A Usina Hidrelétrica de Camargos é um empreendimento de geração de energia situado no curso superior do Rio Grande, integrando a bacia hidrográfica homônima. A instalação e seu respectivo reservatório localizam-se na divisa entre os municípios de Itutinga e Nazareno, no estado de Minas Gerais. O lago formado pela barragem também afeta territórios de municípios adjacentes, como Carrancas, Madre de Deus de Minas e São João Del-Rei. A estrutura é operada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig Geração e Transmissão) e desempenha um papel estratégico na regulação do nível e do fluxo hídrico para o Complexo Hidrelétrico que a sucede a jusante, atuando de maneira interligada à UHE Itutinga.
História A origem da Usina Hidrelétrica de Camargos está associada ao ciclo de eletrificação de Minas Gerais conduzido durante a década de 1950. A iniciativa estava vinculada aos objetivos da Companhia de Eletricidade do Alto Rio Grande (Cearg), empresa fundada em 1951 no governo estadual de Juscelino Kubitschek, que mais tarde, em 1952, seria integrada à recém-criada Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Camargos foi posteriormente incluída no "Plano de Metas" do governo federal (1956-1961), durante o mandato presidencial de Juscelino Kubitschek. Em janeiro de 1957, para suplementar os recursos próprios da Cemig, as obras civis receberam financiamento via empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). Adicionalmente, em novembro do mesmo ano, foi firmado um contrato de financiamento de 11,4 milhões de dólares com o Export-Import Bank (Eximbank), do governo norte-americano, destinado especificamente à aquisição dos equipamentos eletromecânicos da usina. A concessão federal de aproveitamento hidrelétrico foi oficialmente expedida em maio de 1958, por meio do decreto federal nº 44.370.
Construção/Fundação
A construção civil da barragem de Camargos teve início documentado em março de 1956. O projeto arquitetônico e de engenharia foi elaborado pela empresa norte-americana International Engineering Co. (Ieco). A execução das obras e a montagem das estruturas ficaram sob a responsabilidade da construtora Companhia Morrison Knudsen do Brasil S/A.
A barragem começou a ganhar forma e sua inauguração cívica/oficial ocorreu em maio de 1959. A usina entrou em operação em 1960 e está localizada no curso superior do rio Grande, entre os municípios de Madre Deus de Minas e Itutinga, em Minas Gerais. Possui uma barragem de 36 metros de altura e gera até 45 MW (2 x 22,5 MW). A obra foi considerada concluída quando a segunda unidade geradora passou a operar, em maio de 1961.
Dados Técnicos/Geográficos A estrutura da UHE Camargos é classificada como barragem de concreto gravidade. A usina é configurada para o padrão de frequência elétrica nacional de 60 Hz. Devido à sua cota fixa operacional, os órgãos ambientais constatam que o reservatório de Camargos não possui Área de Preservação Permanente (APP) típica atrelada à flutuação de cota máxima, uma vez que o nível normal de montante se encontra na mesma cota do nível maximorum (913 metros). CaracterísticaValor / DetalheCapacidade Instalada (Geração)46,00 MWGarantia Física21,00 MW médiosUnidades Geradoras2 turbinas do tipo Kaplan (2 x 22,5 MW unitários)Área inunda/Reservatório (Máxima)73,35 km² (7.335 hectares)Volume Total Acumulado792 hm³ (ou ~797,63 hm³)Cota do Nível Mínimo899 metrosCota do Nível Máximo (Normal e Maximorum)913 metrosTipo de BarragemConcreto gravidade Seu reservatório inunda áreas nos seguintes municípios: Carrancas (40,26% do lago), Itutinga (9,45%), Madre Deus de Minas (17,87%), Nazareno (6,50%) e São João Del Rei (25,91%). O nível operacional fica entre 899 m e 913 m acima do nível do mar., acesso em 18 de maio de 2014.
Impacto Atual Do ponto de vista energético, seus 46 MW abastecem o Sistema Interligado Nacional (SIN). No âmbito ambiental e logístico, as variações climáticas geram impactos significativos no espelho d'água. Estudos de sensoriamento remoto (LANDSAT) registraram que, em períodos de forte estiagem hidrológica (como em outubro de 2014), a área alagada de Camargos foi reduzida a quase seu mínimo histórico de cerca de 29 km² (uma drástica perda em comparação à cota máxima normal de 73 km²). Essa dinâmica de cheias e secas afeta diretamente as margens, exigindo constantes monitoramentos geodésicos para avaliar encostas e processos erosivos causados pelas oscilações de água.
Turísmo O espelho d'água represado tornou-se objeto de múltiplo aproveitamento pela população local. Os relatórios ambientais de avaliação da bacia (órgãos SIAM / SEMAD) registram que as margens do reservatório de Camargos e o trecho livre entre Camargos e Itutinga são usados para turismo de final de semana, com ênfase na prática de natação, recreação de contato primário com a água (lazer aquático), navegação leve, canoagem, aquicultura comercial e, principalmente, a pesca.
Ver também Lista de usinas hidrelétricas do Brasil Lista de barragens do Brasil
Camargos Camargos Categoria:Itutinga Categoria:Nazareno (Minas Gerais)