João Nuno Lacerda Teixeira de Melo, conhecido como Nuno Melo (Porto, 18 de março de 1966), é um advogado e político português. É presidente do CDS-PP desde abril de 2022 e ministro da Defesa Nacional desde abril de 2024, tendo integrado o XXIV e o XXV Governo Constitucional, ambos liderados por Luís Montenegro.

Foi deputado à Assembleia da República nas VIII, IX, X e XVI legislaturas e deputado ao Parlamento Europeu durante três legislaturas consecutivas, entre 2009 e 2024.

Primeiros anos, formação e carreira profissional

Embora diversas biografias institucionais indiquem Joane, em Vila Nova de Famalicão, como o seu local de nascimento, Melo afirmou ter nascido no Hospital da Lapa, no Porto, tendo seguido diretamente para Joane, onde cresceu.

Frequentou o Externato Delfim Ferreira, em Riba de Ave, e posteriormente o Colégio das Caldinhas, estabelecimento de ensino jesuíta em Santo Tirso. Concluiu o ensino secundário no antigo Liceu D. Maria II, em Braga.

Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Portucalense Infante D. Henrique, no Porto. Após a licenciatura exerceu advocacia, tendo aberto um escritório em Guimarães.

Cumpriu o serviço militar obrigatório no Regimento de Cavalaria n.º 3, em Estremoz, onde serviu como jovem oficial e comandante de pelotão. A sua biografia parlamentar regista uma referência elogiosa atribuída pelo mesmo regimento.

Carreira política

Início no CDS-PP e atividade autárquica

Melo filiou-se no CDS-PP em meados da década de 1990, já em idade adulta e sem ter passado pelas organizações juvenis partidárias. Segundo o próprio, entrou para o partido influenciado pela atividade parlamentar de dirigentes centristas da época e identificando-se politicamente com uma direita moderada.

No âmbito partidário local, foi presidente da concelhia do CDS-PP de Vila Nova de Famalicão, presidente da respetiva mesa da assembleia concelhia, vice-presidente da Associação Nacional dos Autarcas Populares e dirigente nacional do partido.

Foi presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão entre 2002 e 2024. Abandonou o cargo na sequência da sua entrada no Governo, tendo sido sucedido por João Nascimento.

Assembleia da República

Nas eleições legislativas de 1999, integrou em segundo lugar a lista do CDS-PP pelo círculo eleitoral de Braga. O partido elegeu inicialmente um deputado pelo círculo, José Ribeiro e Castro. Depois de Ribeiro e Castro assumir funções no Parlamento Europeu, em novembro de 1999, Melo passou a integrar a VIII Legislatura da Assembleia da República.

Encabeçou as listas do CDS-PP por Braga nas eleições de 2002 e de 2005, sendo eleito em ambas.

Foi presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP a partir de julho de 2004 e exerceu posteriormente o cargo de vice-presidente da Assembleia da República entre 2007 e 2009.

Melo presidiu à VIII Comissão Parlamentar de Inquérito à Tragédia de Camarate. O relatório aprovado pela maioria da comissão em 2004 concluiu pela tese de atentado e defendeu a continuação da investigação pelas autoridades judiciais. Participou igualmente na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do Banco Português de Negócios e à supervisão bancária.

Em março de 2024 regressou à Assembleia da República, após ser eleito em segundo lugar na lista da Aliança Democrática pelo círculo do Porto. O mandato foi breve, devido à sua entrada no Governo em 2 de abril.

Parlamento Europeu

Nas eleições europeias de 2009, Melo encabeçou a lista do CDS-PP e foi eleito deputado ao Parlamento Europeu. A lista obteve 298 057 votos, correspondentes a 8,37%, elegendo dois deputados.

Foi reeleito em 2014, quando ocupou o quarto lugar da lista da Aliança Portugal, encabeçada por Paulo Rangel, e novamente em 2019, desta vez como cabeça de lista do CDS-PP.

Durante a 7.ª legislatura europeia integrou, entre outras estruturas, a Comissão das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos e a delegação para as relações com o Mercosul.

