Introdução L'image du monde des Babyloniens à Newton (em português: A Imagem do Mundo: dos Babilônios a Newton) é uma obra de divulgação científica e historiografia da ciência escrita pelo físico franco-brasileiro Arkan Simaan e pela histpriadora Joelle Fontaine. Publicado originalmente na França e traduzido para diversos idiomas, o livro traça um panorama crítico e detalhado sobre a evolução do conhecimento humano acerca da cosmologia, da astronomia e, especificamente, da forma e das dimensões da Terra. A narrativa estende-se desde as primeiras concepções mitológicas e geocêntricas das civilizações da Mesopotâmia até a consolidação da mecânica clássica e da gravitação universal de Isaac Newton no finak do século XVII e início do XVIII.
O eixo central da obra não se limita apenas à exposição de fórmulas ou descobertas isoladas, mas foca na ciência como um processo social e político. Os autores exploram como a transição do pensamento místico para o racionalismo científico foi marcada por intensos debates ideológicos, perseguições religiosas e disputas de poder entre nações europeias. Um dos destaques da obra é a análise da transição da astronomia antiga (representadas por nomes como Eratóstenes, que realizou a primeira medição da circunferência terrestre na Grécia Antiga) para a astronomia moderna, culminando na grande controvérsia entre "newtonianos" e "cartesianos" sobre o achatamento dos polos terrestres.
Através de uma linguagem acessível, mas rigorosa em fontes primárias, Simaan e Fontaine apresentam a ciência como uma aventura humana repleta de erros, correções e superações. O livro é amplamente utilizado como meterial de apoio pedagógicco para professores de física e história, sendo elogiado por sua capacidade de contextualizar o surgimento do método científico. Ao descrever as famosas expedições geodésicas enviadas à Lapônia e ao Equador, a obra ilustra o nascimento da geodésia moderna e a importância da experimentação de campo para a validação das teorias físicas, consoliando-se como uma referência essencial para a compreensão de como a humanidade construiu sua imagem do universo.
Contexto Histórico e Temática A obra de Arkan Simaan e Joelle Fontaine dedica-se a reconstruir a trajetória do pensamento humano sobre as dimensões e o formato do planeta Terra, partindo das cosmogonias antigas atpe a consolidação da mecânica clássica. O livro destava que o entendimento da forma da Terra não foi apenas um desafio geográfico, mas um catalisador para o desenvolvimento da física e da astronomia. Os autores exploram como diferentes civilizações, desde os babilônicos com sua visão de um mundo plano e circular, até os gregos antigos, começaram a quesionar a natureza do espaço que habitavam. O foco principal da narrativa reside no Século das Luzes, peíodo em que a medição da Terra tornou-se uma questão de Estado, envolvendo disputas de prestígio entre potências europeias e a validação de teorias científicas fundamentais.
O Debate entre "Newtonianos" e "Cartesianos" Um dos pontos altos do livro é a descriçãoda acirrada disputa científica sobre a figura da Terra no século XVIII. De um lado, os seguidores de Isaac Newton (newtonianos) argumentavam que, devido à rotação do planeta e á força centrífuga, a Terra deveria ser um esferoide oblato, ou seja, ligeiramente achada nos polos.
Do outro lado, os astrônomos franceses, como Jacques Cassini, baseados em medições de meridianos realizadas na França e influenciados pela física de Descartes, defendiam que o planeta seria um esferoide prolato, com formato alongado como um ovo.
O livro detalha como essa controvérsia levou a Academia Real de Ciências de Paris a organizar as famosas expedições geodésicas francesas. A primeira, enviada ao Equador (liderada por La Condamine), e a segunda, enviada à Lapônia (liderada por Maupertius), tinham o objetivo de medir o comprimento de um grau do meridiano em diferentes latitudes. A confirmação de que o grau era mais longo próximo ao polo do que no equador deu a vitória definitiva a Newton e à teoria da gravitação universal, evento que o livro descreve como o "triunfo da física experimental".
Características da obra Escrita a quatro mãos por Arkan Simaan e Joëlle Fontaine, esta obra se destina a favorecer um ensino interdisciplinar: ele é professor de física e ela de história, duas matérias muito distantes no currículo escolar da França, onde os autores lecionam. Isto contribuiu muito ao primeiro sucesso do livro: um mês após o lançamento, em dezembro de 1998, o editor teve que reeditá-lo. Uma outra razão é a simplicidade do texto, que exclui o abuso de termos eruditos. Além disso, ele utiliza quadros biográficos e explicativos, dando assim informações sucintas sobre os personagens históricos e elucidando noções difíceis, tanto em física quanto em história. Não somente isto dispensa ao leitor a consulta de um dicionário, mas facilita a leitura porque transforma o livro em revista.
Uma das características fundamentais do livro é que ele está na encruzilhada da astronomia, da física, da filosofia e da história. Os autores mostram os cientistas como homens de carne e osso, muitas vezes geniais outras vezes mesquinhos, fincados na mentalidade de suas épocas, hesitando entre ciência e crenças, elaborando teorias que vão ser discutidas, abandonadas, retomadas e assim por diante. Pior ainda, algumas ideias justas vão ser repudiadas, como a de Aristarco de Samos, filósofo grego que no terceiro século antes da nossa era defendeu o heliocentrismo – o Sol está no centro do mundo – contra o geocentrismo – a Terra no centro do mundo. Arkan Simaan e Joëlle Fontaine explicam que a sociedade grega da época não estava preparada para aceitar a ideia heliocêntrica. Com efeito, o heliocentrismo supõe um universo excessivamente grande, indo, então, de encontro com a mentalidade da época. “A imagem do mundo dos babilônios a Newton” situa cada teoria no seu contexto histórico.
