Assassino do Zodíaco () é o pseudônimo de um assassino em série estadunidense que atuou no Norte da Califórnia durante 10 meses desde o final da década de 1960. Sua identidade permanece desconhecida. O Zodíaco colocou seu nome em uma série de cartas ameaçadoras que enviou à imprensa até 1974. Em suas cartas incluiu quatro criptogramas, dos quais dois ainda não foram decifrados. Tem sido descrito como o caso de assassinatos não resolvido mais famoso da história norte-americana e tornou-se um elemento fixo na cultura popular, inspirando detetives amadores a tentarem resolver o caso e peças de entretenimento como filmes, televisão, romances e videogames.
O Zodíaco assassinou cinco vítimas na Baía de São Francisco entre dezembro de 1968 e outubro de 1969, operando em ambientes rurais, urbanos e suburbanos. Ele tinha como alvo casais jovens e um motorista de táxi solitário. Seus ataques conhecidos ocorreram em Benicia, Vallejo, Napa e São Francisco. Duas de suas vítimas feridas sobreviveram. O Zodíaco afirmou em suas cartas ter matado cerca de 37 pessoas. Ele tem sido associado a vários outros casos arquivados, alguns no Sul da Califórnia e outros fora do estado.
O Assassino do Zodíaco cunhou esse nome em uma série de cartas e cartões insultuosos que ele enviou a jornais regionais, onde ele ameaçou matanças e atentados se não fossem impressos. Algumas das cartas incluíam criptogramas, ou cifras, em que o assassino alegou que estava coletando suas vítimas como escravos para a vida após a morte. Das quatro cifras que ele produziu, duas permanecem sem solução e uma foi quebrada apenas em 2020. Embora muitas teorias sobre a identidade do assassino tenham sido sugeridas, o único suspeito que as autoridades policiais já nomearam publicamente foi Arthur Leigh Allen, um ex-professor do primário e criminoso sexual condenado que morreu em 1992. Até a presente data, apesar das teorias e sugestões sobre o caso, a real identidade do assassino permanece desconhecida.
Embora o Zodíaco tenha cessado as comunicações escritas por volta de 1974, a natureza incomum do caso gerou um interesse internacional que se manteve ao longo dos anos. O Departamento de Polícia de São Francisco marcou o caso como "inativo" em abril de 2004, mas o reabriu em algum momento antes de março de 2007. O caso também permanece aberto na cidade de Vallejo, bem como nos condados de Napa e Solano.
Cronologia dos crimes
Assassinato em Lake Herman Road Em 20 de dezembro de 1968, David Arthur Faraday de 17 anos de idade e Betty Lou Jensen de 16, um jovem casal de Vallejo, Califórnia, estavam realizando um passeio noturno em Lake Herman Road, uma estrada conhecida por servir de ponto de encontro para jovens casais, quando foram surpreendidos por um homem que estacionou o carro atrás do deles, o homem desceu do seu carro e o casal assustado tentou fugir do veículo em que se encontravam. David Faraday foi morto ainda dentro de seu carro, enquanto Betty Lou Jensen conseguiu descer e correr, até ser baleada pelo homem e cair à 23,70 metros do para-choque traseiro do veículo, ambos morreram devido aos ferimentos de bala do ocorrido.
Assassinato em Blue Rock Springs
Em 4 de julho de 1969, mais uma vez um casal transitava a noite pelas estradas de Vallejo, os jovens Michael Renault Mageau de 19 anos e Darlene Elizabeth Ferrin de 22, passeavam no Corvair de Darlene, que havia saído de casa com o intuito de comprar fogos de artificio para a festa de 4 de julho, porém por algum motivo passou na casa de Micheal, partindo então com o jovem rapaz em direção ao Blue Rock Springs Park, segundo as investigações posteriores da polícia descobriu-se que os dois foram seguidos por um homem em um Falcon 1958, que parou atrás do carro do casal, sacou uma lanterna e andou em direção aos dois jovens, o homem então puxou uma pistola do casaco que vestia e se aproximando do banco do carona em que Mageau se encontrava, disparou inúmeras vezes em direção aos dois. O incidente terminou com a morte de Darlene, enquanto Mageau foi levado ao hospital de Vallejo com ferimentos graves, contudo conseguindo sobreviver.