Na 8.ª legislatura foi relator de relatórios sobre o setor europeu das frutas e produtos hortícolas, a aplicação do acervo de Schengen à Croácia e a interoperabilidade entre sistemas de informação da União Europeia nos domínios da cooperação policial e judiciária, asilo e migração.

Na 9.ª legislatura foi relator ou correlator de trabalhos relativos ao sistema europeu de comunicação judicial transfronteiriça e-CODEX, a medidas de apoio ao setor das pescas após a invasão russa da Ucrânia, ao acordo de pesca entre a União Europeia e São Tomé e Príncipe e ao impacto da pesca ilegal na segurança alimentar.

O seu terceiro mandato europeu terminou em 25 de março de 2024, antes de assumir funções governativas em Portugal.

Liderança do CDS-PP

Após Paulo Portas anunciar que deixaria a presidência do CDS-PP, em 2016, Melo foi apontado como possível candidato à sucessão. Chegou a ponderar a candidatura, mas decidiu não avançar e apoiar Assunção Cristas, argumentando, entre outras razões, que um líder partidário deveria ter presença na Assembleia da República para participar diretamente nos debates com o primeiro-ministro.

Em outubro de 2021 anunciou a sua candidatura à presidência do partido, então liderado por Francisco Rodrigues dos Santos, afirmando fazê-lo por um «imperativo de consciência» perante a situação política do CDS-PP.

Depois de o CDS-PP perder a representação parlamentar nas eleições legislativas de janeiro de 2022, Melo foi eleito presidente do partido no congresso realizado em Guimarães, em abril desse ano. A sua moção estratégica recebeu 854 votos, equivalentes a 73% dos votos expressos.

Foi reeleito presidente em 2024, com a lista para a Comissão Política Nacional a receber 89,3% dos votos dos delegados ao congresso realizado em Viseu.

Em maio de 2026 foi novamente reeleito, no congresso de Alcobaça, com a sua lista para a Comissão Política Nacional a obter 89,7% dos votos.

Aliança Democrática

Em janeiro de 2024, Melo, enquanto presidente do CDS-PP, assinou com Luís Montenegro, presidente do PSD, e Gonçalo da Câmara Pereira, presidente do PPM, o acordo que formalizou a nova Aliança Democrática para as eleições legislativas e europeias desse ano.

Nas legislativas de março, Melo foi o segundo candidato da AD pelo círculo do Porto e foi eleito deputado. O CDS-PP regressou assim à Assembleia da República, depois de ter ficado sem representação parlamentar em 2022.

Nas eleições legislativas de 2025, voltou a concorrer em segundo lugar pela coligação PSD/CDS no Porto e foi novamente eleito. Manteve, contudo, as funções de ministro da Defesa Nacional no XXV Governo Constitucional.

Ministro da Defesa Nacional

Melo tomou posse como ministro da Defesa Nacional em 2 de abril de 2024, no XXIV Governo Constitucional. Após as eleições legislativas de 2025, manteve a pasta no XXV Governo, tomando novamente posse em 5 de junho.

Condição militar e efetivos

Em julho de 2024, o Governo anunciou um conjunto de medidas de valorização remuneratória e social das Forças Armadas. O suplemento da condição militar foi elevado para 300 euros, com aumentos anuais de 50 euros até atingir 400 euros em janeiro de 2026. O pacote incluiu ainda alterações remuneratórias e de suplementos e mecanismos de compensação por incapacidade permanente ou morte em serviço.

O Governo associou estas medidas ao objetivo de melhorar a retenção e o recrutamento de militares e procedeu posteriormente à reorganização de estruturas do Ministério da Defesa ligadas aos recursos humanos e ao armamento.

Modernização das Forças Armadas

Em dezembro de 2024, o Estado português assinou com a Embraer o contrato de aquisição de doze aeronaves A-29N Super Tucano, um simulador de voo e serviços de sustentação logística, num investimento de cerca de 200 milhões de euros destinado à Força Aérea Portuguesa.

