Vladimir Alexandrovich da Rússia, (em russo: Владимир Александрович / Влади́мирович), (22 de abril de 1847 – 17 de fevereiro de 1909) foi o grão-duque mais velho durante o reino do seu sobrinho, o czar Nicolau II da Rússia.
O grão-duque Vladimir seguiu uma carreira militar e ocupou posições militares importantes durante os reinados dos últimos três imperadores russos. Interessado em assuntos artísticos e intelectuais. Foi nomeado presidente da Academia das Belas Artes e foi mecenas de vários artistas e do ballet imperial.Perry & Pleshakov, The Flight of the Romanovs , p. 35
Durante o reinado do seu pai, o czar Alexandre II, Vladimir tornou-se general-adjunto, senador em 1868 e membro do Conselho de Estado em 1872. O seu irmão, Alexandre III, também promoveu a sua carreiro. Tornou-se membro do conselho de ministros, comandante do corpo da Guarda ImperialAlexander, Once a Grand Duke, p. 139 e governador militar de São Petersburgo. Tentou exercer alguma influência no seu sobrinho, o czar Nicolau II, mas teve de se contentar com a liderança de uma corte rival juntamente com a sua esposa, a grã-duquesa Maria Pavlovna, no seu palácio em São Petersburgo. Os acontecimentos do Domingo Sangrento de 1905, que sucederam quando Vladimir ocupava o cargo de governador militar de São Petersburgo, prejudicaram a sua reputação. Durante os seus últimos anos de vida, a zanga entre a sua família e a do czar Nicolau II aprofundou-se.Zeepvat, Romanov Autumn, p. 98 Morreu depois de sofrer uma apoplexia em 1909. A sua bisneta, a grã-duquesa Maria Vladimirovna, é uma das atuais pretendentes à liderança da família Romanov.
Primeiros anos thumb|left|200px|Vladimir enquanto jovem. O grão-duque Vladimir Alexandrovich nasceu a 22 de abril de 1847 em Czarskoye Selo, a cerca de 32 km de São Petersburgo. Era o quarto dos oito filhos do czar Alexandre II da Rússia e da sua esposa, a princesa Maria de Hesse-Darmstadt.
Tinha oito anos de idade quando o seu avô, o czar Nicolau I, morreu e o seu pai se tornou czar da Rússia. Vladimir foi bem educado e sempre se interessou por literatura e pelas artes ao longo de toda a sua vida. Contudo, tal como todos os membros masculinos da família Romanov, foi forçado a seguir uma carreira militar. Como era apenas o terceiro filho numa família numerosa, estava longe de vir a suceder ao trono russo. Apesar de tudo, em 1863, após a morte prematura do seu irmão mais velho, o czarevich Nicolau, Vladimir ficou inesperadamente mais próximo do trono, tornando-se herdeiro presumível logo depois do seu irmão Alexandre.Chavchavadze, The Grand Dukes, p. 103 Ao contrário de Alexandre, o novo herdeiro, Vladimir era sagaz e ambicioso. Corriam rumores na altura de que Alexandre II iria excluir o seu segundo filho da linha de sucessão para fazer de Vladimir seu herdeiro. Alexandre também teria preferido ceder o seu lugar na sucessão na esperança de se vir a casar morganaticamente, mas eventualmente iria ceder à pressão da família para se casar com uma noiva adequada.Chavchavadze, The Grand Dukes, p. 105 Contudo, a relação entre os dois irmãos, embora fosse cordial, nunca foi muito chegada.
Um grão-duque russo Em 1867, o grão-duque Vladimir foi nomeado presidente honorário da sociedade etnográfica russa e no mesmo ano acompanhou o seu pai e o irmão Alexandre à Feira Mundial em Paris, onde o seu pai foi baleado por um nacionalista polaco.Chavchavadze, The Grand Dukes, p. 103 Em 1871, visitou a região do Cáucaso, a Geórgia, Chechénia e Daguestão com o pai e os irmãos. Em 1872, acompanhou o seu pai a Viena para a reunião dos três imperadores da Rússia, Alemanha e Áustria.
