Reuters é uma agência de notícias britânica de propriedade integral da Thomson Reuters, um conglomerado multinacional de informações. Emprega cerca de 2.500 jornalistas e 600 fotojornalistas em 200 locais e 165 países ao redor do mundo, produzindo conteúdo em 16 idiomas. A Reuters é uma das maiores agências de notícias do mundo.

A Reuters não possui uma única sede. A equipe de liderança está distribuída entre vários locais. Paul Bascobert, presidente da Reuters News, trabalha em Nova Iorque, enquanto a editora-chefe, Alessandra Galloni, trabalha na sede editorial da Reuters no Reino Unido, em Canary Wharf, Londres.

A agência foi fundada em Londres em 1851 pelo barão britânico nascido na Alemanha Paul Julius Reuter. A canadense Thomson Corporation adquiriu a agência em uma fusão empresarial em 2008, resultando na formação da Thomson Reuters Corporation.

Em dezembro de 2024, a Reuters foi classificada como o 27.º site de notícias mais visitado do mundo, com mais de 105 milhões de leitores mensais.

História

Século XIX thumb|upright|Paul Julius Reuter, fundador da Reuters (fotografado por Félix Nadar, )

Paul Julius Reuter trabalhou em uma editora de livros em Berlim e participou da distribuição de panfletos radicais no início das Revoluções de 1848. Essas publicações atraíram muita atenção para Reuter, que, em 1850, desenvolveu um protótipo de serviço de notícias em Aachen, usando pombos-correio e, a partir de 1851, telegrafia elétrica para transmitir mensagens entre Bruxelas e Aachen, no edifício hoje conhecido como Reuters House de Aachen.

Reuter mudou-se para Londres em 1851 e estabeleceu uma agência telegráfica de notícias na Royal Exchange de Londres. Sediada em Londres, a empresa de Reuter inicialmente cobria notícias comerciais, atendendo bancos, corretoras e empresas. O primeiro jornal a assinar o serviço foi o londrino Morning Advertiser em 1858, e outros começaram a assiná-lo pouco depois. Segundo a Encyclopædia Britannica, "o valor da Reuters para os jornais residia não apenas nas notícias financeiras que fornecia, mas em sua capacidade de ser a primeira a noticiar acontecimentos de importância internacional". Foi, por exemplo, a primeira a noticiar na Europa o assassinato de Abraham Lincoln, em 1865.

Em 1865, Reuter constituiu formalmente sua empresa privada sob o nome Reuter's Telegram Company Limited; ele foi nomeado diretor-gerente da companhia.

Em 1870, as agências de imprensa francesa Havas (fundada em 1835), britânica Reuter's (fundada em 1851) e alemã Wolff (fundada em 1849) assinaram um acordo, conhecido como Ring Combination, que estabelecia "territórios reservados" para as três agências. Cada agência firmava separadamente seus próprios contratos com agências nacionais ou outros assinantes dentro de seu território. Na prática, a Reuters, que havia concebido a ideia, tendia a dominar a Ring Combination. Sua influência era maior porque seus territórios reservados eram mais extensos ou tinham maior importância jornalística do que a maioria dos demais. Também possuía mais funcionários e correspondentes stringers em todo o mundo e, assim, contribuía com mais notícias originais para o conjunto compartilhado. O controle britânico das linhas de cabos tornou Londres um centro incomparável de notícias mundiais, ainda mais fortalecido pelas amplas atividades comerciais, financeiras e imperiais do Reino Unido.

Em 1872, a Reuter's expandiu-se para o Extremo Oriente, seguida pela América do Sul em 1874. Ambas as expansões foram possibilitadas pelos avanços nos telégrafos terrestres e nos cabos submarinos. Em 1878, Reuter aposentou-se do cargo de diretor-gerente e foi sucedido por seu filho mais velho, Herbert de Reuter. Em 1883, a Reuter's começou a transmitir mensagens eletricamente para jornais de Londres.

