Ousía (οὐσία [ousía]) é um substantivo da língua grega antiga formado a partir do particípio presente feminino do verbo ser (εἶναι [einai]). A palavra é, por vezes, traduzida para o português como substância ou essência, devido à sua tradicional tradução para o latim como substantia ou essentia. É um termo utilizado em FilosofiaCHAUI, Marilena, Convite à Filosofia, Ed. Ática, São Paulo, 2000 e em Teologia.Doutrina Católica - acesso a 28 de Novembro de 2007

Uso científico e religioso Filósofos gregos, como Platão e, principalmente, Aristóteles utilizaram essa palavra frequentemente nos seus discursos; é do uso dado por esses dois autores que decorre o atual significado atribuído correntemente à palavra, tanto em contexto filosófico como teológico.

Aristóteles usou o termo ao criar filos de animais nos seus tratados de taxonomia biológica. Para ele, o conceito de hypostasis (ou hipóstase) referia-se à existência de um ponto de vista lato, enquanto ousia se referia a um espécime ou individual das coisas ou seres.

Martin Heidegger, mais tarde, defendeu que o significado original da palavra se perdeu na sua tradução para o latim e, por conseguinte, para as línguas modernas. Para esse autor, significava "ser" e não "substância", isto é, não se pode aplicar a um conceito cuja etimologia remete a algo que permanece (-estância) "sob" outra (sub-). Usou, ainda o termo binomial parousia - apousia para expressar a ideia de 'presença' - 'ausência' e hypostasis para existência.

Significado teológico primitivo Orígenes, (c. 182 – c. 251) usou o termo ao dizer que Deus é um gênero de ousia com três espécies distintas de Hipóstases: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.

Os Sínodos de Antioquia, em 264-268 condenaram o termo homoousios (mesma substância) para se referir ao Filho e ao Pai, devido às raízes gregas e filosóficas da palavra, contudo a expressão foi consagrada pelo Primeiro Concílio de Niceia como fórmula de fé, já que Paulo de Samósata, cujos predicados teológicos estavam então em discussão, usava a palavra homoousios para significar que o Logos ou o Filho era uma só pessoa com o Pai.

No Primeiro Concílio de Niceia em 325 debateram-se, de fato, os termos homoousios e homoiousios. A palavra homoousios significa "a mesma substância", enquanto que a palavra homoiousios significa "de substância similar". Note-se que os termos diferem apenas numa letra (a letra grega iota). Existe mesmo uma expressão idiomática em inglês ("differ not by one iota.") que faz eco deste conceito: duas coisas que não difiram um iota são duas coisas que têm a mesma substância.

O Credo de Calcedônia de 451 afirmava que Deus tinha uma só ousia, ainda que tivesse três hipóstases.

Ver também

Qualidade (filosofia) Prima materia

Fontes DAVIS, Leo Donald Davis, The First Seven Ecumenical Councils (325-787): Their History and Theology, Liturgical Press, 1983. ISBN 0-8146-5616-1 HEIDEGGER, Martin, Ser e tempo, 5.ª Edição, Petrópolis, Vozes, 1998, ISBN 85-326-0225-8 LOSSKY, Vladimir, The Mystical Theology of the Eastern Church, SVS Press, 1997. ISBN 0-913836-31-1

Ligações externas

Catholic Encyclopedia: Homoousion Schaff's Seven Ecumenical Councils: Excursus on the Word Homousios

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