é uma modalidade desportiva de salto do atletismo (junto com salto em altura, salto com vara e, salto triplo) onde os atletas combinam velocidade, força e agilidade para saltarem o mais longe possível a partir de um ponto pré-determinado. Existe desde os Jogos Olímpicos da Antiguidade e, na Era Moderna, é disputado desde a primeira edição em Atenas 1896, para homens, e desde Londres 1948, para mulheres.

O primeiro campeão olímpico da prova foi o norte-americano Ellery Clark e a primeira campeã a húngara Olga Gyarmati. Os atuais campeões olímpicos são Miltiadis Tentoglou da Grécia e Tara Davis-Woodhall dos Estados Unidos. O recorde mundial pertence desde 1991 ao norte-americano Mike Powell — 8,95 m — e entre as mulheres é da soviética Galina Chistyakova — 7,52 m — desde 1988.

O mundo lusófono tem uma história de sucesso nesta modalidade do atletismo; além de brasileiros e portugueses já terem vencido por diversas vezes o salto em distância em eventos continentais, como os Jogos Pan-americanos e o Campeonato Europeu de Atletismo em Pista Coberta, a brasileira Maurren Maggi e a portuguesa Naide Gomes foram campeãs olímpica e mundial indoor, respectivamente, em Pequim 2008, Budapeste 2004 e Valência 2008.

História O salto em distância é o único evento de salto conhecido do pentatlo disputado na Grécia Antiga. Todas as modalidades do atletismo que existiam na época eram inicialmente supostos a servirem de treinamento para as guerras e ele surgiu possivelmente como um treino para o cruzamento de obstáculos como riachos e ravinas pelos soldados. Depois de investigações de marcas sobreviventes do evento na Antiguidade, acredita-se que, ao contrário dos atuais saltos, aos atletas era permitido apenas uma curta corrida antes de saltarem e eles tinham que carregar um pequeno peso em cada mão, chamados halteres, pesando entre 1 e 4,5 kg. Estes pesos eram balançados para frente no momento de saltar e empurrados para trás no meio do salto como uma maneira de aumentar a impulsão, mas os atletas precisam mantê-los nas mãos durante todo o salto. Balançando-os para cima e para baixo ao fim do salto, o centro de gravidade do atleta era mudado e permitia que as pernas fossem mais esticadas, aumentando a distância saltada.

O salto em si era feito de uma linha chamada bater ("aquela que é pisoteada"), provavelmente uma simples placa colocada no chão do estádio e removida após a prova,Stephen G. Miller, Ancient Greek Athletics. New Haven: Yale University Press, 2004, p.66 e os saltadores aterrissavam numa área chamada skamma, um "espaço escavado" no chão. Não havia ainda uma caixa de areia nesta área, o que é uma invenção moderna; a "skamma" era simplesmente uma pequena área escavada para essa ocasião e nada dela sobreviveu ao tempo.

Este salto era considerado uma das mais difíceis provas da Antiguidade, pela técnica exigida; durante os saltos músicas eram executadas e o sofista ateniense Philostratus diz que às vezes gaitas eram tocadas para dar o ritmo necessário aos complexos movimentos feitos pelos atletas com os pesos nas mãos durante o salto. Philostratus escreveu: "As regras consideravam o salto a mais difícil prova do torneio e elas permitiam ao saltador tirar vantagem em seu ritmo pela marcação feita com flautas e em seu peso pelo uso dos halteres."Stephen G. Miller, Ancient Greek Athletics. New Haven: Yale University Press, 2004, p.67

O mais notável atleta da Antiguidade neste evento dos antigos Jogos Olímpicos foi Chionis de Esparta, que nas Olimpíadas de 656 a.C. realizou um salto de 7,05 metros.

Entre os Jogos Olímpicos de Paris 1900 e Estocolmo 1912, o salto em comprimento também tinha a modalidade "sem corrida"; o atleta saltava de uma marca completamente parado, usando apenas a impulsão do corpo para realizar o salto. O norte-americano Ray Ewry foi campeão olímpico desta modalidade não mais existente por três vezes consecutivas.