Século XX thumb|upright|Roderick Jones, diretor-geral entre 1915 e 1941

Herbert de Reuter, filho de Reuter, permaneceu como diretor-geral até morrer por suicídio em 1915. A empresa voltou à propriedade privada em 1916, quando todas as ações foram compradas por Roderick Jones e Mark Napier; eles renomearam a companhia para "Reuters Limited" e retiraram o apóstrofo do nome. Em 1923, a Reuters começou a usar o rádio para transmitir notícias internacionalmente, uma iniciativa pioneira. Em 1925, a Press Association (PA) da Grã-Bretanha adquiriu uma participação majoritária na Reuters e, alguns anos depois, a propriedade integral. A empresa transferiu-se para uma nova sede na 85 Fleet Street na década de 1930.

Durante as guerras mundiais, o The Guardian informou que a Reuters "sofreu pressão do governo britânico para servir aos interesses nacionais. Em 1941, a Reuters afastou essa pressão ao se reestruturar como uma empresa privada". Em 1941, a PA vendeu metade da Reuters à Newspaper Proprietors' Association, e a copropriedade foi ampliada em 1947 para associações que representavam jornais diários da Nova Zelândia e da Austrália. Os novos proprietários formaram o Reuters Trust. Os Princípios do Reuters Trust foram estabelecidos para manter a independência da empresa. Naquele momento, a Reuters havia se tornado "uma das principais agências de notícias do mundo, fornecendo texto e imagens a jornais, outras agências de notícias e emissoras de rádio e televisão". Também então, direta ou indiretamente por meio de agências nacionais, prestava serviços à maioria dos países, alcançando praticamente todos os principais jornais do mundo e muitos milhares de jornais menores, segundo a Britannica.

Em 1961, a Reuters deu em primeira mão a notícia da construção do Muro de Berlim. A Reuters foi uma das primeiras agências de notícias a transmitir dados financeiros através dos oceanos por computadores na década de 1960. Em 1973, a Reuters "começou a disponibilizar aos clientes, em terminais de computador, cotações de câmbio". Em 1981, a Reuters passou a dar suporte a transações eletrônicas em sua rede de computadores e, posteriormente, desenvolveu diversos serviços eletrônicos de corretagem e negociação. A Reuters abriu seu capital em 1984, quando o Reuters Trust passou a ser negociado em bolsas de valores, incluindo a Bolsa de Valores de Londres (LSE) e a NASDAQ. Mais tarde, a Reuters publicou a primeira notícia sobre a abertura de uma brecha no Muro de Berlim, em 1989.

A Reuters era o serviço de notícias dominante na Internet na década de 1990. Alcançou essa posição ao desenvolver uma parceria com ClariNet e PointCast, dois dos primeiros provedores de notícias baseados na Internet.

Século XXI O preço das ações da Reuters aumentou durante a bolha da Internet e depois caiu após os problemas do setor bancário em 2001. Em 2002, a Britannica escreveu que a maior parte das notícias no mundo provinha de três grandes agências: Associated Press, Reuters e Agence France-Presse. A empresa transferiu-se para 30 South Colonnade, em Canary Wharf, em 2005.

Até 2008, a agência de notícias Reuters fazia parte de uma empresa independente, Reuters Group plc. A Reuters foi adquirida pela canadense Thomson Corporation em 2008, formando a Thomson Reuters. Em 2009, a Thomson Reuters retirou suas ações da LSE e da NASDAQ, passando a listá-las na Bolsa de Valores de Toronto (TSX) e na Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE). A última integrante sobrevivente da família fundadora da Reuters, Marguerite, Baronesa de Reuter, morreu aos 96 anos em 25 de janeiro de 2009. A empresa controladora Thomson Reuters está sediada em Toronto e fornece informações financeiras a clientes, ao mesmo tempo que mantém seu tradicional negócio de agência de notícias.

Em 2012, a Thomson Reuters nomeou Jim Smith como diretor-executivo. Em julho de 2016, a Thomson Reuters concordou em vender sua divisão de propriedade intelectual e ciência por US$ 3,55 bilhões a empresas de private equity. Em outubro de 2016, a Thomson Reuters anunciou expansões e transferências para Toronto. Como parte de cortes e reestruturações, em novembro de 2016 a Thomson Reuters Corp. eliminou 2.000 postos de trabalho em todo o mundo, de um total estimado de 50.000 funcionários. Em 15 de março de 2020, Steve Hasker foi nomeado presidente e diretor-executivo.