Quando era jovem, o grão-duque Vladimir Alexandrovich viveu um estilo de vida acelerado com festas e bebida. Sendo membro do jet set europeu da sua época, viajava frequentemente a Paris. Na capital francesa recebeu a alcunha de "O grão-duque, bon vivant". A sua paixão pela boa vida deixou-o corpulento quando era ainda jovem, apesar de ter emagrecido mais tarde. Tinha uma grande variedade de interesses. Adorava as artes, era um pintor de talento e coleccionou uma colecção de livros importante. Apesar de não ser tão alto como os seus irmãos, era bonito e tinha uma personalidade dominante, mas não suportava criticas por parte do público. Era conhecido pela sua voz forte, era um caçador perspicaz e um apreciador de comida conhecido. Reuniu também uma colecção de menus copiados de refeições em que tinha estado presente e nos quais acrescentou notas sobre as suas opiniões da comida.
Casamento e descendência thumb|right|200px|Vladimir com a sua esposa Maria. Enquanto viajava pela Alemanha com a sua família em junho de 1871, o grão-duque Vladimir conheceu a duquesa Maria Alexandrina de Mecklemburgo-Schwerin, filha do grão-duque Frederico Francisco II de Mecklemburgo-Schwerin e da duquesa Augusta de Reuss-Köstritz. Maria tinha dezassete anos e já estava noiva de um parente distante, o príncipe Jorge de Schwarzburg.Zeepvat, Romanov Autumn, p. 94 O grão-duque Vladimir tinha na altura vinte-e-quatro anos. Ficaram os dois apaixonados. Maria era bisneta da grã-duquesa Helena Pavlovna da Rússia, filha do czar Paulo I. Por isso, Vladimir era prima em segundo-grau do pai dela. Contudo, através da descendência do rei Frederico Guilherme III da Prússia, os dois eram primos em segundo-grau. Para se poder casar com Vladimir, Maria acabou o seu noivado anterior, mas recusou converter-se à Igreja Ortodoxa.Zeepvat, Romanov Autumn, p. 95 Esta decisão atrasou o noivado do casal durante quase dois anos. Finalmente, o czar Alexandre II consentiu o casamento, permitindo que Maria continuasse a ser luterana e que Vladimir não perdesse os seus direitos ao trono russo. O noivado foi anunciado em Abril de 1874.
O casamento celebrou-se em São Petersburgo a 28 de agosto de 1874 no Palácio de Inverno. A esposa de Vladimir passou a usar o nome de grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia. Seria apenas muitas décadas mais tarde, já depois da morte de Vladimir, que se converteu à Igreja Ortodoxa Russa, tendo depois recebido o título de "a grã-duquesa ortodoxa" do seu sobrinho, o czar Nicolau II. Tanto o grão-duque Vladimir como a sua esposa eram sagazes e ambiciosos. Gostavam de receber pessoas e a sua residência em São Petersburgo tornou-se o centro da vida social da capital imperial. Com personalidades semelhantes, o casal teve um casamento longo e feliz.Van der Kiste, The Romanovs 1818-1959, p. 68
O Palácio de Vladimir thumb|left|200px|Quadro contemporâneo do Palácio de Vladimir. Na altura do seu casamento, a residência de Vladimir já estava pronta e o grão-duque mudou-se para lá com a sua esposa. A casa recebeu o nome de Palácio de Vladimir e foi o último palácio imperial a ser construído em São Petersburgo. O grão-duque Vladimir nomeou o arquitecto Aleksandr Rezanov para o projecto devido ao conhecimento que possuía sobre arquitectura russa antiga.Belyakova, The Romanov Legacy , p. 158 Rezanov teve a ajuda de uma equipa de arquitectos: Vasily Kenel, Andrei Huhn, Ieronim Kitner e Vladimir Shreter. A primeira pedra foi colocada a 15 de Julho de 1867.Belyakova, The Romanov Legacy , p. 160 A construção demorou cinco anos, entre 1867 e 1872. A mobília foi criada pelo arquitecto Victor Shroeter.
O local escolhido para o palácio foi o embarcamento perto do Palácio de Inverno, no centro de São Petersburgo. Antigamente encontrava-se lá a casa do conde Vorontsov Dashkov que tinha sido comprada com o tesouro da coroa. O lote foi alargado através da compra de uma casa na vizinhança que pertencia a Madame Karatinga. O custo total da construção e mobília do palácio foi de 820,000 rublos, uma quantia muito mais modesta do que a que tinha sido gasta para construir palácios de grão-duques em decadas anteriores.
