Pedro II (nome completo: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga; Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1825 – Paris, 5 de dezembro de 1891), cognominado "o Magnânimo", foi o segundo e último monarca do Império do Brasil, reinando por 58 anos (1831–1889). Filho mais novo do imperador e da imperatriz consorte Maria Leopoldina da Áustria, integrou o ramo brasileiro da Casa de Bragança. Nascido no Palácio Imperial de São Cristóvão, tornou-se imperador ainda criança, após a abdicação de seu pai e a partida deste para Portugal, em 1831.

Em meio às instabilidades do período regencial, teve a maioridade decretada para assumir o governo e preservar a unidade do Império. Durante seu reinado, o Brasil consolidou um regime de monarquia constitucional com práticas parlamentaristas, notabilizando-se, no contexto regional, por maior estabilidade institucional e continuidade administrativa. Em seu governo, o país participou de três grandes conflitos internacionais — a Guerra do Prata, a Guerra do Uruguai e a Guerra do Paraguai — além de enfrentar tensões internas e disputas diplomáticas, preservando sua integridade territorial.

Reconhecido como erudito e incentivador das artes, da cultura e das ciências, Pedro II cultivou ampla rede de contatos intelectuais e recebeu o respeito de estudiosos e escritores de seu tempo, sendo citado como admirado por figuras como Graham Bell, Charles Darwin, Victor Hugo e Friedrich Nietzsche, além de manter relações com nomes como Richard Wagner, Louis Pasteur e Henry Wadsworth Longfellow. Deposto com a Proclamação da República em 1889, recusou-se a apoiar medidas de força para reverter sua remoção e não endossou tentativas de restauração monárquica por meio de guerra. Viveu os últimos anos em exílio na Europa, falecendo em Paris.

Após sua morte, sua imagem pública foi gradualmente reavaliada, e seus restos mortais foram trasladados para o Brasil décadas depois, em cerimônias de grande repercussão. Sua influência também é associada ao estímulo institucional à pesquisa e à divulgação científica, com ênfase em seu interesse pela astronomia. Em razão disso, desde a lei n.º 13 556/2017, o dia 2 de dezembro — data de seu nascimento — é celebrado como o Dia Nacional da Astronomia no Brasil.

Primeiros anos

Nascimento thumbnail|esquerda|180px|Pedro II aos 10 meses de idade, 1826 Pedro nasceu às 02h30 da manhã do dia 2 de dezembro de 1825 no Palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Batizado em homenagem a São Pedro de Alcântara, seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.

Seu pai, o imperador , foi o fundador do ramo brasileiro da Casa de Bragança e seu nome era precedido pelo honorífico "Dom" ("Senhor" ou "Lorde") desde o nascimento. Era neto do rei português e sobrinho de . Sua mãe era a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, filha de Francisco II, último Imperador do Sacro Império Romano-Germânico e primeiro imperador do Império Austríaco. Por sua mãe, Pedro era sobrinho de Napoleão Bonaparte e primo dos imperadores Francisco José I da Áustria e Maximiliano do México.

Único filho legítimo do sexo masculino de Pedro I a sobreviver à infância, foi oficialmente reconhecido como herdeiro do trono brasileiro com o título de Príncipe Imperial a 6 de agosto de 1826. A imperatriz consorte Leopoldina morreu a 11 de dezembro de 1826, poucos dias após dar à luz um menino natimorto, quando Pedro tinha um ano de idade. Pedro não guardou recordações de sua mãe, a não ser pelo que depois lhe foi contado. A influência e lembrança de seu pai também apagou-se com o tempo, e não guardou fortes imagens de Pedro I, mas apenas poucas e vagas lembranças.

Dois anos e meio após a morte de Leopoldina, o imperador casou-se com Amélia de Leuchtenberg. O príncipe Pedro passou pouco tempo com sua madrasta; no entanto, criaram um relacionamento afetuoso e mantiveram contato até a morte dela em 1873. O imperador Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831, após um longo conflito com a facção liberal (que por sua vez iria mais tarde dividir-se nos dois partidos dominantes na monarquia, o Partido Conservador e o Partido Liberal) dominante no parlamento. Ele e D.Amélia partiram imediatamente para a Europa, onde o agora novamente príncipe Pedro iria lutar para restaurar sua filha Maria II, cujo trono em Portugal fora usurpado por seu irmão Miguel I. Deixado para trás, o príncipe imperial Pedro tornou-se, pelas leis sucessórias, imediatamente "Dom Pedro II. Por graça de Deus e unânime aclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil", seguindo assim a velha tradição portuguesa de "Rei morto, Rei posto."

Educação thumb|200px|O imperador Pedro II aos 12 anos de idade vestindo o uniforme imperial de gala, 1838, por Félix Émile Taunay, no Museu Imperial Ao deixar o país, o imperador Pedro I selecionou três pessoas para cuidarem de seu filho e das filhas remanescentes. A primeira foi José Bonifácio de Andrada, seu amigo e líder influente da independência brasileira, nomeado tutor. A segunda foi Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (depois Condessa de Belmonte), que detinha o cargo de aia desde o nascimento de Pedro II. Quando bebê, Pedro II a chamava de "dadama", pois não pronunciava corretamente a palavra "dama". Considerava-a sua mãe de criação, e continuaria a chamá-la, por afeto, de "dadama". A terceira pessoa escolhida foi Rafael, um veterano da Guerra da Cisplatina. Rafael era um empregado do paço em quem Pedro I tinha profunda confiança e a quem pediu que olhasse por seu filho — pedido que Rafael levaria a termo pelo resto de sua vida.