Os principais capítulos são: “Números e perfeição”, onde se apresenta e analisa o balbucio da ciência na Babilônia e na Grécia, em torno de Pitágoras, Platão, Aristóteles, Aristarco, Ptolomeu etc. Durante esta época se formam os dogmas que vão marcar a ciência futura, principalmente durante a Idade Média: a imutabilidade do céu, o dogma do circulo e outros. O segundo capítulo que se intitula “O cristianismo e a herança da Antiguidade” explica o recuo da ciência grega, principalmente no que tange a forma da Terra, onde alguns como o monge Cosmas vão promover a ideia de uma Terra plana com forma de tabernáculo. O terceiro capítulo, o “Questionamento dos dogmas”, apresenta as teorias de Nicolau Copérnico, de Tycho Brahe e de Johannes Kepler, dos quais os autores dão as biografias detalhadas. Em seguida vem um longo capítulo, “Uma imagem arrancada a fórceps” onde as biografias e os trabalhos de Giordano Bruno e de Galileu são minuciosamente discutidos. O capítulo seguinte é “Uma visão renovada do mundo” onde são apresentadas as teorias de René Descartes e de Newton. Enfim, na última parte, as “Confirmações” discute-se a violenta querela entre os cartesianos e os newtonianos, que marcou o século XVIII.
Dados sobre o livro e autores Original:
Arkan Simaan e Joëlle Fontaine, “L’Image du Monde des Babyloniens à Newton”, Adapt-Éditions, 1998.
Tradução brasileira por Dorothée de Bruchard: “A imagem do mundo dos babilônios a Newton", Companhia das Letras, São Paulo, 2003. ISBN 85-359-0404-2
Em 2005, Arkan Simaan escreveu sozinho a continuação: “L’Image du Monde de Newton à Einstein”. Este livro ainda não está disponível em português.
Arkan Simaan é um físico e historiador da ciência franco-brasileira, conhecido por seu trabalho em divulgação científica e por sua atuação no movimento racionalista e laico na França. Suas obras frequentemente buscam humanizar a ciência, mostrando os conflitos éticos e políticos por trás das descobertas.
Joelle Fontaine é professora de história, colaborando com Simaan na construção de uma narrativa que une o rigor da física com a análise do contexto social e político de cada época. Juntos, os autores utilizam uma linguagem acessível para explicar conceitos complexos de cartografia, trigonometria e astronomia, tornando o livro uma referência tanto para acadêmicos quanto para o público leigo interessado em histórias das ideias.
Apresentação do editor brasileiro Orelha Arkan Simaan e Joëlle Fontaine conduzem o leitor pela história da ciência tomando por eixo a astronomia, desde suas mais elementares manifestações entre marinheiros e pastores — os primeiros observadores do céu —, até alcançar as descobertas dos fundadores da ciência moderna, sem deixar de lado também a contribuição de poetas e sacerdotes. Os autores reconstroem a representação que sucessivas civilizações fizeram da Terra e do Universo. Cada hipótese ou descoberta científica é apresentada em seu contexto histórico e uma série de dados biográficos — por vezes espirituosos e anedóticos — conferem leveza e humanidade às trajetórias de grandes cientistas e filósofos. Kepler teve de defender, perante a Inquisição, a própria mãe, acusada de bruxaria. Galileu, conhecido por sua arrogância, costumava destratar os adversários intelectuais. Um dos primeiros observatórios celestes de que se tem notícia foi a Torre de Babel. “Planeta”, em grego, significava “astro errante”, e indicava corpos que se moviam desordenados no céu, em oposição às “estrelas fixas”. É por meio de explicações como essas que o livro apresenta a história surpreendente da ciência astronômica, em diálogo e conflito com crenças, medos, dogmas e mitos de cada época. A beleza e a profundidade de A imagem do Mundo residem na demonstração de um paradoxo: o pensamento científico, objetivo e racional, surgiu do convívio com o pensamento mítico, com a alquimia e com a astrologia. Como demonstram os autores, a confluência entre ciência e mito contribui para a formação de uma cultura científica, sem a qual não há consciência crítica, tampouco imagem nítida do mundo em que vivemos.
Quarta capa A astronomia é o ramo do conhecimento que concentrou as maiores atenções dos homens desde a Antiguidade — milhares de anos transcorreram até que ela se transformasse em ciência, depois de superar obstáculos como os limites da observação comum e da interferência religiosa. Num estilo despojado e envolvente, os autores apresentam as transformações do pensamento astronômico ao longo de três mil anos. Arkan Simaan e Joëlle Fontaine — ele professor de física, ela de história —, somaram conhecimentos para elaborar uma obra original, que combina religião, filosofia, história e ciência. Pontuam o livro com quadros explicativos que esmiúçam detalhes biográficos de cientistas como Galileu, Copérnico e Kepler, aprofundam aspectos técnicos, tais como as definições de inércia ou de estrela supernova, e contextualizam fatos históricos. Os autores desfazem estereótipos e evidenciam o caráter fascinante da evolução do conhecimento científico desde a Antiguidade — entre babilônios, egípcios, gregos e árabes — até o Iluminismo, para verificar a imagem que os homens fazem do mundo em que vivem.
Site do editor Editora Companhia das Letras
Ligações externas Café Orbital. Resenha da Revista do Observatório Nacional do Rio de Janeiro. O mundo pelas lentes dos cientistas de carne e osso. Resenha do Jornal do Brasil. A imagem do mundo através dos tempos Resenha do “Diário do Vale”. Visão de mundo Resenha do "Super Interessante". Adapt Éditions, Resenhas dos livros do autor, em francês e em português.
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