O cubismo é um movimento artístico que surgiu no século XX, nas artes plásticas, tendo como principais fundadores Pablo Picasso e Georges Braque e tendo se expandido para a literatura e a poesia pela influência de escritores como John dos Passos e Vladimir Maiakovski. O quadro "Les demoiselles d'Avignon", de Picasso, 1907 é conhecido como marco inicial do cubismo. Nele ficam evidentes as referências a máscaras africanas, que inspiraram a fase inicial do cubismo, juntamente com a obra de Paul Cézanne.
O cubismo tratava as formas da natureza por meio de figuras geométricas, representando as partes de um objeto no mesmo plano. A representação do mundo passava a não ter nenhum compromisso com a aparência real das coisas.
Historicamente o cubismo originou-se na obra de Cézanne, pois para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas foram mais longe do que Cézanne. Passaram a representar os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. É como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na verdade, essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas.
O pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas geométricas, com o predomínio de linhas retas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos visuais, por cima e por baixo, percebendo todos os planos e volumes.
A origem da palavra De acordo com o negociante de arte Wilhelm Uhde, o termo cubismo é um neologismo inventado por Max Jacob, que participou, em junho de 1907, juntamente com Pablo Picasso e a sua companheira Fernande Olivier, Guillaume Apollinaire e Marie Laurencin, em reuniões animadas pelo haxixe e pelos discursos do matemático Maurice Princet. Em 1908, durante uma reflexão, Henri Matisse qualificou como cubista o quadro de Georges Braque, Maisons à l'Estaque (1907–1908). A ideia foi então retransmitida pelo crítico de arte Louis Vauxcelles, que, para descrever essas habitações geométricas, falou de "pequenos cubos". Anteriormente, num contexto semelhante, o crítico Louis Chassevent, no seu artigo de 1906 sobre Les Artistes indépendants, definiu Jean Metzinger como "um mosaísta como Signac, mas ele é tão preciso no corte dos cubos de cores que parecem ter sido fabricados por uma máquina". thumb|Du "Cubisme", 1912, Albert Gleizes e Jean Metzinger, Eugène Figuière editor; o primeiro manifesto cubista publicado em inglês e em russo em 1913. O uso generalizado do termo cubismo data de 1911, principalmente em referência a Metzinger, Gleizes, Delaunay e Léger. Nesse mesmo ano, o poeta e crítico Guillaume Apollinaire aceitou o termo em nome de um grupo de artistas convidados a expor nos Indépendants de Bruxelas. Du "Cubisme", escrito por Albert Gleizes e Jean Metzinger, foi publicado em 1912 com o objetivo de dissipar a confusão em torno do termo e servir como uma defesa fundamental do cubismo, que causara escândalo público após o Salon des indépendants de 1911 e o Salon d'automne de 1912. Ao clarificar os objetivos dos artistas, esta obra constitui o primeiro tratado teórico sobre o cubismo e permanece como o mais claro e inteligível. O resultado, que não foi apenas uma colaboração entre os dois autores, reflete as discussões do círculo de artistas que se reunia em Puteaux e Courbevoie. Reflete também as atitudes dos artistas de Passy, que incluíam Picabia e os irmãos Duchamp, para quem alguns trechos foram lidos antes da publicação. O conceito desenvolvido em Du “Cubisme” — observar um objeto a partir de diferentes pontos no espaço ao mesmo tempo, ou seja, mover-se em torno dele para apreendê-lo a partir de vários ângulos sucessivos fundidos numa única imagem (pontos de vista múltiplos, a perspectiva móvel ou simultaneidade) — é hoje um fenómeno geralmente reconhecido como característico do cubismo. O manifesto Du “Cubisme” de Metzinger e Gleizes foi seguido, em 1913, por Les Peintres cubistes. Méditations esthétiques, uma coleção de reflexões e comentários de Guillaume Apollinaire. Apollinaire esteve intimamente associado a Picasso desde 1905 e a Braque desde 1907, mas também deu igual atenção a artistas como Metzinger, Gleizes, Delaunay, Picabia e Duchamp.
Evolução do movimento Fase cezannista ou cezaniana (1907 a 1909): Influência do francês Paul Cézanne.
Fase analítica ou hermética (1909 a 1912): caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos. Decompondo a obra em partes, o artista registra todos os seus elementos em planos sucessivos e superpostos, procurando a visão total da figura, examinado-a em todos os ângulos no mesmo instante, através da fragmentação dela. Essa fragmentação foi tão grande, que se tornou qualquer figura nas pinturas cubistas. A cor se reduz aos tons de castanho, cinza e bege.
Cubismo sintético (1913 1914): reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. Basicamente, essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Também chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas. Essa inovação pode ser explicada pela intenção dos artistas em criar efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando também no observador as sensações táteis.
Desta última fase decorrem dois movimentos: Orfismo Secção de Ouro
Características Geometrização das formas e volumes; Renúncia à perspectiva; O claro-escuro perde sua função; Representação do volume colorido sobre superfícies planas; Sensação de pintura escultórica; Cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho suave; Cores fechadas.
Artistas plásticos thumb|Juan Gris, 1914: Homem no café
Paul Cézanné Paul Gauguin Pablo Picasso Georges Braque Juan Gris Kazimir Malevich Lyonel Feininger Fernand Léger Umberto Boccioni Robert Delaunay Diego Rivera Alexandra Nechita Tarsila do Amaral Vicente do Rego Monteiro Piet Mondrian
Escritores e poetas
Érico Veríssimo John dos Passos Vladimir Maiakovski Guillaume Apollinaire Blaise Cendrars Jean Cocteau Pierre Reverdy Oswald de Andrade Raul Bopp
Com influência cubista (uso de técnicas)
Cubofuturismo russo Futurismo italiano Fernando Pessoa Tyrteu Rocha Vianna
Bibliografia
Ligações externas
Categoria:Arte moderna Categoria:Movimentos da poesia moderna Categoria:Arte abstrata