José Bonifácio foi destituído de sua posição em dezembro de 1833 e substituído por outro tutor. Pedro II passava os dias estudando, com apenas duas horas livres para recreação. Acordava às 06h30 da manhã e começava seus estudos às sete, continuando até as dez da noite, quando ia para cama. Tomou-se grande cuidado em sua educação para formar valores e personalidade diferentes da impulsividade e irresponsabilidade demonstradas por seu pai. Sua paixão pela leitura lhe permitia assimilar qualquer informação. tendo um talento de grande capacidade para acumular conhecimento e informações facilmente.

O imperador teve uma infância complicada. A perda súbita de seus pais o assombraria por toda a vida; ele teve poucos amigos de sua idade e o contato com suas irmãs era limitado. Assim, ele veria nos livros um refúgio e fuga do mundo real.

Coroação antecipada

thumb|290x290px|esquerda|A coroação de Pedro II aos 15 anos de idade em 18 de julho de 1841 por François-René Moreaux, no Museu Imperial|alt= A elevação de Pedro II ao trono imperial em 1831 levou a um período de crises, o mais conturbado da história do Brasil. Uma regência foi criada para governar em seu lugar até que atingisse a maioridade. Disputas entre facções políticas resultaram em diversas rebeliões e levaram a uma situação instável devido a aproveitarem da fragilidade do regentes, onde é considerado pelos críticos, foi uma péssima ideia de ter colocado a regência por aumentarem e fortalecerem os grupos rebeldes.

A possibilidade de diminuir a idade em que o jovem imperador para ser considerado maior de idade, ao invés de esperar uma idade longa e em partes, desnecessária, foi diminuída posteriormente. A ideia era apoiada pelos dois principais partidos políticos e pela sociedade. mas surgiram controvérsias de aqueles que o auxiliassem a tomar as rédeas do poder estariam em posição para manipular o imperador. Aqueles políticos que haviam surgido na década de 1830 haviam se tornado os perigos de governar e principais ameaças da nação. De acordo com o historiador Roderick J. Barman, "eles haviam perdido toda a fé em sua habilidade para governar o país por si só. Eles aceitaram Pedro II como uma figura de autoridade cuja presença era indispensável à sobrevivência do país". O povo brasileiro também apoiava a diminuição da maioridade, e considerava Pedro II "o símbolo vivo da união da pátria"; esta posição "deu a ele, aos olhos do público, um líder maior do que a de qualquer regente".

Aqueles que defendiam a imediata declaração de maioridade de Pedro II passaram uma moção requisitando ao imperador que assumisse poderes plenos. Uma delegação foi enviada a São Cristóvão para perguntar se Pedro II aceitaria ou rejeitaria a declaração antecipada de sua maioridade e da maioridade dele fosse diminuída. No dia seguinte, em 23 de julho de 1840, a Assembleia Geral (o parlamento imperial brasileiro) declarou formalmente Pedro II maior aos 14 anos de idade. Lá, à tarde, o jovem imperador prestou o juramento de ascensão. Foi aclamado, coroado e consagrado em 18 de julho de 1841.

Consolidação Casamento thumb|200px|Teresa Cristina, esposa de Pedro II, aos 24 anos de idade, 1846, por Johann Moritz Rugendas O fim da regência facciosa estabilizou o governo. Com um legítimo monarca no trono, a liderança do país foi revestida numa única e clara voz. Pedro II percebia o seu papel como o de um árbitro, mantendo seus conceitos pessoais de lado para não afetarem o seu dever de desemaranhar disputas políticas partidárias. O jovem monarca era dedicado, realizando inspeções diárias pessoais e visitas a repartições públicas. Seus súditos eram impressionados com a sua aparente autoconfiança, apesar de que sua timidez e falta de desenvoltura eram vistas como defeitos. Seu jeito reservado de falar apenas uma ou duas palavras a cada vez tornavam conversações diretas extremamente difíceis. Sua natureza taciturna era, possivelmente, manifestação de uma prevenção quanto a relações próximas que tinha origem nas experiências de abandono, intriga e traição que vivenciou na infância.

Por trás das cenas, um grupo de servos palacianos de alto nível e notáveis políticos tornou-se conhecido como "Facção Áulica" (e também "Clube da Joana") por estabelecerem influência sobre o jovem imperador, e alguns eram de fato próximos, como Mariana de Verna. Pedro II foi usado com maestria pelos áulicos para eliminar seus inimigos (reais ou imaginários) através da remoção de seus rivais. Acesso à pessoa do monarca por políticos rivais e as informações que este recebia eram cuidadosamente controladas. Uma rodada contínua de negócios de governos, estudos, eventos e aparições pessoais, utilizadas como distrações, manteve o imperador ocupado, isolando-o efetivamente e impedindo-o de perceber a extensão do quanto estava sendo explorado.