Regras O salto deve ser dado após uma corrida numa raia marcada no chão, com o atleta saltando o mais longe possível dentro de uma caixa de areia ao fim dela. O salto é invalidado caso o atleta pise no final da tábua de impulsão, que geralmente é marcado por uma listra vermelha, colocada exatamente no início da caixa. Atualmente, o bordo da tábua é coberto por plasticina para facilitar a decisão dos juízes em casos dúbios. A distância é então medida do limite da tábua até a primeira marca na areia feita pelo corpo do atleta. A maioria dos eventos disputados é composto de seis saltos, sendo que alguns deles, que tem marcas mais baixas, constam de apenas três saltos. Se os competidores empatam no salto mais longo, é declarado vencedor aquele com a segunda marca mais longa.

Em eventos esportivos de grande magnitude, como os Jogos Olímpicos ou o Campeonato Mundial de Atletismo por exemplo, os doze melhores atletas dentre todos os que participam da primeira rodada de saltos, são classificados para a final; nela, todos dão três saltos mas apenas os oito primeiros colocados participam da rodada final de mais três saltos. Todos os seis saltos destes atletas finais valem para aferir o vencedor.

Como em diversas outras modalidades do atletismo, saltos dados com vento a favor acima de 2m/s não tem validade para a aferição de recordes.

Delamere's Flip - A técnica inovadora, e proibida Em 1974, o atleta neozelandês John Delamere realizou o salto em distância com uma técnica inovadora: após saltar, ele continuou o movimento do corpo dando uma cambalhota, num movimento similar ao salto mortal para frente. Esse movimento é mais eficiente mecanicamente. O movimento foi considerado ilegal, e meses mais tarde proibido pela Federação Internacional de Atletismo por ser "perigoso demais para a saúde dos atletas". Esta restrição permanece em vigor até hoje.

Se essa técnica não tivesse sido proibida, este teria sido o primeiro avanço significativo no salto em distância em mais de 50 anos, tendo o mesmo impacto que a inovadora técnica de Fosbury trouxe ao salto em altura.surtoolimpico.com.br/ Surto História - O "Fosbury Flop" e o dia que revolucionou o Salto em Altura nos Jogos de 1968thespinoff.co.nz/ How Tuariki Delamere’s somersault turned the sport of long jump on its head

No livro "Track and Field Dynamics" (1971) de Tom Ecker, Delamere aprendeu que o movimento natural do corpo em um salto é seguir o movimento para frente, então se você virar uma cambalhota para frente, o salto fica mais eficiente. Quando os saltadores em distância saltam, eles começam a girar naturalmente para a frente em torno de sua barriga, que se torna como um ponto de apoio. É por isso que os saltadores devem inclinar ligeiramente a parte superior do corpo para trás para permanecerem em pé quando saltam.

Tom Ecker - professor de biomecânica e autor do livro "Track and Field Dynamics", onde foi um dos primeiros a propor a técnica na década de 1970 - em uma entrevista à Sports Illustrated em 1974, contestou a decisão da Federação Internacional de Atletismo de proibir esse tipo de salto: “Não creio que haja perigo algum. O pior que um cara poderia fazer seria cair de costas”. John Delamere seguiu a mesma linha. Para ele “se é perigoso e você precisa proibi-lo, então é melhor proibir completamente a ginástica”.

Recordes De acordo com a World Athletics.

Homens <center>Recorde <center>Distância <center>Atleta <center>País <center>Data <center>Local<center> 8,95 m <center>Mike Powell<center><center>30 agosto 1991<center>Tóquio <center> 8,90 m <center>Bob Beamon<center><center>18 outubro 1968<center>Cidade do México 1968

Mulheres <center>Recorde <center>Distância <center>Atleta <center>País <center>Data <center>Local<center> 7,52 m <center>Galina Chistyakova<center><center>11 junho 1988<center>Leningrado <center><center>7,40 m<center>Jackie Joyner-Kersee<center><center>29 setembro 1988<center>Seul 1988

Melhores marcas mundiais As marcas abaixo incluem outdoor e indoor (i) de acordo com a World Athletics.

