thumb|250px|Corte histológico de um tecido nervoso

O tecido nervoso trata-se de um dos tecidos mais especializados do organismo animal e é o principal tecido responsável pela troca rápida de informações dentro do corpo. Esse tecido é sensível aos vários tipos de estímulos que se originam de fora ou do interior do organismo. Ao ser estimulado, torna-se capaz de conduzir os impulsos nervosos de maneira rápida e, às vezes, por distâncias relativamente grandes. Aos estímulos externos o tecido nervoso permite que animais percebam em seu organismo mudanças ambientais como calor, frio e choque e reagem adotando posturas a partir de determinado estímulo. O tecido nervoso tem origem na ectoderme e é composto principalmente por neurônio e neuróglia.

O conhecimento do homem com o meio ambiente tornou-se viável devido a um conjunto dessas células especializadas presentes no tecido nervoso que fazem parte de um sistema integrador, o Sistema Nervoso (SN). Essas células têm a capacidade de excitabilidade e condutividade que favoreceu não só o conhecimento do homem com o meio ambiente, mas também, as respostas do corpo humano à mudanças ambientais. A transmissão de informação pelos impulsos nervosos se dá em estruturas altamente especializadas: as sinapses.

O Sistema Nervoso é anatomicamente dividido em Sistema Nervoso Central (SNC), formado pelo encéfalo e pela medula espinhal, localizados na caixa craniana e coluna vertebral, respectivamente. e Sistema Nervoso Periférico (SNP), formado pelos nervos e gânglios nervosos que emergem do Tronco cerebral.

Neurônios Os neurônios são células nucleadas responsáveis pelos impulsos nervosos, altamente especializadas, dotadas de corpo celular e numerosos prolongamentos citoplasmáticos, capazes de captar e transmitir estímulos. O corpo celular do neurônio contém um núcleo grande e arredondado. As mitocôndrias são numerosas e o ergastoplasma é bem desenvolvido. As células nervosas possuem grandes variações tanto em formato, quanto em tamanho. Localizam-se principalmente no encéfalo e medula espinhal. Os poucos neurônios que ficam foram do SNC formam os gânglios nervosos, agrupados em pontos específicos do corpo.

Morfologicamente os neurônios classificam-se em:

Neurônios multipolares: possuem mais de dois prolongamentos celulares, ou seja, presença de um axônio e vários dendritos. A maioria dos neurônios se enquadram nesse tipo, e são encontrados no encéfalo e medula espinhal. Neurônios bipolares: possuem um dendrito e um axônio. Função principal: transmissão de informações que foram captadas por órgãos sensoriais como o olfato, visão e audição, ao SNC. Neurônios pseudo-unipolares: esse tipo de célula possuem um corpo celular que logo divide-se em dois correspondendo ao dendrito e ao axônio. Nesse tipo de neurônio os impulsos nervosos originados nos dendritos podem ser transportados para o axônio sem a necessidade de passar pelo corpo celular. Eles podem classificar-se também baseado a função que exercem: Aferentes, sensitivos ou sensoriais: Função de receber informações vindas do ambiente ou fora do corpo, e as transmitem para o SNC através de impulsos nervosos.Histologia básica I L.C.Junqueira e José Carneiro. - 12. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013 Eferentes ou motores: essas células transmitem informações do SNC. Conduzem impulsos nervosos do SNC para órgãos efetores (músculos, por exemplo). Os interneurônios estabelecem conexões entre neurônios e, portanto, são a base para a formação de circuitos neuronais dos mais simples aos mais complexos.UCHOA, JUNQUEIRA,.Luiz. C.; JOSÉ, CARNEIRO,. Histologia Básica - Texto e Atlas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 9788527732178. miniaturadaimagem|375x375px|Estrutura morfológica de um neurônio típico Os neurônios são compostos pelo corpo celular ou pericário, dendritos e axônios.Tecido Nervoso – Histologia Interativa, Unifal-mg.edu.br, disponível em: <>, acesso em: 20 Nov. 2021.

Dendritos Os dendritos (do grego déndron: árvore) são ramificações que surgem do corpo celular que têm a função de captar estímulos de outros neurônios, células epiteliais sensoriais ou do meio ambiente, transmitindo essas informações para o corpo celular. A maioria dos neurônios possuem muitos dendritos e isso acaba por aumentar a superfície da célula, que se afilam gradativamente até as extremidades, facilitando a captação e transmissão dos impulsos nervosos. Os dendritos possuem composição citoplasmática similar ao corpo da célula, mas não possuem Complexo de Golgi.

Corpo Celular Também chamado de pericário, o corpo celular é a parte do neurônio composto de núcleo esférico, cada núcleo possuindo um nucléolo e citoplasma rico em retículo endoplasmático rugoso (RER). A quantidade de RER varia ao tipo e a função do neurônio. O citoplasma é composto também por ribossomos, espalhados no citoplasma, aparelho de Golgi, localizados apenas ao redor do núcleo e mitocôndrias que apresentam-se de forma moderada. O corpo celular além de ser considerado um centro trófico, ou seja, parte da célula nervosa que encontra-se o núcleo e demais organelas, também recebe e transmite estímulos (inibitórios ou excitatórios) de outros neurônios.

Axônio O axônio (do grego áxon: eixo), é considerado o maior prolongamento da célula nervosa (varia de frações de milímetro até cerca de 1 metro). Cada neurônio contém um axônio, e se origina de uma região da célula denominada cone de implantação e suas extremidades há ramificações em estruturas muito finas denominadas de telodendro. O citoplasma é muito pobre em organelas, contendo apenas de poucas mitocôndrias, retículo endoplasmático liso (REL) e microtúbulos. O axônio tem a função de transmitir informações do corpo celular e dos dendritos para outros neurônios e células musculares.