O Palácio de Vladimir encontra-se ao lado do rio Neva, tal como o Palácio de Inverno e o Palácio de Mármore, no embarcamento Dvostsovaya.Perry & Pleshakov, The Flight of the Romanovs , p. 36 A faixada, ornamentada com estuque rústico, foi padronizada da mesma forma que o palácio de Leon Battista Alberti em Florença. O alpendre principal é feito de arenito de Bremen e adornada com grifos, brasões-de-armas e lanternas em ferro fundido. Outros pormenores estão moldados em cimento portland.
O palácio e os seus edifícios exteriores têm o total de 360 divisões, todas decoradas em estilos históricos ecléticos: Neo-Renascentista (recepção, quarto, sala-de-convívio), Revivalismo Gótico (sala-de-jantar), Revivalismo Russo (Sala de Carvalho), Rococó (Sala Branca), estilo Bizantino (escritório), Luís XIV, vários estilos orientais e muito mais. Esta ornamentação interior, aumentada por Maximilian Messmacher entre 1881 e 1891, é considerada um grande monumento da paixão do século XIX pelo historicismo.Belyakova, The Romanov Legacy , p. 172 O grão-duque Vladimir decorou os seus aposentos com a sua colecção de pinturas russas dos melhores artistas da sua época tais como: Ilya Repin, Ivan Aivazovsky, Feodor Bruni, Vasili Vereshchagin, Ivan Kramskoy, Mikhail Vrubel, Nicholas Sverchkov e Rudoplh Frenz.Belyakova, The Romanov Legacy , p. 162
Três reinados thumb|right|200px|Vladimir com a sua esposa e filhos. O grão-duque Vladimir ocupou cargos militares importantes durante três reinados. Tinha experiência no campo de batalha devido à sua participação na Guerra Russo-Turca de 1877-78, durante a qual acompanhou o seu pai e irmãos Alexandre e Sérgio.Van der Kiste, The Romanovs 1818-1959, p. 72 Lutou contra as tropas turcas na posição de oficial de comando do XII Corpo do Exército Russo. Contudo, a sua carreira militar não o interessava tanto como arte e literatura.Alexander, Once a Grand Duke, p. 138 Em 1880, o seu pai nomeou-o presidente da Academia Imperial das Belas Artes. Era também membro da Academia das Ciências e agente do Museu de Rumyantsev.Zeepvat, The Camera and the Tsars, p. 136 O grão-duque Vladimir estava na capital imperial quando o seu pai foi assassinado e sucedido por Alexandre III em 1881. Vladimir, que se recompôs mais rapidamente do que o seu irmão mais velho, foi encarregue da tarefa de anunciar a morte do pai ao público.Van der Kiste, The Romanovs 1818-1959, p. 91 Vladimir herdou a biblioteca pessoal do pai à qual acrescentou ainda a sua própria colecção que se encontrava distribuída por três divisões no Palácio de Vladimir.Alexander, Once a Grand Duke, p. 137 Depois da Revolução Russa, estes livros foram vendidos de forma aleatória de acordo com o seu peso e grande parte deles faz parte actualmente de várias colecções de universidades americanas.Perry & Pleshakov, The Flight of the Romanovs , p. 37
Apesar de Alexandre III não ser chegado a Vladimir e de existir uma rivalidade entre as suas esposas, o czar promoveu a carreira do seu irmão. No dia a seguir à morte do seu pai, nomeou Vladimir governador militar de São Petersburgo, um cargo que tinha pertencido anteriormente ao tio deles, o grão-duque Nicolau Nikolaevich. Vladimir prestava também serviço no conselho de estado e era presidente da comissão que inspeccionou a construção da Catedral de São Salvador, construída entre 1883 e 1907 no local do assassinato do seu pai, o czar Alexandre II da Rússia.Zeepvat, The Camera and the Tsars, p. 136
O grão-duque Vladimir era um grande filantropo. Sendo ele próprio um pintor de talento, tornou-se um mecenas das artes conhecido. Conhecia vários artistas e reuniu uma colecção valiosa de quadros e ícones antigos. Mais tarde interessou-se muito por ballet e financiou a digressão "Ballets Russes" de Diaghilev.