Homens PosiçãoDistânciaAtletaPaísDataLocal 1 8,95 m <center>Mike Powell<center><center>30 agosto 1991<center>Tóquio 28,90 m <center>Bob Beamon<center><center>18 outubro 1968<center>Cidade do México3 <center>8,87 m<center>Carl Lewis<center> <center>30 agosto 1991<center>Tóquio 4<center>8,86 m <center>Robert Emmiyan<center><center>22 maio 1987 <center>Salcazor5 <center>8,79 m<center>Carl Lewis<center><center>19 junho 1983<center>Indianápolis<center>8,79 m (i)<center>Carl Lewis<center><center>27 janeiro 1984<center>Nova York 7<center>8,76 m<center>Carl Lewis<center><center>24 julho 1982<center>Indianápolis<center>8,76 m <center>Carl Lewis<center><center>18 julho 1988<center>Indianápolis 9<center>8,75 m<center>Carl Lewis<center><center>16 agosto 1987<center>Indianápolis10<center>8,74 mLarry Myricks <center><center>18 julho 1988<center>Indianápolis<center>8,74 m <center>Erick Walder<center><center>2 abril 1994 <center>El Paso<center>8,74 m<center>Dwight Phillips<center> <center>7 junho 2008<center>Eugene

Mulheres PosiçãoDistânciaAtletaPaísDataLocal <center>1 7,52 m <center>Galina Chistyakova<center><center>11 junho 1988<center>Leningrado 2 <center>7,49 m<center>Jackie Joyner-Kersee<center> <center>22 maio 1994<center>Nova York <center>7,49 m<center>Jackie Joyner-Kersee<center> <center>31 julho 1994<center>Sestriere 4<center>7,48 m<center>Heike Drechsler<center><center>9 julho 1988<center>Neubrandenburg <center>7,48 m<center>Heike Drechsler<center><center>8 julho 1992<center>Lausanne 6<center>7,45 m<center>Heike Drechsler<center><center>21 junho 1986<center>Tallin <center>7,45 m<center>Heike Drechsler<center><center>3 julho 1986<center>Dresden<center>7,45 m<center>Jackie Joyner-Kersee<center><center>13 agosto 1987<center>Indianápolis <center>7,45 m<center>Galina Chistyakova<center><center>11 junho 1988<center>Leningrado <center>7,45 m<center>Galina Chistyakova<center><center>12 agosto 1988<center>Budapeste

Melhores marcas olímpicas As marcas abaixo são de acordo com o Comitê Olímpico Internacional – COI.

Homens PosiçãoDistânciaAtletaPaísMedalhaLocal 1 8,90 m <center>Bob Beamon<center> ouro<center>Cidade do México 1968 2<center>8,72 m<center>Carl Lewis<center> ouro<center>Seul 19883<center>8,68 m<center>Carl Lewis<center><center>Barcelona 1992 4<center>8,67 m<center>Carl Lewis<center> ouro<center>Barcelona 1992 5<center>8,64 m<center>Mike Powell<center><center>prata<center>Barcelona 1992 6<center>8,59 m<center>Dwight Phillips <center> <center>ouro<center>Atenas 2004 7<center>8,55 mIván Pedroso <center> <center>ouro<center>Sydney 2000 8<center>8,54 m<center>Lutz Dombrowski <center> <center>ouro<center>Moscou 1980 <center>8,54 m<center>Carl Lewis<center> <center>ouro<center>Los Angeles 1984 10<center>8,50 m<center>Carl Lewis<center> <center>ouro<center>Atlanta 1996 * A marca de 8,68 m de Carl Lewis foi conseguida nas eliminatórias e é 1 cm maior que a marca que lhe deu o ouro na final de Barcelona 1992.

Mulheres PosiçãoDistânciaAtletaPaísMedalhaLocal 1 <center>7,40 m<center>Jackie Joyner-Kersee<center> ouro<center>Seul 1988 2 <center>7,27 m<center>Jackie Joyner-Kersee<center> <center>Seul 19883<center>7,22 m<center>Heike Drechsler<center><center>prata<center>Seul 19884<center>7,17 m<center>Tianna Bortoletta<center><center>ouro<center>Rio 20165<center>7,15 m<center>Brittney Reese<center><center>prata<center>Rio 20166<center>7,14 m<center>Heike Drechsler<center> ouro<center>Barcelona 1992 <center>7<center>7,12 m<center>Inessa Kravets<center><center>prata<center>Barcelona 1992 <center>7,12 m<center>Chioma Ajunwa<center> ouro<center>Atlanta 1996 <center>7,12 m<center>Brittney Reese<center> ouro<center>Londres 2012 <center>10<center>7,11 m<center>Galina Chistyakova<center> <center>bronze<center>Seul 1988 * A ucraniana Inessa Kravets competiu em Barcelona 1992 pela Equipe Unificada da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). O salto de 7,27 m de Jackie Joyner-Kersee foi dado nas eliminatórias de Seul 1988.

Marcas da lusofonia