Exatamente à 00:40, de um telefone público, um homem ligou para a delegacia de Vallejo, por meio de uma telefonista. Nancy Slover, operadora da central telefônica da polícia, atendeu.
— Quero informar um duplo assassinato — o homem falou. A voz dele não enfatizava as palavras, e pareceu a Nancy que o homem estava lendo o que dizia. Ou que tinha ensaiado aquilo.
— Se vocês andarem 1 quilômetro e meio para leste, na Columbus Parkway, em direção ao parque público, vão encontrar jovens em um carro marrom.
A voz do desconhecido era firme e consistente, clara mas imperativa. Nancy tentou interrompê-lo, para obter mais informações, mas o homem falava alto, encobrindo a voz dela. Para Nancy, a voz parecia ser a de um adulto. Ele não parou de falar até que terminasse de dar sua declaração.
— Eles foram mortos com uma Luger 9 mm. Eu também matei aqueles garotos no ano passado. — Adeus.
O assassinato de Darlene aconteceu em um lugar localizado a apenas 3 km do local onde o casal David e Betty Lou foram assassinados.
Primeiras cartas enviadas miniaturadaimagem|Primeira carta do Zodíaco enviada aos jornais em 1969. Em 1 de agosto de 1969, três cartas foram escritas pelo assassino e enviadas para três jornais diferentes, Vallejo Times-Herald, San Francisco Chronicle e para o San Francisco Examiner.
A carta escrita pelo assassino e enviada ao San Francisco Chronicle dizia:Caro Editor, Aqui é o assassino dos 2 jovens no último Natal no Lago Herman e da moça no dia 4 de julho perto do campo de golfe em Vallejo
Para provar que os matei,
Eu vou contar alguns fatos que só eu e a polícia conhecemos.
Natal
1. Marca da munição Super X
2. 10 tiros foram disparados
3. O jovem estava de costas com os pés apontados para o carro
4. A jovem estava deitada sobre o lado direito pés voltados para Oeste
4 de julho
1. A jovem estava usando calças estampadas
2. O jovem foi baleado também no joelho.
3. Marca da munição foi western
Aqui está a parte de um código as outras duas partes desse código estão sendo enviadas aos editores do Vallejo Times e do SF Examiner . Quero que o senhor publique esse código na primeira página do seu jornal.
Nesse código está minha identidade.
Se o senhor não publicar esse código até a tarde da sexta-feira, lº de agosto de 69, vou iniciar uma matança louca sexta-feira à noite. Vou perambular todo o fim de semana matando pessoas solitárias à noite e continuar matando de novo, até que eu tenha uma dúzia de pessoas no fim de semana.Graysmith, pág. 54–55.O São Francisco Examiner e o Vallejo Times-Herald também receberam a sinistra carta, com pequenas variações, e uma terça parte da mensagem completa em código. Os jornais publicaram uma parte do texto das cartas, mas, atendendo aos pedidos do departamento de polícia, não reproduziram a carta fielmente como foi enviada ao jornal. Isso foi feito para que fossem preservados fatos que só o assassino saberia. Trata-se de um procedimento padrão da polícia em muitos casos de assassinato, a fim de que haja provas indiscutíveis para a identificação e captura do procurado.
