de Pedro Simon, também do PMDB, foi Secretário estadual de Trabalho e Bem-Estar Social entre 1987 a 1988. Como deputado estadual, criou o Conselho Estadual do Idoso, a Casa do Artesão Gaúcho e foi autor da lei que permitiu o parcelamento do ICMS na importação de máquinas e equipamentos sem similar de fabricação nacional.

Em fevereiro de 1998, foi eleito presidente da Assembleia Legislativa, cargo que ocupou até fevereiro de 1999. Na presidência da Assembleia, foi governador interino duas vezes. Em março de 1999, foi admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Comendador especial.

Entre 2001 a 2002, foi vice-presidente da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (UNALE). Nas eleições de 2002, elegeu-se deputado federal com 98.903 votos (1,68%). Na Câmara dos Deputados, atuou como membro titular das comissões de Constituição e Justiça e na de Educação e Cultura.

Eleições para prefeito de Caxias do Sul Derrotas: 1992 e 2000 Em 1992, candidatou-se a prefeito de Caxias do Sul pela primeira vez. Sua coligação foi formada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e pelo Partido Popular Socialista (PPS). Sartori terminou em terceiro lugar com 34.631 votos (23,44%), sendo superado pelo prefeito eleito, Mario David Vanin (29,01%) e Pepe Vargas (26,97%). Não foi realizado um segundo turno entre Vanin e Pepe porque na época Caxias não tinha duzentos mil eleitores, número necessário para que o segundo turno seja disputado.

Em 2000, candidatou-se pela segunda vez ao executivo sul-caxiense. Desta vez, conseguiu o apoio do Partido Progressista Brasileiro (PPB). No primeiro turno, totalizou 43,11% dos votos válidos, classificando-se para o segundo turno com o então prefeito Pepe Vargas, do Partido dos Trabalhadores (PT), que ficou com 48,15%. Em um segundo turno disputado, Pepe venceu com 103.015 votos (50,20%), contra os 102.191 votos de Sartori (49,80%).

Vitórias: 2004 e 2008 2004

Em 2004, voltou a ser candidato a prefeito de Caxias. Sua coligação, denominada Caxias para Todos, foi composta por cinco partidos e o candidato a vice foi Alceu Barbosa Velho. Segundo as pesquisas de opinião, Sartori iniciou a campanha do primeiro turno na frente. No entanto, a campanha governista da deputada estadual Marisa Formolo conseguiu um crescimento nas últimas pesquisas do primeiro turno, garantindo um empate técnico. Em 3 de outubro, foi confirmado que seria realizado um segundo turno com Formolo, que conquistou 41% dos votos válidos, e Sartori, com 35%. O terceiro colocado, Ruy Pauletti, obteve pouco menos de 20% dos votos e declarou apoio a Sartori no segundo turno. Em 31 de outubro, foi eleito prefeito com 52,67% dos votos válidos.

2008

Em 7 de julho de 2008, iniciou sua campanha à reeleição. Alceu Barbosa Velho foi novamente escolhido como seu candidato a vice-prefeito. A coligação liderada por Sartori recebeu o mesmo nome da de 2004 e contou com o apoio formal de catorze partidos. O único candidato de oposição foi Pepe Vargas, ex-prefeito que concorreu pela coligação Frente Popular, formada por quatro partidos.

Em julho de 2008, a coligação Frente Popular ingressou na justiça com um pedido para igualar o tempo na propaganda eleitoral de rádio e televisão. A coligação argumentou que o tempo da propaganda deveria ser distribuído de forma igualitária por haver apenas dois candidatos. Uma liminar negou o pedido, mantendo o tempo de vinte e um minutos para Sartori e nove para Pepe. Durante a campanha, um dos principais debates entre os candidatos foi a falta de água, que atingiu diversos bairros naquele ano. Todas as pesquisas de opinião pública indicaram proximidade entre Sartori e Pepe. Em 5 de outubro, foi reeleito com 54,35% dos votos válidos.

Prefeito de Caxias do Sul Em 1º de janeiro de 2005, foi empossado o trigésimo quarto prefeito de Caxias do Sul. Sua reeleição em 2008 garantiu-lhe o direito a um segundo mandato, de 1º de janeiro de 2009 até 1º de janeiro de 2013. Na eleição municipal de 2012, conseguiu eleger o sucessor, seu ex-vice-prefeito e então deputado estadual Alceu Barbosa Velho, que foi eleito em primeiro turno.

Principais iniciativas Em agosto de 2007, a coleta seletiva de lixo, que existia desde 1991, foi mecanizada. Com isso, Caxias do Sul tornou-se a primeira cidade do país a implantar este tipo de coleta. Até maio de 2012, a coleta mecanizada atingia 35% da cidade e a quantidade de lixo reciclável coletado foi triplicado, chegando a um quarto do lixo produzido. Em parceria com associações de reciclagem, a prefeitura oferecia um incentivo para quem colaborasse. Neste sentido, foi criado em 2006 o programa "Troca Solidária", que troca lixo reciclável por alimentos. Estas iniciativas ajudaram a reduzir a quantidade de lixo nas ruas.

Ainda em 2007, foi criado a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (CIPAVE), que abrangia todas as escolas municipais. Entre os objetivos do CIPAVE, estão a conservação do patrimônio público, a atuação permanente em campanhas educativas, a prevenção de acidentes e primeiros socorros e a diminuição da violência escolar.

Com o objetivo de ligar as comunidades rurais com a área urbana, foi criado o Programa de Asfaltamento do Interior (PAI). Durante suas duas gestões, foram entregues 170 quilômetros de asfalto. O PAI foi financiado com recursos próprios da prefeitura e empréstimos com a Corporação Andina de Fomento (CAF) e o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

Sistema Marrecas Em 2009, as obras do Sistema de Abastecimento de Água Marrecas foram iniciadas. O Marrecas é considerada a maior obra do governo Sartori e tem como objetivo garantir o abastecimento de água para 250 000 habitantes pelos próximos vinte anos. Os estudos para a construção deste sistema iniciaram em 1966 e sua capacidade foi estimada em 33 bilhões de litros de água. Os gastos totais foram orçados inicialmente em R$ 130 milhões, mas as obras acabaram custando R$ 250 milhões. Segundo dados de dezembro de 2012, o governo federal arcou com R$ 150 milhões e o município destinou R$ 100 milhões de recursos próprios.

Em 22 de dezembro de 2012, o Sistema Marrecas foi inaugurado com a presença da presidente Dilma Rousseff e do governador Tarso Genro. No entanto, começou a funcionar apenas em setembro de 2014, já na administração do prefeito Alceu Barbosa Velho. O Sistema Marrecas é uma das obras mais polêmicas dos últimos anos na cidade, uma vez que já foi inaugurada várias vezes em solenidades oficiais, mas ainda apresenta dificuldades para funcionar adequadamente.

Greve dos médicos