Proteínas que são produzidas no corpo celular são transportadas através do axônio com velocidade rápida ou lenta dependendo da necessidade, esse fluxo é denominado fluxo anterógrado. Existe também transporte de fluidos em sentido oposto, ou seja, do axônio para o corpo celular, ele é denominado de fluxo retrógrado. O fluxo retrógrado pode levar substâncias para serem reutilizadas pelo pericário e transportar material adquirido pela endocitose.

Substância cinzenta e substância branca esquerda|miniaturadaimagem|Representação esquemática do encéfalo humano, mostrando externamente a substancia cinzenta (área mais escura) e a substância branca (área mais clara)

É possível fazer uma distinção macroscópica do Sistema Nervoso Central em áreas definidas como substância branca e substância cinzenta. Isso ocorre devido há separações do neurônios entre os corpos celulares e seus prolongamentos.

* Substância cinzenta: Área formada também por tecido nervoso. Localizada externamente no encéfalo é onde encontram-se os corpos celulares, dendritos, alguns axônios e alguns tipos de glicócitos. A coloração das organelas celulares é responsável pela coloração rosa-acinzentado.

* Substância branca: Área interna do encéfalo, de cor esbranquiçada. Essa coloração é graças a presença de mielina que envolve algumas células nervosas. Essa camada é rica de axônios mielínicos e amielínicos.

Gliócitos Os gliócitos ou células da glia fazem parte do tecido nervoso com a função de envolver, proteger e nutrir os neurônios. Recentemente descobriu que essas células também tem a capacidade de estabelecer conexão umas com as outras. O termo glia em grego significa cola, sendo utilizada em alusão a sustentação e união que realizam nas células do SN. A primeira célula do tipo glial foi descrita pela primeira vez por Heinrich Müller em 1851. Müller detectou essas células na retina de algumas espécies animais como o peixes, aves e humanos. E no decorrer da história diversos estudos e técnicas são utilizadas para se conhecer mais desse diversificado grupo de células.

Existe cerca de dez gliócitos para um neurônio, mas devido ao seu pequeno tamanho as células da glia ocupam metade do volume do tecido. As células da glia fornecem um microambiente propício para o bom funcionamento das células nervosas. Pode-se classificar no SNC dois grandes grupos baseadas em características funcionais e morfológicas: as microglias (origem na mesoderme) e macroglia (origem na ectoderme) que subdividem-se em oligodendrócitos, células de Schwann, astrócitos e ependimoglia.

Microglia São células pequenas, com alongamentos irregulares e ramificadas, presentes tanto na substância cinzenta quanto na substância branca do SNC. O núcleo dessas células são em forma de bastão ou vírgula. Entre as organelas citoplasmáticas há uma predominância de lisossomos. São macrófagos com especialização em fagocitar detritos e restos celulares no tecido nervoso. Elas também secretam citocinas reguladoras do processo imunitário.

Oligodendrócitos Células pequenas, com poucos prolongamentos celulares e estão presentes na substância branca e cinzenta do SNC. Entre as organelas citoplasmáticas estão presentes o retículo endoplasmático rugoso, ribossomos, mitocôndrias e complexo de Golgi. Os prolongamentos celulares dessas células enrolam-se nos neurônios do SNC e envolvem-as com um estrato mielínico (ou bainha de mielina) que tem a função de proteger o neurônio e servir de isolante elétrico.

Células de Schwann miniaturadaimagem|317x317px|Representação esquemática das principais células da glia presentes no sistema nervoso central São células da glia encontradas no sistema nervoso periférico e tem a função similar aos oligodendrócitos. As células de Schwann possuem prolongamentos que se enrolam nas neurofibras, dando origem a bainha de mielina cuja função é proteger e se tornar um isolante elétrico para o bom funcionamento das células.

Astrócitos Os astrócitos são células grandes, com forma estrelada, com muitos prolongamentos citoplasmáticos e dentre as células da glia são as mais numerosas e que apresentam maior diversidade. Essas células tem a propriedade de transportar substâncias vindas do sangue para os neurônios, também tem a função de sustentação física as células nervosas, auxiliam na regeneração de lesões e no preenchimento de espaços no tecido nervoso ocasionado por morte celular.

Astrócitos protoplasmáticos estão na substância cinzenta e possuem prolongamentos mais numerosos, curtos, delicados e ramificados que os dos astrócitos fibrosos, que ocorrem na substância branca.

Ependimoglia São células epiteliais colunares que revestem os ventrículos encefálicos e o canal localizado centralmente à medula. Em algumas regiões as ependimoglia são ciliadas que ajudam na movimentação do líquido cefalorraquidiano.

Neurofibras mielinizadas e não-mielinizadas Dependendo da função as neurofibras podem ou não ser envolvidas pela bainha de mielina. Quando são revestidas pela bainha de mielina elas são chamadas de neurofibras mielinizadas, quando não são revestidas são denominadas de neurofibras não-mielinizadas. A bainha de mielina possuem em sua formação bicamada de fosfolipídios, composta também por proteolipídios e proteína básica da mielina (dando consistência ao envoltório) e são secretadas pelos oligodendrócitos e células de Schwann respectivamente no sistema nervoso central e periférico. Tem função principal de isolante elétrico, como também auxilia na velocidade da propagação do impulsos nervosos nas células nervosas.

Existem interrupções ao longo de neurofibras mielinizadas que são denominadas de nó de Ranvier (ou nós neurofibrosos). As neurofibras apresentam também um calibre maior, alta velocidade de propagação de impulso nervoso e apresentam característica saltatória. O impulso nervoso corre continuamente nas neurofibras não-mielinizadas.