Em 4 de agosto de 1969 o casal Donald Gene Harden, 41 anos, professor de história e economia na Escola North Salinas e sua esposa Bettye June Harden, conseguiram decifrar o código enviado pelo assassino ao jornal. O código dizia o seguinte: miniaturadaimagem|Parte do código enviado ao Chronicle em 1969. miniaturadaimagem|Parte do código enviado ao Examiner em 1969 miniaturadaimagem|Parte do código enviado ao Times-Herald em 1969GOSTO DE MATAR PESSOAS
PORQUE É MUITO DIVERTIDO
É MAIS DIVERTIDO DO QUE
MATAR ANIMAIS SELVAGENS NA
FLORESTA PORQUE
O HOMEM É O ANIMAL MAIS
PERIGOSO DE TODOS PARA MATAR
ALGUMA COISA ME DÁ A
MAIS EMOCIONANTE EXPERIÊNCIA
É MELHOR ATÉ DO QUE
FAZER SEXO COM UMA GAROTA
A MELHOR PARTE DISSO É QUE
QUANDO EU MORRER RENASCEREI
NO PARAÍSO E OS QUE EU
MATEI SE TORNARÃO MEUS ESCRAVOS
NÃO VOU DIZER MEU NOME
SENÃO VOCÊS VÃO TENTAR RETARDAR OU
PARAR MINHA COLEÇÃO DE
ESCRAVOS PARA DEPOIS DA MORTE EBEORIETEMETHHPITI.Em uma terça-feira, 7 de agosto de 1969, o assassino escreve sua segunda carta à polícia, dessa vez maior contendo três páginas, nessa carta pela primeira vez ele utiliza o nome Zodíaco para se referir a si mesmo, ele da mais detalhes dos assassinatos em Vallejo. O Zodíaco escrevera que quando a polícia decifrasse o código da sua última carta enviada eles o pegariam. O que o assassino não sabia é que os Harden já tinham concluído a decodificação, mas que a identidade do assassino continuava a ser um mistério.
Em dezembro de 2020, a imprensa reportou que a carta enviada ao San Francisco Chronicle em 1969 havia sido decifrada e que dizia: espero que estejam se divertindo muito tentando me pegar... Não tenho medo da câmara de gás porque ela vai me mandar para o paraíso muito mais cedo porque agora tenho escravos suficientes trabalhando para mim. O trabalho de decodificação desta carta havia iniciado em 2006 e foi feito pelo web designer David Oranchak, o matemático australiano Sam Blake e o especialista em logística da Bélgica, Jarl Van Eykcke. Segundo o grupo, o trabalho demorou mais tempo porque o assassino tinha utilizado um sistema de criptografia destinado a militares nesta mensagem.
Assassinato no Lago Berryessa
Em 27 de setembro de 1969, Bryan Hartnell e Cecelia Shepard, um casal de estudantes do Pacific Union College, estavam fazendo um passeio pelo Lago Berryessa, haviam chegado ao local no Karmann-Ghia branco de Bryan às 16h00, o casal encontrou uma clareira na sombra para um piquenique, a exatos 466 metros da estrada, em uma península da margem Leste do lago. Eles estenderam um cobertor e ficaram sentados, abraçados, durante uma hora.
Enquanto apreciava a paisagem o casal foi surpreendido por um homem corpulento de mais ou menos 1,80 de altura usando uma macabra roupa preta com capuz cobrindo a cabeça, na parte da frente da roupa podia-se ver o símbolo do Zodíaco, um círculo cortado por uma cruz ao centro, como se fosse a mira de uma arma. O homem abordou os jovens e após amarra-los deitados ao chão, desferiu vários golpes de faca em cada um deles, novamente como havia acontecido no último ataque do assassino, o rapaz sobreviveu enquanto a garota acabou falecendo, não resistindo aos 24 ferimentos de faca em seu corpo.
O assassino antes de ir embora deixou escrito na porta do carro do rapaz a seguinte descrição:
Assassinato de Paul Stine
Algumas semanas após o assassinato de Cecilia, em 11 de outubro de 1969 um taxista chamado Paul Stine transportava um passageiro que havia pegado em Forte Heights, e que tinha como destino a esquina da rua Washington com a Maple, o passageiro ao ver que havia alguém transitando na rua naquele momento, pediu para o taxista andar mais uma quadra, chegando na esquina da Washington com a Cherry. Ali o homem corpulento sacou uma pistola do seu casaco preto e disparou a queima roupa contra o crânio de Stine. A morte foi quase instantânea.
Os detetives Dave Toschi e Bill Armstrong, ficariam responsáveis pelas investigações do caso, que passaria de um simples assalto para um homicídio realizado por um assassino em série, isso porque alguns dias depois o Zodíaco escreveria uma carta e enviaria ao San Francisco Chronicle, contando detalhes da execução do crime e junto com a carta enviaria um pedaço da camisa de Stine que o assassino havia arrancado no momento do crime, já com a intenção de enviar ao jornal.
Em 8 de dezembro de 1969, o assassino mandaria aos jornais ainda mais cartas, uma toda criptografada, contando com 340 caracteres, e outra se gabando de ter cometido vários outros assassinatos na região.
Sequestro de Kathleen Johns