Em 2025, Portugal formalizou uma candidatura de cerca de 5,8 mil milhões de euros ao Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE), programa europeu de empréstimos destinado ao reequipamento militar. Em maio de 2026, o Governo aprovou o modelo de governação do financiamento e criou uma comissão independente de acompanhamento dos investimentos na Defesa.

No âmbito do SAFE, Portugal assinou em julho de 2026 um acordo com a Itália para a aquisição de três fragatas de nova geração para a Marinha Portuguesa, com entregas previstas entre 2029 e 2030. O investimento foi estimado em cerca de 3,9 mil milhões de euros.

Despesa de defesa e NATO

Durante o seu mandato, o Governo antecipou para 2025 o objetivo de atingir uma despesa em defesa equivalente a 2% do produto interno bruto. Em julho de 2026, Melo anunciou que, segundo valores confirmados pela NATO, Portugal tinha registado em 2025 despesa em defesa equivalente a 2,01% do PIB.

Apoio à Ucrânia

Durante o mandato de Melo, Portugal manteve o apoio militar à Ucrânia na sequência da invasão russa. Em 2025, o Governo indicou um compromisso de cerca de 221,6 milhões de euros em apoio militar, incluindo 50 milhões destinados à iniciativa Prioritised Ukraine Requirements List (PURL) e 10 milhões a uma iniciativa liderada pelo Reino Unido na área dos drones.

Posições políticas

Integração europeia

Melo tem-se definido como europeísta, mas contrário a uma evolução federal da União Europeia. Durante a campanha para as eleições europeias de 2009 afirmou ser um «europeísta convicto», mas não federalista, defendendo a preservação de competências e da soberania dos Estados-membros em diversas áreas.

Política económica e social

Melo tem caracterizado o CDS-PP como uma «direita social». Em 2025 defendeu uma economia de mercado orientada para a criação de riqueza, simultaneamente com políticas de redistribuição dirigidas às pessoas com menores rendimentos, distinguindo essa orientação de posições exclusivamente liberais no plano económico.

Imigração

Durante a campanha para as eleições europeias de 2019, Melo defendeu a existência de mecanismos de imigração legal ajustados às necessidades do mercado de trabalho, incluindo um sistema de quotas, ao mesmo tempo que afirmou que Portugal e a União Europeia deveriam cumprir as respetivas obrigações internacionais relativas a refugiados.

Eutanásia e interrupção voluntária da gravidez

Melo e o CDS-PP têm-se oposto à legalização da morte medicamente assistida. Em 2023, uma delegação do partido liderada por Melo pediu à Provedoria de Justiça que solicitasse ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva da legislação sobre eutanásia.

Em relação à interrupção voluntária da gravidez, Melo reiterou em 2024 a oposição histórica do CDS-PP ao regime em vigor, mas afirmou que a realização de um novo referendo não fazia parte do acordo da Aliança Democrática e não seria um tema da legislatura iniciada nesse ano.

Educação

Em 2020 foi o primeiro subscritor de uma petição que defendia a revisão dos conteúdos da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento ou, em alternativa, que a disciplina passasse a ser opcional. Melo afirmou então não contestar a existência de educação para a cidadania, mas considerar ideológicos alguns dos conteúdos lecionados.

Vida pessoal

Melo assume-se como católico e monárquico.

É casado e pai de dois filhos gémeos. Mantém uma ligação regular a Joane, onde possui uma quinta familiar. Em entrevistas referiu a agricultura, a leitura, os automóveis clássicos e a caça entre os seus interesses pessoais.

Obras

A obra reúne crónicas publicadas no Jornal de Notícias entre 2015 e 2019 sobre política portuguesa e europeia.

Resultados eleitorais

Eleições para o Parlamento Europeu

Eleição Partido/coligação Posição na lista Votos da lista % Mandatos Resultado Ref. 2009 CDS-PP 1.º 298 057 8,37% 2 Eleito 2014 Aliança Portugal 4.º 909 932 27,71% 7 Eleito 2019 CDS-PP 1.º 205 111 6,19% 1 Eleito

Eleições legislativas