Em 2020, a equipe de fotografia da Reuters recebeu o Prêmio Pulitzer de Reportagem Fotográfica por sua cobertura ampla e esclarecedora dos protestos em Hong Kong em 2019–2020.

Em abril de 2021, a Reuters anunciou que seu site passaria a usar um acesso pago, seguindo concorrentes que haviam feito o mesmo.

Em março de 2024, a Gannett, maior editora de jornais dos Estados Unidos, assinou um acordo com a Reuters para utilizar o conteúdo global da agência depois de cancelar seu contrato com a Associated Press.

Em 2024, a equipe da Reuters recebeu o Prêmio Pulitzer de Reportagem Nacional por seu trabalho sobre Elon Musk e irregularidades em suas empresas, incluindo SpaceX, Tesla e Neuralink, bem como o Prêmio Pulitzer de Reportagem Fotográfica pela cobertura da Guerra de Gaza. a Reuters havia recebido ao todo 13 prémios Pulitzer desde 2008.

Em abril de 2026, foi firmado um acordo entre a Reuters e a National Basketball Association para distribuir destaques em vídeo e conteúdo oficial da liga em todo o mundo, com o objetivo de fortalecer sua presença na mídia e a monetização internacional.

Jornalistas A Reuters emprega cerca de 2.500 jornalistas e 600 fotojornalistas em aproximadamente 200 locais ao redor do mundo. Os jornalistas da Reuters utilizam o Standards and Values como guia para a apresentação imparcial e a divulgação de interesses relevantes, a fim de "manter os valores de integridade e liberdade nos quais se baseia sua reputação de confiabilidade, precisão, rapidez e exclusividade".

Em maio de 2000, Kurt Schork, um repórter americano, foi morto em uma emboscada enquanto trabalhava em Serra Leoa. Em abril e agosto de 2003, os cinegrafistas Taras Protsyuk e Mazen Dana foram mortos em incidentes separados por tropas dos Estados Unidos no Iraque. Em julho de 2007, Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh morreram ao serem atingidos por disparos de um helicóptero Apache militar dos Estados Unidos em Bagdá. Em 2004, o cinegrafista Adlan Khasanov foi morto por separatistas chechenos, e Dhia Najim foi morto no Iraque. Em abril de 2008, o cinegrafista Fadel Shana foi morto na Faixa de Gaza após ser atingido por um carro de combate israelense. Em 27 de agosto de 2025, o cinegrafista Hussam al-Masri foi morto no Hospital Nasser, na Faixa de Gaza, por um ataque aéreo israelense.

Enquanto cobria a Revolução Cultural Chinesa em Pequim, no final da década de 1960, para a Reuters, o jornalista Anthony Grey foi detido pelo governo chinês em resposta à prisão de vários jornalistas chineses pelo governo colonial britânico de Hong Kong. Ele foi libertado após permanecer preso por 27 meses, de 1967 a 1969, e recebeu a Ordem do Império Britânico (OBE) do governo britânico. Após sua libertação, tornou-se um romancista histórico de grande sucesso comercial.

Em maio de 2016, o site ucraniano Myrotvorets publicou os nomes e dados pessoais de 4.508 jornalistas, incluindo repórteres da Reuters e outros profissionais da mídia de todo o mundo, que haviam sido credenciados pelas autoridades autoproclamadas das regiões do leste da Ucrânia controladas por separatistas.

Em 2018, dois jornalistas da Reuters foram condenados em Myanmar por obter segredos de Estado enquanto investigavam um massacre em uma aldeia ruainga. As prisões e condenações foram amplamente denunciadas como um ataque à liberdade de imprensa. Os jornalistas Wa Lone e Kyaw Soe Oo receberam diversos prêmios, incluindo o Foreign Press Association Media Award e o Prêmio Pulitzer de Reportagem Internacional, e foram incluídos na Pessoa do Ano de 2018 ao lado de outros jornalistas perseguidos. Depois de 511 dias de prisão, Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram libertados em 7 de maio de 2019 após receberem um indulto presidencial.